Nome da fic:
A Noiva do Lobo
Autor: Gabrielle Briant
Pares: Severus/Personagem Original
Censura: PG-13
Gênero: Romance
Spoilers: Só uns detalhes do
Ordem da Fênix
Resumo: Lupin vai casar. Ele leva a noiva para conhecer os membros
da OdF... Péssima idéia!
Agradecimentos: À Janaína
Rocha, a beta.
Disclaimer: Os personagens, infelizmente, não me
pertencem. São todos de JKR. Eu não quero nem vou ganhar dinheiro com eles.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2004,
uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está arquivada
no site http://fest.oxetrem.com
A
NOIVA DO LOBO
CAPÍTULO
I. A NOIVA
Rachel
Silverstone. Aurora do ministério da magia, especializada
em poções e perita em venenos e antídotos. Uma bela mulher, de cabelos negros e
longos, levemente ondulados, olhos azuis e pele clara. O corpo, pelo pouco que
era revelado pelas vestes, parecia ser perfeito.
Ela
havia passado os últimos anos da sua vida em Genebra, Suíça. Somente voltou à
Inglaterra, seu país de origem, há um ano, para trabalhar no Ministério da
Magia. E foi lá que conheceu Remo Lupin.
Aquele
havia sido um dia cheio... No dia em que se conheceram, Rachel estava atolada
de trabalho: recebeu dois novos casos de intoxicação por venenos não-conhecidos
ou não-identificados. Ela tinha que “se virar” para conseguir os antídotos e,
como sempre, corria contra o tempo para fazer isso...
As
pesquisas desenvolvidas por ela apontaram para algumas ervas que estavam em
falta no seu estoque. Por isso, teria que usar as do Ministério... Mas, o
problema é que ela simplesmente ODIAVA ir à sala das poções... Era sempre
fria... E escura... Sempre se sentia mal lá. Angustiada. Algo naquela sala causava
nela arrepios... Era apenas um medo infantil, mas não conseguia evitar: Sempre
que ia à sala, acabava saindo correndo pelos corredores vazios.
Só
que, desta vez, os corredores não estavam tão vazios assim. Quando voltava
correndo, com um monte de ervas nas mãos, um homem também andava apressado e
distraído pelo corredor, na direção oposta a que ela tomava, e estava com uma
pilha de papéis nas mãos. A colisão e a
queda dos dois foi inevitável... E a cena foi impagável.
O
homem ficou mais vermelho que um tomate. Ele se ajoelhou e começou a apanhar as
ervas caídas.
-
Droga! Desculpa! Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa... – falou o homem.
Ela
riu da reação do homem. Ele parou para analisar a situação. Acabou rindo da
reação que tivera. Ela começou a juntar as folhas que tinham se espalhado pelo
chão.
-
Está tudo bem... Relaxa! Eu estava correndo... A culpa foi minha. – Rachel,
ainda rindo, tentou ser o mais simpática possível.
-
Se é assim, culpa dividida! Eu também estava correndo.
Pouco
tempo depois, eles já haviam apanhado todos os papeis e ervas que tinham se
espalhado devido à colisão.
-
Você vai ter um trabalhão para colocar esses papéis em ordem! – Rachel
realmente estava preocupada. Eram pelo menos duzentas folhas que, por causa
dela, estavam completamente desordenadas.
- E
você para separar essas ervas. Mais uma vez, estamos
quites! – Ele sorriu, simpático.
Eles
trocaram as ervas pelos papéis. As mãos dos dois se tocaram de leve. Os dois
coraram e sorriram, tímidos. Seus olhos se cruzaram pela primeira vez. Ela
notou como ele era bonito. Ele notou como ela era bonita. Ele se levantou e
estendeu a mão para ela. Ela aceitou imediatamente.
-
Então, o que você faz? – ele perguntou.
-
Trabalho com venenos. E você? – ela respondeu sorrindo.
-
No momento, nada. Tenho que pedir permissão para poder trabalhar. E é isso que
estou fazendo aqui.
-
Permissão para trabalhar? – Ela estreitou os olhos, curiosa. – Por que?
Não-humano ou criminoso?
-
Eu... – Demorou um pouco, receoso. Pareceu tentar escolher as palavras. – Sou
um lobisomem. – Ele esperou alguma reação. Esperou que ela desse alguma
desculpa esfarrapada e saísse dali, ou ao menos, uma cara de espanto. Mas ela
apenas continuou ali com ele, sorrindo, como se falar com um lobisomem fosse
uma coisa normal. Ele gostou disso. – Você não tem medo?
-
Não. Deixei de ter medo de lobisomens no meu primeiro ano em Hogwarts. Parece que tinha um garoto, no sétimo ano, e... bom, diziam que ele era um lobisomem. Como ele nunca fez
nada com ninguém, perdi o medo. Como era o nome dele?... – perguntou para si
mesma tentando lembrar -
Remo... Lupin! É isso! Remo Lupin! - Ela
percebeu que o homem ficou estático, lívido. - Eu disse algo errado?
-
Eu sou Remo Lupin.
-
Oh! - Ela sorriu, sem-graça. - Que mundo pequeno! Eu sou Rachel Silverstone. É um prazer conhecê-lo.
- O
prazer é todo meu.
Lupin segurou a mão dela e beijou. Ela se lembrou que tinha
voltar ao trabalho.
-
Bom, Senhor Lupin, o dever me chama! Agente se
esbarra!
-
Literalmente!
Ela
deu uma risada tímida e saiu. Lupin ficou parado,
olhando ela caminhar. Quando estava para dobrar o corredor, Lupin
gritou.
- Hey, Silverstone! Você sairia com
um lobisomem?
Ela
se virou e riu.
-
Sábado, ás três horas, no Caldeirão furado! Está bom para você?
-
Para mim está ótimo!
Eles
trocaram largos sorrisos antes dela ir embora.
A
partir desse encontro, eles começaram a namorar. Daí foi só amor. Mais ou menos
um ano depois desse encontro, ele a pediu em casamento. Quando ela finalmente
aceitou (ele passou duas semanas insistindo no pedido), ele decidiu
apresentá-la ao pessoal da Ordem da Fênix. Remo dizia que eles eram o mais
próximo de uma família que tinha.
***
-
Pronto. Chegamos finalmente.
-
Como você disse que esse lugar se chama mesmo?
-
Não posso dizer. Por causa do feitiço.
-
Oh... Ok.
Remo
Lupin pegou um papelzinho no seu bolso e entregou-o
para Rachel. Ela leu. “A sede da Ordem da Fênix encontra-se no Largo Grimmauld, número doze, Londres”. Logo depois, ele
incinerou o pedaço de papel.
Quase
imediatamente, uma porta se materializou entre as casas de número onze e treze.
Depois paredes e janelas. Ela olhava a casa que acabara de nascer, absorta,
quando Lupin convidou:
-
Vamos?
Ele
segurou na mão dela e começou a guiá-la para dentro da casa.
Agora
estava finalmente entrando na casa da “família” do seu noivo. Assim que entrou,
foi “recebida” com um esbarrão. Remo segurou Rachel. A causadora do acidente
caiu estatelada no chão. Era uma mulher de cabelos longos e cacheados...E
azuis. Ela se levantou num pulo. Sorriu para o casal, enquanto massageava o
cotovelo, que tinha batido na queda. Falou, bem-humorada.
- Er... Oi! Oi, Remo! Oi... você! Humm... desculpa!
-
Oi. – Rachel respondeu, devolvendo o sorriso.
-
Boa tarde, Tonks. Essa é a minha noiva, Rachel Silverstone. Rachel, essa é Nymphadora
Tonks.
-
Então essa é a famosa noiva? Bonitona! Se deu bem, heim, Remus?!
Os
dois riram, encabulados. Lupin colocou a mão
carinhosamente nas costas de Rachel, fazendo um sinal para seguirem em frente.
Chegaram à cozinha. Lá havia uma mulher baixinha, ruiva e
gorducha e um homem que ela logo reconheceu como...
-
Professor Dumbledore!
O
velho barbudo deu um sorriso largo. Levantou-se para abraçar Rachel.
-
Rachel Silverstone! Quer dizer que você é a noiva que
Remo fala tanto?
-
Sou! Só não sabia que era tão famosa!
A
mulher ruiva foi até ela com um sorriso simpático no rosto.
-
Ah, minha querida! É um prazer imenso conhecê-la. Esperei muito para ver o seu
rosto, sabia? Você é um dos poucos assuntos felizes desta casa!
-
Rachel, essa é Molly Weasley.
É a mãe de todos aqui... Já te falei dela.
- Ah, vamos, querida! – Molly disse
– Vamos conhecer todos!
A
mulher saiu gritando vários nomes. Aos poucos, as pessoas começaram a aparecer
na escadaria e saindo de outros cômodos. Uma delas, ela reconheceu
imediatamente.
- Quim? – Ela exclamou, feliz e surpresa. – Eu não sabia que
você era da Ordem!
-
Eu não sabia que VOCÊ era da Ordem! – Ele também exibia um largo sorriso.
-
Eu não sou!
O
auror a abraçou. Foi um abraço tão apertado que
chegou a suspendê-la. A rodopiou antes de devolvê-la ao chão.
- O
que você está fazendo aqui, Pequena? – Finalmente a soltando, Quim Shacklebolt perguntou.
-
Pequena? – Foi Tonks que falou, se aproximando. -
Você é Pequena? A aurora? Eu sabia que te conhecia de algum lugar!
-
Eu tive a mesma sensação. – Rachel respondeu. – Você também é aurora, não?
-
Sou sim!
-
Pequena! Eu te fiz uma pergunta! – Quim exclamou,
exigindo alguma atenção.
- Ah,
Negão, desculpa...
-
NEGÃO?! – Tonks deu um grito
tão forte que chegou a assustar os presentes. Estava, no mínimo, surpresa com o
apelido do amigo.
- É
a minha alcunha entre alguns aurors... – Explicou-se Quim.
-
Mais precisamente, os da minha subdivisão. – Rachel completou.
- A
pergunta, Pequena! – Quim implorou pela retomada do
assunto.
-
Ah, tá... Eu vim aqui para ser apresentada a todos da
casa... Como a noiva do Remo.
-
Nossa... – O auror procurava fingir alguma tristeza,
irreverente. – Nunca acreditei que você ia se casar mesmo... Quem nós vamos
assediar agora?
-
Isso é problema seu... EU vou me
amarrar!
-
Cuidado com ela, Remo! – Ainda irreverente, Quim procurou simular um tom de ameaça. – Ela vale
ouro!
-
Eu vou ter! Bom, vamos às apresentações? – Ele puxou Ron
Weasley, que se encontrava bem perto deles, para
frente dela – Esse é Ronald Weasley. Ron, como você já deve saber, essa é Rachel Silverstone.
-
Prazer.
-
Prazer em conhecê-lo Senhor Wea...
-
Posso saber o motivo dessa maldita aglomeração?
Será?
Ela pensou reconhecer aquela voz letalmente
aveludada... Não podia ser... Não agora... Seria muita coincidência... E muito
azar! O dono da voz afastou as pessoas que, amontoadas, impediam Rachel de
vê-lo. E ela ficou estática ao conseguir olhar para ele. Era ele. E ele
paralisou ao vê-la. Era ela.
- Rach? É você?
- Sev? – Ela sorriu. Aproximou-se dele. – Severo? Oi!
Eles
se abraçaram. Um abraço forte e demorado. Queriam se sentir. Precisavam se
sentir. Ela estava quase chorando. Folgaram o abraço. Ela, ainda com os braços
em volta do pescoço dele, encarou-o. Ele, ainda com os braços em volta da
cintura dela, mirou nos olhos dela.
-
Eu... senti a sua falta!
- O
que você está fazendo aqui, Rach?
-
Ah... Eu... Quer dizer... É que eu vou me casar com o Remo e...
-
Oh... - O abraço finalmente acabou. - Er... - Ele massageou a nuca. - Parabéns! Seja
feliz.
- Er... - Ela sorriu, sem-graça. - Obrigada!
CAPÍTULO
II. DISCUSSÕES
Ele
se afastou de Rachel. O humor dele, que parecia ter melhorado, piorou ainda
mais ao ficar sabendo do noivado... Resolveu mudar de assunto e se sair de
perto dela o mais rápido possível. Aproximou-se de Dumbledore
e falou:
-
Alvo, os relatórios estão prontos. Tenho que discutir com você alguns pontos.
- Tudo
bem, Severo.
-
Agora! – Ele disse com aparente calma, embora o tom fosse ameaçador.
Rachel
se aliviou ao ver que Severo deixaria a sala. Ele ainda tinha o dom de
desconcertá-la. Ele a perturbava... Mesmo depois de tantos anos... Achou melhor
tirar esses pensamentos da cabeça. Foi até o noivo e perguntou:
-
Vamos continuar com as apresentações?
Ele
olhou para ela, desconfiado e murmurou algo como “parece que você já conhece
gente demais”. Ela apenas sorriu, sem dizer nada. Remo percebeu que Snape olhava insistentemente para ela. Deu um “selênio” na
boca da noiva, só para provocar Snape. E conseguiu.
-
Continuaremos agora mesmo, amor. - Lupin deu uma grande ênfase na última palavra.
Ela
conheceu todos. Quer dizer, quase todos. Harry Potter ainda não estava na sede da Ordem da Fênix... Dumbledore disse que logo iria
buscá-lo. Conheceu apenas os melhores amigos de Potter.
Todos foram muito simpáticos com ela. Só quem não conversou muito foi Molly Weasley; pois logo saiu
para preparar o jantar.
Por
falar em jantar, este foi delicioso. Molly era uma
EXCELENTE cozinheira. Rachel só não comeu mais porque não parava de tagarelar
com Quim Shacklebolt e com Nymphadora Tonks, que estavam
sentados ao seu lado. Remo estava de frente para ela.
-
Então, Rachel, qual é o seu trabalho no Ministério? - Molly
perguntou, curiosa.
-
Eu sou aurora, especialista em venenos.
-
Você trabalha com Shacklebolt? – A Sra.
Weasley continuou, querendo saber tudo sobre Rachel.
-
Não, Molly. Ela é de outra subdivisão. - Quim respondeu por ela.
- E
como vocês se conheceram? – Ron Weasley
perguntou à Rachel, querendo entrar na conversa.
-
Isso foi há uns três ou quatro meses atrás. O que ocorreu foi que Negão e um
grupo de aurores se uniram para escolher a “Miss
Ministério da Magia”. Eu fiquei em segundo lugar. Quando as votações
terminaram, ele fez questão de vir me contar pessoalmente o resultado... e me comunicar da existência do concurso.
-
Só quem sabia desse concurso eram os homens... – Quim
explicou. – Aliás, Pequena foi muito gentil conosco! A maioria das auroras
ficou indignada quando souberam do concurso...
-
Na verdade, Negão, só as que ficaram nos últimos lugares...
-
Mesmo assim, você foi uma das únicas que achou graça do concurso!
-
Isso foi por que eu fiquei em segundo lugar! Se ficasse em último, teria
odiado!
-
Você soube do concurso, Tonks? - Perguntou Hermione.
-
Soube sim! – Tonks respondeu, displicente. – Antes de
eles me contarem eu já desconfiava, na verdade. Aliás, minha desconfiança
começou quando me pediram para ir trabalhar de cabelos longos e lisos... e bem-vestida.
- E
qual foi a sua colocação? - Quis saber Ron.
-
Com toda aquela produção? Quinto lugar! – Ela abriu um largo sorriso,
orgulhosa. – E lá tem mulheres muito bonitas!
- Bom, - Molly encerrou o assunto. -
como você conheceu o Remo?
-
Eu me esbarrei com ela no meio de um corredor lá no Ministério quando fui
entregar aquele requerimento. - Lupin respondeu assim
que viu que ela estava de boca cheia.
-
Ele me chamou para sair. E, duas semanas de... - Severo voltou. Lançou para
Rachel um de seus olhares invasores. Esperou que ela completasse a frase. Ela
tentou se controlar. - ...depois nós...
- ...começamos a namorar. – Lupin
concluiu.
Snape, parado junto a Dumbledore,
não parava de olhar para ela. Ela não conseguia desviar os olhos dos de Snape. Lupin, furioso, não
conseguia parar de encarar a noiva... As outras pessoas, na mesa, observavam caladas aquele jogo de olhares. Dumbledore
sentiu a tensão no ar. Decidiu interferir no silencio sepulcral que havia se
instalado na sala.
-
Você vai almoçar, Severo?
-
Não, Alvo, como sempre. – Nem para responder a Dumbledore
ele parou de mirar Rachel. – Tchau, Rach.
-
Tchau.
Ninguém
falou nada até ver Snape sair. Todos tinham percebido
a maneira que ele olhava para Rachel... E todos tinham percebido como isso a
incomodava... Não... não incomodava, desconsertava. Dumbledore, mais uma vez, interrompeu o silêncio.
-
Tudo parece delicioso, Molly. Estou morrendo de fome!
Pouco
depois de Dumbledore se sentar à mesa, a conversa,
aos poucos, voltou a fluir. Apenas Lupin permaneceu
calado, sem conseguir tirar os olhos da noiva.
O
resto da noite ela aproveitou para conhecer melhor as pessoas
da casa. Ela se identificou mais, sem dúvida nenhuma, com Tonks. Já esperava por isso; as duas eram auroras, tinham
trabalho e amigos em comum. Mas logo foi ficando tarde, e sabia bem o que
estava esperando por ela no quarto... Adiou o máximo possível a subida, mas, após muitas investidas, ela não teve como negá-la
à Lupin. Subiram para o quarto. Quando entraram, ele
bateu a porta.
- O
que diabos foi aquilo? – Ele parecia estar furioso.
-
Aquilo o que? – Ela desconversou.
-
AQUILO O QUE? - Respirou fundo, buscando controle. Baixou o tom de voz. - Você
e o Ranhoso!
-
Ah, Remo, faça-me o favor!
Ela
ignorou Lupin. Virou de costas e se despiu.
-
Rachel! Eu estou falando com você!
-
Que saco! - Ela se virou bruscamente - O que você quer saber?
Ele
prestou atenção na tatuagem que ela carregava no seio esquerdo. Uma rosa
vermelha. Ele simplesmente amava aquela tatuagem.
-
Por que você nunca me contou que conhecia o Snape?
Ela
não respondeu. Suspirou. Foi até a mala e pegou uma camisola. Vestiu-a.
-
RACHEL! – Ele gritou, atraindo a atenção da noiva.
- Por
que, meu amor, você nunca perguntou!
– ela respondeu no tom mais sarcástico que conseguiu fabricar.
-
Pois estou perguntando agora!
Voltou
até a mala e pegou uma loção hidratante. Virou-se para ele. Começou a passar o
creme na perna.
-
Ele estudava no mesmo ano que você, em Hogwarts?
-
Sim.
-
E, tivemos um ano em comum em Hogwarts, não?
-
Sim.
- Voilá! – Ela
arregalou os olhos e elevou as mãos à boca, improvisando uma expressão
propositalmente falsa de surpresa.
Ela
guardou a loção hidratante e fechou a mala. Começou a dobrar as roupas que
tinha acabado de tirar. Lupin suspirou e levou as
mãos à cabeça.
-
Ora, vamos, Rachel! Você acha que eu sou idiota? Convenhamos! Snape jamais andaria com alguém seis anos mais nova... Nos
tempos de escola, eu quero dizer! Principalmente se esse alguém fosse uma grifinória!
-
Ai, você me irrita!
Foi
ao banheiro escovar os dentes. Quando voltou, encontrou um Lupin
extremamente irritado, encostado na parede, com os braços cruzados e esperando
por respostas.
-
Ele me ensinou em Hogwarts. Por dois anos.
Satisfeito?
Ela
se deitou. Ficou fitando o teto. Ele se deitou ao lado dela, olhando-a. Depois
de um tempo, disse.
-
Nem um pouco.
Suspirou.
Deu um sorriso visivelmente falso.
- O
que mais você quer saber, Remo?
-
Que tipo de relação você teve com ele?
-
Eu já disse!
- E
onde já se viu uma ex-aluna abraçar o professor daquele jeito?
-
Ele é uma boa pessoa...
-
Ele é um professor mesquinho, severo e injusto!
-
Você está sendo injusto!
-
Estou? Estão me explique uma coisa: O que significa “Sev”
e “Rach”?
Ela
encarou o noivo, incrédula. Ele nunca havia agido de forma tão irracional
antes! O pior, é que nem podia contar tudo para ele agora, ou iriam brigar
feio... Ela não estava nem um pouco a fim de brigar... Ou talvez não quisesse
contar tudo porque, provavelmente Remo perguntaria se ela havia ficado abalada
ao vê-lo. Ela não teria como negar. Achou melhor encerrar o assunto.
-
Ah, Remo, me poupe!
Ela
pegou rudemente o travesseiro e se virou para o outro lado. Cobriu-se inteira.
-
Quer fazer o favor de me responder? – Ele falou alto, num misto de raiva e
impaciência.
-
Eu estou com sono, OK?
-
Você não vai se livrar dessa conversa!
-
Eu já estou dormindo! Boa noite!
Lupin protestou muito antes de ver que não adiantaria.
Desistiu e foi dormir. Demorou a pegar no sono, mas não tanto quanto a sua
noiva.
***
Rachel
acordou bem cedo por causa do barulho de panelas na cozinha. Virou-se. Remo
estava tomando banho. Levantou-se. Estava toda dolorida. Dor nas costas,
torcicolo... Aquela tinha sido uma noite longa.
Levantou-se
e foi até o banheiro.
-
Bom dia, Remo.
-
Péssimo! – Pelo tom de voz, estava muito mal-humorado. – Só vai ser bom quando
você me contar tudo!
-
Nesse caso, você tem razão! – Ela já estava cansada da insistência de Lupin. - Péssimo dia!
Ele
saiu do chuveiro. Ela jogou um roupão para ele.
-
Obrigado. Vai tomar banho?
Ela
acabou de escovar os dentes. Tirou as roupas. Ele observou a tatuagem.
Encaminhou-se para chuveiro.
-
Vou.
-
Eu não vou te esperar. Você demora demais. Estarei lá em baixo, para o café da
manhã.
Depois
do banho, ela colocou um vestido leve e desceu. Todos já estavam na mesa do
café da manhã. Quem falava mais eram, sem dúvidas, os adolescentes (e Tonks, é claro). Estavam discutindo as aulas de Hogwarts - as melhores e as piores. Ela chegou bem na hora
que estavam bombardeando poções e o seu professor. Todos se divertiam (mesmo
que os adultos tentassem esconder isso), inclusive (e principalmente) Remo.
-
Bom dia, meu amor!
-
Bom dia, Remo. Bom dia todos!
Ela
se sentou e pegou uma exagerada fatia de pão. Ronald Weasley
se reportou imediatamente a ela.
-
Quando você conheceu o Snape? Você o namorou?
Rachel
se engasgou. Remo congelou. Hermione Granger deu uma cotovelada no amigo, que ficou sem saber o
que tinha feito de errado. Rachel tentou manter a calma e respondeu.
- O
Se... Snape foi meu professor. – Todos
pareceram ter “engolido” a história... Ela conseguiu fingir calma.
- E
você gostava tanto assim dele? – Ronald Wasley
insistiu.
-
Eu... Bom... Er... Eu gostava muito da matéria...
Tanto que me especializei nela.
-
Ele é um pesadelo!
- Rony! – Hermione o censurou mais
uma vez.
- O
que foi?
- Tudo bem...
– Rachel achou melhor não citar todas as qualidades de Snape. Não alimentaria as desconfianças do noivo. E o
quanto mais cedo o assunto terminasse, melhor. – É o que todos acham...
CAPÍTULO III. A CRISE DE INSÔNIA
Ela não estava nada bem com o noivo.
Quando estavam na frente de todos, ele era a pessoa mais amável do mundo... Até
alguém citar o nome de Severo, é claro. Aí ele se fechava e ficava extremamente
mal-humorado. E quando estavam sozinhos, o único assunto que
ele conseguia falar era Snape... Na verdade,
Ranhoso, para ele. Sempre que Rachel tentava estabelecer uma conversa, ele a
cortava... Ela nunca tinha visto Remo desse jeito.
Haviam-se passado três dias desde
que Snape havia voltado à vida dela... Ele nem tinha
aparecido mais na sede da Ordem da Fênix... Já tinha se passado tempo
suficiente para Remo esquecer tudo! Mas não, ele tinha que ficar tocando no
assunto o tempo todo... Por que ele não podia simplesmente esquecer? Sem
querer, ela olhou para a sua tatuagem... A rosa vermelha... Por que ELA não
podia simplesmente esquecer?
Suspirou, pela centésima vez naquela
noite. Desistiu. Não conseguiria dormir... mais uma
vez. Mas, talvez, se bebesse um leite quente... Levantou-se com cuidado. Lupin segurou carinhosamente no braço dela.
- Onde você está indo?
- Eu não consigo dormir!
- Por que?
- Principalmente por sua culpa. – ela disse,
entediada.
Se arrependeu imediatamente. Ele tinha sido tão gentil com ela...
Essa era uma chance de se acertarem. Foi dizer algo, mas Lupin
a interrompeu.
- Me desculpe. – Ele se sentou na cama.
Acariciou a mão dela. – Mas acho você está me escondendo algo.
- Remo, eu nuca te disse que te contaria tudo!
Tem muita coisa sobre mim que você não sabe...
Ela, inconscientemente, colocou a
mão sobre sua tatuagem. Ele percebeu.
- Como, por exemplo, a história dessa
tatuagem. – ele a olhou, triste. Ela desviou o olhar.
- É só uma tatuagem.
- Quando você a fez?
- Há sete anos.
- Por que?
- Se nós continuarmos essa conversa, vamos
brigar mais uma vez. E está tão bom assim, sem discussões...
- Está bem! Mas, só me diz uma coisa: Por que
você guarda tantos segredos?
- Todos guardam segredos, Remo! E eu aposto
que você tem os seus...
Ele se calou e ficou encarando-a,
pensando que acabara de ouvir... Não deixava de ser verdade. Ela também o
olhava, esperando que dissesse algo. Depois de alguns minutos de espera,
desistiu. Suspirou e se levantou.
- Eu vou pegar um pouco de leite.
Lupin
continuou olhando para a noiva. Realmente tinha sido muito bom conversar... Sem
gritos... Sem respostas atravessadas... Mesmo não conseguido saber o que
queria, foi bom. Por que se sentia tão ameaçado por Snape?
Logo por Snape? Ela estava quase abrindo a porta do
quarto. Ele a chamou. Ela se virou, ainda com a porta fechada.
- Você quer que eu pegue algo para você?
- Na verdade, não. Sabe o que é? Faz três dias
que você não me dá nenhum beijo...
Ela sorriu. Agora sim! Aquele era o
Remo Lupin que ela tinha conhecido! Foi até o noivo,
ajoelhou-se sobre ele e o beijou. Pensou em Snape. Lupin apertou o corpo dela contra o dele. O beijo foi se
tornando mais intenso, mais exigente. As carícias se tornando mais quentes... E
a lembrança de Snape, mais forte. Não era justo fazer
isso com Lupin. Ela parou, ofegante.
- Eu vou pegar
meu leite.
Lupin
fitou a noiva, descrente. Ela evitou o olhar dele. Saiu do quarto quase
correndo e fechou a porta. Maldita hora que Snape
encontrou para voltar na vida dela! Maldita hora! Encostou-se na porta.
Suspirou. Desceu as escadas. Foi até a cozinha. Quando ia pegar o leite, ouviu
um barulho na sala. Procurou a varinha. Estava no quarto, é lógico! Pegou uma
faca. “Que idéia imbecil”, pensou. “Uma varinha contra uma faca!... Sem
chances!”.
Caminhou cautelosamente até a sala.
O que viu, a chocou. Deixou a faca cair no chão. Correu até Snape,
que se encontrava encostado na parede, sangrando e com uma expressão pavorosa
de dor estampada no rosto. Passou a mão na cintura dele. Pegou o braço dele e o
passou no pescoço, fazendo-o apoiar-se nela. Sentiu todo o peso dele. Ajudou-o
a chegar no sofá e sentou-o.
- Posso saber onde foi que o senhor se meteu?
- Me ajude a ir para o quarto!
- Não! – Que homem! Quem ele pensa que é? Não
estava em condições de dar ordens, e, mesmo assim... – Primeiro eu vou cuidar
de você! Depois você caminha para o seu quarto sozinho!
- Maldição, mulher! Então vai lá e pega três
poções; uma roxa e duas verdes.
- Deixe-me curar esse corte primeiro.
Ele praguejou. Virou a cabeça para
que ela visse onde era o corte. Era na nuca. Ela se lembrou que estava sem...
- Varinha! Me empresta
a sua varinha!
Ele praguejou mais uma vez e
estendeu a varinha para ela rudemente. Ela executou um feitiço que fechou o
corte imediatamente. Ela percebeu que a pele dele estava fria. Também percebeu
que ele, discretamente, se contorcia. Notou que, de vez em quando, ele
disfarçava um gemido. Talvez tivesse sido melhor levá-lo ao quarto... Ou ter
pegado as poções primeiro.
- Onde estão as poções?
- Na escrivaninha do quarto principal.
Ela saiu imediatamente. Subiu as
escadas correndo e entrou no quarto. Pegou as poções e desceu o mais rápido que
podia, tomando cuidado para não deixar cair o conteúdo dos frascos. Entregou-os
para Severo. Ele bebeu as poções rapidamente. Depois de um tempo, a dor pareceu
cessar. Ele suspirou, aliviado. Ajeitou-se na cadeira. Ele, então, xingou. Ela
queria explicações. Sentou-se ao lado dele.
- E agora, Sev? Vai
me falar onde estava?
- Nenhum lugar especial. – Ele a cortou, frio.
- E em “nenhum lugar especial” você ficou
assim, todo arrebentado?!
- Isso não é da sua conta.
- É claro que é! Eu me preocupo com você!
- Por que?
- Bom, eu... – Ele estava fitando-a perto
demais. Ela se sentiu desconcertada. – Eu não sei.
- Não sabe? – Ele se aproximou mais. Estava
ficando perigoso.
- O assunto aqui não sou eu! É você! – Ela
rapidamente desconversou.
- Esse assunto me deixa entediado. Eu vou
dormir!
Ele se levantou. Começou a caminhar
para as escadas. Antes que pudesse chegar nelas, Rachel correu e se colocou na
frente dele.
- Você não vai dormir antes de me contar onde
você estava, fazendo o quê e quem fez isso com você! – ela quase gritou,
exigente.
- Você sabe, melhor que eu, que não vou dizer
nada.
Ele tentou desviar. Ela insistiu em
ficar na frente dele. Ela colocou a mão no peito dele, bem de leve, para o
impedir de continuar tentando fugir. Ele suspirou. E praguejou.
- Por tudo que nós já vivemos, Sev, me conte!
- Quando você voltou à Inglaterra?
- Há um ano.
- E por que você não me procurou?
- Eu procurei... Mas não fui te ver porque
achei que você acharia uma bobagem... Você sabe... Te
procurar... Depois de tanto tempo.
- E eu iria.
- Sabe qual é o nosso problema? Nós nunca
demos um fim à nossa história...
- É verdade.
- E agora eu vou me casar...
- Logo, deveríamos acabar tudo...
- É...
Ele ficou a olhando mais uma vez.
Mais uma vez, ela sentiu-se incomodada, invadida. Desviou o olhar. Um segundo
sem vigiá-lo foi suficiente para que ele agisse. Logo sentia os lábios dele nos
dela. Desabou. Todas as barreiras de proteção caíram... Sentiu a língua morna
dele. Entregou-se... Ao destino... À ele... Sentiu seu
corpo ser puxado... Ele intensificou o beijo. Ela correspondia a cada
investida. Tirou o robe dela. A suspendeu no ar. Ela
entrelaçou as penas no quadril dele. Ele a deitou no sofá. Passou a dar atenção
ao pescoço dela. Afastou a camisola. Beijou a tatuagem... Ela se lembrou que Lupin sempre fazia isso... Lupin...
Não era justo! Desvencilhou-se daquele homem. Correu ao encontro do robe caído. Vestiu, enquanto falava, ofegante.
- Posso saber por que você fez isso?
- Só para que você tenha certeza que quer
acabar tudo mesmo... – Voltou a se aproximar dela. – Ou não.
- Me de um motivo para não me casar com Remo.
– ela disparou, com raiva.
- Simples, minha querida: Você é minha! Não
importa com quem você esteja, você é minha!
- Seu convencido bastardo – sussurrou.
- Lembre-se, Rachel, que não fui em quem disse
isso primeiro... E, além de tudo, você está marcada...
- É SÓ uma tatuagem!
- Você sabe bem que não. Agora me diga, Rach, Você realmente quer acabar tudo?
- Eu... É claro que... – Hesitou... Estava tão
claro assim? – quero! Acabar tudo!
- Nesse caso, Rach,
boa noite!
E ele voltou a subir as escadas,
deixando Rachel sem certeza de nada... Dos seus sentimentos... Ela nem percebeu
que ele tinha conseguido direitinho fazê-la esquecer das perguntas.
CAPÍTULO IV. ÁGUA OU LEITE?
Ela observava, estática, Snape subindo as escadas, sem conseguir tirar da cabeça o
beijo que havia acabado de acontecer. Notava como ele parecia calmo, enquanto
ela estava visivelmente perturbada. A concentração dela foi interrompida quando
Lupin apareceu nas escadas, na frente de Severo.
- Rachel? Você ainda está aí? Vamos dormir!
Se ele tivesse chegado há um minuto
atrás... Ela nem queria imaginar o que aconteceria... E o pior é que ela estava
atordoada! Não sabia o que fazer nem o que falar. Estava se sentindo culpada
pelo que acabara de acontecer. Snape parou a sua
caminhada em direção ao quarto e ficou observando o casal.
- Rachel?! Acorda!
- Vamos, Rach!
Responda ao seu noivo!
- Er... – Os olhos
dela caminhavam de Snape para Lupin,
incansavelmente. – O... O que você disse, Remo?
- Eu estou te esperando há um tempão! Vamos
subir!
- É... Eu... É! Vamos!
Ela olhou para Snape.
Agora ele estava com os braços cruzados, olhando diretamente para ela,
divertido. Quando os seus olhares se encontraram, ele soltou um beijinho para
ela. Rachel corou violentamente. Voltou o olhar para Lupin
imediatamente.
- Rachel, você já pegou o seu leite?
- “Leite”, Rach? –
Severo passou a olhar Lupin – Sabe que se a sua noiva
não fosse tão sensata eu iria acabar dando “leite”
para ela! Eu até tentei, mas ela pareceu se contentar apenas com a “água”! –
Severo falou num tom carregado de ironia.
Lupin
olhou para Snape, que ria, sarcástico. Tentou
entender alguma coisa. Olhou para Rachel em seguida, que estava muito vermelha.
- Na verdade, Sev,
eu nem queria a “água”.
- Ah, mas você pareceu ter gostado muito da
“água”.
- Sev, por Merlin, vá dormir! – Rachel falou, impaciente.
- Tudo bem! Mas só porque você está me
pedindo. – Ele voltou-se para Remo – Boa noite, Lupin!
Se precisar de uma poção para dores de cabeça no meio da noite, pode passar lá
no quarto e pegar... Ou melhor! Mande a sua noiva pegá-la no meu quarto. – Se
virou para Rachel – Um beijo, Rach!
E voltou a fazer o caminho em
direção ao quarto. Rachel estava com ódio dela mesma... E dele! Mas como ela
tinha deixado aquele beijo acontecer? E que beijo... Balançou a cabeça, em
negação. Precisava tirar aquele beijo da memória! Nem percebeu quando Remo se
aproximou dela.
- Você não respondeu. Já bebeu o leite?
- Graças a Merlin,
não.
- O que?
- Hã?... Nada! Er... Eu acho que perdi a vontade! – Ela olhou para o
caminho que levava ao quarto de Snape. Lupin percebeu. – É! Eu definitivamente perdi a vontade!
- Posso saber o que aconteceu aqui?
- Hã?... Como? – Ela
olhou os olhos do noivo. Viu um Lupin impaciente e
nervoso. – Er... Nada! Pelo menos, nada importante.
- Vamos para o quarto.
Assim que entrou no quarto, Rachel
tirou o robe e se enfiou na cama, rezando para que Lupin não fizesse mais nenhuma pergunta. Ela estava
cansada... Não queria responder a nada... Não tinha certeza se conseguiria
mentir... Ou omitir.
Ele também se deitou. A envolveu em
seus braços. Beijou o pescoço dela e sussurrou.
- E agora? Você vai me contar o que aconteceu?
Ela suspirou. Voltou-se para ele.
- Eu já disse que nada de importante
aconteceu!
- E o que de não importante aconteceu?
- O Sev chegou aqui
todo machucado. Eu cuidei dele. Só isso.
- E por que será que esse “só isso” não me
convenceu?
- Não faço idéia. Talvez porque você esteja
passando por uma onda de ciúme patológico ultimamente. – ela tentou controlar o
tom de voz.
- E eu tenho razão? – Lupin
estava desconfiado. Ela não respondeu. – Que conversa foi aquela agora?
- Que conversa? – Ela perguntou
impacientemente.
- A da água e do leite.
- O que você acha que foi?
- Eu espero que ele tenha te dado um copo
d’água. E só.
- Bingo!
- Mas e o tom de voz dele? – Lupin ainda insistia Rachel levantou a sobrancelha. – Era
sarcástico.
- Se você ainda não percebeu, ele SEMPRE é
sarcástico!
- Mas “água” e “leite” pareciam ter outro
sentido...
- E qual sentido seria?
- Eu não sei... Espero que tenha sido apenas o
sentido literal, como eu disse.
- Então, acredite nisso.
Ela quis pôr o assunto por
encerrado. Virou-se e cobriu-se novamente. Lupin
carinhosamente a virou e encostou os seus lábios nos dela. Por um momento, ela
pensou que fosse Severo... Ela desejou que fosse Severo... Mas o beijo não
tinha o mesmo gosto... Logo voltou ao mundo real. Desviou o rosto. Remo
suspirou.
- O que você está fazendo? – perguntou Rachel.
- Retomando o que nós paramos quando você saiu
para beber leite, ou tomar água, ou seja lá o que você
tenha feito. – Ele não tinha soado rude. Na verdade, a frase soou até
divertida. Ele voltou a beijá-la. Ela, mais uma vez, virou o rosto. – Mas o há
de errado com você?!
- Eu não quero!
- Por que não? Rachel, o que diabos você está
acontecendo?
- Quantas vezes eu vou ter que te dizer que
não está acontecendo nada!... Importante.
- Milhares! Milhões! Por que eu SIMPLESMENTE
não acredito!
- Você também tem seus segredos!
- Não é nada grave!
- Eu já disse que o meu segredo não é grave!
- Então um relação torpe com um professor de
poções não é um segredo grave?!
- E quem te disse que eu tive uma “relação
torpe” com o Snape?!
- E o que mais eu posso imaginar?
- NÃO IMAGINE!
- Não imaginaria se a personagem principal
dessa história não fosse a MINHA noiva!
Nesse momento, Rachel se levantou da
cama bruscamente. Lupin a acompanhou. Ela começou a
andar de um lado para o outro, xingando baixo. Voltou-se para o noivo, com os
olhos marejados, como se suplicassem por uma trégua.
- Remo, eu estou muito cansada! Por favor, me
deixe dormir! Nós conversaremos amanhã. Eu prometo!
- Não! Eu quero saber da história toda hoje!
- AHHHHH! MAS QUE HISTÓRIA?!
- E voltamos ao ponto de
partida! VOCÊ e SNAPE!
Ela respirou fundo.
Decidiu ceder. Sentou-se numa poltrona confortável. Fez sinal para que ele se
sentasse na outra poltrona, ao lado da dela.
- O que você quer saber, exatamente?
- Se vocês já estiveram juntos.
- Já. Por um ano. Chegamos até a morar juntos. Satisfeito?
- Não. – disse Lupin.
Ela suspirou. Massageou a nuca, mostrando cansaço. – Você o amava?
- Remo, tem certeza que quer saber de tudo?
- Tenho.
- OK! A resposta é sim. Eu amei muito o Snape.
- E quando acabou?
- Na verdade, nunca chegamos a terminar. Eu
tive que ir para a Suíça e pronto.
- Eu queria que você me contasse tudo... Tudo
que você passou com ele.
- Tem certeza?
- Já disse que sim.
- Então tá. Vou
contar tudo! – Ela cedeu, cansada demais para argumentar –Tudo começou...
CAPÍTULO V. UM VERÃO FRANCÊS
Hogwarts.
Rachel estava cursando o seu sexto ano. A guerra havia acabado no ano anterior.
O mundo bruxo estava ainda comemorando. O clima eufórico era percebido em toda
a escola. Tudo estava mais leve... Tanto alunos quanto professores.
Menos um professor. Ele era o novo
professor de poções. Era o professor mais jovem de Hogwarts.
Apenas vinte e um aninhos. Todos pensavam que, por ser jovem, o professor seria
o mais simpático da escola, mas foi justamente o contrário que aconteceu. O
cara era simplesmente intragável! Muitos diziam que isso era porque ele estava
desapontado com o desfecho da guerra; muitos acreditavam fervorosamente que ele
fora um comensal da morte.
Nesse ano, Rachel viu pela primeira
vez uma aluna ser punida por saber demais. E essa aluna era justamente ela! O
fato é que Rachel sempre fora boa em poções... De fato, no seu sexto ano ela já
sabia todas as poções pedidas para o NIEMS e já estudava diversas poções de
nível avançado, só por diversão... Até ganhava um dinheirinho com isso, dando
cola para sonserinos, geralmente (Rachel era muito
boa em burlar feitiços anti-cola). Voltando ao
assunto, sempre que Rachel respondia a uma pergunta de Snape
(o novo professor), ele retrucava com uma mais difícil... Mas ela sempre sabia
a resposta. Quando ele não achava mais perguntas para fazer, aplicava nela uma
detenção.
E numa dessas detenções...
- Professor Snape,
em que mundo o senhor está? O senhor está cortando-as errado.
Ele a presenteou com o olhar mais
assassino e frio que conseguiu fazer no momento.
- Srta. Silverstone!
A Srta. pelo menos sabe que poção eu estou fazendo? Como pode deduzir se estou
preparando erroneamente ou não?
A voz e o olhar dele eram tão frios
que ela sentiu um arrepio. Balbuciou.
- Er... Hum... Bom, pelos ingredientes que o senhor está usando, o
senhor parece estar fazendo a Poção Oito Horas de Sono... Mas nessa poção os
rabos de salamandra devem ter exatamente três centímetros... E esses parecem
ter menos.
- E o que isso causaria à poção?
- Eu acho que o senhor iria
cair no sono... Mas não seriam de oito horas, tal qual o objetivo da poção...
Seriam mais ou menos que oito horas, dependendo da rapidez que o senhor vai
colocar esses rabos na poção.
- E é isso que eu quero. Exatamente seis
horas.
- Mas tem uma poção que te faria dormir seis
horas...
- Exatamente! – Ele exclamou... Um tanto
surpreso e... interessado? – E por que eu não estou
fazendo-a?
- Porque... – Ela pensou um pouco. – Os
ingredientes são mais caros e raros...?
Ele a encarou. Por um momento, ela
achou que tinha errado.
- A Srta. Não deveria saber dessa poção.
- Bom, é que poções é a minha matéria
favorita... E eu costumo praticar poções avançadas no meu tempo livre...
- Isso explica muito... Diga-me, Srta. Silverstone, não deveria gastar o seu tempo livre com o seu
namorado, o Sr. Roberts, se
não me engano?
- Mas eu gasto o meu tempo livre com Julio...
Só não todo o tempo livre!
Ele pareceu esboçar um sorriso. Ela
mal acreditou.
- A Srta. já pensou no que vai fazer depois de
deixar Hogwarts?
- Não muito... Acho que quero ser aurora.
- Tão típico...
- Como disse?
- Querer ser aurora. É típico dos grifinórios.
- Bom, é melhor do que ser comensal... – Ela
viu o olhar reprovador de Snape. – Desculpa.
- Você sabe demais, Srta. Silverstone.
E eu odeio isso! Ainda mais vindo de uma grifinória!
Mesmo assim, não acho justo que um talento como o seu seja desperdiçado por
pura vaidade e falta informação.
- O que o senhor que dizer com isso?
- Não vou te pedir para não ser aurora... Mas
existem aurores que trabalham diretamente com venenos
e antídotos... isto é, com poções.
- Sério?!?! E como eu
faço para trabalhar nesse ramo?
- Ter NOMS e NIEMS excelentes em poções, se
formar em aurora e em poções e se especializar em venenos. Acha que consegue?
- Tenho certeza! E eu que achei que o senhor
nunca me ajudaria em nada. – Mais uma vez, o olhar de reprovação. – Desculpa!
- Você está dispensada. Pense sobre o que eu
te disse.
***
SETE ANOS DEPOIS
ENCONTRO
INTERNACIONAL DE PROFISSIONAIS EM POÇÕES
PARIS, FRANÇA
Ela nem acreditou quando foi
convidada para esse encontro! Era o seu trabalho sendo finalmente reconhecido!
Essa era a maior convenção sobre poções do mundo! Era inacreditável estar lá!
Estava tremula! Nem conseguia acreditar
que estava perto de tantos bruxos famosos. Queria
pular no pescoço de todos eles e implorar por autógrafos e fotos. Estava até
conseguindo se conter, mas não agüentou ao ver Albert Stiller,
o autor de “Dos Alquimistas ao Século XX”. Assim que o viu, começou a pular e
gritar “AHHHHHHH! PROFESSOR STILLER! TIRA UMA FOTO COMIGO! EU SOU A SUA MAIOR
FÃ!”. Fora isso, quase tudo correu normalmente durante o primeiro dia de
palestras.
Ela estava caminhando entre os
corredores, procurando um banheiro, pois precisava retocar a maquiagem, quando
viu uma pessoa conhecida, que usava capas esvoaçantes,
passar como um raio por ela.
- HEY! – Ela correu até o homem. – Professor Snape?
O homem finalmente se virou. Ela
percebeu que sete anos foram suficientes para fazer aquele homem perder o resto
de cara de adolescente que tinha. Ele a fitou, intrigado.
- Desculpe, Srta., mas, eu a conheço?
- Ah! O senhor deve ter esquecido de mim! Saí
de Hogwarts há sete anos... Grifinória.
- Dizer o seu nome ajudaria bastante.
- Ah, é! Rachel Silverstone!
– Ele franziu a testa. – A que adorava poções... Que o senhor aconselhou a
seguir a carreira de...
- Aurora, especializada em venenos.
- Exatamente! – Ela sorriu.
- Vejo que... seguiu
o meu conselho?
- Estou tentando... Na verdade, já sou
aurora... e formada em poções... Agora estou tentando
uma bolsa na Faculdade de Poções de Genebra.
- Genebra?! É a
melhor...
- Especialização em venenos do mundo! Eu sei!
Snape a
olhou cuidadosamente. Percebeu que ela não era mais, nem de longe, a
adolescente que ele conhecera em Hogwarts... Ela
agora era uma mulher... E uma bela mulher. Talvez eles... Quem sabe...
- Está acompanhada, Srta. Silverstone?
- Completamente sozinha!
Ele estendeu o braço para ela.
- Posso?
- Claro! – Ela aceitou o braço dele e os dois
saíram caminhando juntos. – Mas VOCÊ vai ter que me chamar só de Rachel, OK?
- OK... Rachel. – Ele disse, quase sorrindo.
***
Segundo dia de palestras. Ela já
parecia até ser uma amiga de infância de Snape, tanta
era a intimidade entre os dois. Ela, dois dias atrás, jamais conseguiria
imaginar que aquele professor mesquinho e egoísta poderia ser, na verdade, um
homem interessantíssimo, incrivelmente gentil e simpático,
que tinha o dom de jamais deixar o assunto acabar... e
extremamente sexy. Ela estava simplesmente ADORANDO passar o tempo com ele.
Agora eles estavam juntos no
coquetel de encerramento do segundo ciclo de palestras, numa roda de amigos do Snape. Todos riam com as histórias de um jovem professor
que teve a sua sala implodida por uma poção que não
deu certo, quando um velhinho franzino chegou gritando.
- SEV! SEV!
Todos da roda seguraram o riso. Snape tentou se esconder, mas o velho foi diretamente a ele
e começou a chacoalhar-lhe a mão freneticamente.
- Ai, que saudades, Sev!
– Ele largou a mão de Snape e se voltou para o
pessoal na roda. – O Sev foi o meu melhor aluno! O melhor de todos os tempos! Muito inteligente! Brilhante...
Eu já mencionei que ele foi o meu aluno?
- Professor Lichtenstein,
não está na hora do seu remédio?
- O que? Já são quatro horas?
Rachel olhou o relógio. Ia dizer ao
velho que eram, na verdade, sete e quinze. Mas Severo não deixou.
- Exatamente!
- Então com a vossa licença, damas e
cavalheiros, devo ir!
Snape
percebeu a cara de espanto dos seus colegas. Explicou-se assim que o velho
saiu.
- Ele vai esquecer de tomar os remédios no
meio do caminho! – Ele disse, displicente – Não me olhem com essas caras!
Todos riram ao constatar que, no
meio do caminho, o velho parou, franziu a testa e começou a tomar um rumo
completamente diferente do original. Depois de um minuto, Rachel decidiu
irritar um pouco Snape.
- Sev, é?
- Ele se afeiçoou por mim... E passou a me
chamar assim. Eu sei que é ridículo e...
- Pois eu adorei! “Sev”
é muito bonitinho! Aliás, te chamarei assim a partir de agora!
- Se você pode cortar o meu nome, eu posso
cortar o seu... Rach!
- Eu odeio que me chamem de Rach!
- E eu odeio que me chamem de Sev!
- Então nós temos um acordo?
- Não! Eu adorei “Rach”...
E posso conviver com “Sev”!
- Que seja!
***
Fim do terceiro dia de conferência.
Agora já nem se importava de ser chamada de “Rach”...
Estava até gostando. A última palestra tinha terminado. Ela e Snape estavam na tradicional roda de especialistas,
contando piadas e discutindo as palestras quando o jantar foi servido. Logo,
todos foram comer... Menos Rachel e Severo.
- Vamos também, Sev?
- Eu não vou... Na verdade, vou jantar quando
sair daqui.
- Sozinho ou acompanhado?
- Acompanhado.
- Por quem, posso saber?
- Por você. – Ela ficou pasma por causa do
convite (e da forma que ele foi feito), mas adorou.
- Nesse caso, é melhor eu
pegar um drinque, ao invés da comida.
CAPÍTULO VI. UM VERÃO FRANCÊS, PARTE II
Snape a
levou para um lugar incrível. Era um restaurante que ficava próximo à torre
Eiffel. As paredes do lugar eram todas de vidro, e ficava na cobertura de um
grande prédio, dando assim uma visão belíssima do principal cartão postal da
cidade-luz. Era um lugar extremamente romântico. Tinha tudo que era necessário
para se seduzir qualquer mulher. Isso sem comentar no francês sedutor de Snape! Mesmo estando sendo usado apenas ocasionalmente,
Rachel apreciava cada palavra... Mesmo que não as entendesse.
O jantar foi agradabilíssimo. Snape entendia muito de cozinha francesa... E de vinhos.
Para fechar a noite, ele pediu um champanhe, cujo nome Rachel duvidava que
conseguisse pronunciar. Brindaram. Depois de mais algum tempo de conversa e
degustação, ele pediu a conta. Rachel quase desmaiou quando viu a quantidade de
números que havia naquele papelzinho. Era quase o salário dela todo! Não que
uma aurora em início de carreira ganhasse muito bem, mas o preço era um
absurdo!
- Não faz essa cara! Eu te chamei para sair,
eu que pago!
E tomou o papelzinho da mão dela.
Pagou ao garçom... E ainda deu uma generosa gorjeta. Ele agradeceu e deixou os
dois sozinhos.
- Mas, Sev, foi
muito caro! Eu não quero te dar tantas despesas!
- Eu já disse que te chamei para sair! Quando
você me chamar, aí você... Não! Nós dividimos a conta... Talvez.
- Ah, ótimo! – Ela disse, divertida e
sarcástica. – Já estou me sentindo melhor!
- Isso é cavalheirismo. A
maioria das mulheres gostam, quando não estão tendo o ataque de
feminismo.
- Eu ainda prefiro o feminismo! Vamos fazer
assim: Quem convidar, paga a conta TODA.
- Por mim, tudo bem.
- Ótimo! Da próxima vez eu te levo... Para um
hot-dog... Mas tem que ser daqueles que são vendidos no meio da rua! – Eles
riram. – Sev! Eu comecei a trabalhar a pouco tempo!
Não ganho muito ainda! Tive até que pedir dinheiro aos meus pais para vir a
essa viagem!
- Eu vou adorar comer um hot-dog com você.
- Ótimo. – Ela checou o relógio. Quase
meia-noite. – Sev, está tarde! É melhor irmos!
- Eu te acompanho.
Ele a levou até o hotel em que ela
estava hospedada. Acompanhou-a até a porta do quarto. Passaram todo o caminho calados.
- Então... Boa noite!
- É... Boa noite.
Eles se encararam por um momento.
Ela timidamente baixou os olhos, fitando os lábios de Snape.
Ele percebeu. Subiu os olhos, voltando a encará-lo. Ela corou. Sorriu tímida.
Ele passou o dedo no rosto dela, acariciando-o. Tirou uma mecha de cabelo que
estava no rosto dela. Ela corou mais. Ele baixou a cabeça lentamente. Os rostos
se aproximaram. Um sentia a respiração do outro. Ela fez os lábios se tocarem.
Ele subiu o rosto, para olhá-la mais uma vez. Ela sorriu. Ele voltou à boca
dela, faminto. Ela, tão faminta quanto, respondeu a cada investida. Estava
ficando perigoso. Ele a suspendeu um pouco e encostou-a na parede. Muito
perigoso. O desejo dos dois foi se tornando perigosamente mais intenso. Ela o
queria. E como o queria! Era melhor parar, enquanto ainda podiam resistir à
tentação. Aparentemente, ele concordava com ela, pois parou de beijá-la de repente.
Estavam ofegantes.
- Bom, é melhor eu ir!
- É...
- Então... Tchau.
- Tchau.
Ele ainda ficou olhando um pouco
para ela antes de sair. Ela suspirou. Entrou no quarto. Um banho frio era
necessário naquele momento. Aliás, um banho bem gelado. Era a única coisa que,
talvez, pudesse acalmar. E funcionou: quando saiu do banho já estava refeita.
Vestiu uma camisola de seda preta. Penteou os cabelos. Escutou alguém bater na
porta. “Estranho”, pensou. Vestiu o robe e foi abrir
a porta.
Era Severo. Ele carregava uma rosa
vermelha na mão. Nem se deu ao trabalho de entregar a rosa à Rachel: Invadiu o
quarto, jogou a rosa em qualquer canto, sussurrou algo que ela não conseguiu
entender e a agarrou. Ela o queria tanto quanto ele a queria, era fato. Não
tentou resistir. Não quis resistir. Deixou-se levar. Ele, ainda a beijando
intensamente, tirou o robe dela. Ele começou a beijar
o colo dela. Desceu as alças da camisola. Esta escorregou pelo corpo de Rachel,
deixando-a seminua. Ela corou um pouco. Começou a despi-lo.
Viu a marca negra. Sentiu as inúmeras cicatrizes. Ele a levou para a cama.
***
Ela acordou ainda nua. O lençol
cobria precariamente o seu corpo. Pousada, no seu seio esquerdo, estava a rosa
que Severo tinha trazido na noite passada, mas não tinha a entregue. Riu. Ouviu
o barulho do chuveiro. Decidiu fazer companhia a ele. Nem se vestiu; foi direto
para o banheiro... Levando a rosa.
- Sabe o que é estranho? Hoje eu acordei e vi
que a rosa que você trouxe ontem estava misteriosamente sobre mim!
- Mesmo? Como será que ela foi parar lá... E
logo no sobre seu seio...
- Eu não disse onde ela estava! – Sorriu para
ele, divertida. – Por acaso você andou colocando flores sobre mim durante o meu
sono?
- Eu?... Talvez.
Ela sorriu. Jogou-se nos braços dele.
Deu um grito ao sentir a temperatura da água.
- Que ser humano normal toma um banho tão frio
há essa hora?!
- Não precisa mudar a temperatura da água. –
Ele a abraçou e a fitou, malicioso. – O ambiente está para ficar quente.
- Com certeza.
Ela voltou a se molhar, devagar,
acostumando-se com a temperatura da água. Eles se beijaram debaixo do chuveiro.
De repente, ele afastou a boca da dela, deixando as suas testas juntas. Tragou
uma boa quantidade de ar.
- O que foi, Sev?
- Eu... Não me sinto bem fazendo isso.
- O que? Por que?
- Por que... Bom... Você foi minha aluna e...
- Sev! Eu fui sua
aluna há seis anos atrás!
- Mesmo assim! Eticamente...
- Você não está fazendo nada de errado!
- Mas eu te vi...
- Crescer? Não. Você me viu quando eu tinha
dezesseis anos! Eu era uma adolescente! Quando você me viu pela primeira vez eu
já tinha corpo de mulher!
- E rosto de menina!
- Ninguém nunca prestou muita atenção ao meu
rosto!
- Eu prestei.
- Ele mudou.
- Muito. E para melhor!
- Então deixa de besteira e me beija!
Ele não conseguiu mais resistir.
Queria muito aquela mulher... Desesperadamente.
***
A partir daquele dia, tudo foi um mar de rosas entre eles. Os dois
compraram juntos uma casa em Hogsmeade,
para onde ele ia todas as noites, carregando sempre uma rosa vermelha, que já
tinha virado o símbolo do relacionamento deles. E ficaram assim por pouco mais
de um ano. Até que uma carta chegou e estragou tudo.
“Prezada Srta. Silverstone,
Tenho o prazer de informá-la que a
senhorita foi presenteada com uma bolsa integral de estudos na Universidade de
Poções de Genebra, no curso de Venenos e Antídotos. As aulas terão início no
dia 12 de outubro. Por favor, envie uma carta de confirmação da matrícula até o
dia 30 de agosto.
Atenciosamente
Fréderic
Henri Dierauer
Reitor”
Ela releu a carta umas cinco vezes
antes de acreditar que era realmente verdade. Depois paralisou. Só voltou à
realidade quando Snape apareceu na sala, bem na
frente dela.
- EU FUI ACEITA! EU FUI ACEITA!
Ela se jogou nos braços dele e
começou a cobrir o rosto do namorado de beijos. E a arrancar as roupas dele.
- Espera! Rach, espera! Você foi aceita aonde? Deixe-me ver essa carta.
Toda orgulhosa,
Rachel entregou a carta a Snape. Ele leu e a
devolveu. Sorriu, triste.
- O que aconteceu, Sev?
- Nada. Parabéns!
Ele tentou abraçar Rachel. Ela se
desvencilhou. Queria saber o que tinha acontecido. Precisava saber o por quê da
reação dele.
- Severo!
- Não é nada! Eu estou sendo egoísta! Esquece!
- Eu não vou esquecer!
- É que... Bom, o curso é em Genebra... Logo
você vai ter que ir a Genebra... E eu vou ficar aqui.
Ela se sentou, frustrada. Ainda não
havia parado para pensar nisso. Para fazer o curso, teria que deixar Severo. A
voz quase não saiu.
- Eu... Eu não vou.
- Como?
- Eu não vou! Eu quero ficar aqui... Com você!
- Não! – Ele se ajoelhou na frente da cadeira.
Apoiou os braços nas pernas dela. – É claro que você vai! Não se pode recusar
uma bolsa de estudos em Genebra! Eu não vou deixar você fazer isso!
- Mas... Eu não posso ficar sem você! Eu... –
Ela teve medo da voz falhar – Eu amo você, Severo!
Essa foi a
primeira vez que ela se declarou para ele. Na verdade, eles não eram um casal
muito romântico... Nunca falavam de sentimentos. Eram mais companheiros... e amantes. E eram felizes assim. Mas agora, ela sentiu que
se não falasse, ia explodir. E ele sentia exatamente a mesma coisa. Puxou-a da
cadeira e a abraçou.
- Eu... Amo você também, Rach.
– Ela chorou. Escorregou da cadeira e ficou no chão, abraçada com ele. – Mas
não vou permitir que você jogue essa oportunidade pela janela. Eu não quero ser
o causador disso.
- Sev...
- Escreva agora uma carta confirmando a
matrícula.
Ela obedeceu. Dois meses depois,
estava indo para a Suíça. Eles decidiram juntos que não iriam acabar o
relacionamento... Que não diriam adeus... Só um até logo. Combinaram que assim
que ela voltasse para a Inglaterra, ela o procuraria... Mesmo que fosse só para
conversar. E antes de ir embora ela mostrou a ele a tatuagem que tinha feito
para nunca mais esquecer dele: Uma rosa vermelha no seu seio esquerdo.
CAPÍTULO VII. TRISTEZA
- E essa é toda a história.
Lupin se
levantou. Espiou a janela que tinha no canto esquerdo do quarto. O sol já
brilhava. Escutou algumas pessoas falando. Escutou o barulho de panelas que
vinha da cozinha... Provavelmente, todos já estavam acordados... E ele sequer
havia dormido. Finalmente conseguiu todas as respostas que passara os últimos
dias procurando... E agora não sabia o que fazer com elas... Estava triste.
Talvez, Rachel tivesse razão... Talvez fosse melhor não saber... Mas agora iria até o fim.
- Então... A tatuagem...
- Foi feita para ele.
- E... hoje em dia
você se arrepende?
- Remo... Você não acha que já desenterramos
demais esse assunto? Eu já te falei tudo... Acabou. Pronto.
- Eu preciso saber, Rachel.
- Não, Remo, eu não me arrependo. – Ele
abaixou a cabeça e se sentou na cama, fitando o nada. Ela percebeu a tristeza
nos olhos dele. Sentiu necessidade de se explicar. – Essa tatuagem representa o
que eu sentia por Severo naquele momento... E eu o amava. Eu precisava deixar
aquele sentimento marcado na minha pele.
- Mas, se hoje você não sente mais nada, por
que não a desfaz?
- Eu não posso. Eu fiz a definitiva. Não há
feitiço no mundo que possa removê-la... Além disso, para ser sincera, se eu
pudesse não tiraria.
- Por que?
- Porque o que eu tive com Severo foi muito
bonito para ser esquecido... – Ela ficou inquieta com olhar dele. Talvez
tivesse sido melhor se não tivesse feito esse comentário. – Mas deve, e vai,
ficar apenas nas minhas recordações.
- Você não queria ir a Genebra...
- Não. Mas ele me fez ir... E eu sou grata por
isso até hoje.
- Mas você teria ficado...
- Teria... Mas, Remo, eu tinha apenas vinte e
quatro anos na época! Eu era muito imatura... Não sabia lidar com o que estava
sentindo! Foi duro demais suportar a idéia de deixar alguém que eu amava.
- E vocês nunca terminaram.
- Mas foi como se tivéssemos... Tanto que eu
tive alguns namorados na Suíça.
- Depois de quanto tempo?
- Isso é importante?
- Muito.
- Depois de... Quase um ano, eu acho.
- Quase um ano sem ninguém... Ele foi,
realmente, muito importante para você...
- Eu já te disse isso... Ele FOI muito
importante para mim... FOI. – Ela foi até a cama. Sentou-se ao lado dele. –
Você É... E eu apreciaria muito se você parasse de ter ciúmes do meu passado. –
Ela deu um beijo no rosto dele. – O questionário acabou?
- Não. – Ela respirou lenta e ruidosamente.
Levantou-se e começou a caminhar pelo quarto, impaciente. – Você se arrepende
por não ter ficado... com ele?
- Não.
- E... Já se arrependeu?
- Remo...
- Você vai responder?!
- Eu... – Suspirou. Fechou os olhos... Estava
muito cansada para mentir. – Todos os dias da minha vida... Até te conhecer.
- Então você é feliz com a sua escolha?
- O que você acha? Tenho um emprego
maravilhoso, uma família perfeita, um homem que me ama e que quer se casar
comigo... O que mais posso querer? É claro que sou feliz com a minha escolha!
- E quem você amou mais?
- O que?
- Eu ou ele?
- Remo, você está se ouvindo?!
– Ela já tinha perdido toda a paciência que acumulara durante a noite. Nunca
tinha visto o seu noivo dessa maneira. Estava falando muito alto agora. – Você
tem alguma idéia do quão infantil você está soando?
- Apenas... responda!
- ELE! Satisfeito? Eu amei mais ELE! – Agora,
ao ver a decepção estampada no rosto de Lupin, ela
percebeu quanto tinha sido rude. Tentou se acalmar. Foi para perto dele. – Mas
eu estou com você! E eu amo você.
- Tem certeza?
- Eu... – Não. Não tinha certeza. Mas não ia
magoar mais o noivo. – Claro que sim.
- O que você sentiu quando o reencontrou?
- Eu não sei... – Escondeu o rosto nas mãos
mostrando cansaço. – Foi diferente.
- Diferente?
- Eu não sei o que senti.
- Rachel, me diga uma coisa: – Ele não parecia
mais estar triste, apenas com uma dúvida imensa. – Quando você o ajudou...
Aconteceu alguma coisa?
Ele mal terminou a pergunta, alguém
bateu na porta. Rachel correu para abri-la, rezando para que isso fosse uma boa
desculpa para não responder a Remo. Molly Weasley exibia para o casal um largo sorriso.
- Bom dia! – Ela percebeu que os dois ainda
trajavam roupas para dormir. – Eu suponho que não acordei vocês, acordei?
- Não, Molly, estávamos conversando.
- Espero não ter interrompido nada de
importante... O café já está servido... E está esfriando... Não que eu não
fizesse outro para vocês... Mas escutei vozes no quarto e achei que não faria
mal chamá-los...
- Não se preocupe, Molly.
Nós já vamos descer.
Ela fechou a porta, rezando para que
Lupin não insistisse na pergunta. Por sorte, ele,
aparentemente, esquecera do questionamento... Mas não do assunto.
- Só mais uma coisa, Rachel: E entre nós? Algo
mudou?
- Eu... – Ela tocou o rosto dele bem de leve.
– Eu sinceramente não sei... Mas tenho certeza que tudo voltará ao normal assim
que... O passado voltar para o passado... E eu assumi um compromisso com
você... E eu sempre cumpro meus compromissos.
- Vamos trocar de roupas.
Ela viu como ele estava triste...
Mas ela também estava... Toda aquela confusão estava dilacerando-a... E
confundindo-a. Já não sabia mais o que sentia... Preferiu não dizer mais nada.
Limitou-se a se trocar calada.
***
- Nossa! Como vocês demoraram!
Hoje Tonks
usava um chamativo black-power. Na mesa estavam ela, Granger e os Weasley. Todos
conversavam animadamente. Logo, Rachel e Lupin
esqueceram de todas aquelas conversas sobre o passado que tanto estava
machucando-os. Logo, esqueceram a tristeza e participaram da conversa.
- Quer mais torrada, Pequena?
- Não, Tonks,
obrigada!
- Rachel, por que te chamam de Pequena?
- Ah, Hermione, é
porque eu sou a aurora mais alta do ministério... Quer dizer, eu tenho 1,81 e a
segunda mais alta tem apenas 1,73... É bem diferente!...
Nesse momento, Snape
apareceu lá, seguido por Dumbledore. Ele parecia
estar bastante abatido... Provavelmente pelo que tinha acontecido ontem... Dumbledore perguntou se ele ficaria para o café da manhã.
Ele recusou... Até ver Rachel sentada na mesa. Ele se sentou ao lado dela.
- Bom dia, Rach!
Teve bons sonhos?
- Quase não dormi.
- Que pena. – Ele, discretamente, se aproximou
do ouvido dela, certificando-se que somente ela ouviria o que iria dizer a seguir. – Eu não fazia idéia que o beijo te
perturbaria tanto.
- Bom, Snape,
fico feliz em ver que você se preocupa com a minha noiva. – Lupin se inseriu na conversa o mais rápido que pode... Não
escutou o que Snape tinha dito à Rachel, mas não
gostou nada da expressão dele... E do jeito que ela corou. – Mas, na verdade,
não foi uma pena... Eu fiquei a noite acordado com ela.
Snape
ficou enfurecido com o comentário de Lupin, mas
tentou não demonstrar. Dava para perceber a respiração irregular e o olhar
particularmente assassino que, de vez em quando lançava para Lupin. E este passou o resto da refeição com um sorriso de
deboche no rosto. Rachel se aborreceu com a atitude infantil dos dois. Decidiu
que não ia presenciar aquilo. Bufou. Deixou a mesa.
Assim que Snape
acabou de comer, foi deixar a casa. Quando chegou perto da porta, Lupin o abordou. Queria ter uma pequena conversa... Só os
dois.
- Hey! Snape! – Ele se virou para encarar Lupin.
– Fique longe dela!
- Me desculpe, Lupin,
mas eu devo ter perdido parte da conversa. A quem você está se referindo?
- Não se faça de desentendido! Você sabe que
estou falando da Rachel! E repito: Fique longe dela!
- E por que deveria fazer isso?
- Por que eu vou me casar com ela. E você a
quer.
- Em primeiro lugar, parabéns. Eu acho que
ainda não desejei felicidades ao casal. E, em segundo lugar, quem eu quero ou
deixo de querer é problema meu! Assim como que eu importuno ou não. Por tanto,
me deixe em ir em paz, pois eu tenho muito o que
fazer.
Snape,
mais uma vez, foi até a porta para deixar a casa. Lupin
o chamou mais uma vez.
- Você não suporta o fato dela não ter ido te
procurar. Não suporta ver que ela seguiu com a vida dela... Isso é patético, Snape. Patético.
Ele se virou. Olhou Lupin. Se não se controlasse, ia falar o que não devia.
- Vejo que ela te contou tudo sobre nós.
- É, contou. E a história de vocês acabou.
Desista.
- Ela te contou a parte da história em que ela
me procurou, mas não foi me encontrar porque teve medo da minha reação? – Misto
de confusão e ódio em Lupin. Bingo! – E lembre-se de
que eu estou marcado na pele dela, para sempre. Logo, a minha história com ela
nunca vai acabar... E, sinto muito, mas não vou desistir.
- Por que você não nos deixa em paz?
- Mas você já sabe disso; porque eu a quero.
- Mas eu a amo. E é disso que ela precisa.
Qualquer um pode querê-la. Amar é mais difícil. E nós vamos nos casar, então,
mais uma vez, te avisarei: Fique longe dela.
- É melhor você avisar isso a ela.
CAPÍTULO VIII. MAIS UMA
NOITE MAL DORMIDA
Ela passou alguns
minutos trancada no quarto. Percebeu então que deixar Severo e Remo se
matarem não mudaria em nada o que estava sentindo. Aliás, só pioraria a
situação dela. Não deixaria os dois se alfinetarem. Saiu do quarto. Desceu as
escadas.
Viu que os dois estavam na porta,
conversando. Lupin parecia um lobo
prestes a atacar a sua presa. E Severo... Bom, esse tinha a mesma
expressão sarcástica e maldosa de sempre. Eles estavam tão absortos na conversa
que sequer perceberam que Rachel estava lá, parada, ouvindo tudo que eles
falavam.
Snape
saiu. Lupin se virou. Assustou-se ao ver que Rachel
estava lá, parada, de braços cruzados e olhar inquisidor, com se esperando uma
explicação. Ela perguntou:
- Posso saber o que diabos estava acontecendo
aqui?
- Estávamos só conversando. – Ele se aproximou
dela, com um sorriso maroto. Ela teve que se segurar para não sorrir também. –
Você viu.
- Eu vi que vocês dois estavam me disputando!
E não gostei. – Ainda muito séria.
- Ah, Rachel! – Ele, ainda sorrindo, a abraçou
e a beijou no rosto. Ela não conseguiu conter o sorriso. – É q vocês já
passaram por tanta coisa juntos... Eu fico inseguro.
- Mas eu não que... Quer dizer, eu não vou
fazer nada com ele... Você sabe!
- Será?
- Bom, você mesmo
disse que eu preciso de alguém que me ame, e não que me queira, não é verdade?
Ele sorriu. Ela o beijou. Pensou em
Severo. Desejou, secretamente, que fosse ele que estivesse a beijando... E se
recriminou. Afinal, o que tinha de errado com ela? Por que ela
queria Severo? Quer dizer, ele era sarcástico, maldoso e muitas vezes
injusto. Além de ser extremamente egocêntrico. E Remo... Não havia palavras
para descrever aquele homem...
- Mas que lindo! – A voz de Tonks fez com que o casal parasse imediatamente de se
beijar. – E aí, Pequena, você vai trabalhar ou ficar aqui, se divertindo?
O trabalho! Tanta coisa tinha
acontecido desde o dia em que Rachel chegou ao Largo Grimmauld,
que ela até se esqueceu que hoje era segunda-feira e que ela tinha que ir ao
ministério! Pelo menos já estava vestida, ou iria se
atrasar muito.
- É... eu vou sim...
Com você?
- Eu estou indo para lá agora! – Tonks respondeu com um largo sorriso. – Vamos?
- Vamos. – Ela deu um rápido beijo em Lupin. – Tchau, Remo.
***
O ministério estava uma loucura! Tinham repórteres por todos os
lados! E Rachel não fazia idéia do que havia acontecido! Ouviu apenas algumas
frases soltas... Sobre os comensais, na sua maioria... O pior é que ela nem
teve chance de perguntar a alguém, no caminho, o que tinha acontecido: Ela, de
repente, começou a ser abordada por vários repórteres, e teve que correr para
conseguir chegar na sua sala.
Entrou na sala ofegante, ainda
seguida por dezenas de repórteres. Bateu a porta e encostou-se nela. Respirou
fundo, com os olhos fechados.
- Problemas com os
repórteres, Pequena?
A voz de um colega de trabalho a
despertou. Ela viu que Stephen Clancy
e Paul Stein, os dois aurors
que dividiam a sala com ela já tinham chegado.
- Fui bombardeada com perguntas sobre o Sr. Fudge e o tal ataque de ontem.
Será que um de vocês dois poderia me dizer o que diabos está acontecendo?
- Bom, Rachel. –
Paul, o mais bem-humorado dos três, embora estivesse parecendo triste e
abatido, se aproximou dela. – Basicamente, o mundo mágico está em desespero,
atividade comensal, muitos trouxas mortos, comensais e aurores
feridos... – Ele olhou para Stephen, com a testa
franzida. – Pra mim parece uma segunda-feira normal, não acha, Stephen?
Ela tentou detectar um pouco de
humor na frase do amigo, mas não encontrou. Ele não estava, como normalmente,
brincando. Stephen decidiu falar mais claramente.
- O ministério detectou hoje atividades
comensais no meio da madrugada. Os aurores de plantão
conseguiram chegar lá no meio da... hã...
brincadeira.
- Então... – Rachel conseguiu sentir, talvez,
um pouco de alegria. – Prendemos comensais, não?
- Na verdade, não. – A fala de Stephen engoliu toda felicidade de Rachel. – Nem perto
disso... E quase perdemos o David Reeves.
- Dave?! O que aconteceu?! Como ele está?!
- Vivo. – Ela percebeu como a voz de Paul
estava triste. Ele e Reeves eram como irmãos. – Mas
muito mal. Está na UTI ainda.
- Os curandeiros disseram que ele vai ficar
bom. – Stephen tentou consolar os dois amigos. E a
ele mesmo, quem sabe. Bom, ele conseguiu fazer Rachel se sentir um pouco melhor.
- Graças a Merlin.
Mas, o que aconteceu?
- Isso, como o Paul já disse, foi o normal. Os
comensais fizeram uma festinha, mataram vários trouxas, o ministério mandou aurors, eles duelaram, mas todos os comensais conseguiram
fugir.
- Ansimov me disse
que, antes de sair, um comensal disse que eles ainda não tinham acabado. – Paul
disse com um brilho estranho no olhar. – Que eles iam voltar... É por isso que
está essa agitação toda, por aqui. Estamos na iminência de um novo ataque. E
dessa vez eu estarei aqui quando acontecer. E irei me vingar.
Um típico sonserino,
ela pensou. Lembrou-se de Severo. Lembrou que ele tinha dito uma vez que, se o
Lorde das Trevas voltasse ao poder, ele trabalharia de espião para Dumbledore. Imaginou se ele estava fazendo isso... Era só o
que explicaria os ferimentos da noite passada.
Paul se sentou, triste, na mesa. Ela
se aproximou. Teve uma idéia. Pousou a mão sobre o ombro dele, reconfortando-o.
- Que tal, se nós três fossemos até o St. Mungus depois do expediente?
***
Ela chegou muito tarde de no Largo Grimmauld. E só quando chegou e viu a cara de preocupação
do noivo foi que percebeu que não tinha avisado que demoraria. Remo correu até
ela e segurou seus braços, carinhosamente.
- Rachel?! Graças a Merlin! Onde você estava, mulher?!
- Eu fui visitar um amigo meu, que estava no
hospital.
- O Dave?! – Tonks, subitamente,
levantou-se da cadeira, onde ela estava quase adormecida. – Como ele está?
- Ele já acordou. Mas ainda esta em
observação.
- E ele já está consciente, né? Quer dizer, conversando e tudo?
- Já, sim! – Rachel sorriu. – Estava lá com
ele, inclusive.
- Rachel? – Lupin se
voltou para ela, não mais preocupado. Zangado. – Por que você não avisou que ia
demorar?
- Ah, amor, não me lembrei! Você sabe que sou
distraída! Vamos dormir?
- Tá! Vamos.
***
Mesmo estando muito cansada, Rachel
não conseguiu ter uma noite de sono tranqüila. Ficava pensando o tempo todo em Dave e no sentimento de vingança de quase todos os aurors... E não conseguia parar de pensar que, no meio
desse fogo cruzado, estaria Snape. Qualquer barulho,
a acordava. Mas, um ruído em particular chamou a atenção dela: Vinha da sala.
Ela olhou a hora. Quatro e dezessete da manha. Só podia ser ele. Lembrou-se de
como os aurors estavam revoltados. Tinha que ajudar.
Levantou-se bem lentamente, com
cuidado para não acordar Lupin. Vestiu o robe. Pegou a varinha. Assustou-se quando viu Lupin se mexer na cama. Ele não despertou. Ela abriu bem
devagar a porta. Saiu. Fechou a porta, sem fazer qualquer barulho. Correu até a
sala. Chegou. Viu, estendido no chão, um Snape bem
mais ferido do que o da madrugada anterior.
Com os olhos marejados, ela correu
até ele. Ajoelhou-se ao seu lado. Acariciou o seu rosto. Ele finalmente a
olhou. A dor estava estampada em seus olhos. Ela sentiu o coração bater ainda
mais forte, como se a dor dele estivesse sendo passada para ela.
- Rachel, eu...
- Shhhh. – Ela
pousou a mão carinhosamente na boca dele. Ele beijou os dedos dela. Ela
estremeceu – Eu vou te ajudar. Consegue se levantar?
- Se tiver ajuda.
A voz dele estava pausada, sofrida.
Ela sentiu uma pontada no peito. Usou mágica para suspender ele e o levou até o
quarto. O deitou na cama e foi pegar as poções, que imaginava ela, estavam no
mesmo lugar das da noite passada. Entregou-as a ele. Ele bebeu. Parecia melhor,
mas ainda não o suficiente. Pelo menos agora conseguia manter a sua voz firme.
- Abra aquele armário. – Ele apontou para um
antigo armário de madeira. – Me de uma poção prateada.
Ela correu até o armário. Tinham, lá
dentro, entre muitas outras, dois frascos com duas poções prateadas. Ela
mostrou as duas para ele.
- Qual das?
- A para dor.
Rachel cheirou as duas poções.
Diferenciou-as imediatamente. Guardou a que estava em sua mão direita e levou a
outra para ele. Poucos minutos depois de acabar de beber, ele suspirou
aliviado. Sentou-se na cama. Ela se sentou ao lado dele. Acariciou o rosto
dele, pela segunda vez naquela noite.
- Agora me deixa curar esses cortes, OK?
Ela não gastou mais de cinco minutos
para fechar todos os cortes que tinham no rosto de Severo. Ela, já pronta para
voltar para o quarto, pousou levemente a mão na barriga de Snape,
aonde deveria ficar o estômago. Ele se contraiu. Ela percebeu. Sentiu a mão
umedecer. Era sangue.
- Sev, eu quis dizer
TODOS os cortes.
- Não precisa, Rach.
Volte para o seu quarto.
Ela o ignorou. Começou a tirar a
roupa dele, até que o corte ficasse completamente exposto. Era imenso e
profundo. O sangue estava jorrando. Foi até o armário. Procurou uma poção
anti-séptica. Não demorou a achá-la. Derramou-a sobre o ferimento. Snape gemeu. Ela fechou o corte em seguida. Perguntou,
preocupada.
- Era só esse?
- Só.
- Sev? – Ela olhou
tristemente para ele. – Por que você faz isso?
- Por que eu faço o que?
- Se arriscar. Espionar.
- Como você sab... –
Ele franziu a testa. Depois pareceu entender. Aproximou-se dela. – Você se
lembra.
- Claro que me lembro. Eu me lembro de tudo
que você já me disse. Agora, por favor, responda.
- Foi a forma que eu
encontrei de me redimir.
- Mas... – Os olhos dela ficavam cada vez mais
tristes. Começaram a se encher de lágrimas. – Você... Quer dizer... Você pode
morrer.
- Isso faria alguma diferença? – Ele começava
a deixar transparecer tristeza. – Eu tenho alguém para me manter vivo?
- Claro que tem! – Ele ergue a sobrancelha,
intrigado. – Quer dizer, todos têm! Ninguém pode ser tão solitário!
- E para quem eu viveria, se a pessoa que mais
amei está para se casar com outro, e não há nada que eu possa fazer para mudar
isso?
CAP. IX. TRAIÇÃO
“E para quem eu
viveria, se a pessoa que mais amei está para se casar com outro, e não há nada
que eu possa fazer para mudar isso?”
Rachel quase perdeu a respiração
quando ouviu o que Severo acabara de falar. Então, seria para ela que ele
viveria... Somente para ela... As lágrimas começaram a cair. Ela baixou o
rosto. Escondeu-o com as mãos. Respirou fundo. Enxugou as lágrimas e voltou a
encarar Snape. Algum tempo se passou assim: Os dois
só se olhando, em silêncio. Até que ele disse:
- E sabe o que é pior? Essa pessoa sequer tem
certeza do que sente pelo noivo... Tampouco tem certeza do que sente por mim.
- Severo, eu--
- Apenas me responda, Rachel: Por que se casar
com ele? Você ainda pode desistir...
- Eu não vou desistir!
- Por que?
- Porque... – Ela desviou do olhar dele. –
Eu... amo Remo.
- Ama? Então o que você está fazendo aqui? –
Ela não respondeu. Estava ficando difícil de respirar de novo. Sentiu os olhos
arderem. Iria chorar novamente. – Você não deveria
estar no quarto com o seu noivo? E por que a minha presença te perturba tanto?
– O coração dela estava disparado. As mãos começaram a suar e tremer. As
lágrimas ameaçavam descer. E ela não iria mais chorar
na frente dele. Tentou se levantar. Ele a segurou pelo pulso. – E por que você
não responde? Por que você foge de mim? Por que você me beijou ontem?
- VOCÊ me beijou – ela se apressou em
corrigir.
- Não, Rachel, um beijo como aquele necessita
de duas pessoas!
- E o que é que você quer que eu diga? – O
pulso que ele segurava estava começando a doer. Ela tentava controlar o tom de
voz, que estava ficando cada vez mais alto. – Que eu te amo?
- Não! Um sentimento não pode sobreviver aos
anos que passamos separados! Eu estou falando de desejo! Eu te desejo! Muito.
- Muitos me desejam – Ela falou baixo, quase
num sussurro. Surpreendeu-se com o quanto tinha ficado triste ao ouvir que não
era amada por aquele homem...
- Não como eu te desejo! – Ele se aproximou
dela lenta e perigosamente. A mão no pulso agora estava leve... Quase uma
carícia. – Eu te desejo da mesma forma que você me deseja. Eu te quero agora
tanto quanto eu te queria anos atrás, na nossa primeira vez. Como se eu não
fosse mais suportar a vida... Se não te tiver hoje.
Foi mais do que ela conseguiu
agüentar. As palavras dele... Tão sinceras... O jeito que ele a olhava...
Tão... profundo... A proximidade... O hálito quente
dele... Os lábios... Tão próximos dos dela... Tão convidativamente próximos...
A maneira que a mão dele, que antes estava no pulso dela, passeou pelo seu
braço... Ombro... Pescoço... E chegou na nuca, acariciando de leve... Ela só
teve que inclinar um pouco o rosto, para que os lábios se encontrassem... Ele
afastou um pouco o rosto e a olhou. Depois a beijou com sofreguidão. A outra
mão foi para a cintura dela. Puxou-a. Aproximou mais os seus corpos. A deitou
na cama, sem parar de beijá-la. Ele desceu o beijo... Pescoço... Colo...
Afastou o robe... a alça da
camisola... Desceu mais um pouco. Ela gemeu timidamente. A mão direita dela,
que antes acariciava as costas dele, subiu para a cabeça dele. Então ela viu...
No dedo dela tinha uma coisa brilhante... Um anel... De noivado. Céus! Quase se
esqueceu que era noiva! Aquilo não estava certo! Remo não merecia!
- Severo... Por favor...
Por favor, pare! – Ele parecia não ouvir. Continuava a acariciar o corpo dela.
– Severo! Isso é errado! Remo...
Só então ele pareceu escutar. Ele
levantou o rosto e a olhou por um tempo. A beijou levemente nos lábios.
- O que, Rach?
- Eu... Está errado! Eu... – As lágrimas mais
uma vez ameaçaram voltar a manchar o rosto dela – Eu sinto muito...
Ela tentou se levantar, mas ele não
deixou. A segurou por baixo dele. A olhou, suplicante...
- Por favor, fique. Só até amanhecer.
- Eu preciso voltar para o meu quarto.
- Você precisa... – Ele se afastou, deixando
que ela se levantasse. Quando ela já estava quase na porta, ele voltou a falar.
– Por que você não disse que queria
voltar para o quarto?
Ela parou. Olhou para ele. O rosto
expressava o mais intenso desejo. Ela mordeu o lábio. Não responderia. Mas
também não conseguia se mexer... Se livrar daquele olhar hipnótico. Ela o viu
se levantar e se aproximar cada vez mais. Tinha que sair dali. Ele chegou bem
perto dela. Colocou a mão em volta da cintura dela. Curvou-se um pouco e
mordiscou a orelha dela. E sussurrou.
- Parece que você não quer voltar para o
quarto, não é?
- Mas eu vou... Como já disse, eu preciso...
- Há alguns anos você era mais impulsiva, Rach...
- Você me ensinou a pensar antes de agir,
lembra?
- É... – Ele começou a guiá-la de volta para
cama. Ela foi, sem nem perceber. – Você aprendeu bem a lição.
Quando percebeu, Rachel já estava
novamente na cama... E aquele homem já estava em cima dela de novo... A
beijando... Acariciando. Aquilo tinha que parar! Os pássaros já começavam a
cantar... Ela tinha que sair dali o mais rápido possível.
- Severo, por favor, pense! Daqui a algumas
horas você estará indo para Hogwarts. E daqui há algumas semanas eu estarei casada!
- Mas hoje estamos aqui.
- Mas nós... Vai... Eu vou... Casamento... –
Ele a olhava. Ela suspirou. – Que se dane!
E o beijou.
O dia amanheceu enquanto faziam
amor. Depois adormeceram abraçados. Um sono tranqüilo, como há muito tempo
nenhum dos dois tinha.
***
Lupin
acordou. Colocou a mão onde a noiva deveria estar. Rachel não estava na cama.
“Estranho” ele pensou “ela nunca acorda antes que eu”. Olhou para a mesinha ao
lado da cama. A varinha dela não estava lá. Olhou para o relógio. Aliviou-se.
Já era tarde. De certo já tinha descido. Ele se levantou da cama. Era bom se
apressar, ou chegaria atrasado no trabalho.
***
A Sra. Weasley foi a única pessoa que viu quando desceu.
- Bom dia, Molly!
- Dia, Remo! Venha tomar café! Já está tarde!
- Onde estão todos? – Ele disse enquanto se
sentava e deixava a sra Weasley servir o café.
- Já foram – ela começou a lavar a louça. – E
as crianças saíram com Arthur... Logo estarão de volta.
- Tonks já foi para
o Ministério?
- Já, já! Faz um tempão. Eu já estava quase
indo te acordar, sabe? O que aconteceu? Você nunca se atrasa!
- Essa é a parte estranha! Rachel não me
acordou!
- Rachel? – A Sra. Weasley franziu a testa e olhou para Lupin.
– Mas, Remo, a sua noiva também não desceu! – Ela agora sorriu, divertida. –
Aliás, hoje foi o dia do atraso! Você, Rachel e o professor Snape!
Lupin
tossiu o café que tinha acabado de colocar na boca.
- Snape? O Snape está aqui?
- É... Ele chegou de madr...
Lupin nem
deixou Molly terminar de falar. Levantou-se tão rápido
que até derrubou a cadeira. Correu para o seu quarto. Viu a mala da noiva.
Intocada. O robe não estava no quarto... Ela tinha
saído no meio da noite... Snape tinha chegado no meio
da noite... Isso só poderia significar uma coisa... Mesmo que Lupin não quisesse acreditar. Saiu do quarto com rumo
certo: O quarto de Snape.
***
Rachel estava dormindo abraçada com Snape quando sentiu um aumento brusco na luminosidade.
Acordou, mas não abriu os olhos (aliás, nem dava, pois a luz ia diretamente
para os olhos dela). Beijou o peito nu de Snape.
Snape
sentiu o beijo e acordou, mas não abriu os olhos. Antes disso, sussurrou um
“bom dia” e a apertou mais contra si.
Abriram os olhos. Rachel soltou um
grito abafado. Apresou-se em sair dos braços de Snape.
Este estava paralisado, com uma expressão no rosto que parecia a mistura de
horror e surpresa. Eles viram Lupin, que abria
furiosamente todas as cortinas do quarto.
Ela se enrolou no lençol.
Levantou-se. Snape se sentou na cama, visivelmente
constrangido. Rachel correu para Lupin, para tentar
se explicar. Ele se voltou para ela, Vermelho de raiva.
- Remo, eu...
- Desculpe acordar o lindo casal – Ele quase
gritou – mas, Snape, já está quase na hora de você
ir. E você, Rachel, já está atrasada!
E Lupin só
disse isso. Saiu do quarto em passos largos, raivosos. Bateu a porta. Rachel
olhou para Snape como se pedisse desculpas. Na
verdade, ela até chegou a sussurrar algo como “eu sinto muito”, mas ele não
ouviu. Ela saiu atrás de Lupin. Snape
então se levantou e foi atrás dos dois.
Remo descia as escadas correndo
quando ela finalmente o alcançou. Segurou-o pelo braço e o fez virar, para que
ficasse cara-a-cara com ela. Olhou para ele, suplicante.
- Remo, por favor, me escute! Eu posso
explicar!
- Estou esperando!
Mas como ela iria
explicar? Como ela dizer a Lupin que, de um dia para
o outro, ela se “desapaixonou” por ele e se “reapaixonou”
por Severo? Ela abria e fechava a boca, procurando o que dizer... E nada
encontrou. Por trás dela, uma voz conhecida disse.
- A culpa foi minha, Lupin.
Não atormente ela.
Lupin se
aproximou de Snape lentamente. Como um lobo que se
aproxima da sua presa já moribunda. Olhos cheios de ódio e desprezo. Um sorriso
cínico e amargo apareceu nos lábios dele. Rachel não reconhecia aquele homem.
- A culpa foi sua, Snape?
Então eu deveria concluir que ela não queria nada e você a obrigou?
- Pelo amor de Merlin,
Homem! Ela quer se casar com você! Eu daria tudo para ter essa sorte que você
está jogando fora!
- ELA DORMIU COM VOCÊ!
- E NÃO MUDOU DE IDÉIA!
Lupin, o
lobo, não se conteve mais. Esmurrou o rosto do rival. A pancada foi tão forte
quanto inesperada. Snape cambaleou. Rachel correu
para amparar o amante, que tinha as mãos em volta do nariz, que sangrava. Ela
olhou para Lupin. A raiva ainda mais forte por tê-la
visto amparar o rival. Ele disse algo como “francamente” e votou a subir as
escadas. Ela voltou a olhar para Snape.
- Você está bem?
- O bastardo quebrou o meu nariz!
- Err – Rachel
observou Molly Weasley se
aproximar deles. Ela estava vermelha e falava baixo. – Eu cuido disso.
Molly Weasley acompanhara todo o escândalo! E pior! Não tinha
sido só ela! Olhando para a porta, viu Hermione, Rony, Fred, Jorge, Gina e Arthur Weasley ainda petrificados. Ótimo! Agora ela seria o
assunto do ano em Hogwarts! Sentiu vergonha. O que
será que eles estavam pensando dela? Olhou para Molly.
Sussurrou um “desculpe” e voltou a correr atrás de Lupin.
Ela estava quase o alcançando quando
ele chegou no quarto e bateu a porta, deixando Rachel do lado de fora.
CAPÍTULO X. Esclarecimentos
- Remo, abra já essa porta!
Ela já estava repetindo essa frase
há uns cinco minutos. De tanto bater na porta, ela conseguiu estourar duas
veias. A garganta doía, de tanto gritar pelo noivo. Ela estava morrendo de
vergonha por saber que essa baixaria toda tinha platéia. Sentiu uma mão pousar
levemente no seu ombro. Virou-se para encarar Severo.
- Ele não vai abrir. – Ele disse, com um olhar
triste. – Vamos para o quarto para que você possa, pelo menos, se vestir.
- Severo, eu...
- Você não vai ganhar nada ficando nua no meio
do corredor. – Ele a interrompeu, impaciente. Depois suspirou e continuou a
falar, dessa vez, mais gentil. – E nós precisamos conversar.
- É, eu acho que você tem razão.
Os amantes se encaminharam
silenciosamente para o outro quarto. Ela, ao entrar, pegou a roupa que estava
espalhada no chão e foi se vestir no banheiro. Assim que ela entrou no
banheiro, Snape vestiu as suas tradicionais roupas
negras. Ela saiu do banheiro. Ele se aproximou dela. Os dois passaram um tempo
só se olhando, até que Severo rompeu o silencio.
- Eu tenho que pegar o trem para Hogwarts logo. Não tenho muito tempo, portanto, vou ser
direto: Fique comigo. – Ele se aproximou mais e tocou o rosto dela com a ponta
dos seus longos dedos. – A casa que nós compramos em Hogsmeade
ainda está lá. Quer dizer, eu não vendi. Ela está exatamente do jeito que você
deixou. Eu nunca mais voltei lá... Ainda é a nossa casa.
- Severo, eu tenho um compromisso! Eu não posso
simplesmente largar tudo que tenho de concreto por um sonho do meu passado!
Além de tudo, eu adoro Remo! Não seria justo com...
- Eu não sou justo! – ele interrompeu. Rachel
sentiu os seus olhos se encherem de lágrimas. – Escute: Irei passar esse fim de
semana na nossa casa. Se você aparecer lá, é porque quer ficar comigo. Nós
podemos recomeçar a nossa vida exatamente no ponto em que paramos, como se nada
tivesse acontecido. Se você não for, eu vou aprender a respeitar a sua escolha
e nunca mais vou importunar você ou o lobisomem. Você tem uma semana para
pensar. – Ele se inclinou e deu um beijo rápido nos lábios de Rachel. – Eu
tenho que ir.
E saiu. Ele sequer deixou Rachel
dizer o que pensava do que ele tinha dito. Não deixou nem Rachel perguntar o que
exatamente ele sentia por ela. Não deixou nem Rachel dizer o que sentia por
ele... Mas... O que Rachel sentia por ele? Ela não sabia. Mas certamente era
mais forte do que o que sentia pelo noivo. Disso ela não tinha dúvida.
Ela também saiu. Foi para o quarto
de Lupin, e não o deixaria em paz antes de conversar.
Encontrou a porta do quarto entreaberta. A empurrou
devagar. Entrou cautelosamente. Remo estava jogado numa poltrona... Ele tinha
chorado, ela percebeu. Ele a olhou. Ela viu tristeza e raiva nos olhos dele.
Aproximou-se mais e se ajoelhou em frente a ele.
- Será que podemos conversar agora?
Ele respirou fundo e desviou o
olhar. Ele parecia ainda não querer acreditar no que vira há algum tempo.
- Remo?
- Desde o dia eu nós chegamos aqui, eu
soube...
A voz dele era calma. Ele ainda não
voltou a encará-la. Ela falou, olhando-o carinhosamente.
- Você soube de que?
Agora ele voltou a olhá-la. O olhar
dele era tão intenso que ela teve vontade de chorar. Ela estava com pena, e se
odiava por isso. Não há sentimento pior do que a pena.
- Eu soube que aquele homem ia acabar com os
nossos planos.
- Então... Acabou mesmo?
Ele soltou uma risada alta e sem
alegria. Levantou-se da cadeira e passou as mão pelo
cabelo. A tristeza sumiu do olhar dele. Agora só tinha raiva. Rachel também se
levantou e se virou para encará-lo.
- E o que você esperava, Rachel? – Ele sentia
vontade de gritar, mas conseguiu controlar o tom de voz. Ele agarrou o braço
dela e a aproximou dele. – O que você queria? Me diga!
– Ele apertou mais o braço dela. – Você queria que eu fingisse que nada
aconteceu? Que eu fingisse que você NÃO me traiu? Que você NÃO dormiu com um
outro homem? – Ela chorou baixinho. – O que você faria, Rachel, se eu tivesse
te traído? Você me perdoaria? – Ela não disse nada. Ele apertou ainda mais o
braço dela e a puxou para mais perto. – RESPONDA!
- VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO!
Ele soltou o braço dela e se
afastou, tentando se controlar. Ela enxugou as lágrimas e tentou parar de
chorar.
- Responda. – ele disse, de uma forma que
lembrava muito Severo.
- Eu... – Não. Ela sequer pensaria em perdoar.
Essa foi a primeira vez que Rachel se colocou no lugar
do noivo... E não era muito bom. Ela pensou em como ele deveria estar sofrendo.
Não sabia o que dizer. – Eu ainda quero ficar com você.
- Por que Rachel? – Ela se surpreendeu com a
pergunta. Ela abriu a boca para responder, mas ele não deixou. – Deixe que eu
respondo! Você quer ficar comigo porque você assumiu um compromisso! E a grande e responsável Rachel nunca quebra um compromisso!
Não é isso? – Mais uma vez, ela tentou responder, mas ele não deixou. O tom de
voz dele estava subindo lentamente. – NÃO, Rachel! NÃO é isso! Você quer
continuar comigo porque você é covarde! Sempre foi! Você quer ficar comigo
porque não tem coragem suficiente para trocar o certo pelo duvidoso! Comigo
você teria uma vida: marido, filhos, emprego, felicidade! Tudo! Tudo que você
precisasse, eu poderia te dar! E você sabe disso! E com ele? O que você tem?
Absolutamente nada! Ele pode te deixar a qualquer momento, sem sequer pensar
nos seus sentimentos! Ele fica entre a vida e a morte todas as vezes que ele
sai para se encontrar com você-sabe-quem. Ele pode
morrer a qualquer momento! E você sabe disso! E não tem coragem para enfrentar
isso! Você nunca teve coragem! Você não teve coragem para escolher uma
carreira, aceitando o que um professor que você odiava te disse! Você não teve
coragem de enfrentar ele quando você recebeu a carta da universidade e não
queria ir! Você não teve coragem de dizer não para mim quando percebeu que
ainda queria ele! E você não teve coragem de dizer não para ele ontem à noite!
Você está sempre procurando o caminho mais fácil, Rachel! O caminho que os
outros fazem para você! Quer saber de uma coisa? Cansei! Já está mais do que na
hora de você crescer, Rachel! Pare de ser essa menininha mimada e cresça! Tome
as suas decisões! Pare de procurar a aprovação de todo mundo! Faça o que você
quer, e não o que você acha que é prudente! Vire uma mulher e toma as suas
decisões, pelo amor de Merlin!
E ele parou, ofegante. Rachel se
sentou e abaixou a cabeça, chorando silenciosamente. Não tinha mais o que
conversar. E Lupin tinha razão: ela era uma menininha
mimada que não conseguia tomar decisões. Que tinha medo de viver e se machucar.
Lupin se sentou na cama, esperando uma reação dela.
Depois de alguns poucos minutos, ela
enxugou as lágrimas, tirou a aliança do dedo, se levantou, foi até Remo, se
ajoelhou e o entregou o anel.
- Eu acho que isso pertence a você.
- É, pertence – Lupin
arrancou o anel da mão de Rachel, sem olhar para ela.
- Eu... – Ela mordeu o lábio, sentindo vontade
de chorar de novo. – Eu tenho que te dizer... Eu... Eu realmente te amei. De
verdade.
A expressão no rosto de Lupin se modificou lentamente. Ele então quase exibiu um
sorriso. Carinhosamente colocou a mão no rosto de Rachel, enxugando uma lágrima
que caia.
- Eu sei.
- E... Eu queria muito... – Ela fechou os
olhos, tentando parar de chorar. – que você... Pelo menos... Não me odiasse.
- Eu não odeio.
- Nem tivesse raiva... Ou guardasse rancor.
- Talvez com o tempo.
- Eu... – Ela retirou lentamente a mão dele
que ainda estava no seu rosto e se levantou. Ele a seguiu. – Bom, eu espero que
você encontre logo alguém que mereça esse anel.
- Adeus, Rachel.
- É! Adeus.
Eles se abraçaram. Ela depois pegou
sua mala e saiu, deixando Lupin sozinho no quarto.
Ela levou a mala para o quarto onde ela e Snape
tinha passado a noite e trocou de roupa. Já estava mais e duas horas
atrasada para o trabalho. Desceu as escadas correndo. Graças a Merlin, a única pessoa que estava na sala era Molly Weasley, que parecia estar
muito preocupada.
- Você está bem, Rachel, querida?
- É, mais ou menos... Molly, me desculpe pelo escândalo. Diga a todos que eu mandei um
abraço.
CAPÍTULO XI. A difícil decisão
- Em resumo, foi isso que aconteceu.
Ela tinha passado a última meia hora
tentando explicar porque tinha se atrasado para Paul e Stephen.
Ocultando, é claro, a parte que Snape é um comensal
da morte que trabalha como espião para Dumbledore. E
escondendo a Ordem da Fênix, também.
- Deixa eu ver se
entendi, Pequena – Stephen se aproximou, intrigado –
Você, em quatro dias, se desapaixonou pelo amor de sua vida porque encontrou um
namorado antigo. E você dormiu com ele.
- Você não entendeu, meu caro Stephen – Paul falou. – Esse cara não é um ex-namorado. Ele
é O ex-namorado. – Ele se virou para Rachel. – Ele é o cara que morou com você
e por quem você era perdidamente apaixonada, não é?
Rachel respirou fundo e assentiu.
Paul começou a rir. Stephen se aproximou dela,
indignado.
- Eu pensei que você tivesse mais
autocontrole, Rachel!
- Ótimo, Stephen!
Me desaprove! Me julgue! É
tudo que eu preciso no momento!
Paul, ainda gargalhando, disse algo
como ‘deixa ela em paz’, mas ninguém conseguiu entender. Stephen
disse.
- Me desculpe, Pequena, mas você ESTÁ errada!
– Ela xingou e se virou para o outro lado, com raiva do amigo. – O que você vai
fazer agora?
- Pedir uma licença de uma semana, ir para
Suíça, colocar meus pensamentos em ordem.
- Ei! – Paul
finalmente parou de gargalhar. – Por que você não vai para a casa do ex? Ele te
convidou! E você vai ficar com ele... Não vai?
- Claro que não! – Stephen
respondeu por ela – Ela vai esperar a poeira baixar e tentar novamente com o
noivo! Não vai?
- Não! – Ela respondeu olhando para Stephen. Depois olhou para Paul e continuou. – E não! Eu
não vou ficar com nenhum dos dois!
Os dois a olharam, perplexos. Stephen suspirou e saiu da sala. Paul, agora muito sério,
se aproximou dela.
- Típico!
- O que? – Ela pensou que ele estivesse
falando da atitude de Stephen.
- Você! Fugindo! Como sempre! – Rachel ergueu
uma sobrancelha. – O problema aparece, você tira o corpo fora! Cada centímetro
do seu corpo quer ir correndo para aquela casa de Hogsmeade
e esperar pelo cara que é o homem da sua vida! Mas você não vai, porque isso
machucaria o seu ex! E desagradaria os amigos que vocês têm
em comum! Sem falar no pessoal da casa que você passou esses quatro dias!
Quer parar de pensar nos outros e pensar só um pouquinho no que você sente?!
- Dois sermões no mesmo dia
sobre o mesmo assunto não dá! – Ela suspirou e foi para a mesa, pegar
alguns papéis.
- Então para de ter medo de viver!
***
Manhã de sábado.
Pela primeira vez em anos, Snape abriu aquela velha casa em Hogsmeade.
O cheiro de mofo estava quase insuportável... E não seria ele quem iria limpar! Mas tudo tinha que estar perfeito quando
Rachel chegasse... Se ela viesse.
Ele entrou na casa e levou a pequena
mala que ele tinha trazido para o quarto. Ele observou que vários móveis teriam
que ser trocados... Para começar com a cama... Na verdade, tudo de madeira. Ele
começou a espirrar. Era melhor chamar logo alguém para limpar tudo.
Ele foi até o Três
Vassouras, que estava sendo aberto agora. Perguntou à Madame Rosmerta se tinha alguém por perto que pudesse fazer uma
boa faxina. Ela indicou uma mulher que poderia fazer a limpeza da casa... E
disse que a mulher fazia rápido.
Ele chamou essa mulher e a deixou
limpando a casa, enquanto ele comprava os moveis que estava precisando.
*
Ela acordou no quarto de hotel na
Suíça. Era sábado. O prazo dado por Severo tinha começado a passar. Ela se
lembrou de tudo... Paul estava certo. Cada centímetro do corpo dela queria
estar ao lado de Severo. Mas, mesmo assim... Ele também estava certo quando
disse que ela tinha que começar a pensar nela, só para variar... E para ela, o
melhor era ficar sem ele! Ela tinha certeza que encontraria outra pessoa. Logo
já não pensaria mais nele!
Então ela decidiu! Iria tomar uma decisão que só agradaria a ela: Não iria. Não voltaria para Severo. Ficaria só, e, a partir de
então, pensaria só no que fosse melhor para ela! Decidida, ela se virou e
voltou a dormir.
***
Manhã de Domingo
Severo acordou com uma terrível dor
nas costas. Viu que tinha dormido no sofá, esperando por Rachel. Ela não tinha
vindo. E algo nele dizia que ela não viria. Mas ele procurou afastar esse
pensamento... Tinha que afastar esse pensamento. Por que diabos ele precisava
tanto dela? Ele se levantou com raiva e foi preparar algo para comer.
*
Ela acordou, sorrindo. Arrastou o
braço para o outro lado da cama. Sentiu-se frustrada quando percebeu que não
havia ninguém lá. Ela tinha sonhado com Severo a noite toda... Que eles estavam
fazendo amor... Foi tão... real. Ela respirou fundo, tentando afastar
a lembrança do sonho. Lembrou-se que ele estava esperando por ela.
Pensou em como a expectativa deveria ser horrível. Decidiu escrever uma carta
para ele, rezando para que esta chegasse o mais rápido possível.
***
Noite de Domingo
Severo já tinha perdido todas as
esperanças. Ele já estava com a mala na mão, pronto para sair da casa, quando
viu uma coruja se aproximar da janela... Era a coruja de Rachel! Ele reconheceu
imediatamente. Sorriu. Pegou a carta.
“Severo
Eu sonhei com você ontem. A noite inteira. Foi maravilhoso. Mas, então,
eu acordei. Eu acordei e percebi que tudo não passou de um sonho. Que tudo foi
uma mera lembrança do tempo que nós passamos juntos. Que a felicidade que eu
senti enquanto estava sonhando com você, sumiu quando eu acordei, e deu lugar a
uma tristeza enorme e a um sentimento de solidão que ninguém pode imaginar.
Então, eu pensei: E se tudo... Se tudo que você pensa sentir não passe de, como
o sonho, uma lembrança daquele tempo que eu estive com você? Eu pensei mais um
pouco, e cheguei à conclusão que sim, tudo é apenas uma lembrança.
Os momentos que eu passei com você... A vida que nós dividimos... Foi
tudo... Maravilhoso. O tempo que eu passei com você foi o tempo mais feliz da
minha vida. Eu não consigo me lembrar de um outro homem que tenha me feito tão
feliz como você me fez. Com você, eu me sentia completa. Eu nunca mais me senti
assim. Mas acabou.
Infelizmente, nossas vidas tomaram rumos completamente diferentes. Não
dá mais pra juntar de novo. A nossa história foi linda... Mas acabou com dor.
Uma dor que eu estou sentindo novamente, agora... Mas que eu sei que vai
passar... Uma dor que eu não pretendo sentir mais uma vez... Eu te amo tanto
que prefiro ficar sem você, a te ter e te perder em seguida.
Jamais te esquecerei. Você estará para
sempre nos meus sonhos.
Seja feliz.
Rachel”
Ele percebeu a
tinta borrada pelas lágrimas. Ele se sentiu triste. E com raiva. Ele queria
correr para ela e fazê-la voltar... Mas não... Não faria isso. Ela não queria
ficar com ele... Tinha medo de se machucar... E ele sabia que era exatamente
isso que aconteceria se os dois ficassem juntos. Ele amassou a carta e a
incendiou.
Saiu da casa. Colocaria à venda no
outro dia mesmo. Por qualquer preço. Só queria se livrar da casa... Das
lembranças... Caminhou até onde tinha deixado a carruagem que o levaria de
volta à Hogwarts. Ele jogou
a mala dentro da carruagem e entrou. Antes dela partir,
ele lembrou que tinha deixado a porta de casa aberta. Xingou. Essa seria a
ultima vez que entraria naquela casa.
Saiu da carruagem e voltou quase
correndo para a casa. Encontrou a porta fechada. O vento. O vento maldito tinha
fechado a porta. Entrou para pegar a chave, mas escutou um barulho vindo do
quarto. Ele tirou a varinha das suas vestes e entrou sem fazer um ruído.
Chegou no quarto. A porta estava só
encostada. Abriu devagar. Entrou. Não tinha ninguém. Ele entrou. De repente, de
trás da porta, uma pessoa apareceu. Severo imediatamente apontou a varinha dele
no pescoço da pessoa. A pessoa fez o mesmo. Tudo foi tão rápido que só então
ele viu que a pessoa era...
- Rach?
Rachel deu um largo sorriso e
guardou a varinha. Ele fez o mesmo, mas não sorriu. Lembrou-se da carta.
- O que você está fazendo aqui?
- Você disse que estava me esperando... Bom,
aqui estou eu! – Ela disse, ainda sorrindo.
- Mas... E a carta?
- Esquece aquela carta! – Eles ficaram se
olhando por um momento. Ele não sabia o que dizer... Nem o que fazer para
mostrar o quanto estava feliz. – Severo? Você pode me abraçar agora!
Ele não pensou mais. A tomou em seus
braços e a beijou, como a tanto tempo queria fazer. Logo estavam na cama. De
repente, Snape parou. Ela o olhou, intrigada.
- O que foi?
- Você está atrasada!
Eles riram. Ele começou a beijar o
pescoço dela, quando ela olhou para o relógio.
- Na verdade, faltam dois minutos para o fim
do fim de semana. Logo, eu cheguei na hora. – Ele a olhou e eles riram de novo.
Ele ia voltar a beijar ela quanto ela o parou. – Severo, diz que me ama.
- Eu amo você.
FIM