Nome da fic: Expecto Patronum
Autor: BastetAzazis
Beta-reader: Ferporcel
Pares: Snape/Tonks
Censura: Livre
Gênero: Romance
Spoilers: não
Resumo: Quando o Prof. Snape resolveu ajudar uma lufa-lufa no seu N.I.E.M. de Defesa Contras as Artes das Trevas ele jamais imaginara que o destino poderia lhe pregar uma peça!
Desafio: Essa fic foi uma resposta aos Desafios X: Snape é frio e insensível... Será mesmo? O que pode provocar um gesto de ternura no ex-mestre de Poções?; e Y: Snape se descobre apaixonado por um de seus alunos. Quem seria e como ele iria reagir?
Disclaimer: É tudo
da J.K.Rowling. Eu só escrevi isso para poder participar do SnapeFest!!!!
Esta fic faz parte do
Snapefest 2007, uma iniciativa do grupo SnapeFest!
\o/ \o/ \o/ \o/ \o/
−1−
Ninfadora Tonks estava
no auge da adolescência quando seguiu para Hogwarts para seu último ano na
escola. A jovem lufa-lufa era uma garota tímida e retraída, muito diferente
da auror que agora olhava atônita para o espectro de sombras que se formara
a partir da sua varinha. Ela sentiria saudades da serpente que a acompanhara
nos últimos anos, mas talvez este fosse apenas mais um sinal de que estava
na hora de deixar o passado para trás. Jamais esqueceria o que o mestre de
Poções fizera por ela, mas eles nunca foram feitos um para o outro.
Entretanto, houve uma época em que ela realmente acreditara que o temido
Prof. Snape era um homem bom e apaixonado, escondido por trás daquela
carranca insensível. Ela tinha acabado de começar o sétimo ano, o ano dos
N.I.E.M.s. Para ajudar, seu cabelo mudava de cor a toda hora, denunciando a
guerra de hormônios no corpo que se preparava para encarar a vida adulta.
Era obrigada a escutar todo o tipo de brincadeiras a respeito da sua
metamorfomagia quando ela não conseguia controlar as formas estranhas em que
seus nariz e orelhas eram capazes de se transformar. Neste ponto, seus
cabelos compridos eram de grande auxílio para esconder a monstruosidade que
seu rosto se transformava quando ficava nervosa ou sentia-se ameaçada.
Naquele ano, sua vida em Hogwarts se transformara num verdadeiro inferno, e
ela passava a maior parte do seu tempo sozinha na biblioteca, estudando para
os N.I.E.M.s do final do ano letivo.
Ela fora a única
lufa-lufa em décadas, segundo a Profa. Sprout, que se interessara em seguir
a carreira de auror, e sua Chefe de Casa lhe garantira que faria todo o
possível para ajudá-la a atingir as notas necessárias nos N.I.E.M.s. Isso
não era nenhuma tarefa árdua, Tonks era uma aluna excelente e acreditava que
só não fora aceita como monitora porque era atrapalhada demais.
Era nas aulas de
Poções que sua timidez e trapalhadas eram verdadeiramente postas à prova...
– Uma, duas, três... –
ela começou a contar em voz baixa em frente ao caldeirão que dividia com um
corvinal. Era a única lufa-lufa na turma avançada de Poções – ...quatro,
cinco. – Ela parou de repente. O Prof. Snape passeava sorrateiramente pela
sala inspecionando cada caldeirão, e ela sentiu de longe o perfume dele.
Sabia que logo ele estaria parado às suas costas.
Sim, suas amigas
lufa-lufas podiam não acreditar, mas o Prof. Snape tinha um perfume
característico. Um perfume que ela só aprendera a reconhecer naquele ano,
quando a pedido da Profa. Sprout, ela passou a freqüentar as masmorras duas
vezes por semana para aulas extras de Defesa Contra as Artes das Trevas. Era
um perfume acre como o humor dele, misturado a uma leve fragrância de cravo
que era capaz de fazer sua barriga formigar cada vez que a sentia. Ela não
conseguia entender por que nas últimas semanas seu corpo tremia tanto cada
vez que sentia aquele perfume. Ela não tinha medo do Prof. Snape, respeito
talvez, mas nada que justificasse aquelas reações tão irracionais.
– Srta. Tonks! – A voz
fria e ríspida, característica do mestre de Poções, ecoou por toda a sala. –
Até os cabeças-ocas do primeiro ano conseguem contar meia dúzia de mexidas.
Devo mandá-la se juntar a eles? – ele acrescentou com um sorriso desdenhoso
nos lábios.
Tonks despertou dos
seus devaneios assustada. Ao invés de responder ao professor, concentrou-se
em abaixar a cabeça para que seus longos cabelos, agora provavelmente
escurecidos, escondessem o rosto antes que seu nariz começasse a se retorcer
na frente dos demais alunos.
– Menos cinco pontos
para a Lufa-lufa – Snape proferiu. Depois, fez um gesto com sua varinha, e o
conteúdo do caldeirão desapareceu. – Eu quero uma poção apropriada até o
final da aula ou cinco rolos de pergaminho sobre a influência do número de
mexidas na preparação e nas propriedades dos antídotos que estamos
estudando.
Thomas Cravey, seu
companheiro corvinal, a fuzilou com o olhar, mas recomeçou a picar os
ingredientes silenciosamente depois de um longo suspiro. O Prof. Snape
seguiu sua inspeção para a mesa da frente, e Tonks o acompanhou com os olhos
estreitos.
Por que ele faz
isso comigo? – ela pensou desesperada. É só ele chegar perto de mim e
tudo em volta parece girar, por quê?
Você não pode estar
apaixonada por ele, Tonks. Isso é ridículo – uma vozinha lhe dizia em
sua cabeça. Ele é o Snape, o morcegão seboso da Sonserina. Há dezenas de
garotos bonitos na escola, você não ia se apaixonar por um professor seboso
e narigudo.
Exceto pelo fato de
que você nunca gostou de garotos da sua idade – outra vozinha, do outro
lado da sua cabeça, respondeu. E o Prof. Snape é o único professor com
menos de meio século aqui em Hogwarts.
Isso é ridículo!
– a primeira voz rebateu. Ele é velho, feio e tem um péssimo humor.
Você seria alvo de piadas se alguém desconfiasse que está pensando nele.
Ele não é velho
– a segunda voz replicou. E quando ele encara alguém com aqueles olhos...
Eu poderia me afundar naqueles olhos... Aposto que por trás daquela fachada
sisuda, por baixo daquela infinidade de botões, tem um homem de verdade, que
sabe como pegar uma mulher e...
Ninfadora Tonks!
Ela despertou
assustada de seus devaneios ao perceber que estava fantasiando com o Prof.
Snape em plena aula de Poções. Sentindo-se enrubescida, olhou para
frente e lá estava ele, já sentado à sua mesa e encarando-a como se tivesse
lido seus pensamentos. Sem saber o que fazer com aqueles olhos fixos nela,
baixou a cabeça e começou a jogar no caldeirão os primeiros ingredientes que
Thomas lhe passava.
−2−
Do outro lado da sala,
o Prof. Snape observava Ninfadora Tonks com curiosidade. Onde ele estava com
a cabeça quando aceitou o pedido de Pomona? Orientar uma aluna − uma
lufa-lufa − em Defesa Contra as Artes das Trevas, e ele nem mesmo era o
professor oficial da matéria. Claro, o pateta que Dumbledore contratara para
aquele ano não era capaz de diferenciar um lobisomem de um vampiro; a menina
estaria perdida no exame do N.I.E.M. se confiasse apenas nas aulas dele. Mas
o que o fizera realmente sair da sua máscara de indiferença e rancor foram
as semelhanças que ele encontrara naquela solitária lufa-lufa com ele mesmo
quando tinha a idade dela.
Assim como ele, ela
também era uma mestiça e carregava um sobrenome trouxa. A mãe dela era uma
das herdeiras das mais tradicionais famílias de sangue puro, os Black, que
abandonara todas as tradições e riqueza da família para casar-se com um
nascido trouxa. Claro, estando na Lufa-lufa, ela não sentia a mesma pressão
que ele sentira sendo da Sonserina, mas a timidez e a reserva de uma aluna
tão inteligente não passaram despercebidas aos olhos do mestre de Poções.
Ele viu seu próprio passado nas atitudes dela, isolada na biblioteca,
mergulhada nos livros, sem amigos próximos em quem confiar. Não podia
permitir que outra alma se perdesse como ele quase se perdera. Contrariando
qualquer expectativa de Pomona, aceitou ajudar a Srta. Tonks com as aulas
extras de Defesa, focalizando principalmente nas tarefas normalmente
exigidas nos exames dos últimos anos.
Na primeira noite em
que deveria aguardá-la em seu escritório para as aulas, ele já havia se
arrependido. Ele não era um professor bonzinho, muito pelo contrário;
cultivara sua fama de sombrio e asqueroso nos últimos dez anos e não queria
que a compaixão por uma aluna estragasse seu disfarce. Entretanto, quando
ela chegou em sua sala pontualmente e mostrou que realmente estava
interessada no que ele tinha a ensinar-lhe, ele mudou de opinião. Era
recompensador ensinar um aluno com tamanha vontade de aprender, e tinha que
admitir, a garota era realmente esperta.
Passaram o primeiro
mês treinando feitiços não-verbais. Ele podia ver como ela era esforçada – e
como enfrentava a intimidação que ele conhecidamente impunha a seus alunos –
tentando azará-lo silenciosamente, enquanto ele sempre defendia seus
ataques. Foi fácil perceber, depois que ela perdera a timidez inicial, que a
Srta. Tonks realmente gostava das suas aulas de Defesa, e em pouco tempo,
ele se viu até esperando pela companhia da jovem lufa-lufa nas noites
solitárias que passava em seu escritório, esperando o horário das suas
rondas pelo castelo. Ele já havia se esquecido como era não ser temido ou
odiado pelas pessoas.
Entretanto, aquele
sentimento o incomodava. Ele andava pela turma de N.I.E.M., avaliando o
desempenho dos seus alunos, e esperava sempre que a poção dela fosse a
melhor. Irritava-se quando isso não acontecia, quando a via distraída ou
prestes a cometer algum engano; ela jamais obteria a nota que precisava no
seu N.I.E.M. se não conseguisse preparar uma poção apropriadamente. Mas por
que ele se preocupava tanto com isso? O que aquela menina tinha de tão
especial que era capaz de fazê-lo amansar seu comportamento bravio e
desdenhoso? Ele já sentira algo assim por uma garota antes, mas já fazia
muito tempo... E não! Isso seria inadmissível!
−3−
Os meses foram
passando e as aulas extras de Defesa Contra as Artes das Trevas com o Prof.
Snape progrediram numa velocidade fenomenal. Faltando ainda um semestre
inteiro para as provas, Tonks já dominava perfeitamente os feitiços
não-verbais e aprendera diversos feitiços de proteção. Já haviam revisado
vários contra-feitiços e as maneiras para reconhecer e se defender de
diversas criaturas das trevas. Mas a aula que mais a impressionou foi quando
ele lhe fez uma bela narração sobre as Maldições Imperdoáveis. Podia ver os
olhos dele brilhando enquanto explicava sobre o poder exigido do bruxo para
lançar estas maldições e na força de concentração necessária para evitá-las.
Ela já tinha ouvido alguns boatos sobre seu mestre de Poções ter sido um
Comensal da Morte, inocentado por Dumbledore sob a alegação de que estava
infiltrado entre os seguidores de Você-Sabe-Quem como espião. Ao ouvi-lo
falar, ela estava certa disso, pois a paixão que ele deixava transparecer
por aqueles olhos enquanto explicava dos perigos em se envolver com as Artes
das Trevas só podia vir de alguém que realmente conhecera de perto e lutara
contra essas ameaças. E a paixão dele pela luta contra àqueles que se
dedicavam às Trevas chegava a ser palpável, fazendo-a ter a certeza de que
realmente queria ser uma auror e também abraçar aquela causa.
Eu queria que esses
olhos brilhassem assim para mim... – ela se pegou pensando e sentiu sua
orelha se contorcendo e o rosto esquentando em rubor. Ela baixou a cabeça,
tentando se esconder do professor, mas ele se virou para ela, visivelmente
irritado por ter que parar sua explicação, e perguntou com olhos estreitos:
− Algum problema,
Srta. Tonks?
Tonks se encolheu
ainda mais na cadeira, não querendo que o professor a visse envergonhada
daquele jeito e tentando afastar as imagens tentadoras do Prof. Snape que
ultimamente vinham à sua cabeça. Ela sabia que ele podia usar Legilimência,
e se ele tentasse ler sua mente agora? Ela morreria de vergonha. Confirmando
seu estado emocional, seu corpo reagiu, e ela agora também podia sentir o
nariz mudando de forma.
− Não, pro- professor
– ela conseguiu balbuciar abaixo da cortina de cabelos, agora escuros e sem
vida. − Eu só... só...
Snape continuou
olhando para a aluna sentada do outro lado da sua mesa, prestes a cair numa
crise de choro. Era por isso que ele não deveria ter concordado com estas
aulas; ele não era a pessoa mais apta para lidar com problemas adolescentes.
Com um suspiro, ele sentou-se na mesa de frente para a garota e a observou.
Ele sabia muito bem o que era ser diferente dos colegas, ser o alvo de
piadas de mau gosto e brincadeiras sem graça. Ele sabia como ela estava
sofrendo, e uma dor estranha apertou seu coração.
Logo ele deveria
começar a ensiná-la o feitiço do patrono, uma das armas mais importantes
para um auror se livrar de dementadores e mortalhas-vivas. Entretanto, uma
mente confusa e cheia de temores jamais conseguiria conjurar um Patrono
merecedor de um Excelente no N.I.E.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas –
o mínimo exigido para que ela fosse aceita no treinamento para auror. Se
quisesse realmente ajudá-la, teria que antes treiná-la a controlar melhor a
mente e seus poderes metamórficos a fim de conseguir a concentração
necessária para invocar um Patrono.
− Talvez seja melhor
encerrarmos a aula por hoje, Srta. Tonks – ele disse para a garota encolhida
do outro lado da sua mesa. − Eu deveria ter imaginado que discorrer sobre os
horrores cometidos durante a época do Lorde das Trevas a deixaria abalada.
− Não! – ela
protestou. Levantando os olhos para encontrar os olhos do Prof. Snape sobre
ela. − Sua aula foi excelente, professor. Eu gostaria realmente que fosse
você o nosso professor de Defesa. É só que eu... eu... eu não consigo
controlar o meu corpo às vezes, e isso me incomoda.
Snape não soube dizer
se foi pelo primeiro elogio recebido alguma vez de um aluno ou se pela
sinceridade que lia nos olhos da Srta. Tonks, mas de repente sua camada de
hostilidade e indiferença caiu totalmente. Sem pensar, ele se viu afastando
uma mecha de cabelo do rosto da menina e sorriu, não com desdém, mas num
divertimento encorajador.
− Você deveria se
orgulhar desse seu dom – ele disse. − Tenho certeza que será de grande valia
para uma auror.
Tonks sorriu de volta
para o professor e seus olhos brilharam com a possibilidade tão remota de um
dia se tornar uma auror. Ele acredita em mim? Ele realmente acha que eu
posso atingir os N.I.E.M.s necessários? Seu coração se acalmou, e ela
sentiu que seu rosto voltava ao normal.
− É o que minha mãe
sempre diz – ela respondeu −, mas de que me adianta ser metamorfomaga se eu
não consigo me controlar?
− Você terá que
aprender a controlar melhor sua mente – Snape replicou. − Na próxima semana
nós deveríamos entrar em alguns feitiços onde o controle das emoções é
crucial, entretanto, acho que primeiro terei que treinar sua mente.
Tonks olhou para ele
com a testa franzida. O que havia acontecido com o carrancudo mestre de
Poções? De qualquer forma, isso não importava, porque ele estava lindo com
aqueles olhos penetrantes sobre ela. Lindo? Você disse lindo,
Tonks? Você só pode estar ficando louca!
− Não se preocupe –
ele acrescentou com um leve sorriso quando viu a cara dela. − Tenho certeza
que irá gostar quando descobrir como é fácil usar sua metamorfomagia com uma
mente bem preparada.
Ele levantou-se e foi
até a porta, abrindo-a. Com um relance para o relógio na parede, continuou:
− Mas é só o que
discutiremos por hoje, Srta. Tonks. Já está quase na hora do toque de
recolher, é melhor você voltar para a sala comunal da Lufa-lufa.
Tonks enfiou suas
coisas na mochila, lamentando ter que deixar o escritório do mestre de
Poções. Seguiu até a porta e, com um sorriso tímido, levantou os olhos para
o Prof. Snape e disse:
− Obrigada, professor.
Aquilo pegou Snape de
surpresa, que apenas assentiu com a cabeça e fechou a porta assim que a
menina saiu. O que estava acontecendo com ele? Desde quando ele se
preocupava com lufa-lufas adolescentes e seus problemas? Lembrou-se do
aperto que sentiu no coração quando a viu toda encolhida, com vergonha do
próprio rosto. Apenas uma pessoa o fizera se sentir assim antes... Não!
– disse para si mesmo. Ela é praticamente uma criança! Uma aluna!
Pensou seriamente em
conversar com Pomona e dizer-lhe que não poderia continuar com as aulas, mas
então desistiu. Não daria o braço a torcer. Ele era bem capaz de controlar
suas emoções, e aquilo era apenas uma peça pregada pelo seu coração
solitário; não se deixaria enganar.
−4−
Tonks caminhou em
direção à sua sala comunal distraída com seus pensamentos. Aquele
definitivamente não era o Prof. Snape. Ele parecia tão atencioso, tão
preocupado... As imagens dele discorrendo sobre o assunto da aula e,
depois, dos olhos escuros pousados sobre ela; aquelas imagens a faziam
sentir seu coração bater mais rápido e uma pontada na barriga. Seriam essas
as famosas borboletas no estômago?
Aff, Tonks! Você
não pode estar apaixonada pelo Prof. Snape.
Não – ela
respondeu para si mesma. Mas o homem que estava naquela sala era tão
diferente do Prof. Snape...
Inspirou profundamente
o ar a sua volta, mas o perfume dele havia ficado para trás. Secretamente,
se viu desejando que ele a encontrasse vagueando nos corredores do castelo
fora do horário e lhe desse uma detenção. Com um sorriso bobo no rosto, ela
continuou seu caminho imaginando uma detenção com o Prof. Snape. Nada de
limpar caldeirões ou dissecar sapos, as detenções que ela imaginava
envolviam faixas de seda, algemas e outras coisas que ela tinha vergonha de
dizer até para si mesma. Quando chegou à porta da sua sala comunal, teve que
se recostar na parede e respirar fundo para se acalmar e seu rosto voltar ao
normal, pois sabia que seus hormônios a traíam novamente, fazendo seu nariz
e orelha se retorcerem com aqueles pensamentos.
−5−
Na semana seguinte, as
aulas extras de Defesa Contra as Artes das Trevas continuaram. Tonks entrou
na sala do Prof. Snape apreensiva, com medo que ele invadisse seus
pensamentos mais profundos e descobrisse os sonhos estranhos que a excitavam
quase todas as noites nas últimas semanas. Em quase todos, ele estava
presente, e ela se via cada vez mais perturbada quando ficava perto dele e
sentia seu perfume acre.
Felizmente, seus
temores mostraram-se infundados. Como se tivesse entendido seus receios, o
Prof. Snape começou a aula com simples exercícios para a mente, como
relaxamento e concentração. Eles continuaram neste ritmo durante um mês
inteiro, quando o professor anunciou que achava que ela já estava preparada
para alguns novos truques.
Pronto – ela
pensou –, ele vai ler meus pensamentos agora. Um misto de terror e
vergonha apoderou-se dela, imaginando o que ele diria quando descobrisse que
ela sonhava com ele todas as noites, beijando-a, arrancando sua roupa e
possuindo-a na sua cama de dossel do dormitório da Lufa-lufa. Pelo menos as
aulas de concentração foram úteis para que seu corpo não se manifestasse
mais nervosamente, fazendo seu rosto se contorcer e seu cabelo mudar de cor
quando sentia-se envergonhada.
O Prof. Snape ainda a
olhava com aquele sorriso malicioso que a fazia derreter em sua cadeira,
quando a ordenou:
– Quero ver seu nariz
crescer, Srta. Tonks.
– O quê? – Tonks
perguntou atônita. Ela estava tão feliz por ter se livrado daquela sensação
do seu rosto se retorcendo depois que aprendeu a se concentrar, por que ele
queria fazê-la passar por tudo aquilo de novo?
– Quero vê-la
controlando sua metamorfomagia, Srta. Tonks. Eu sei que você consegue – ele
respondeu num tom frio, mas, mesmo assim, as últimas palavras eram
encorajadoras para a menina.
Tonks fechou os olhos
e se concentrou em controlar suas emoções conforme Snape lhe ensinara. Em
seguida, concentrou-se em seu nariz e pensou nele crescendo. No instante
seguinte, sentiu a sensação que tanto odiava quando seu nariz começava a se
retorcer. Abriu os olhos e viu o Prof. Snape observando-a com um sorriso de
aprovação. Sentiu as bochechas enrubescerem de vergonha, ela deveria estar
horrorosa com aquele nariz, mas então percebeu que tinha total controle
sobre suas formas e fez seu rosto voltar ao normal, com um sorriso de ponta
a ponta.
Durou apenas um
segundo, mas para Snape e Tonks parecia ter durado uma eternidade. Um único
momento, uma única troca de olhares. Ela sorria com sua pequena vitória,
orgulhosa de poder mostrar ao Prof. Snape que era capaz de controlar seus
poderes. Ele a encarava orgulhoso e verdadeiramente feliz pela conquista da
sua aluna, admirando silenciosamente – e sem jamais admitir para si mesmo –
a beleza da jovem sorridente à sua frente. Um momento singelo, seguido de
outro constrangedor. Eles eram professor e aluna, jamais poderiam se deixar
levar por emoções mais fortes.
Entretanto, aquele
silêncio dizia mais coisas que qualquer discurso do seu mestre de Poções. O
Prof. Snape ficara constrangido na sua presença, com o seu sorriso, com o
seu olhar de admiração. Será que isso significava que ele... Não...
impossível! Ele jamais olharia para uma atrapalhada como eu. Será? – ela
se perguntava com uma pontinha de esperança.
Mas ele se recompôs e
a fez despertar com um pigarro, dizendo logo em seguida:
– Muito bem, Srta.
Tonks. – Ela achou engraçado, embora não ousasse rir, como o soturno Prof.
Snape subitamente parecia tão desconcertado. – Você conseguiu um nível de
concentração capaz de controlar até as reações involuntárias do seu corpo.
Acho que está pronta para iniciarmos feitiços mais complicados, mas
necessários para uma auror.
Tonks sorriu mais uma
vez ao ouvi-lo referindo-se a ela como uma futura auror. Não havia nenhum
tom amigável naquelas palavras, apenas a voz fria e recentemente controlada.
Mas vinda do Prof. Snape, a falta de desdém já era reconfortante.
– Entretanto,
deixaremos isso para semana que vem – ele continuou.
−6−
Na aula seguinte Snape
tentou ensinar a Tonks, com o máximo de paciência que conseguia – e isso
significava quase nenhuma paciência –, o feitiço do Patrono. As palavras
eram simples: Expecto Patronum, mas quando Tonks tentava lançar o
feitiço, sua varinha produzia apenas uma leve cortina de fumaça prateada.
Sem entender por que aquilo o preocupava tanto, Snape tentou manter a calma
e não ralhar com a aluna, para não deixá-la ainda mais nervosa – como se
alguma vez ele tivesse se preocupado em manter a sanidade mental de algum
aluno. Bem, ele realmente estava preocupado com ela, e aquilo o afligia
mais que as tentativas frustradas da Srta. Tonks em produzir um Patrono
decente. Inquieto, Snape a dispensou mais cedo que o normal, e Tonks deixou
as masmorras tão apreensiva quanto seu professor, triste por achar que ele
estava decepcionado com ela.
Na solidão da sua
sala, Snape tentava entender a dificuldade da Srta. Tonks com o feitiço do
Patrono. Faltavam apenas algumas semanas para as provas, ela precisava pelo
menos mostrar que conseguia desenvolver uma forma capaz de repelir
dementadores ou provavelmente não seria aceita no treinamento para auror.
Ele se culpava por isso, não deveria ter perdido tanto tempo com os
exercícios para a mente. Sem notar que o Prof. Snape jamais concederia
tantos favores a um aluno, nem mesmo se fosse um sonserino, o homem que
agora estava sentado em sua mesa decidiu que precisaria de mais tempo para
treinar a Srta. Tonks. Aumentaria a freqüência das suas aulas nestas duas
últimas semanas para recuperar o tempo perdido. Entretanto, uma vozinha
escondida no fundo de sua mente teimava em dizer que aquilo era apenas uma
tentativa de um velho solitário para preencher suas noites vazias com a
presença de uma jovem tão fascinante. Será que seu coração finalmente
conseguira lhe pregar uma peça?
−7−
− Como eu vou lançar
um feitiço para me defender de uma coisa que nunca vi antes?
− Você tem que se
concentrar mais. Eles jamais aceitarão uma fumaça disforme como Patrono!
− Eu não consigo!
− Você TEM que
conseguir! – Snape berrou para a aluna que o encarava com olhos suplicantes.
Tonks se encolheu
assustada, e pela primeira vez, Snape não se sentiu satisfeito com o terror
que infligia em um de seus alunos. Sentindo um peso incomum em seu coração,
cruzou o espaço que os separava com poucos passos e logo estava bem à frente
dela.
− Desculpe, eu... eu
não... – Quem estava dizendo aquilo? Não era ele; o Prof. Snape jamais pedia
desculpas a uma aluna.
Mas há muito tempo que
a jovem à sua frente não era apenas uma aluna. Na última semana ela estivera
em sua sala todos os dias, com a pretensão de aprender o feitiço do Patrono.
Mas para ele era mais que isso, na última semana ela fora a companhia que
ele sempre sentira falta todos esses anos em Hogwarts e jamais tivera
coragem de admitir. Ele pensava que havia esquecido como era ter alguém por
perto para simplesmente conversar sobre amenidades e compartilhar os
acontecimentos do dia. Mas não, aquela garota fizera com que tudo aquilo que
estava enterrado dentro dele reascendesse, e agora ele sabia que sentiria
falta da companhia dela nas semanas seguintes.
Do outro lado, Tonks
olhava assustada para o mestre de Poções. Sentia uma vontade inexplicável de
mostrar a ele que era capaz de convocar um Patrono digno de um Excelente em
Defesa, mas agora estava com vergonha da reles fumaça que saía da sua
varinha. Não conseguia entender todas as emoções que afloraram nela.
Desapontamento, não porque não conseguira formar o Patrono, mas porque não
respondera às expectativas do Prof. Snape; nervosismo pela forma com que ele
gritara com ela; e um formigamento na barriga com a proximidade dele. O
perfume dele a envolvia de uma forma que a deixava intoxicada, e ela sentia
uma vontade desesperada de atirar-se nos braços dele.
Snape procurou em sua
mente uma maneira de se explicar, de pedir-lhe desculpas pelo comportamento
insistente, pois estava apenas tentando ajudá-la, mas estava hipnotizado
pelos lábios vermelhos, jovens e vivos que encarava. Há muito tempo que ele
não sentia mais o sabor do beijo de uma mulher apaixonada e sentiu os seus
próprios lábios formigarem. Foi muito rápido, ele tinha certeza que não se
movera, mas os lábios dela estavam cada vez mais próximos e ele fechou os
olhos e se deixou levar pela sensação de lábios ávidos encostando-se aos
seus.
Os dois se entregaram
àquele beijo, esperado por tanto tempo e só agora realizado. Snape sentiu os
braços dela o enlaçarem e fez o mesmo, puxando-a para mais próximo de si.
Enroscou os dedos no cabelo dela, e um desejo quase selvagem tomou conta
dele. Ele a queria, seu corpo ansiava por tê-la, mas alguma coisa não o
deixava continuar.
Tonks percebeu a
hesitação dele e acabou se afastando. Envergonhada, desvencilhou-se dele e,
sem coragem de dizer uma palavra, saiu correndo das masmorras. Onde ela
estava com a cabeça quando foi beijar o Prof. Snape? Ele ainda era seu
professor, jamais admitiria uma coisa dessas. Além do mais, se suas amigas
soubessem, diriam que ela havia perdido totalmente a cabeça.
Entrou na sala comunal
da Lufa-lufa arfando por causa da corrida desde as masmorras e foi direto
para a sua cama. Ela agradeceu as cortinas na cama de dossel, que a
escondiam das demais colegas de quarto, e ficou deitada, de olhos fechados,
apertando os lábios e recordando-se daquele beijo. Ele beijava como os
príncipes encantados das histórias que sua avó trouxa lhe contava quando era
criança. Não era como aqueles meninos afobados e desajeitados, ele era
carinhoso e sabia realmente como beijar, e ela sabia que se ele não tivesse
hesitado, ela jamais conseguiria resistir à tentação de seguir com aquele
beijo até o fim.
−8−
Na noite seguinte,
Tonks seguiu apreensiva para a sala do Prof. Snape nas masmorras. Não sabia
o que dizer depois do que acontecera na noite anterior, mas felizmente, o
mestre de Poções a socorreu. Ao invés de mais uma aula, eles tiveram uma
longa conversa sobre o que acontecera. Enquanto eles ainda eram professor e
aluna, aquele momento de fraqueza não poderia se repetir. Portanto, as aulas
extras de Defesa Contra as Artes das Trevas estavam acabadas, e Snape apenas
lhe deu algumas indicações para continuar treinando o Patrono até a o dia da
prova, na semana seguinte. Com pesar, ela entendeu a posição de Snape,
afinal, seria um escândalo se os pais dos outros alunos soubessem do
envolvimento de um professor com uma aluna, e ela jamais pensaria em
prejudicá-lo.
Ela saiu da sala dele
triste com a difícil conversa que tiveram. Depois de quase um ano convivendo
com ele, o homem que ela deixara para trás não era mais o terrível Diretor
da Sonserina, era alguém que ela admirava muito e que jamais esqueceria.
Fora ele quem a ajudara a entender e controlar sua metamorfomagia, fazendo-a
aceitar com orgulho esse dom. Era alguém que ela sabia que gostava dela, que
a respeitava, e com quem ela desejava passar a maior parte do seu tempo. Mas
também era um amor impossível, pelo menos enquanto ela continuasse na
escola. Resignada, Tonks decidiu que ocuparia sua última semana em Hogwarts
estudando para os N.I.E.M.s, queria que Snape se orgulhasse dela e não
ficaria satisfeita até que isso acontecesse.
Ocupada com as
inúmeras revisões de todas as matérias, Tonks mal viu a última semana de
aula passar. Os dias exaustivos das provas dos N.I.E.M.s chegaram e
passaram, sem nenhum grande desafio para uma aluna tão aplicada. Quando
percebeu, Tonks já estava seguindo para o último desafio da semana, a prova
prática de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Um pouco nervosa,
olhou em volta para os professores que assistiam os primeiros alunos que
foram chamados. A Profa. Sprout assentiu com a cabeça quando a viu,
encorajando-a, mas o Prof. Snape não estava lá.
Ele não veio –
ela pensou entristecida.
Tonks esperou seu nome
ser chamado com a cabeça baixa e os olhos fixos no chão. Não percebeu quando
o Diretor da Sonserina sentou-se discretamente ao lado da Diretora da
Lufa-lufa e seguiu desanimada para frente quando seu avaliador a chamou.
As tarefas exigidas
eram fáceis perto do grau de exigência do Prof. Snape em suas aulas
particulares. Ela defendeu facilmente os ataques do bruxo que a avaliava,
utilizando inclusive feitiços não-verbais. Também mostrou facilmente como
lançar feitiços contra diversas criaturas das trevas até que, com seu
Excelente praticamente garantido, o avaliador perguntou se ela era capaz de
invocar um Patrono.
– Eu sei o feitiço –
ela começou respondendo, pensando que jamais conseguira invocar um Patrono
que agradasse o Prof. Snape –, mas... mas...
Sem saber o que dizer,
ela pensou no Prof. Snape, em todo o esforço dele para ajudá-la com o
N.I.E.M. de Defesa naquele ano; não poderia desistir agora, tinha ao menos
que tentar. Apontou sua varinha para o espaço onde o Patrono deveria se
formar e invocou:
– Expecto Patronum!
A fumaça prateada começou a se formar na ponta da sua varinha, como ela já havia visto diversas vezes na sala do Prof. Snape. Entretanto, desta vez, ao invés de uma forma indecifrável, uma serpente bem definida, dobrada sobre si mesma na forma de um S, surgiu por trás da cortina de fumaça. Sem virar-se para trás, Tonks ouviu o burburinho dos professores que assistiam as provas, mas não viu quando o Prof. Snape levantou-se e deixou a sala, sem nenhum comentário. Uma lufa-lufa produzindo um Patrono tão semelhante ao símbolo da Sonserina era um indício forte demais para um expectador mais atento.
Quando foi dispensada,
Tonks tentou encontrar o Prof. Snape no castelo para contar a novidade, mas
não o encontrou naquele dia. O mesmo aconteceu no dia seguinte, quando ela
deixou Hogwarts para retornar apenas no dia da sua formatura. Ele não queria
falar com ela, e foi com pesar que ela desembarcou na estação King’s Cross,
desejando ter falado com o professor ao menos uma última vez.
−9−
Snape saiu do Salão
Principal assim que viu uma oportunidade. Ele sempre odiava os Bailes de
Formatura da escola, não ficava a vontade entre jovens adolescentes e a
felicidade deles por finalmente estarem partindo. Nestas ocasiões, ele
costumava sair do castelo e apreciar a luz da lua refletindo na superfície
do lago, emprestando seu brilho prateado para os jardins, deixando-o até um
pouco saudoso dos seus tempos de escola.
Ele tinha péssimas e
ótimas lembranças na beira daquele lago e estava perdido em suas memórias
quando sentiu alguém se aproximar. Virou-se bruscamente e encontrou a Srta.
Tonks parada atrás dele. Ela estava linda, vestida de rosa, os cabelos agora
surpreendentemente curtos e da mesma cor, com um sorriso indeciso no rosto.
− Eu ainda não
consegui agradecê-lo − ela disse. − Eu consegui fazer o patrono, você sabia?
− completou, crescendo o sorriso no seu rosto.
− Sim, eu estava lá –
Snape respondeu, sem encará-la nos olhos. − Parabéns, você conseguiu
impressionar os bruxos do Ministério.
− Você estava lá? –
ela repetiu com um tom de desapontamento na voz. − Eu não vi você... Eu
pensei...
− Eu saí assim que
entendi o que ele significava – ele a interrompeu.
− Você não gostou? –
ela perguntou mordendo os lábios.
Snape finalmente
virou-se para encará-la e o que viu foi uma jovem mulher. Uma jovem pronta
para seguir uma carreira respeitosa, não mais uma aluna tímida e retraída.
Seu coração estava lhe pregando peças novamente, ele tinha que resistir.
− Eu devo dizer que
fiquei lisonjeado – ele respondeu −, mas muitos podem se perguntar por que o
patrono de uma lufa-lufa é o símbolo da Sonserina. Isso não seria bom nem
para mim, nem para você.
− Eu não estou
interessada no que os outros vão pensar de mim. Eu só consegui conjurar o
patrono depois que pensei em você. Será que nem isso é suficiente para você
entender o que eu sinto?
− Você está enganada,
Ninfadora – ele respondeu levando uma mão ao rosto dela, acariciando-a
gentilmente. − Você confunde admiração e gratidão com amor, e eu me tornaria
um velhaco se usasse isso para me aproveitar de você.
Ela tomou a mão que
ele usava para acariciar seu rosto nas suas, então insistiu:
− Mas você sente
alguma coisa por mim. Aquele dia... Aquele beijo... Não me diga que você não
sentiu nada.
− Por favor – ele
disse sério −, esqueça aquilo. Foi apenas a tentativa de um velho tolo e
solitário de voltar ao passado. Você merece coisa muito melhor.
− Eu não acho que você
seja velho nem tolo – ela respondeu, aproximando-se ainda mais dele. − E é
você que eu quero.
Snape olhou em direção
ao castelo. O baile continuava no Salão Principal, mas sempre havia alguns
casais que preferiam a solidão dos jardins. Não seria bom que nenhum dos
dois fossem vistos ali, então ele a conduziu em silêncio para trás de
algumas árvores que beiravam o lago, protegendo-os de olhares curiosos.
Se Snape fez aquilo
com a intenção de protegê-la de comentários maldosos, não foi exatamente
assim que Tonks interpretou. Com um sorriso largo no rosto, ela o acompanhou
sem reclamar e, assim que eles pararam, o encarou com expectativa, esperando
por um beijo que nunca veio.
− Você vai pensar duas
vezes quando ouvir as insinuações de que eu estou controlando sua mente –
ele respondeu depois de ter a certeza que ninguém poderia vê-los ali. − O
que você vai responder quando lhe perguntarem como uma bela jovem como você
pode sentir alguma coisa pelo odiado morcegão da Sonserina?
− Eu vou responder
simplesmente que eu o amo – ela disse sem pestanejar.
Snape deu um suspiro
longo, como se estivesse tentando convencer sem sucesso uma criança a não
fazer algo proibido.
− Você ainda é muito
jovem para entender o que é o amor.
− Você é que é muito
teimoso para entender que eu o amo! – Tonks respondeu estreitando os olhos.
– Eu não sou mais uma aluna, você não é meu professor. Não há mais nada que
nos impeça de ficarmos juntos.
− É muito mais
complicado que isso, Ninfadora – ele respondeu, acariciando o rosto dela
novamente.
Ela fechou os olhos ao
sentir o toque dele, um toque desejado por tanto tempo. Pousou a mão sobre a
mão dele em seu rosto e, sem pensar, a conduziu até a boca, beijando
levemente a mão que tanto sonhara acariciando seu corpo. Não abriu os olhos
quando a mão se retirou, e no lugar, os lábios finos dele a substituíram.
Snape jamais soube
descrever o sentimento que tomara conta dele naquela noite. Ele sabia que
não podia encorajar aquela relação, mas a vontade de beijá-la era
incontrolável. E ela estava tão linda, tão doce, totalmente entregue a ele.
Dumbledore e sua consciência que se danassem, ele também era um homem antes
de ser professor, e já havia resistido demais à tentação que a Srta. Tonks
se transformara nos últimos meses.
Foi como se beijá-la
fosse capaz de libertar sua alma, fazê-lo esquecer dos temores que o
cercavam e mergulhar numa paixão intensa e sem empecilhos. Os lábios dela
eram macios e o receberam ardorosamente quando ele a recostou sobre o tronco
largo de uma árvore e a sentiu estremecer ao acariciar suas costas nuas com
as mãos. Era tão fácil, bastaria descer as mãos mais um pouco e desabotoar
os primeiros botões do vestido, despi-la e tomá-la como sua, sabia que ela
não reagiria.
Foi um breve momento
de loucura, que cessou assim que o barulho de fogos de artifício estourando
no céu acima deles o despertaram. Ele recuou e abriu os olhos a tempo de ver
os olhos de Tonks arregalados, procurando assustada entre o burburinho das
pessoas que saíam do castelo para admirar os fogos se alguém os tinha
percebido. Ninguém os vira, mas a reação dela fez Snape voltar à realidade,
ela podia dizer que o amava, mas tinha vergonha de mostrar aos outros o que
sentia. Ela podia negar, mas ele sabia que ela sentiria vergonha de dizer
aos seus colegas que estava apaixonada pelo odiado morcegão da Sonserina –
como ele sabia que os alunos o chamavam pelas costas.
− Viu, Ninfadora? –
ele quebrou o silêncio com sua voz fria e desdenhosa. − Você pretende correr
assustada toda vez que houver a chance de alguém nos ver juntos? É isso que
você chama de amor?
− Eu não... – ela
balbuciou, lágrimas querendo se formar em seus olhos quando percebeu onde
ele queria chegar.
− Volte para seus
amigos – ele a interrompeu. – O que aconteceu aqui foi um erro, nunca mais
se repetirá.
− Mas... – ela tentou
retorquir, mas era tarde demais. Snape já havia lhe dado as costas e voltava
pelo caminho que o conduziria ao castelo.
Tonks ficou alguns
minutos observando a figura negra que se afastava dela, lágrimas escorrendo
pelo seu rosto. Ainda sentia o beijo dele em seus lábios e não conseguia
acreditar que o perdera tão subitamente e para sempre. O que ela fizera de
errado? Por que ele era incapaz de acreditar no que ela sentia por ele?
Sabia que jamais
conseguiria respostas para suas perguntas. Severo Snape era um mistério e
continuaria sendo para ela. Ao menos ela teria a recordação daquele beijo
com ela.
Secou o rosto molhado
com as mãos e seguiu em silêncio para os jardins onde vários de seus colegas
da Lufa-lufa estavam admirando o show de fogos de artifício promovido pela
Zonko e comemorando a formatura. Ela não estava com humor para comemorações,
mas abraçou e beijou seus amigos com um sorriso falso, procurando pelo Prof.
Snape entre os professores da escola. Entretanto, parecia que ele também não
estava com humor para festas e já havia se recolhido aos seus aposentos.
−10−
Tonks nunca mais vira
Severo Snape até ser convidada pelo Olho Tonto Moody a participar da Ordem
da Fênix. Corria o boato de que Voldemort havia voltado, e após participar
de algumas reuniões, ela descobriu que Snape ainda trabalhava como espião
para Dumbledore. Aquilo fez voltar a admiração que sentira pelo antigo
mestre de Poções, mas quando o encontrou pessoalmente, descobrira que toda
aquela paixão que sentira na adolescência havia desaparecido. Quando o viu
pela primeira vez depois de quase cinco anos, ele a tratara com a mesma
frieza e indiferença com que tratava os demais membros da Ordem, e ela
sentiu apenas pena daquele homem tão preocupado com seus deveres que era
incapaz de se deixar guiar pelas emoções.
Mas Snape não era uma
pessoa que inspirava compaixão e deixou isso bem claro numa noite em que se
encontraram nos portões de Hogwarts, quando ela precisou escoltar Harry até
a escola bruxa.
− E a propósito – ela
o ouviu acrescentar à curta conversa que tiveram nos portões −, achei
interessante conhecer seu novo Patrono.
Tonks apenas estreitou
os olhos enquanto ele cerrava os portões do castelo novamente, impedindo
qualquer intenção que ela pudesse ter de acompanhar Harry até o Salão
Principal.
− Acho que você estava bem mais servida com o antigo – ele comentou, com a inconfundível malícia na voz. – O novo parece fraco.