Nome da fic: A
Escolhida
Autor: Viviane
Valar
Pares: Severus/Personagem Original
Censura: NC-17 , violência
Gênero: Drama,
tema adulto, romance.
Avisos ou
Alertas: violência. Sem Spoiler
Agradecimentos:
à Rowling, que criou os persons, e a gente pôde então se divertir. À Jobis que revisou. Ao povo do
fest que está recebendo essa criação.
Resumo:
Desafio 06. Numa happy hour
entre os Comensais, Snape conhece uma moça e decide tirá-la do caminho das
Trevas. (ludmila)
(Ludi, só tem um problema! Eu entendi
errado, entendi que a moça é quem quer tirar o Snape das trevas, vale?????? De qualquer modo, já está pronta!)
CAPÍTULO 1 – O Ritual
Estava escuro
agora. Era madrugada naquele povoado próximo a Londres. A maioria dos moradores
dormia em suas casas. Mas Theo se sentia entediada. Não se conformava com a
decisão de voltar.
“O que estou
fazendo aqui?” - pensou deitada de costas em sua cama, completamente vestida.
Depois de ter
rodado quase o mundo todo se especializando em artes das trevas, estava de
volta à sua cidade natal.
“Cidade!”
Nem era uma
cidade. Era mais um aglomerado de pessoas que não tinham pra onde ir, e mesmo
que tivessem, não iriam. “Eram tão pacatos!”
Mas Theo sabia
porque voltara. Depois da morte dos pais, entrou em depressão e quis voltar pra
casa onde nascera e crescera. Pra ficar mais perto deles. Mas agora, dois anos
depois, já não agüentava mais. Era tudo tão... igual.
As mesmas coisas pra se fazer, as mesmas pessoas, as mesmas conversas. E tinha
também Calius.
Theo gostaria,
do fundo do coração, gostar daquele homem. Ele era tão gentil,
carinhoso, atencioso. Mas não o amava como ele gostaria. Era um homem
muito bonito, e atraente. Tinha que admitir. Mas... só. Foram amigos
inseparáveis na infância, diziam que um dia iriam se casar. Theo riu com
tristeza. Mas ela tinha mudado muito. Não era mais aquela garotinha de
trancinhas que achava lindo crescer pra ser esposa e mãe. Mas Calius era terrivelmente paciente e prestativo.
Ela se levantou
num supetão da cama. Tinha que sair ou teria um “treco”. Vestiu uma capa preta,
prendeu os longos cabelos negros num rabo. Não usou maquiagem, ninguém a veria
mesmo.
Deixou a casa
que fora de seus pais para trás e foi em direção ao centro do povoado. A casa
era um pouco distante, mas ela apreciava caminhar. Sentir o frio da madrugada
no rosto. A escuridão há muito a fascinava. Se pudesse escolher, viveria à
noite. Deixaria o dia para os pássaros e as vacas. Preferia morcegos à
borboletas, lobos à cães pastores, lua à sol. Talvez tivesse sido por isso que
as artes das trevas sempre a fascinaram. Então estudava muito sobre o tema. Não
que esperasse realmente ir para as trevas ou lutar contra ela. Apenas gostava
do assunto.
Agora,
caminhando perto do centro do povoado, pôde perceber sons ao longe. Esse era um
dom que desenvolvera nas viagens. Poderia perceber sons muito distantes ou
cheiro ou mesmo enxergar mais longe. Ajudava muito pra se defender, ou mesmo
atacar. Mas não se parecia com nada que já ouvira ali. Era muito estranho. Então
movida pela curiosidade, que por sinal era seu inferno, foi naquela direção.
Ela conhecia
todas as casas da região e sabia que por ali, não havia nenhuma. E estava
certa. Aos pouco foi se aproximando e percebeu luzes e movimentos erráticos.
Percebeu um grupo de pessoas dançando, bebendo em volta de uma fogueira. Essas
pessoas pareciam realizar um ritual. Estavam todas encapuzadas. Um grupo jogava
dentro do fogo um líquido que ao entrar em contado com as chamas provocava uma
explosão negra.
“Será que eles
não percebem que assim podem chamar a atenção?”
Mas um movimento
vindo da floresta, quase perto de onde estava escondida, a atraiu. Três
pessoas, cada qual com seu capuz cobrindo o rosto, traziam uma moça. Ela estava
com uma espécie de manta negra em volta do corpo, mas pela expressão do rosto,
parecia em transe.
“O que diabos
está acontecendo aqui?”
Um dos três se
adiantou até a fogueira. Ergueu os braços para o alto e tirou o capuz. E Theo
pôde ver o rosto pálido do homem de cabelos longos a de um loiro quase branco.
-Mestre! Mestre!
Eis-me aqui! Seu servo, Lúcius
Malfoy! Faça de mim sua arma, sua morada, sua
vontade!
Um silêncio
sepulcral. Apenas o barulho da fogueira crepitando. Ele pareceu frustrado. E
retrocedeu. Outro se adiantou.
-Mestre! Mestre!
Eis-me aqui! Seu servo, Severus
Snape! Faça de mim sua arma, sua morada, sua vontade!
Desta vez era um
homem moreno, de expressão quase cruel. Parecia não desejar estar ali. Mas nada
transparecia em seu rosto. Nada aconteceu. O último dos três, se adiantou até o
fogo. Parecia orgulhoso.
-Mestre! Mestre!
Eis-me aqui! Seu servo, Calius
Mort! Faça de mim sua arma, sua morada, sua vontade!
Theo não estava
preparada pra o que veio a seguir. Abaixando o capuz e expondo seu rosto,
estava lá, o gentil e carinhoso Calius.
-Deus! –
murmurou baixinho sem querer.
Nesse exato
momento a fogueira crepitou mais forte, abafando a voz dela. O fogo ardeu mais
alto e uma voz pôde ser ouvida.
-Meu fiel
servo.Você tem sido o mais leal de todos aqui. Então vou lhe conceder esta
graça!
Um vento
rasteiro passou sacudindo as folhas das árvores e as capas. Uma angústia
cresceu no coração de Theo. Estava ali e não sabia o que fazer agora. Uma chama
do fogo se inclinou e tomou o corpo de Calius. Ele
sequer hesitou, mas ao sentir o fogo se espalhando, gritou. Caiu sobre os
joelhos com o rosto crispado pela dor. Mas logo as chamas se apagaram e ele se
levantou novamente. Totalmente refeito. Sem marcas. O mesmo Calius.
Exceto... agora ela podia ver... os olhos. Estavam em chamas. Não, não era mais
Calius. Era seu mestre que estava ali.
Ele sorriu, um
sorriso cruel e se virou para a moça enrolada no manto negro. Que, só agora
Theo reparava, era muito parecida com ele própria. Os cabelos, os olhos azuis,
os lábios grossos. Pareciam ter a mesma idade. Apenas parecia um pouco mais
alta e mais magra. Não a conhecia, entretanto.
Calius
se aproximou da moça. Os outros homens se afastaram. Ele a olhava com... fome.
Essa era a expressão. Tocou o rosto dela, que não teve reação alguma. Mas Theo
sentiu como se fosse em seu próprio rosto. E sentiu um arrepio gelado pelo
corpo todo. Se aproximou do pescoço alvo e mordeu com força. Theo teve que se
segurar para não gritar de dor. Com as mãos no local onde Calius
mordia a outra. E com outra mão ele cortou o manto da moça com uma faca ferindo
de leve a pele dela.
Ali, escondida e
sem ser vista, estava apavorada. Mas mesmo assim sabia que não poderia se
impedir de ficar excitada. Não poderia ir embora, mas não sabia mais dizer se
queria ficar até o fim. Viu então, Calius cortando
sua própria capa e então estavam, os dois, completamente despidos. Ele
parecendo um animal feroz que visualizava sua presa. Ela sem emoção. Parecia
estar ausente, quase sem alma.
“Seria a
maldição Imperius? Ela não vai fazer nada? E eu, o
que posso fazer?” – pensava angustiada.
O que veio a
seguir ela já esperava. Calius beijava e mordia a
mulher, enquanto Theo se sentia invadida. Era... torturante... e ao mesmo tempo... incrível! E Calius fez tudo o que quis. Lambeu, mordeu, invadiu. Só
parou quando estava satisfeito. Os outros apenas olhavam e incentivavam. Menos
um. O moreno. Parecia desgostoso. Com a mesma expressão de antes.
Depois de tudo
acabado, Theo estava fraca, ofegante. Se sentia suja, estranha.
-Agora – voltou
a falar Calius.- É chegada a hora. Se for mesmo a
escolhida, conseguiremos tudo! Eu voltarei e dominarei novamente. – Apenas ela,
a escolhida sobreviverá ao próximo teste. Severus! –
chamou. – Traga-a para mim!
Ele saiu de seu
lugar, levantou a mulher, que ainda estava deitada no chão, e a fez caminhar
até Calius. Que estava bem perto do fogo novamente.
Virou-se então para lá com os braços erguidos e as chamas retornaram a seu
corpo nu. Ele gritou outra vez. As chamas o deixaram depois de algum tempo.
Calius
ficou no chão, tremia fracamente. Se arrastou para perto de sua capa e a
vestiu. Estava no controle de si mesmo novamente. Recompôs-se.
-Agora, Severus. – a voz comandou das chamas.
“Meu Deus! Ele
não pode fazer o que estou pensando!” - desesperada.
As chamas
envolveram a mulher que parecia ter enfim acordado do transe naquele momento. E
gritou ao mesmo tempo em que Theo gritava. Mas ninguém notou que outra pessoa
estava sofrendo também. A mulher se agitou, até as forças acabarem e depois não
mais. Theo sentiu tudo aquilo. Tinha lágrimas nos olhos. Tanta dor, tanta dor.
Mas olhando para seu corpo, não via marcas do fogo que a consumira.
“Então o
que...?”
E de repente a
dor se foi. Ela se sentiu vazia. Abandonada. E quando se virou para a fogueira
viu que a outra não se mexia mais. Ela estava morta. Olhou para todos ali.
Ninguém fez nada pra impedir. Olhou para o homem com o nome de Severus Snape, e pôde sentir vindo dele, uma imensa
tristeza. Misturada com indignação. Mas seu rosto não dizia nada. A máscara de
indiferença era imutável. Os outros estavam apavorados. Podia sentir o cheiro
do medo deles.
-Seus
incompetentes! Não era ela! Não era a escolhida! Bastardos! – as chamas tremiam
– Cruccio!
E os três homens
que trouxeram a moça caíram no chão. Os outros observam sem reagir. Calius gemia feito uma criança. O tal Lúcius
gritava. Mas o Severus apenas se contorcia. Nenhum
som saiu de sua boca. Ela não pode deixar de admirá-lo. Parecia ciente de que
merecia aquilo. Não se humilharia enquanto pudesse.
Ela percebeu que
tudo aquilo era obra de Voldemort. Conhecia sua
história. Sabia que tipo de bruxo ele era. Percebera que os outros eram seus
seguidores. Mas algo dizia que o Severus não era como
os outros comensais.
Quando a punição
chegou ao fim todos se levantaram com alguma dificuldade.
-Agora prestem
atenção! – Voldemort recomeçou. – Vocês terão mais
uma chance! Mas se falharem novamente, não haverá perdão! Vão! Achem-na!
Achem-na para mim!
E o fogo voltou
a ser só uma fogueira miúda. Os Comensais começaram a se afastar. Calius ainda tremia e seguiu em direção à aldeia. E Theo
percebeu que ele vinha na sua direção. Se assustou, caso desaparatasse
faria mais barulho que se apenas
tentasse sair do caminho. Então foi cuidadosamente em direção ao rio. Queria
sumir, se afastar de toda aquela loucura. Nunca vivera algo assim. Nem em
sonhos. Se bem que não poderia ter certeza. Tinha pesadelos de vez em quando,
mas nunca se lembrava sobre o quê. Apenas acordava gritando e chorando
eventualmente nos últimos dois anos.
Rumou então para
as margens do rio. Molhou as mãos e bebeu da água. Ouviu um barulho. Se
encolheu um pouco. Não dava pra se esconder ali. E de repente o viu. Severus Snape. Ele tinha o rosto abaixado. Muito sério e
compenetrado. Andava com alguma dificuldade. Não a viu. Poderia tentar ir
embora, mas na hora ficou confusa com os sentimentos que se desprendiam dele.
Ficou apenas observando. Viu quando sua expressão mudou. Apenas cansaço.
-Vai ficar aí
olhando? – disse sem se virar.
Theo se
assustou. Ela havia percebido que ela estava lá.
“Há quanto
tempo?”
-Vá embora!-
disse duro.
-Quem é você? –
perguntou finalmente.
-Não interessa!
Vá embora! Pode ser muito perigoso, andar por aí sozinha. – ele ainda não
olhava pra ela.
-Quem é você? –
perguntou mais suave, se aproximando.
Ele se voltou.
Para ela. Olhos frios, duros.
-Você é surda?
Louca? Ou as duas coisas? – rude. – Já disse para ir embora! – falou mais alto.
Theo podia
sentir novamente a confusão dos sentimentos dele.
-Não. – disse
simplesmente – Quero saber quem é você. Não tenho medo. – falou caminhando mais
pra perto.
E ele pegou seus
ombros com força, machucando-a.
-Pois deveria!
Eu sou seu pior pesadelo! E não sou o único! – olhos em fúria.
-Não acho que
queira me machucar. – falou ignorando a dor nos ombros. – Quem é você? – estava
cada vez mais fascinada pela dor que vinha dele.
Ele gruniu. Apertou as mãos com mais força. Soltou. Se virou de
costas pra ela. Mas não foi embora.
-Meu nome é Severus Snape. E como já disse, posso ser perigoso. E não
estou sozinho. Outros estão por aí. Então se quer voltar pra casa sã e salva,
faça agora! – disse baixo, mas firme, sem evidenciar o cansaço e a dor.
Ela se adiantou.
Ficou de frente pra ele.
-Vem comigo. –
não sabia de onde vinha aquela vontade de estar com ele. Mas queria entender
mais sobre o que tinha acontecido, e sobre o moreno.
Ele olhou
incrédulo pra ela.
-Vem comigo. –
falou suave de novo. Sentiu vontade de pegá-lo pela mão. Mas sabia que isso o
espantaria.
Snape estava
confuso. Sabia que tinha que ir embora. Tinha muito o que fazer. E aquela
mulher... louca e linda!
“Não!”
Não poderia
pensar assim! E sabia disso. Ainda estava sentindo todo corpo dolorido devido à
maldição imperdoável que recebera. Não poderia desaparatar
ainda. Tinha que se recuperar.
-Vem comigo. Eu
não moro muito longe. Posso ajudar você, Severus. –
falou suavemente.
Ele suspirou.
Estava exausto. Poderia aceitar, mas apenas até o dia nascer. Então olhou pra
ela num consentimento mudo.
Ela sorriu
levemente e andaram lado a lado. Em silêncio. Até chegarem à casa dela. Ele
perecia mais alto, mas devido à dor estava levemente curvado. Entraram e Theo
tirou a capa colocando-a em um armário próximo à porta. Olhou pra ele como quem
pede a sua também.
-Não estou
usando nada por baixo. – disse sério.
Theo corou e se
lembrou de Calius, que também não usava nada por
baixo. Desejou que ele tirasse sua capa assim mesmo.
-Não se
preocupe. Já volto. Espere um pouco.
Voltou alguns
minutos depois, com peças de roupas nos braços.
-São... eram de
meu pai. – ele franziu a testa. – Ele e
minha mãe morreram há dois anos. - sempre doía falar de seus pais.
Ele assentiu.
Pegou as roupas. E foi em direção à porta que havia sido indicada pela
anfitriã. Ainda não sabia o nome dela. Mas não pode deixar de compará-la à
vítima do ritual. Eram muito parecidas. Mas a outra não o afetava como esta que
o estava recebendo em sua própria casa.
Estava no
quarto, ou melhor, na suíte e foi até o banheiro. Revolveu tomar um banho.
Tirou a capa e foi para o chuveiro. Deixou a água quente bater no corpo cansado
e dolorido. Não havia trazido a poção para dor, então teria que tentar relaxar.
Se isso fosse possível.
Após algum
tempo, que pareciam horas para Theo, ele saiu do quarto. Ouviu quando o
chuveiro foi ligado. Quase poderia imagina-lo durante o banho. Mas afugentou
esses pensamentos. E foi buscar no seu armário algumas poções. Fez um café
forte, ele parecia ser duro e julgou que fosse assim que iria preferir.
Ao sair do
quarto, Snape se sentia incrivelmente confortável naquelas roupas. Era apenas
calça de malha de algodão e blusão negros. Ela estava de costas. Parecia estar
arrumando a mesa da cozinha. O cheiro de café o invadiu e o fez salivar.
-Espero que
tenha servido. – disse sem se virar. – São roupas simples, mas aquecem e são
confortáveis.
-Serviram. –
disse apenas. Ela sabia que ele havia chegado antes mesmo de se virar.
“Quem era ela?”
-Ah, a
propósito, você deve estar se perguntando, sobre quem sou eu. – sorriu suave.
Ele ficou rígido. – Sou Theodora Vant.
– fez uma careta. - Mas prefiro que me chame de Theo.
Ele a olhava
interrogativamente.
-Acho que meus
pais esperavam que eu fosse um menino. – e pegou um cálice com conteúdo azul. –
Seria Theodoro, é muito comum por aqui. Mas o que fazer quando vem uma menina
então? Ela vira Theodora. – estendeu o cálice pra ele
sorrindo.
Ele a olhava com
estranheza.
-Beba. É uma
poção para dor. – insistiu.
Olhou nos olhos
dela para captar se era veneno ou não. Não sabia quanto tempo ela estava na
floresta. O que tinha visto ou o que queria com ele.
-Beba. Não é
nada de mais. Pode confiar. – sorriu encorajando. Ele se sentiu tragado pelo
olhar e pelo sorriso.
“Tão linda!”
E tomou o cálice
dela. Bebendo seu conteúdo de uma vez. O líquido era amargo, mas esquentou-o
por dentro. E logo sentiu uma leveza surreal. E quando essa sensação passou,
não sentia mais cansaço. Toda dor que havia em seu corpo, havia desaparecido.
Ele olhou pra ela, para o cálice, querendo saber mais.
-O que era isso?
-Uma poção para
dor, como já havia dito. – disse dando de ombros. – Café?
-Mas eu não
conheço essa poção. E isso é muito difícil! – falou arrogante. – Sou professor
de poções, conheço todas! – rude.
-Bem, parece que
não conhece essa. – disse divertida. – Café? – perguntou outra vez.
Ele estava
ficando irritado novamente. Ficou sério e duro. Ela podia ver o cérebro dele
trabalhando, tentando entender, adivinhar. Então resolveu parar de provoca-lo.
Mesmo que ficasse tão sexy com aquela expressão ultrajada.
-Não poderia
conhecer essa! Eu a inventei. – disse simplesmente, e sentou-se à mesa. Estava
com fome. Começou a comer. Tinha pão, queijo, presunto, manteiga de nata, bolo
de laranja e café.
Snape ainda tentava
assimilar a explicação. Parecia tentar decidir se era verdade. Resolveu entrar
no jogo dela.
-Então Srta Vant...
-Ah-Ah... Theo! – interrompeu.
-Theodora – ela bufou – A senhorita inventa poções?
-Sim, a
senhorita inventa poções. – falou rabugenta.
Ele deu um
discreto sorriso. Parecia divertido. Ela sentiu seu coração falhar uma batida.
-Eu... gosto
muito de poções. São muito úteis para muitas coisas. Tenho meu próprio arsenal.
E quando acho que alguma coisa não está como desejo, modifico aprimoro, ou
simplesmente associo um ingrediente a outro. E a poção está pronta. – sem se
gabar.
Ele a olhava com
admiração. Começou a comer também. Estava faminto. Ficaram em silêncio por
algum tempo.
-O que estava
fazendo na floresta, Srta? – perguntou de repente.
Ela estava se
levantando para pegar mais café. E hesitou.
-Estava
caminhando. – e colocou o líquido preto na xícara.
Ele notou que
ela estava deliberadamente se esquivando. Não seria uma conversa fácil.
-Por quê? Era
muito tarde.
-Estava sem sono. Estava entediada e resolvi dar uma volta. –
não estava mentindo.
-Tão longe?! –
ele duvidava.
-É. – disse com
certa irritação. – Tão longe! – irônica. – Qualquer distância parece muito
longe comparada com a aldeia.
-O que você viu
lá? – tinha que saber.
Ela estremeceu
mais uma vez. Mas não ia mentir. Nunca gostou de mentiras. Era pior que o
próprio mal. A mentira, a dúvida.
-Tudo. – falou
olhando nos olhos negros. Suspirou. – Eu acho.
Não pôde deixar
de admirá-la por dizer aquilo. Pensou que seria mais difícil.
-Sabe o que
foi... tudo? – insistiu.
Theo desviou o
olhar. Relembrou-se de o que tinha acontecido. Relembrou a dor, a profanação, a
morte. Snape pôde ver todos esses sentimentos nos olhos azuis, que estavam
distantes agora.
-Não. Quero dizer...
parecia um ritual... macabro. Ele... Voldemort –
Snape franziu a testa ao ouvir o nome de seu mestre. – Quer voltar a sua forma.
Mas precisa da... pessoa certa. – olhou-o, olhos nos olhos outra vez. – Mas não
era ela. – disse com dificuldade.
Ele estava
impressionado. Parecia que sabia o que falava.
-O Lord, como você disse, quer se recuperar de um “acidente”
acontecido as pouco tempo. Dois anos pra ser mais exato. – achou que deveria
explicar.– E agora quer voltar. – parou. – Você tem razão outra vez. Não era
ela.
Theo via que ele
não estava satisfeito.
“Então por quê?
Por que estava lá? Se não era pra ajudar!” – pensou.
Caminhou até a
cadeira dele. Ele se levantou. Era mais alto que ela. Agora tinha certeza.
-Por que você
estava lá? – a pergunta escapou, sem querer.
Foi quase um
sussurro. E quando percebeu já era tarde.
-Porque eu sou
um deles! – respondeu seco. Mas não se mexeu.
Theo levantou
uma das mãos e acariciou o rosto tenso dele, que se esquivou um pouco. Parecia
não estar acostumado com contato físico. Mas estava decidida e se aproximou
mais. Afastou uma mexa negra dos cabelos que estava quase na frente dos olhos.
Ele suspendeu a respiração.
-Não. Não é. –
falou calmamente. E aproximou sua boca da dele.
Mesmo que
quisesse, ele não seria capaz de impedi-la. Então permitiu que ela o beijasse.
Primeiro suavemente, depois com mais paixão, exigindo dele uma resposta. Ele
bufou alto e agarrou seu pescoço tornando o beijo mais rude. Ela correspondeu à
altura. Segurou-a pela cintura fina, sentando-a na mesa. Trazendo seu quadril
pra mais perto, torturando-se com essa atitude.
Já não conseguia
pensar mais. Era um homem faminto se saciando em um banquete. Ela era tão linda
e tão quente. A apertava com força e ela gemia de prazer. Não saberia dizer
como, mas conseguiram chegar até a cama. Já estavam quase sem roupas. Não, ela
ainda estava com a calça justa. Mas logo se livrou da peça indesejada e ficou
sobre ela, que o puxava cada vez mais forte. Quando os dois explodiram, juntos,
o sol lá fora começava a despontar. Ela estava sobre ele quando os primeiros
raios de sol invadiram o quarto pela janela, indo pousar no rosto ofegante da
mulher em seus braços. Formando uma áurea dourada ao seu redor. Nunca tivera
uma visão tão linda e ao mesmo tempo tão assustadora. E ele que pensava que já
tinha atingido seu máximo prazer, se assustou com a avalanche que veio a
seguir. Muito mais forte, e ela também estava subindo junto com ele mais uma
vez, e gemeu alto quando o choque da realidade o invadiu.
“Ela era a
escolhida! Como não tinha percebido antes? Será que estava cego? Louco? Só
poderia ser as duas coisas! O Lord o mataria, se
soubesse. E seria uma morte dolorosamente longa.”
Theo já estava
deitada ao lado com a cabeça apoiada em seu peito, quando percebeu que havia
algo de errado.
-Severus. – levantou a cabeça. – O que houve?
Ele se afastou.
Sentou-se na cama com a cabeça entre as mãos. Parecia arrasado.
-Severus. – insistiu.
Ele se levantou,
sem se preocupar com sua nudez. Foi até a janela aberta. Viu o campo verde, as
árvores, o sol. Ela se levantou. Mas decidiu colocar o roupão. Foi até ele.
-Severus.
Pareceu
assustado ao vê-la a seu lado. Dava a impressão de que a estava vendo pela
primeira vez. Não havia mais a paixão de antes. Apenas o vazio. O mesmo vazio
que viu quando ela olhou pra garota morta. Estremeceu.
-O que está
acontecendo? Por que está me olhando desse jeito? – ressentida.
“Você é a
escolhida!”- pensou, ainda assustado.
Ela deu um passo
pra trás. Mas foi muito rápido, acabou se desequilibrando. E cairia, se não
fosse pelos braços dele. Tentou se livrar, mas ele era mais forte.
-Não! – disse
firme.
Snape não sabia
se era resposta para seu pensamento ou para o fato de tê-la nos braços
novamente. Afrouxou e a permitiu que ela saísse. Ela deixou o quarto
desorientada. Ficou andando em círculos na cozinha, na sala. Quando ele
reapareceu, completamente vestido, e o viu, nas roupas de seu pai, o coração
suavizou. Ele merecia uma chance de se explicar.
-O que está
acontecendo? – perguntou mais calma.
Ele se sentou no
sofá. Apoiava os braços nos joelhos.
-Isso foi uma
loucura. Não deveria ter acontecido! – disse cansado.
-Mas aconteceu.
Você quis! Eu quis! – disse firme.
-Não poderia ter
acontecido! – mais firme, sem sinal do cansaço agora.
-Mas aconteceu!
– repetiu. A irritação querendo voltar. – Qual o problema? – o desafiou.
Ele a olhou.
Quase sorriu com a irritação dela. Era maravilhosa. Mas não lhe pertencia.
Fechou o semblante.
-Você é a
escolhida! – falou finalmente.
-De quem? –
perguntou desafiadora.
Ele não soube
responder.
“Dele? Do Lord? Não! Não poderia ser dele nunca!” Mas tinha sido –
falou uma vozinha irritante na sua cabeça. “Não! O Lord o mataria, a mataria!”
Ela via tudo
acontecer em questão de segundos.
-Vamos lá! Quem
me escolheu? Ou melhor, quem teve o que escolheu? – firme, mas sem ser
agressiva.
“Ela não poderia
estar lendo seus pensamentos? Ou poderia? Pra um grande oclumente,
estava se saindo um fiasco!”
Ela sorriu de
leve, mas se recompôs.
-Você sabe sobre
o que está falando?- perguntou.
-Sobre minha
própria vida? – perguntou de volta com ironia.
-É. – concordou.
– Uma vida que não pertence mais a você!
-O que é MEU – frizou – ME pertence! – rebateu.
-Não quando se
trata dos interesses do Lord das trevas. – disse
infeliz.
-Será? – ela
sorriu com sarcasmo.
E se aproximou
dele. Que mais uma vez parecia estuporado por aquela mulher que começou a
beija-lo novamente. Não conseguiu resistir muito tempo. Correspondeu
intensamente. Ela já começava a tirar as roupas dele outra vez quando um
barulho vindo da porta da frente os tirou do transe.
-Que droga! –
ela resmungou baixinho. – Ô mulherzinha madrugadora. – continuou resmungando
até a porta.
Respirou fundo.
Fez um sinal para que Snape se sentasse. Ele não sabia o que fazer. Estava tão
atordoado que se pedisse para fazer uma simples poção do sono não conseguiria
se lembrar dos ingredientes. Então obedeceu.
-Bom dia Marta!
Acordou cedo hoje, hein? – sorriu sem demonstrar sua
contrariedade.
“Ela era tão
linda!” – pensava Snape.
-Bom dia Theo.
Espero não ter acordado você. Mas é que o pequeno Tim teve que ir mais cedo
para escola da cidade. Então resolvi arriscar e vir logo. As roupas estão
separadas?
-Sim, claro
entre. E não se preocupe. Já estava acordada. Vou pegar as roupas. Ah, conheça Severus Snape, é um... amigo de ... Londres. Chegou esta
madrugada. Estávamos tomando café. Quer um pouco? – ofereceu.
-Oh, não muito
obrigada, já tomei café com o pequeno Tim. É um grande prazer conhecê-lo Sr.
Snape. Espero que goste do povoado. Nem todos são... especiais, como a nossa
Theo. Mas gostamos muito dela e seus amigos sempre serão bem vindos. – falou
educadamente a mulher.
Theo voltou com
uma cesta com as roupas.
-Aqui estão. E
muito obrigada, Marta. Não sei o que seria de mim se tivesse que lavar minhas
próprias roupas. Provavelmente estariam mais sujas que antes. – riu-se.
-Bem, volto em
dois dias com essas maravilhas passadinhas. – já ia embora quando se voltou
para Snape. – Fico feliz que os amigos venham aqui. Ao invés de nossa Theo ir
embora. A aldeia não era mais a mesma quando os pais dela morreram. – suspirou
– Mas Theo é uma menina brilhante, literalmente. Traz sorte para o nosso povo.
– sorriu e se foi. Deixando pra trás, um Snape intrigado, e uma Theodora ruborizada.
-O que ela quis
dizer com aquilo? – ele parecia ter recuperado o controle perdido.
-Bobagem. – deu
de ombros.
E se virou
novamente, querendo trocar de roupa. Agora que o clima tinha se quebrado. Ele
se aproximou e a segurou pelo braço. Um pouco rude, mas logo afrouxou a mão. A
pergunta dançando em seus olhos negros. Ele já sabia que ela poderia ver.
Ela suspirou.
Ele a soltou completamente. Ela foi se sentar em uma poltrona na sala. Snape se
sentou no sofá em frente e aguardou.
-Meus pais eram
bruxos que vinham de família trouxa. Nenhuma das famílias aceitavam as suas...
anormalidades. Então fugiram juntos. Decidiram se esconder. Então encontraram
este povoado. Aqui existem alguns trouxas, alguns bruxos, mas todos vivem bem
entre si. – suspirou, sentia muitas saudades de seus pais.
-Eu nasci aqui.
Nesta casa. – e apontou em volta - Minha mãe estava no oitavo mês de gestação
quando sofreu uma queda e entrou em trabalho de parto. Não havia tempo de ir
para a cidade. Então a parteira, a Marta, que esteve aqui, foi chamada as
pressas. Mas quando chegou, minha mãe estava sangrando muito, pensou que ela
não resistiria. Consolou meu pai. Pediu que ele tivesse coragem. Decidida
continuou a ajudar minha mãe. Ele chorava e ela já não tinha forças. Mas quando
o dia estava nascendo e quando os primeiros raios de sol bateram na cama, minha
mãe voltou a gritar. Ela nem sabia que ainda tinha forças, e eu nasci naquele
momento. Banhada pelos primeiros raios de sol. Eles dizem que eu brilhava como
se fosse o próprio sol. – falou em tom de deboche.
Snape estava
fascinado, encantado.
-E então?
-Bem, e então –
continuou – quando viram que no lugar do menino que esperavam, veio uma menina.
E aí veio o nome Theodora. E por causa do modo como
que eu nasci. Fui chamada de Theo, a menina brilhante. Eles contam que quando
minha mãe me colocou nos braços achando que morreria a seguir, eu comecei a
mamar, e eu ainda estava brilhando. E nesse momento ela também brilhou e o
sangramento parou na hora. A dor teria passado, e todos ali disseram que eu a
teria salvo.
-Sempre soube
que era uma bruxa diferente. – fez uma careta. – Por isso gosto tanto de artes
das trevas e poções. – disse agora olhando diretamente pra Snape.
Ele desviou o
olhar. Então foi isso que ela vira acontecer quando os raios do sol bateram no
rosto dela. E sentiu aquele prazer avassalador.
-Você estudou
aonde? – perguntou de repente.
De todas as
perguntas que estava nos olhos dele essa realmente a surpreendeu.
-Bem, na verdade
não frequentei escola de magia. Meus pais me
ensinaram tudo. Vivi nesta casa até completar 18 anos, então fui embora. Viajei
pelo mundo. Estudei tudo o que pude. Lia todos os livros que caíam em minhas
mãos. Mas nada oficial. Autodidata, sabe? Por isso gosto de inovar. Criar
coisas novas. Você se surpreenderia com as coisas que os outros povos
sabem. – ela estava radiante - Se todos
unissem seus conhecimentos não haveria mais guerra ou morte ou desunião. Todos
teriam paz. Porque no fundo é o que todos queremos. – suspirou. – Plenitude e
paz para nossos desejos. Os bons e os maus.
E olhou nos
olhos dele.
-Nada é
totalmente bom ou mau. É o equilíbrio das duas coisas que traz a paz almejada.
Ele pensava nas
últimas palavras dela antes de responder.
-Isso nunca vai
acontecer! E você viu o quanto o mau poder fazer doer. – ele estava duro outra
vez. – E eu sou um deles!
-E o que vai
fazer? Vai me levar para o seu mestre? – desafiou com um sorriso maroto, se
aproximando novamente.
-É o que eu
deveria estar fazendo neste exato momento! – frio.
Mas a máscara no
rosto dele já não a enganava mais. E ela riu.
-Então como vai
ser? Você me dá o endereço do seu mestre, ou vai me levar sob a maldição imperius? – disse dando leves beijos no rosto dele.
Via a luta que ele
travava contra o corpo, contra a mente, o desejo e... o coração. Ela se
arrepiou ao ver quão fundo tinha se enraizado.
-Você está
brincando com coisas que pensa que conhece, mas está nem perto da realidade. –
Snape segurou uma mão atrevida que descia em suas costas até o quadril.
-E agora? – ela
trouxe o corpo mais perto dele, roçando – Estou ficando... mais... perto? –
inocente.
Ele gemeu alto.
E capturou a boca que o torturava, com rudeza. Machucando-a. Mas ela não
protestava. Ao contrário, estimulava-o a continuar. Snape estava embriagado com
o cheiro dela. Não se importava mais com seu destino. Queria aquela mulher com
desespero. Quando admitiu isso par si mesmo, se tornou mais carinhoso. Mais
suave. Queria sentir o corpo dela com vagar. Todas as curvas, todos os cantos.
E ela ficou exultante. Eles se quer voltaram para o quarto. Não tinham tempo
pra isso, tinham pressa. Os dois. Snape terminou de tirar o robe
dela e explorou cada milímetro daquele corpo. Cada ponto que a fazia gemer mais
alto era explorado mais intensamente até ela implorar para que ele parasse de
torturá-la. Então a possuiu novamente à luz do dia. No sofá, no chão da sala de
visitas. Ele ouviu gemidos cada vez mais altos e só então percebeu que eram
seus. E quando Theo brilhou, ele foi arrastado com ela, para o maior prazer que
já sentira antes, mais longe ainda que a primeira vez. Desta vez o sol não
estava lá. Era como se ela fosse o próprio sol. O calor dela o invadiu e ele
entendeu o que ela queria dizer com plenitude e paz. Era o que sentia agora.
Poderia morrer naquele momento, que não se importaria. Mas desejou que ela não
fosse quem era, e que ele também não o fosse. Quando se abraçaram não havia
palavras. Seriam redundantes. Ele sabia, ela sabia.
Mais tarde,
Snape ainda tentava decidir o que fazer. Não poderia simplesmente ficar ali. E
fingir que eram dois camponeses. Ele tinha que voltar e ela seria encontrada.
Foi nesse momento, como se seus pensamentos o traíssem que ele notou que alguém
se aproximava da porta da casa de Theo. Tinha ido dar uma volta enquanto ela
cozinhava. Dissera que seria uma surpresa. Então resolveu dar uma volta. Mas
agora se arrependia. Um homem estava de pé em frente à porta de Theo, mas não
podia visualizá-lo direito ou reconhecê-lo àquela distancia.
Viu Theo abrir a
porta, percebeu uma leve hesitação que pareceu passar desapercebida pelo
visitante. Não podia ouvir nada do que falavam, mas ela sorria gentil. Não o
mesmo sorriso que dava pra ele, mas isso fez surgir uma fúria incontrolável
dentro de Snape.
“Ela é minha!”
Talvez tivesse
dito alto, mas de qualquer forma, nesse momento ela olhou em sua direção. E
disfarçou. O convidando para entrar. Mas fez um sinal pra Severus
ficar longe. Se já sentira fúria pelo sorriso inocente. Agora que ela o
dispensara para ficar sozinha com o homem, ele poderia matá-la com suas
próprias mãos. Tamanho era seu ciúme. Rejeitou o pedido dela e se aproximou.
Queria saber quem era que não podia ser incomodado. E quando chegou até a janela
da sala, sofreu um novo choque. Naquele mesmo sofá que onde tinha feito amor
com Theo, estava sentado o jovem comensal, Calius
segurando sua mão.
O outro parecia
extremamente tímido e carinhoso. A fúria voltou em estocadas.
“O que ele
estava fazendo ali? Será que se conheciam?”
Theo podia
sentir a fúria palpável de Severus, mas no momento
não poderia fazer nada. Não tinha tido tempo para raciocinar o que faria em
relação a Calius. Ele, agora, parecia o mesmo menino
que puxava suas trancinhas quando tinha 4 anos. Tão meigo! Conversaram sobre
amenidades. Mas recusou o convite pra almoçar dizendo que precisava viajar por
algum tempo. Que sentiria sua falta, e que tentaria entrar em contato.
Ao se despedir
de Calius. Theo pôde perceber Severus
escondido ao lado da casa. Quando o visitante desaparatou,
ela soltou o ar que vinha prendendo desde a chegada do amigo de infância.
-Desde quando
vocês se conhecem? – cuspiu deixando esvair toda ira.
-Desde sempre. –
respondeu sem se importar com a grosseria. – Ele também nasceu aqui. Somos
amigos desde então.
-Mas... como...
vocês são amantes? – não parecia uma pergunta.
Theo se
controlou para não se irritar.
-Respondendo a
sua ... pergunta: Não! Não somos nem nunca fomos amantes. Somos apenas amigos.
Ele estava
descrente.
-Severus, - suspirou – Tudo bem. Vou explicar melhor.
Sente-se. – ele sentou, ela também. – Nós fomos amigos inseparáveis desde que
nascemos. E aos 10 anos tivemos um namorico de criança. E juramos que um dia
iríamos nos casar. Mas o tempo passou. Ele foi estudar em uma escola de
bruxaria e quando voltou eu já não estava mais aqui. Havia partido pra conhecer
o mundo. Quando voltei, há 2 anos, como já te contei, ele também estava morando
no povoado. E achou que estava na hora de cumprir a promessa. – Snape ficou
mais tenso. – Mas eu não era mais a mesma. E esse não era mais meu sonho. Ele
entendeu, mas diz que ainda tem esperanças. Aceita minha amizade. E então é só
isso. É o que somos.
Snape percebia
que o que ela contara era verdade. Mas ainda sentia o ciúme, era como um
parasita andando e mordendo seu coração.
“É loucura! Não
tinha direito, mas sentia como... dono dela!”
Ela riu
suavemente. Deu um beijos leve nos lábios dele.
-Venha, vamos
almoçar! Já está tudo pronto. – e pegou-o pela mão.
Ele sentiu quase
toda raiva ir embora. E a seguiu. Almoçaram em silêncio.
#
Mais tarde, no
quarto dela, resolveu que deveriam conversar sobre a situação.
-Você sabe que
isso não vai durar para sempre, não é? – iniciou.
-Eu sei. –
respondeu triste.
-Sabe que eu não
vou levá-la pra Ele. – não disse o nome.
-Sei. – e
sorriu.
Snape a abraçou
forte o corpo que parecia, mas não tinha nada de frágil.
“Que droga!” –
pensou.
-Eu sei. – ela
falou de novo, sem perceber.
Ele a soltou.
-Você sempre faz
isso! Poder saber sobre meus pensamentos assim tão fácil? – indignado.
Ela riu com
graça.
-Na verdade
algumas vezes posso captar os sentimentos das pessoas. Saber se estão mentindo.
Mas, – virou-se totalmente apoiando com as mãos no peito dele. – com você,
parece até que posso ouvi-lo pensando. – e deu uma risada encantadora.
Parecia uma
menina rindo. O coração de Snape esquentou.
-Estou me
lembrando – respondeu antes de ser questionada – de você do lado de fora, vendo
Calius aqui! – ria gostosamente. - Parecia capaz de estrangular a mim ou a ele
com as próprias mãos – e imitou colocando suas mãos no pescoço dele.
Mas Severus foi mais rápido, inverteu as posições, ficou sobre
ela e segurou as mãos dela a cima da cabeça, imobilizando-a completamente.
-Eu ainda
poderia matá-lo. Mesmo agora! – disse sorrindo cruel.
Ela estava
ficando excitada outra vez.
“Deus, que homem
era aquele?”
-Então me
mostra, como é que faria isso? – desafiou.
E Snape devorou
sua boca como se sua vida dependesse daquilo. Mordeu com força. Ela gemeu, mas
não protestou. Enlaçou sua cintura com as pernas e se contorceu sob ele,
deixando-o cada vez mais insano.
“Isso não pode
ser normal!”
Não, nenhum
deles era normal, e não seria a comunhão dos dois que seria.
Ela respondeu
cravando as unhas nas costas dele. Assim que se soltou, ele também gemeu, o
sangue escorreu pelo peito másculo e ela lambeu. Snape estremeceu mais
excitado, se é que era possível. E a penetrou de uma vez só. E continuou cada
vez mais forte e mais fundo conforme ela pedia. Só parando quando houve a luz.
Então pendeu de lado. Abraçando-a. Os dois ofegantes e exaustos.
CAPÍTULO 4 – O reencontro
-Vamos Severus, quero que conheça a aldeia. Mas se continuar
comendo desse jeito vai rolando até lá. – brincou.
Ele deu um olhar
gélido pra Theo.
-E não me olhe
assim. Três dias na cama me fizeram querer passear um pouco. Mas se continuar
me olhando desse jeito, é pra lá que vamos voltar. – ameaçou.
Ele agora sorria
sinistramente.
-Hunf! Estou avisando! Não sou de ferro! Vamos embora! – ela
estava mesmo irritada.
Ele ria
abertamente agora.
-Ok, ok, vamos andando. Não sei o
que quer que eu veja. Se você mesma diz que é tão pequena. Mas vamos lá.- e fez
uma reverência. - As damas na frente.
-UAU! Esse seu
lado eu não conhecia! Mas gosto mais do menino mau. – disse em tom de segredo.
Ele gargalhou
agora.
Foram andando.
Ela falava sobre as plantas diferentes que viam pelo caminho. Algumas Snape
conhecia, mas eram muito raras. E outra simplesmente ignorava.
No centro da
aldeia estava acontecendo uma espécie de feira. Tinha artesanato, frutas
legumes, artefatos bruxos. Estava encantado em ver como bruxos e trouxas
poderiam conviver tão bem. Não era comum.
Dava pra identificar facilmente um e outro. Os bruxos com suas capas
longas e usando chapéus pontiagudos, os trouxas com suas roupas simples. E
todos se falavam e se davam muito bem.
Viu que havia
poucos jovens. A maioria era de idosos. E havia também poucas crianças. Theo o
explicou que os jovens com idade suficiente para ir embora faziam o que ela
fizera, e as crianças trouxas, na maioria, frequentavam
escolas nas cidades próximas. Mais tarde poderia vê-las chegando.
Mas Snape parou
de ouvir as histórias quando avistou um bruxo louro alto caminhando entre as
pessoas, sem se preocupar em desviar de ninguém. Ele parecia estar procurando
algo, alguém. Um choque o atingiu quando ele se deu conta de que estava
procurando uma mulher que se encaixava na descrição da escolhida. Theo o
encarou percebendo a mudança de seus pensamentos. Mas antes que conseguissem
decidir o que fazer, foram abordados.
-Theo, querida,
que bom que apareceu. Suas roupas já estão prontas. Esta tarde devo levá-las. –
sorriu Marta, que não percebeu que estava impedindo a passagem. – Sabe o
pequeno Tim, aprontou das suas de novo. Tive que ir até a escola dele mais uma
vez. – então estarei lá depois. Até, queridos.
Snape não ouvia
nada que a mulher falava. Só pensava ser deveria desaparatar
com Theo antes que Lúcius chegasse.
-Ora, ora, Severus! – olhando fixamente para Theo. – Fez novas
amizades?
-Malfoy. O que faz aqui? – frio.
-Trabalhando. –
disse sorrindo – Mas parece que você também! Não é Severus?
Ou eu deveria dizer se divertindo? – cruel.
-Não sei o que
você está falando, Malfoy. Se não me engano foi
designado para procurar em outra área. – olhos vidrados.
-Ora, caro Severus. Que diferença faz? Meu território, seu território?
Se temos uma nova candidata! Bem aqui! Debaixo de seu nariz adunco. – sem tirar
os olhos de Theo.
-O senhor está me
importunando, Sr Malfoy. – falou corajosa.
-Veja, - ele riu
– ela é espirituosa! Uma combinação perigosa com essa beleza, não é caro Severus? O mestre vai gostar. Ou você também vai querer
experimentar, um pouco antes? – riso cínico.
Theo percebeu
nesse momento o que ele quis dizer. Percebeu que a “candidata” anterior, teria
sido escolha dele. Olhou pra Severus
interrogativamente.
-Lúcius, vamos embora. Vamos conversar em outro lugar. – a
fúria latente em seus olhos.
-Mas, já? –
pesaroso. – Acabei de chegar, e não há razão para “fugir”! Ou há? –
interrompeu.
-Claro que não!
Senhorita, com licença... - mas antes de conseguir levar Malfoy
de lá, Theo se indignou e tentou impedir.
-Severus! Fique onde está! – estava furiosa também.
-Veja, Severus, a moça não quer que a gente se vá. Deixe de ser
estraga prazeres.
-Vamos embora Malfoy. Agora! – ele era o comensal, um homem realmente
furioso. Theo se excitou.
-Não sem antes
levar nossa amiga pra passear. – decidido. - O Lord
ficará satisfeito.
Nesse momento
Snape sente a marca negra no braço arder como nunca. Era Ele chamando. Lúcius também sentiu. Theo percebeu o que estava
acontecendo. Enviou um olhar que julgava ser confiante pra ele. E os dois desaparataram.
Ela ficou
sozinha novamente.
“Pra onde teriam
ido? O que aconteceria agora?”
Ela desaparatou também e aparatou em sua casa. Pensou na última
poção que havia criado. Poção para ver além. Não havia testado ainda. Mas sabia
que os ingredientes eram poderosos. E se desse certo poderia ver o que desejava
sem sair do lugar. Mas ficaria muito fraca. E se desse errado, bem, o pior que
poderia acontecer era morrer ou ficar louca. E se acontecesse algo com Severus, era isso que iria ficar, louca!
Foi até o
armário. Olhou a garrafa com o líquido prata. Respirou fundo. Colocou dois
dedos no cálice. Seria o suficiente. Bebeu decidida. Sentou-se na poltrona e
sentiu tontura. Tudo rodou muito rápido. Enjôo. Controlou-se. Abriu os olhos e
pensou em Marta. E como uma câmera acelerada correndo em direção ao objetivo,
pôde ver Marta dobrando as roupas que viria trazer depois. Via com todos os
detalhes. E ela estava na casa dela, que ficava no centro da aldeia.
-Ok. Deu certo. – respirou fundo outra vez. – Severus.
E Marta saiu de
foco. Tudo girou novamente. E ela pôde ver se aproximando a imagem de Severus de joelhos no chão. Ele gemia alto. Voldemort estava punindo-o. Lágrimas deixaram seus olhos
embaçados, mas ela não tinha dúvidas do que estava acontecendo. Lúcius sorria cruelmente e ao lado dele, estava Calius. Com o rosto pálido. Parecia chocado. Também tinha
uma lágrima nos olhos.
Theo podia ouvir
Vordemort dizendo que Severus
merecia aquilo. Que não estava agindo de maneira correta, e que pagaria caro
por sua insolência. E tudo ficou pior, como se isso fosse possível, e o grito
de dor escapou alto dele. Severus estava fraco, não
ia agüentar mais. Ela tinha que fazer alguma coisa. Olhou em volta e reconheceu
o mesmo local do ritual que presenciara. Sem pensar duas vezes, aparatou lá.
Viu ainda Severus no chão definhando.
-Pare! – ela
gritou.
-Mestre, veja
quem chegou! – disse Lúcius – Que surpresa agradável!
O fogo
crepitava.
-Maravilhosa, eu
diria! – e suspendeu a maldição sobre Snape. – Então no final de tudo, você
conseguiu servo Severus. Você a trouxe pra mim. – ele
estava atordoado.
Mas conseguira
compreender. Theo estava ali. E ele não poderia permitir que o Lord fizesse o que pretendia.
-Não mestre –
disse fraco – Sinto muito! Mas não é ela! É o que estou dizendo.- tossiu,
sangue escorria pelo canto da boca – Ela não é a escolhida!
-Severus, meu caro, como poder ter certeza? – Lúcius falava como se ele fosse uma criança retardada.
-Teremos que
testar a teoria, não é mesmo servo? Venha até o fogo pequena. Venha até mim.
Theo ainda não
sabia o que fazer para se salvar e a Severus, e por
isso mesmo resolveu cooperar um pouco, pra pensar melhor. Passou por Calius, que continuava pálido e em silêncio. Ela queria
ganhar tempo.
-No que posso
ser útil, príncipe das trevas?
-Você sabe
porque está aqui?
-Na verdade não
sei ao certo, meu senhor. – humilde.
-Bem, como você
veio de livre vontade, posso esclarecer suas dúvidas. – o fogo ardeu mais alto.
– Eu, Lord Voldemort, o
maior bruxo já existente, fui destruído por uma criança, há cerca de dois anos.
Mas através de uma profecia descobri que existiria uma maneira de voltar. Uma
mulher, alta, de cabelos longos e negros, olhos azuis, seria a escolhida para
abrigar uma semente que viria a ser o bruxo mais poderoso de todos os tempos.
Assim, decidi achá-la, e habitar sua semente! E juntando assim a força dessa
nova vida, á minha própria, eu serei invencível!
-Mas como o
senhor saberia qual é essa... mulher? – receosa.
-Bem, ela não é
uma bruxa comum! Ela suporta o fogo e o calor que a habita será meu! Então
querida, está preparada para ser a escolhida? – sua voz era sinistra.
O terror em seus
olhos não passou desapercebido por ninguém.
-Mestre! Mestre!
Eis-me aqui! Seu servo, Calius
Mort! Faça de mim sua arma, sua morada, sua vontade!
Theo ouviu pela
primeira vez ele se pronunciar. E olhou para o rosto duro do amigo de infância
e sentiu vontade de chorar.
-Mestre! Mestre!
Eis-me aqui! Seu servo, Lúcius
Malfoy! Faça de mim sua arma, sua morada, sua
vontade!
Ela olhou para Severus.
-Mestre! – ainda
estava fraco - Mestre! Eis-me aqui! – voz fria - Seu
servo, Severus Snape! Faça de mim sua arma, sua
morada, sua vontade!
Ela não sabia o
que fazer mais. Severus tinha ficado do lado de seu
mestre por fim. Mas então, pôde sentir, mesmo que ele tentasse impedir, tudo o
que se passava dentro dele.
Então o fogo
crepitou e foi em direção a Calius. Queimou-o como da
primeira vez. Ele caiu, e se levantou, com os olhos brilhando em chamas. Cruel.
Sabia que não
poderia simplesmente fugir. Voldemort com certeza
mataria Severus, e isso ela não permitiria. Foi
quando entendeu que era exatamente isso que ele queria que ela fizesse, quando
se ofereceu para o mestre. Queria que ela se decepcionasse com ele e fugisse
dali. Mas essa atitude só a fez amá-lo mais ainda. Ele estava dando sua vida
por ela.
Calius
se aproximava mais, Snape tentou impedir, mas nesse momento ouviu Lúcius submetê-lo a outra maldição de dor. Theo olhou para
o antigo amigo. Como quem pede socorro. Ele se aproximou mais, beijou-a leve
nos lábios, chegou até o ouvido dela e sussurrou:
-Amo você Theo,
sempre amei. – e ele começou a se contorcer.
Ela gritou. Lúcius se distraiu e Severus pôde
recuperar sua varinha a atacá-lo, deixando-o desacordado.
-Calius! – gritou outra vez.
Parecia pior que
a maldição crucciatus, porque ele parecia estar sendo
destruído por dentro. O sangue saía pelos olhos, boca, nariz. Iria morrer a
qualquer momento. Ela estava desesperada. E não notou quando brilhou de
repente, intensamente. Estava coberta de luz, e apertou o outro nos braços. Mas
para sua maior tristeza percebeu que já estava sem vida. Abraçou o corpo do
amigo. O fogo crepitou com fúria.
-Como ousa me
desafiar? – gritou a voz. – Mas não importa. Já existe uma semente em você. E
eu vou habitá-la. Agora!
Não deu tempo de
raciocinar o que ele havia dito. Theo apenas se levantou e com os olhos agora
também em chamas, fuzilou o fogo. Antes que ele chegasse até ela. O calor era
infernal. Snape achou que fossem todos morrer queimados ou que no mínimo
ficariam cegos. Mas de repente tudo cessou. A luz, o fogo. Olhou ansioso pra
ela, no chão.
-Theo! Theo,
como você está? O que aconteceu? Theo? – chamou apavorado.
Ela abriu os
olhos.
-Ele não
conseguiu. – tentou sorrir. – Tinha mais amor em mim, que ele poderia suportar.
O mesmo aconteceu com Calius. Não sei o que o fez
seguir esse caminho. Mas ele realmente era bom. – suspirou com dificuldade, os
olhos pesando muito.
-Theo. – chamou
mais uma vez.
-Voldemort descobriu uma coisa antes de mim Severus.
Snape olhou sem
entender.
-Parece que você
me deu uma arma maior que esperava. Um filho, Severus.
E foi ele que me deu forças para lutar contra o maldito. Mas agora estou muito
cansada. - suspirou – Muito cansada. – fechou os olhos se deixando cair nos
braços do homem que amava.
Snape viu um
frasco cair da capa dela. Reconheceu a poção prata que bebera uma vez, quando
chegara à aldeia. Deitou um pouco nos lábios dela. Não se preocupou em tomar
também. Aguardou que engolisse. Ela abriu os olhos lentamente. Sorriu. E isso
teve um efeito mais revigorante que qualquer poção.
Beijou-a delicadamente, a tomou nos braços, e saíram daquele lugar. Olhou para
os lados e percebeu que Lúcius havia desaparecido.
Snape a levou
pra casa. Tinha muito em que pensar. Seu filho. Um grande bruxo.
“O que
aconteceria agora?”
Sabia que o Lord não havia morrido. Ele ainda voltaria. Lúcios também não desistiria. Esperava estar preparado para
esse novo encontro. Mas só mais tarde. Agora tinha uma mulher pra conhecer
melhor. E passaria a vida toda fazendo isso.
Fim
(será?)
FIM ALTERNATIVO:
...
Parecia pior que
a maldição crucciatus, porque ele parecia estar sendo
destruído por dentro. O sangue saía pelos olhos, boca, nariz. Iria morrer a
qualquer momento. Ela estava desesperada. E não notou quando brilhou de
repente, intensamente. Estava coberta de luz, e apertou o outro nos braços. Não
sabia se ia funcionar, mas tinha que tentar. Abraçou o corpo do amigo. O fogo
crepitou com fúria.
-Como ousa me
desafiar? – gritou a voz. – Mas não importa. Já existe uma semente em você. E
eu vou habitá-la. Agora!
Não deu tempo de
raciocinar sobre o que ele havia dito. Theo apenas se levantou e com os olhos,
agora também em chamas, fuzilou o fogo. Antes que chegasse até ela. O calor era
infernal. Snape achou que fossem todos morrer
queimados, ou que no mínimo, ficariam cegos. Mas de repente tudo cessou. A luz,
o fogo. Olhou ansioso pra ela, no chão.
-Theo! Theo,
como você está? O que aconteceu? Theo? – chamou apavorado.
Ela abriu os
olhos.
-Ele não conseguiu.
– tentou sorrir. – Tinha mais amor em mim, que ele poderia suportar. O mesmo
aconteceu com Calius. Não sei o que o fez seguir esse
caminho. Mas ele realmente era bom. – suspirou com dificuldade, os olhos
pesando muito.
-Theo. – chamou
mais uma vez.
-Voldemort descobriu uma coisa antes de mim Severus.
Olhou sem
entender.
-Parece que você
me deu uma arma maior que esperava. Um filho, Severus.
E foi ele que me deu forças para lutar contra o maldito. Mas agora estou muito
cansada. - suspirou – Muito cansada. – fechou os olhos se deixando cair nos
braços do homem que amava.
Snape
que já não tinha forças pra chorar, gritou. Quis morrer, quis matar! Mas já não
havia ninguém. Lúcius havia fugido. Calius estava quase morto, Theo, a bela Theo seu amor, sua
dor, ela estava morta. Ela e o filho que nem sabia que tinha. Beijou-a
delicadamente, a tomou nos braços, tentou se erguer, mas caiu logo em seguida.
Não poderia nem mesmo levar o corpo dela consigo. Olhou pra Calius
outra vez, ele se mexia molemente. Foi até ele.
Calius,
se sentia flutuando, quase fora do
corpo. Estava desorientado. Abriu os olhos e percebeu onde estava. Se lembrou
de tudo.
-Theo. – chamou
fracamente.
-Ela está morta!
– uma voz ríspida se fez ouvir.
-Theo. – não
podia acreditar. – Theo. – mais forte.
Snape o
levantou sem cuidado. E o arrastou até a mulher no chão.
-VEJA! ELA ESTÁ
MORTA! ENTENDEU? MORTA!!!!! - gritava.
Calius
caiu no chão ao lado dela. E chorou. Toda a dor que sentira não se comparava a
que estava sentindo agora.
-Meu amor! Meu
único amor! – ele chorava feito criança. E se virou pra Snape.
– Vá embora. Nos deixe em paz. Só me resta o seu corpo frio. Deixe-me ao menos
velá-lo. Vá embora!! – gritava agora.
E Severus Snape foi. Sem rumo. Sem
destino. Destruído. Morto junto com a mulher e seu filho. Um filho que nunca ia
nascer. Fez então a única coisa que poderia. Foi embora. Voltou pra Hogwarts.
Sabia que o Lord não havia morrido. Ele ainda voltaria. Lúcius também não desistiria. Esperava estar preparado para
esse novo encontro. Nunca mais ficaria do lado das trevas. Se uniria a Dumbledore. Era uma promessa. Iria lutar até o fim de sua
maldita vida pra destruir Vordemort. Mas pra isso
precisava fingir que ainda era um deles. Seria um espião. Destruiria aquele que
o destruiu. E isso era uma promessa.
Fim