Nome da fic:
Até que a morte nos separe
Autor: Viviane
Valar
Pares: Severus/Personagem Original
Censura: NC-17
Gênero: Drama,
Tema Adulto. Romance.
Avisos ou Alertas: Spoiler de todos os
livros HP1 ao HP5.
Agradecimentos:
à Rowling que criou esses persons
maravilhosos permitindo que a gente se divirta. Ao povo do fest.
Resumo: Desafio 59. Snape é o que é - chato, anti-social,
grosseiro e pouco humano - porque... Perdeu um grande amor na época da subida
de Voldemort ao poder. Digo mais! Isso ode ter sido
importante para a mudança de lado do nosso mestre. Eis que mais um ano começa e
nosso Snape está lá, na reunião de seleção, quando vê entrar a nova professora
de DCAT que á, na da mais, nada menos, que sua amada de sempre. Ela,
entretanto, o olha com total indiferença... E ele, depois de algumas idas e vindas,
descobre que ela ficou totalmente desmemoriada, só que não perdeu os poderes..
Ela não faz a menor idéia de quem ele seja e nem imagina que se amaram tanto no
passado. E agora? Snape tenta reconquistar seu
amor? O que vai acontecer? (Jobis Weasley)
CONTINUAÇÃO
DE “A ESCOLHIDA”
ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE
CAPÍTULO
1 - O PASSADO
Calius, não se sabe
como, conseguiu levar o corpo da sua amada até a aldeia. As pessoas o ajudaram.
Nada disse sobre o ocorrido. Apenas que tinham sido assaltados. E que Theo
precisava de cuidados. Não queria admitir que ela estava morta. Não sabia como
as pessoas do povoado reagiriam.
Mas para sua surpresa, um médico
trouxa foi chamado, e constatou que estava em coma. Mas que estava viva. Foram semanas cuidando dela. Velando seu
sono. Quando descobriram que ela estava grávida e o bebê estava vivo. Calius disse que era seu filho. E que estavam noivos. Os
habitantes da aldeia acreditaram. Pois viram os dois crescerem juntos e jurarem
se casar um dia. Ele ficava a seu lado sempre. Não havia se recuperado
totalmente. Mas nunca demonstrara.
Quando Theo acordou, não se
lembrava de nada. Nem seu próprio nome. Calius
aproveitou essa fraqueza e se fez mais presente. Contando tudo sobre sua vida.
Mas omitindo os episódios sobre Voldemort e Severus Snape.
Ela estava muito grata a o amava
a seu jeito. Então quando viu que estava grávida, pensou que ele fosse o pai. E
quando Calius a pediu em casamento, não pôde recusar.
Sabia que ela não o amava como um dia amara Snape. Mas em seu egoísmo aceitava
o que ela podia oferecer. Companheirismo, atenção, carinho. Mas com o passar do
tempo, percebia uma tristeza em seus olhos, que ela tentava constantemente
disfarçar. Um remorso crescia a medida em que via, a filha que ele amava, se
parecer cada vez mais com o pai verdadeiro.
E ele ficava cada dia mais
doente. Ela não se lembrava de como usar seus poderes ainda. E quando a filha, Loy, estava com cinco anos, Calius
morreu. Mas antes de partir fez um pedido muito importante. Queria que Loy estudasse em Hogwarts. Foi o
único pedido que ele fez a vida toda. E ela não pôde recusar.
Mas Loy
era uma benção. Também tinha seus poderes, ainda não sabia disso. E era muito
estudiosa. Era cópia perfeita de Theo, mas tinha um gênio muito difícil, se
irritava a toa, e às vezes ficava com uma expressão carrancuda quando não era
atendida prontamente. Amava o pai com loucura. E ele também. Era amoroso e
gentil e mimava a menina de uma forma que Theo se ressentia. Mas ela sabia que
ele estava doente e não o criticava.
Após a morte de Calius, Theo só vivia para a filha. E voltara a estudar
tudo sobre artes das trevas e sobre poções. Aos poucos foi recuperando seus
poderes. Mas continuava sentindo aquela familiar tristeza. E o vazio que achava
que nunca iria preencher.
Quando Loy
foi pra Hogwarts, a vida de Theo piorara muito.
Ficara mais isolada que nunca naquela aldeia. E o vazio aumentara. A única
coisa que fazia pra passar o tempo era trocar correspondências com a filha e
estudar.
Conheceu o Diretor da escola, Dumbledore. Em uma visita que fez à escola, em seu primeiro
ano. Ele era um velhinho muito gentil e observador. Conversaram um pouco e ele
conseguiu extrair dela toda sua história. Conversaram sobre a falta de
informação a respeito de Voldemort no mundo trouxa e
em lugares como o seu povoado.
Ela já sabia sobre o temido
inimigo. Comprando material escolar pra Loy, percebeu
o quanto seu povo estava atrasado. O engraçado sobre o homem era que ela não
sentia medo dele. Como os outros. Apenas uma grande ira. Queria saber tudo
sobre ele. E ser capaz de enfrentá-lo um dia.
#
Loy foi pra sonserina. A escola era
dividida em casas e esse era o nome da casa da menina. Ela contou tudo o que
acontecera lá. Sobre um garoto chamado Harry Potter e sobre os professores. Falava do ministério estar
interferindo na escola e fazendo terror.
Contou sobre as confusões que
dois ruivos, irmãos gêmeos arrumaram quando fugiram da escola. E riram muito. O
riso da filha era devastador. Seu coração se acalmava e a vida era menos
difícil.
Foi com surpresa, que recebeu,
junto com a carta de livros de Loy, do segundo ano,
um convite. Um convite do diretor, para que fizesse parte do corpo docente.
Para dar aulas de Defesa Contra Artes das Trevas. Theo hesitou por apenas um
minuto. Poderia ficar perto da filha. Seria maravilhoso. E respondeu a coruja
aceitando o cargo prontamente.
#
E ali estavam elas. Na estação
King Cross, aguardando o expresso para Hogwrats. Viu as pessoas chegando. Bruxinhos
novos assustados ou excitados. Veteranos muito animados se despedindo de seus
pais. Mas este ano ela não faria o ritual da despedida. Sorriu exultante.
Viu alguns adultos chegando,
talvez fossem professores também. Loy saiu em direção
a um grupinho de meninas que já conhecia e deixou Theo observando as pessoas em
volta. Até que viu um homem que se destacou dos outros. Muito alto. Vestia
negro da cabeça aos pés. Parecias estar com pressa. Muito sério. Sentiu um
arrepio morno chegar à nuca. Tinha cabelos muito negros, como aos dela própria.
Mas não se virou. E ela sentiu um aperto no peito. Não gostou disso. Decidiu
manter distância do homem. Não queria nada que trouxesse dor. Desde a morte do
marido a vida era só cuidar da filha e estudar.
Entrou no trem e enquanto Loy ia com as amigas pra um vagão, Theo foi até a cabine
dos professores. Mas antes que chegasse lá ouviu uma conversa muito
interessante.
-Harry!
Oi, como você está? - um garoto gorducho perguntou.
-Tudo bem Neville.
- mas a voz do jovem negava.
-Vamos entrar gente! Senão, não
vai restar nenhuma cabine vaga. - um ruivo falou.
-Você tem razão, Ron. Vamos logo! E temos que combinar nossa primeira
reunião da AD. - quase sussurrando. Era uma menina muito bonita.
-Vocês já sabem se o cargo de
DCAT foi ocupado? - o gorducho de novo.
-Eu sei. - uma outra menina com
cabelos que lembravam labaredas chegou.
-Até parece que você sabe! Se eu
não sei!!!! – o tal Ron não acreditava.
-É uma professora! - a ruiva
falou em tom de solenidade. - E é mãe de uma das segundoanistas
da sonserina.
Theo não gostava de ouvir
conversa dos outros, mas estava curiosa.
-Que ótimo! Se for cria da sonserina, não deve ser boa coisa.
-Ron!
- a garota bonita se zangou.
-É Mione,
já pensou, ter que agüentar Snape e essazinha aí!! -
ele estava indignado.
Theo quase caiu na gargalhada.
-Não é Harry?
Harry! Você está me ouvindo?
-Hã?
Claro! Er... vamos logo.
Theo pode sentir vindo do garoto
que falava por último uma tristeza tão grande que parecia muito com a dela. Mas
nele havia também um rancor intenso. Ficou apreensiva pelo jovem. Olhou melhor
pra ele e pôde ver a cicatriz na testa.
“Então esse era o
menino-que-sobreviveu?”
Ele tinha lutado com Voldemort. Decidiu que o ajudaria a ter forças. Se lembrou
do que Loy contara. Sobre o padrinho ter morrido no
ano anterior. Essa era uma das razões daquela dor toda.
Viu os garotos se afastarem até
entrarem na cabine mais à frente. Ele tinha um tesouro que não se dava conta.
Seus amigos. Realmente se importavam com ele.
Foi então para a cabine dos
professores. Chegando lá notou que já havia uma pessoa. O homem que vira lá
fora.
-Bom dia! - falou educadamente.
Ele estava mexendo com alguns
papes e nem a olhou. Murmurou qualquer coisa que ela assumiu como uma resposta
a seu cumprimento.
“Mal educado!” - pensou.
E se sentou próxima à
janela. Aporta da cabine se abriu e
outra pessoa entrou. Alias era uma pessoa muito grande. De barbas e cabelos
desgrenhados. Imaginou que fosse.
-Bom dia! - alegremente - Ops! - e bateu a cabeça na porta.
Theo riu. Gostou dele
instantaneamente. Parecia mais uma criança que cresceu demais para seus
brinquedos antigos.
-Bom dia! - respondeu ela.
-Sou Rúbleo
Hagrid! Professor de Tratos das Criaturas Mágicas. A
senhora deve ser a nova professora de DCAT! - todo sorrisos.
-Sim, sou eu mesma. Theo Mort. Muito prazer.
- e estendeu a mão para cumprimentar o homenzarrão.
Snape estava saturado. Cansado.
Desanimado. E tinha muito o que fazer. Normalmente não viajava o Expresso, mas Dumbledore pediu que fizesse isso desta vez. Devido aos
riscos que os alunos corriam, e pra fazer companhia à nova professora. Ele só
não disse um desaforo para o diretor, exatamente por ser Dumbledore.
“Uma mãe de aluno como
professora! Hunf! Era só o que faltava!”
Iria ter problemas. A tal aluna
era Loy Mort. Mas não
olhara mais que uma vez para a menina. Era birrenta e mal educada. Mas também
era muito estudiosa. A melhor aluna em poções. O que para sonserina
não era mais que obrigação.
Quando percebeu que a dita cuja
professora havia chegado, decidiu adiar o máximo o confronto. Não estava com
paciência. Tinha coisas para fazer. Não ia ficar de papo furado com ninguém.
Mas ao ouvir a outra se apresentando. Seu coração gelou.
“Theo.”
Não ouvia esse nome há muito
tempo. Também não se permitira mais pensar no assunto. Não tinha mais nada pra
sentir. Mas ouvi-lo o fez automaticamente olhar pra sua dona. E nada o teria
preparado para o choque que levou. Olhava horrorizado para o fantasma da única
mulher que amara um dia. Enquanto ela conversava animadamente com o antigo
guarda-caças.
A mesma pele, os mesmos cabelos,
que agora caiam curtos sobre os ombros, a mesma boca. Só os olhos pareciam ter
mudado realmente. Havia o mesmo azul de antes, mas um azul vazio.
Snape percebeu que tinha parado
de respirar por tempo demais a observando. Inspirou fracamente. Deixou cair os
pergaminhos que analisava. Ela parou o que dizia e olhou-o. Viu a bagunça com
os papeis e começou a ajudar.
Dava pra sentir todo o
atordoamento vindo dele. Mas decidiu que não queria saber. E bloqueou essas
sensações. Pegou os pergaminhos do chão e devolveu. Quase riu da expressão
dele. Mas se virou de lado outra vez para o meio-gigante.
-Theo Mort?
Esse é o seu nome? - Snape achou a voz.
-Sim, Theodora
Mort. Sou mãe da sua aluna Loy
Anne Mort. - acrescentou.
Ele não queria acreditar. Só
poderia ser uma loucura. Mas a Theo que ele conhecia tinha o sobrenome Vant.
“Será que estou ficando doido?”
-E seu... marido? - tentou
esconder o desagrado, sem sucesso.
Theo perdeu o sorriso. E olhou
duramente pra ele.
-Meu marido morreu. - não disse
mais nada.
-Meus sentimentos, Madame Mort. - Hagrid prestativo.
-Está tudo bem Hagrid. - tentou sorrir - Foi há muito tempo. Loy tinha cinco anos. E por favor, me chame apenas de Theo,
sim?
O homenzarrão assentiu. Snape
queria continuar a falar com ela. Mas não com o outro ali. Tinha que se livrar
dele.
-Hagrid,
não seria prudente verificar se os alunos estão bem? – falsa calmaria
-Oh! Tem razão Prof. Snape. Vou
dar uma volta. Gostaria de vir Theo? - corou.
Ela ai dizer que adoraria.
Quando Snape respondeu antes dela.
-Hagrid,
Sra Mort não está aqui para fazer o seu serviço. Acho
que seria no mínimo deselegante de sua parte! - olhos frios.
-Oh! Claro! Me perdoe, Theo. - o
meio-gigante estava roxo de vergonha - Bom, já vou. Até. - e saiu sem graça.
-Quem você pensa que é, Prof.
Snape? Posso muito bem cuidar de mim mesma. E decidir o que quero fazer! -
secamente.
-Não era seu serviço. - deu de
ombros. - Agora me conte! Quem era seu marido? - direto.
-Mas que desaforo! Acha que vou
ficar aqui, falando de minha vida, depois do que fez? - ela estava zangada.
-Sinto muito. - ele pareceu
sincero. - Mas gostaria de saber mais sobre a nova professora. - tentou menos
duro.
Ela estava confusa. Primeiro o
homem a ignorava, depois exigia que conversassem e que falasse sobre ela. Muito
estranho.
-Meu marido era um homem bom.
Não acredito que o tivesse conhecido. Morávamos em uma aldeia muito pequena,
distante de Londres. Nunca saíamos. Só vivíamos para nossa filha. - sentiu os
olhos arderem. - Seu nome era Calius.
Snape poderia ter tido uma
síncope e caído morto ali, se não tivesse considerando ao menos de leve a
possibilidade.
“Era ela! Ela está viva! E a
menina, a menina poderia ser minha filha! Meu Merlin!
Que loucura!”
Theo podia ver as emoções
conflitantes dele. Não podia saber o que pensava. Na verdade não queria saber.
-Quando vocês se casaram?
-Como? - estranhou.
-Quando vocês se casaram? -
repetiu.
-Por que você quer saber essas
coisas? - estava desconfiada.
Ele tentou pensar em outra
maneira de dizer, mas não conseguiu.
-Porque é importante. Responda.
- estava angustiado. Ela podia ver.
-Nos casamos há quase 12 anos.
Está bem??
-Não! Não está! Seu nome de
solteira é Vant? Seus pais morreram há 15 anos? Você
tinha o apelido Theo, a menina brilhante? - ele derramava as perguntas sobre
ela sem cuidado algum.
Ela estava assustada com aquela
explosão. Ele sabia tudo sobre ela.
“Então como? Nem Dumbledore sabia. Não poderia ter contado.”
-Quem é você? Como sabe todas
essas coisas? - estava indignada.
Ele olhava pra ela com toda dor
que um dia teve. E todo amor que ainda tinha.
-Eu conheci você, Theo - disse
devagar.
A irritação passara ao perceber
o que ela dizia e sentia. Snape encostou as costas na parede do banco onde
estava sentado. Jogou a cabeça pra trás. Fechou os olhos, respirou fundo.
Passou as mãos pelos cabelos deixando-os em desalinho.
-O nome Severus
Snape, não te lembra nada? Eu, não te lembro nada? - desespero.
Theo sentiu um aperto no peito e
um estremecimento. A dor, o vazio.
-Não, sinto muito. - virou o
rosto para a janela. - Sofri um acidente há muitos anos atrás. Há treze anos.
Fiquei em coma algumas semanas. E quando acordei, não me lembrava de nada. Calius estava comigo. Ele cuidou de mim o tempo todo.
Quando em fim me recuperei completamente, nossa filha estava pra nascer. Então
nos casamos. - olhou de volta pra Severus. - Tudo o que sei de antes do acidente, me foi
contado por ele. Sobre meus pais, meus... poderes, meu bebê.
-O que ele falou sobre o bebê?
-Ora! O que importa? - sentiu a
irritação voltando. - Acabou! Ele morreu! Foi um pai maravilhoso, e um marido
sem precedentes. Mas o que eu quero saber é por que sabe tanto de mim? E o que
sabe afinal?
Snape se imaginava num livro que
lera uma vez “Além de sua imaginação, o que você jamais esperaria.”
-Eu conheci você antes do
acidente. Pensei que tivesse morrido. E fui embora. - se sentiu um desertor, um
covarde.
Mas tinha certeza agora. Loy era mesmo sua filha.
“Meu Merlin!
O que vou fazer agora?”
A porta da cabine se abre
novamente interrompendo a conversa. Hagrid voltara
para avisar que já estava chegando. Seguiram em silêncio até o destino.
No castelo, foi levada ao Salão
Principal. Assistiu sem ver, à famosa apresentação do chapel
seletor. Foi apresentada aos alunos pelo diretor. E conseguiu dar um sorriso.
Tudo foi feito num autômato. Snape continuava a olhar estranhamente em sua
direção. Ela estava ficando sufocada.
Assim que pôde se retirou para
seu quarto. Só queria um banho, e descansar. Não fizera nada bem lembrar do
passado. Lá, Theo pôde pensar com calma sobre o que tinha acontecido. O
professor de poções dizia tê-la conhecido antes do acidente.
“Mas então, por que Calius não falara sobre ele? O que era aquela dor que vinha
do homem?”
Há muito tempo tinha se
conformado com o vazio das memórias. Em não se lembrar dos fatos. Como quem
vive, mas apenas sabendo porque alguém contou.
“Teria Calius
omitido propositadamente a história sobre o professor? Não!”
Não tinha direito de julgar o
marido. Ele sempre fora o melhor homem de que se lembrava. Uma certa vez
encontrou um diário velho, dos tempos de menina e nele estavam escritas todas
as histórias contadas por Calius. Não mentira. Não
seu Calius.
O amara de verdade. Mas não
havia paixão. Sempre fora mais um companheiro, um amigo, um porto seguro. E era
isso que Loy precisava. Segurança. Nunca vira um pai
ou uma filha mais dedicados. Quando o pai se foi, Loy
mudou. Ficou mais rabugenta. A surpreendera inúmeras vezes com os olhos
vermelhos. Mas ela era orgulhosa demais para pedir ajuda. Parecia até que ela
que era a adulta.
Theo suspirou profundamente. E
resolveu fazer algo que não fazia há muito tempo. Tentou lembrar.
Se sentou na cama com as pernas
cruzadas um sobre a outra. Apoiou as mãos nos joelhos, com as palmas voltadas
para cima. Fechou os olhos. Respirou lenta e profundamente. Se concentrou no
rosto do homem que a intrigara.
-Severus!
– murmurou.
Nada aconteceu. Respirou de
novo.
-Severus!
– murmurou outra vez.
Uma luz muito forte piscou
rápido demais.
-Severus!
– falou mais alto.
E imagens como flash se
iniciaram desordenadamente.
“Uma mulher num manto negro com
três homens encapuzados.”
“Calius
em chamas, caído de joelhos no chão.”
“Severus
na beira do lago mandando ela ir embora.”
“Ela brilhando fazendo amor com
um homem sem rosto.”
“Severus
agonizando, à morte no chão.”
“O fogo ardendo e crepitando vindo
em sua direção.”
E tudo se foi. Ela estava
suando, ofegante. Sentia dor em todo corpo. Mas nada se comparava com a dor que
vinha de seu coração.
-Meu Deus! O que foi que eu
esqueci?? Nunca tinha tido essas visões antes. Será que ele está certo? Agora
que estou me lembrando, não sei se quero saber! Parece tão... terrível!
E chorou silenciosamente. Como
não chorava há muito tempo. Só adormeceu quando o sol já estava para nascer.
Despertou tão cansada quanto jamais se sentira antes. Mas se levantou. Deveria
iniciar as aulas naquele dia. Não decepcionaria Dumbledore.
#
Ela se atrasou para o café.
Tinha o rosto cansado. Como se não tivesse dormido a noite toda.
“Bem vinda ao clube!” – pensou
observando-a.
Snape passara a noite em claro
pensando nas brincadeiras do destino. Antes dela, ele era um comensal da morte
comum. Apenas desgostoso. Um professor exigente, mas justo. Depois dela, passou
a ser um comensal espião. Um membro da Ordem da Fênix. Um professor muito
exigente e cruel. Sabia que não parecia justo com os grinfinórios.
Mas olhar para Harry Potter
era o mesmo que se lembrar dela. Se ele tivesse morrido no ataque de Voldemort, ela não estaria naquela noite diante do fogo,
para morrer em seus braços. E isso era algo que não poderia perdoar nunca.
Mas agora, vendo-a ali. Viva.
Não sabia mais o que pensar ou o que sentir. Todo aquele tempo e a mesma
loucura carregava seu coração longe de seu alcance. Não tinha controle sobre
ele. Não lhe pertencia mais. Aliás, nunca lhe pertencera.
Precisava ter calma para lidar
com ela. O Lord das Trevas estava de volta. Já tinha
seu próprio corpo. Mas sabia que quando descobrisse que Theo estava viva, iria
querer “acertar as contas.” Ele mesmo, já fora muito castigado por tudo o que
houvera. Mas depois de tanta punição, parecia ter sido perdoado. Isso era
vantajoso para Ordem.
Precisava conversar com Dumbledore. Não o fez no dia anterior. Tinha que organizar
as idéias, os sentimentos. Porque onde só havia rancor e secura, brotara
novamente a dor e o amor há muito esquecidos.
Percebeu quando ela o olhou. Um
olhar diferente. Sem a mesma reserva de antes. Mas ainda distante. Não sabia se
valeria a pena fazê-la lembrar. Não com o Lord das
Trevas de volta. Talvez fosse melhor afastá-la. Falaria com Dumbledore.
#
Não se cumprimentaram. Ela o
percebeu distante, também. Não tentou se aproximar. Tinha que se concentrar na
primeira aula. Seria como sexto ano. Depois com o primeiro e por fim com o
segundo, a turma de Loy. Todas as aulas haviam sido
preparadas cuidadosamente. Não teria erros. A menos que um certo moreno a
deixasse atordoada. Resolveu que não se envolveria nesse mistério naquele dia.
Quando estivesse mais preparada,
talvez. Conversou um pouco com Prof.
Minerva. Uma senhora severa, mas atenciosa. Ela parecia cansada. Se lembrou do
que Loy contara. Tinha sido atacada por três feitiços
estuporantes, no final do último ano escolar. Estava
surpresa por ter sobrevivido. Não devia ser uma bruxa qualquer.
Viu Loy
na mesa da sonserina. Sorriu pra ela e recebeu um
aceno jovial. Seu coração se acalmou um pouco. Daria tudo certo. Por Loy. Tudo ficaria bem.
#
-Bem, - suspirou em frente à
sala de aula. – Lá vamos nós!
E entrou. Os alunos já estavam
lá. Ficaram em silêncio. Caminhou até a mesa diante deles.
“Não se intimide!” – mentalizou.
-Bom dia! Para aqueles que não
me conhecem, sou Theo Mort, sua nova professora de
Defesa contra Artes das Trevas. – sorriu mais confiante.
“Vai dar certo!”
-E já estou a par do conteúdo
dado a vocês desde seu primeiro ano. Então selecionei alguns assuntos que julgo
serem fundamentais, para o momento em que vivemos.
Todos estavam atentos.
-Sei que alguns alunos
aqui, estão bastante adiantados com esses temas. Mas gostaria que todos
estivessem. Então neste primeiro mês quero que vocês revisem tudo o que já
viram sobre Defesas.
Os aluno se entreolharam.
-Quer dizer que não teremos
aulas? – retrucou um menino muito loiro. – Não vamos aprender nada de novo? –
petulante.
-Não estou certa se compreendeu
o que eu disse. – disse séria. – Você, por exemplo, Sr...
-Malfoy.
Draco Malfoy. – respondeu
estufando o peito.
“Esse nome...”
-Você, Sr. Malfoy,
poderia me dizer com toda segurança que sabe, bem, tudo o que aprendeu?
Ele riu debochado.
-É claro! Sou um Malfoy, e um sonserino! Artes das
Trevas nos são ensinadas no útero materno!
-Ora, ora. Então que tal se
adiantar e nos dar uma demonstração de sua sabedoria? Poderíamos até mesmo
aprender um pouco com o senhor! – sugeriu maliciosa.
Percebeu que o menino hesitou.
Mas orgulhoso, se levantou e ficou diante dela.
“Não perderia a oportunidade de
humilhá-la. Nem parecia uma progenitora sonserina!” – pensou Draco.
-Sei que estudaram as maldições
imperdoáveis. – sorriu sinistramente.
O loiro acentuou sua palidez
normal assustadoramente. Mas não se mexeu.
-Então resolvi que vocês devem
saber lidar com elas.
Agora ele retrocedeu um passo.
Os outros alunos tinham um olhar aterrorizado.
-Professora. – chamou a menina
que vira na estação. – Mas... elas não são proibidas? Quer dizer... o nome
Imperdoável é uma dica, não e? Quem... a usa... vai pra Azakabam!
– ela gaguejava.
“Corajosa! Gostei dela!”
-Sim Senhorita...
-Granger. Hermione Granger. – com cuidado.
-Bem, Srta. Granger,
acho que não é segredo para vocês, que Voldemort
voltou.
A maioria dos alunos emitiram
gritos ou gemidos. Menos ela e o garoto da cicatriz.
-E se vocês não sabem, - ela
ignorou. – ele não vai se importar com o risco de ir pra Azakabam.
E vai aplicar. Como já o fez. – olhou para Harry e Neville. – Em qualquer um de vocês. Ele não terá piedade ou
respeitará as leis. Então eu pergunto a vocês: De que vale saber se livrar de
um grindylow se na hora do confronto com as trevas,
só vai haver o que há de pior e mais maligno?
Ninguém respondeu. Petrificados.
Apavorados.
-Eu acho que a senhora tem
razão. – falou o menino de olhos verdes, após alguns segundos.
Ele sabia quem ele era. Mas
sentiu que ele gostaria de se apresentar, como os outros.
-E o senhor. Qual seu nome?
Ele estranhou.
-Harry
Potter.
-Então, Sr. Potter.
Obrigada por seu apoio. Fico feliz que esteja disposto a corresponder com as
aulas. Acho que temos muito a treinar. Concorda?
Harry se perguntou se ela sabia sobre a Armada de Dumbledore.
“Como poderia? Quem teria
contado? Ninguém da sonserina com certeza! Então...”
-Mas estávamos falando com o Sr.
Malfou aqui. – e se voltou para o adolescente pálido.
Que já tinha dado mais um passo em direção à sua carteira. – Falávamos sobre
como reagir diante de uma maldição imperdoável. Se lembra quais são Sr. Malfoy?
-Sim. – tremeu. – Impérius, cruciatos e... Avada Kedrava.
-Isso mesmo! São 5 pontos para a
sonserina.
Ele conseguiu sorrir.
-Agora quero que preste muita
atenção. Sei que também essa aula já foi dada. E que vocês já foram submetidos
a algumas delas. Por enquanto vamos admitir que pra Avada
não exista contra-maldição. E vamos nos concentrar apenas nas duas primeiras.
Harry bebia as palavras da mulher.
“Será que ela estava insinuando
que havia contra-maldição para Avada? Mas Olho-tonto
dissera que não havia!”
-E quanto a essas duas, A Impérius e a Crucciatus, essas
sim serão nossos temas por alguns dias. – sorriu. – Quero apenas, Sr. Malfoy, que confie em mim.
Ele estava tão rígido que
parecia um poste. Já não tremia mais.
-Relaxe. Por enquanto você só
vai me ouvir. Poderá voltar atrás e não participar da demonstração a qualquer
momento. Esteja certo disso.
Ele ainda duvidava.
-Quero que saiba que sou sua
professora. E não sua inimiga. Não quero te machucar. Acredita nisso?
Ele acenou positivamente. Mas
Theo sabia que era mentira. O menino não confiava em ninguém.
-Foi o que pensei. Não confia em
mim. – ele arregalou os olhos cinzas. – Sente-se aqui Sr. Malfoy.
– e apontou para uma cadeira que não estava ali até então. Hesitante o jovem foi.
– Quero que olhe para mim. Nos meus olhos. E sinta o que quero lhe dizer. – ele
olhou pra classe e pra ela. - Não se preocupe. Não vou fazer maldição alguma,
ainda.
Ele queria sair dali correndo.
Contar para seu pai o que aquela mulherzinha estava fazendo. Queria sentar e
chorar. Sentiu os olhos arderem. Mas ficou e a olhou. Encarando o azul dos
olhos dela.
“Relaxe” – ouviu. – “Sinta. Você
pode! Relaxe.” – foi relaxando. – “Veja, olhe para onde está! Vê o céu?As
nuvens? Aqui você está seguro!”
E Draco
se sentia mais forte. Mais confiante. Sorria. Sentiu cócegas. Riu. Flutuou e
voou pelo céu azul. Era divertido! Mas o vôo cessou. Piscou. E estava de volta
à sala. Sentado na cadeira, e a professora à sua frente. Ela também sorria. Ele
olhou para a turma e todos estavam estupefatos, petrificados.
-O que aconteceu? – perguntou
calmo. – Por que eles estão assim?
Theo o pegou pela mão.
-Você acabou de resistir a todas
as maldições Sr. Malfoy. – sorria divertida. –
Parabéns. São mais 20 pontos pra sonserina. Por ter
conseguido já em sua primeira tentativa. Você é muito bom! Descobrirá que tem
muito a aprender sobre si mesmo.
Ele estava confuso.
“Fora submetido às maldições?
Impossível! Como poderia?”
Quando voltou para seu lugar Crabbe e Goyle o bombardearam de
perguntas. Sobre como tinha conseguido, se estava bem, se lembrava de algo, e
quando ela tinha gritado “Cruccio” pela terceira vez,
por que ele ria.
-O que vocês acabaram de ver,
foi uma maneira de se proteger das maldições que citei. Sr. Malfoy
achou um lugar, dentro dele, que ninguém poderia tocar. E lá sua mente não
poderia ser atingida. Quando as maldições são aplicadas, elas não atingem
diretamente o corpo. È a mente que sofre. E se ela acreditar no que a maldição
a convence, seja obedecer, seja sentir dor ou morrer. Assim será. Mas se vocês
bloquearem a mente ela nada sentirá. E seus corpos também não.
-Parece simples, mas não é? Para
resistir tem que haver um controle férreo sobre suas emoções. E pudemos
perceber que é o caso do Sr. Malfoy. Parabéns mais
uma vez. E quero deixar muito claro, que não o hipnotizei. Apenas o conduzi
para seu lugar seguro. Se ele já não o conhecesse eu nunca teria tido sucesso
com essa demonstração. Agora quero que todos tentem encontrar esse “lugar
seguro”. Cada um de vocês. Sozinhos.
Os alunos se concentraram. Mas
os acontecimentos eram muito atordoantes. Seria de se admirar, mesmo, que
conseguissem. Draco foi o único que conseguiu. Já
conhecia o caminho. Quando a aula acabou, Theo percebeu que o menino de olhos
verdes se aproximava.
-Profa. Mort.
– ele começou sem jeito. – Eu gostaria de... gostaria que pudesse me ajudar.
Como fez com Malfoy.
-Imaginei que iria me pedir
isso, Sr. Potter. Sei o que está sentindo. E sei
também o quanto será difícil. Então acho que poderíamos nos encontrar uma vez
por semana. Até que consiga sozinho.
-Obrigado, Profa. Mort.
-E, Sr. Potter.
Me chame de Profa. Theo ou apenas Theo. – sorriu encorajando.
-Obrigado, Profa. Theo.
Theo suspirou. Primeira batalha
vencida. Sabia que era a primeira de muitas. Mas por mais difíceis que fossem
as próximas, essa era primordial. Agora tinha que seguir com o roteiro.
Tudo correu bem. A turma de Loy a recebeu muito bem. Não teve problemas. Já estava
quase na hora do jantar. E conversava com a menina.
-Mãe, estão todos falando sobre
você! – dizia a menina divertida.
-Ah é? E o que estão falando
sobre sua mãe? – interessada.
-Parece que estão ao mesmo tempo
fascinados e aterrorizados. – riu.
-Aterrorizados?! Por quê?? –
cínica.
Loy riu mais.
-Eles não estão acostumados a
ouvirem o nome de Voldemort. Isso é só pra começar!
-Mas você não tem medo! –
observou.
-Claro que não! Você me ensinou
assim! “O nome das coisas tem menos importância que elas em si.” – citou.
-Parece que você aprendeu direitinho!
– e abraçou Loy fazendo cosquinhas,
rindo junto com ela.
-Pára! – ria. – Pára, vai! – se
contorcia. É ficou só abraçando-a. - É bom ver você aqui. – falou a pequena
olhando com seus olhos azuis idênticos aos da mãe.
-Também acho filha. – apertou o
abraço.
A menina pareceu indecisa, e um
pouco tensa. Mas acabou falando.
-Faz tempo que não a vejo rir
assim! – tinha um quê de tristeza.
-Eu sei. Estrelinha. – esse era
o apelido que a menina tinha recebido no primeiro dia em que brilhou na frente
de Theo.
A pequena pegou o rosto da mãe
com as duas mãos, encarando-a.
-Tem uma coisa nova. E boa em
você. – disse com carinho. – O mais perto disso que vi, você perdeu quando...
quando papai morreu.
Era a primeira vez que elas
falavam do pai desde sua morte. Theo suspirou.
-Eu não sabia que tinha
reparado, estrelinha. – não fugiu.
-Eu sempre soube. Mas não quis
pressionar você. Acho que foi muito bom ter vindo pra cá. Você é a pessoa mais
inteligente do mundo.
Theo gargalhou desta vez.
-É sério mãe! Sei disso. Estou
aprendendo muito com você, desde que me conheço por bruxa!
-Você sempre soube que era
bruxa. – brincou alegre.
-Então aprendo com você desde
sempre. – repetiu séria. - Sinto e vejo coisas de que tenho controle agora.
-Cuidado com isso Loy. – séria – Pois as outras pessoas não estão acostumadas
com isso. Podem se sentir invadidas e ofendidas.
-Eu sei mãe! Fique tranqüila.
Tomo muito cuidado.
-Bem, chega de papo. Porque nós
temos um jantar delicioso pela frente. – animou a outra.
Foram. E Loy
foi pra mesa da sonserina. Não sem antes sorrir de
volta para a mãe. Que foi se sentar com os professores.
-Parece que sua aula inaugural
foi um sucesso! – irônico.
-Bem, devo dizer que ela saiu
melhor que eu esperava. – sorriu com educação.
E não se falaram mais. Ele podia
sentir a energia dela quase palpável. Estava com sérios problemas. Fez sinal
para Dumbledore. Precisava conversar urgentemente com
ele. Sendo atendido prontamente. Ao chegar à sala do diretor ainda não sabia
como iniciar.
-Severus.
Diga-me, o que deseja? – sempre calmo.
-Alvo, - suspirou. – conhece
minha história. – o velho diretor assentiu em silêncio. – Bem, mas o que não
sabe. O que nunca contei, foi o nome dela. – Dumbledore
aguardou. – Theodora Vant.
Que hoje usa o nome Theodora Mort!
Esperou que o Diretor se
espantasse, assustasse, chocasse, qualquer coisa. Mas não. Ficou ali. Parado.
-Sim Severus.
-Alvo. Acho que você não
entendeu. A mulher. A mulher do meu passado que eu julguei morta. Morta por Voldemrot, está aqui. Dando aulas nesta escola! –
controlando a exasperação às duras penas.
-Sim, Severus.
Eu sei.
-Como “sabe”? – perdeu o
controle. – Como???
-Eu a conheci quando a pequena Loy ingressou aqui. Conversamos muito. E a história dela se
parecia muito com uma outra que eu já conhecida.
-Mas... – confuso. – Se você
sabe há 1 ano. Que ela está viva. - indignação era pouco pra definir o que
estava sentindo. – Por que diabos não me contou? – ele poderia matar o velho.
-Porque eu só tive certeza
agora. – sorriu sem se importar com a explosão do outro. Que estava atônito
agora. – Justamente a chamei para trabalhar porque vi que é uma pessoa...
incomum. E que estava mais que capacitada para o cargo. Assim como também quis
tirar muitas dúvidas. Vejo que não errei.
Snape estava entorpecido. Era um
homem em agonia. Lutando contra todos os fantasmas e medos e desejos. Mas
sempre tivera sua máscara para usar. Agora estava se sentindo quase
desamparado, desarmado. De alma vulnerável. Se deixou cair pesadamente na poltrona
à frente do diretor.
-O que devo fazer? – perguntou
mais pra si mesmo que para o outro.
-Não posso escolher para você Severus. O caminho a seguir é exclusivamente seu. Terá que
decidir por conta própria! - pesaroso.
Estimava muito seu mestre de
poções. Não desejava seu sofrimento.
-Apenas poso garantir que sempre
existem escolhas. Independente de o que aconteça. SEMPRE existem escolhas.
Snape saiu. Deixou a gárgula
para trás mais confuso do que antes.
“Então ele sabia! E a trouxe
mesmo assim. Ou que sabe por isso mesmo! E agora? A mulher que amava? Sua
filha? Maldição! O que fazer?”
Não foi uma noite tranqüila.
#
Mais um dia sem respostas. Teria
aulas com a pequena Loy. Desde que soubera que era
sua, não conseguira tirar os olhos dela. Exceto, claro, quando sua mãe estava
por perto. Só agora percebera o quão cego fora. Elas eram idênticas. Os olhos,
cabelos, boca, tudo. Mas alguma coisa no seu jeito de falar, de brigar, o
lembrava. Não pode se impedir de ficar orgulhoso.
“Minha filha! Uma sonserina legítima!”
Foi sorrindo até a sala. Lá se
concentrou em fazer sua habitual carranca. Pra não dar margem pra os alunos.
Ela era uma das únicas que não se intimidava. Passou a observa-la mais. Exigia
mais e ela correspondia. Parecia gostar do desafio.
“Orgulhosa!”
Ao fim da aula, dispensou todos.
Estava organizando os vidros com as poções dos alunos para avaliar. Olhou para
uma poção azul que saíra errado e se lembrou de uma outra que bebera há muito
tempo atrás. Sorriu com um dos cantos da boca.
-Sei fazer essa poção. – a voz
suave.
Snape se assustou. Achava que
estava sozinho. Tentou imaginar de que poção ela estaria falando. E quando
olhou para a azul nas mãos, achou compreender.
-Percebi. – respondeu pensando
se tratar da que todos fizeram na aula. – A sua está correta.
-Não é essa. A outra. – disse
como se fosse óbvio.
Snape franziu a testa.
-Sobre o que estamos falando
Srta Mort? – ele não se deixaria enganar.
-Sobre a poção para dor. A azul.
– sem paciência.
-Por que estamos falando sobre essa
em questão Senhorita?
“Ela não poderia estar lendo
meus pensamento.”
-Posso sim! – batia o pé. – E
não estou gostando nada disso! – ela era a imagem da indignação. Com as mãos na
cintura.
O coração dele amornou apesar de
tudo.
-Se pode mesmo, deve saber que
isso é errado! – as pessoas podem se assustar ou se ofenderem, sabia? – sem
conseguir esconder o sorriso.
-Minha mãe diz a mesma coisa. –
bufou. – Mas nunca foi tão fácil. E se sentou na carteira mais próxima a ele. –
Por quê?
-Você já fez isso antes? –
tentou com receio.
-Às vezes. Mas a maior parte do
tempo tenho que me concentrar. E nem sempre faço isso! – se defendeu. – E nunca
fiz isso numa prova. – se lembrou de repente.
Snape gargalharia se não fosse
tão sério.
-Você sabe o que é oclumência, Loy? – falou seu nome
sem perceber.
-Não.
-Um oclumente
é aquele que consegue bloquear sua mente de qualquer “invasor”, vamos chamar
assim. Mas é feito com varinha e muita concentração. Existe o inverso que para
captar em um mente alheia devendo usar varinha, concentração e a palavra certa
do feitiços.
-Mas eu não sei nada disso! E
posso entrar na mente de quem eu quiser, sem feitiço. – inocente.
-Isso é muito perigoso, Loy. – mas ainda assim, sentiu orgulho. – Se alguém resolve
agir usando você, todos nós estaríamos perdidos.
-Alguém como Vordemort?
-Não deveria dizer esse nome! –
duro.
-Minha mãe disse que posso. Não
tenho medo dele.
-Deveria Loy.
Deveria. Ele é o príncipe de todo o mal que existe neste mundo. Deve entender
isso! – preocupado.
-Gosto de você! – falou de
repente.
E se adiantou dando um abraço
apertado no professor. Ele estava estupefato. Não conseguiu reagir quando os bracinhos o apertaram pelo pescoço. Ela saiu rápido como se
tivesse dado conta de o que tinha dito e feito.
-Meu Merlim!
– ele ficou longos minutos relembrando a sensação de ser abraçado pela primeira
vez pela filha.
“O que faço agora?”
#
Theo preparava a aula para
próxima semana naquela tarde, quando alguém bateu na porta. Era Harry Potter. Estranhou.
-A Senhora disse que poderia me
ajudar. Com as maldições.
-Claro, entre Harry. Estava justamente preparando nossa próxima aula.
-Se a Sra preferir, se estiver
ocupada... – o jovem parecia constrangido.
-Não! Não se preocupe. – puxou
duas cadeiras e colocou uma diante da outra.
Ele se sentou.
“Agora, quero que você respire
fundo. - obedeceu. – Isso. Outra vez! Muito bem. Olhe para mim Harry. Nos meus olhos. – ele olhou. - Relaxe. Sinta. Você
pode! Relaxe! Veja! Olhe para onde está. Vê o escuro? Ouve esse som? São as
batidas de um coração. Pode ouvir as batidas Harry?
Nesse lugar você está seguro.”
Mas quando o garoto ia ficando
mais relaxado. Pôde ouvir um grito de mulher.
“Não! O Harry
não! Por favor!”
‘E se iniciaram imagens de uma
chame verde em direção à mulher.’
‘O fogo na floresta ardendo.’
‘Theo lutando com o fogo.’
‘Uma criatura saindo de dentro de um caldeirão
e uma risada sinistra.’
Eles se afastaram ofegantes. Não
se sabia o que dizer. Nunca tinha acontecido isso antes. Entendeu que era Voldemrot.
-O que aconteceu? – o menino
estava pálido.
-Eu... Harry.
Não sei direito. Nunca tinha acontecido antes.
-No começo achei que estivesse
num lugar escuro e confortável. Não estou certo, mas talvez fosse o útero de
minha mãe. Mas depois vi quando ela morreu, quando Voldemort
voltou. Só que não entendi uma coisa... era a senhora... e ele...
-Hary.
– tentou ordenar os pensamentos. – Eu... acho que Voldemort acabou unindo dois inimigos comuns. Uma vez
lutei contra ele. – disse apenas o que sabia. – Assim como você lutou outras. E
não acredito em coincidências. Não estamos aqui. Juntos por acaso.
-Acho que devemos nos esforçar
para conseguir vencê-lo. O lugar seguro que escolheu é mesmo o útero de sua
mãe. E é lá que poderá ir quando se sentir perdido ou achar que a dor já é
bastante. Mas Harry, o lugar seguro não é resposta
para todos os problemas. Eles devem ser enfrentados e superados.
Ele abaixou os olhos. A tristeza
e a raiva voltaram com força total.
-Harry,
olhe pra mim. Há muito mais que a raiva e a dor! Acredite em mim. Confie em
mim.
O adolescente lutava bravamente
contra as lágrimas. A cicatriz ardendo como poucas vezes.
“Se Sírius
estivesse aqui?”
-Harry.
A vida nos guarda muitas surpresas! Mas pra recebê-las temos que estar lá! Vivendo-a.
Compreende?
E seguiu seu impulso, abraçou o
jovem com todo carinho que uma mãe abraçaria um filho. Buscou todo amor que
aquela mãe da visão teria para dar sua vida pelo seu filho e brilhou.
Harry chorou tudo o que não tinha chorado antes. Pelos pais,
pelo medo, por seu padrinho, pelos amigos, por ele mesmo. Chorou abertamente
enquanto sentia o calor o envolver.
Quando não tinha mais lágrimas,
a dor tinha ido embora. Abriu os olhos se viu em chamas. Mas não se assustou.
Olhou para a professora. E percebeu que ela estava coberta pela luz. Agora via
que era luz, e não fogo. Apenas os olhos eram chamas.
-Você está fazendo isso? – com
uma calma que não lembrava ter.
-Nós dois Harry.
– com carinho.
E ele se virou com os olhos
verdes em chamas.
-O que está acontecendo Profa.
Theo?
-Acho que estamos nos
descobrindo Harry. Esse é dom raro. Dá possibilidade
de sentirmos e entendermos melhor outras pessoas. Algumas mais que outras. E
ainda há aqueles que não conseguimos atingir por mais que tentemos. Não sei
muito sobre o seu dom. Mas talvez tenha que descobrir aos poucos.
E o brilho dos dois diminuía
gradativamente à medida que falavam.
-E como posso fazer isso outra
vez? – interessado.
-No começo comigo acontecia só
em situações extremadas, de muita dor ou muita raiva ou muito amor. Quando Loy nasceu, eu perdi o controle e brilhei com ela. – sorriu
lembrando como ficara assustada na ocasião, pois não sabia que significava
aquilo.
-Você pode me ajudar, Profa
Theo? – indeciso.
-Posso tentar. Mas agora acho
que você deve ir se deitar e descansar. Semana que vem volte no mesmo horário.
-Muito obrigado. Profa. Theo.
Depois que o jovem aluno saiu
Theo ficou pensando no que tinha acontecido. Parecia que tudo estava ligado a Voldemort. E houve uma batalha entre os dois. E o profesor de poções sabia. Precisava descobrir o que tinha
acontecido.
Passava das nove da noite,
quando se viu diante da porta dos aposentos pessoais do Prof. Snape. Bateu com
força, antes que mudasse de idéia.
#
Snape tinha passado o dia
pensando na conversa com Dumbledore. E não sabia
ainda como reagir. Quando ouviu alguém bater na porta escolheu sua pior
expressão de desagrado e foi atender. Mas antes que pudesse pronunciar as
palavras de desaforo notou que era a dona de seus pensamentos.
-Theo?? Er... Profa.
Theo? – concertou.
-Prof. Snape, posso entrar?
Precisamos conversar. – pediu firme.
Ele ainda hesitou tentando
assimilar o pedido. E se afastou. Ela entrou tão decidida que se já não a
tivesse conhecido jamais suspeitaria de quão difícil estava sendo pra ela estar
ali. Deixou que ela começasse.
Estava extremamente nervosa e
excitada ao mesmo tempo. Estava nos aposentos dele.
-Prof. Snape, sei que depois da
conversa que tivemos, deve estar estranhando minha visita. Mas coisas
aconteceram e... – olhou nos olhos dele. – Acho que só você pode me ajudar a
entendê-las.
-Que coisas seriam essas? –
desconfiado.
-Bem... – procurou as palavras
certas. – Você se lembra de que eu disse que sofri um acidente no qual perdi
minha memória?
Ele assentiu em silêncio.
-O fato é que eu nunca havia
tido qualquer tipo de recordação ou coisa do gênero com o acidente. Na verdade
tudo o que Calius me disse, foi que tinha acontecido
uma explosão. - Mas... – ela agora andava de um lado para outro.
-Venha, sente-se aqui.
Snape a conduziu para uma
pequena mesa clássica com cadeiras no mesmo estilo antigo. Sentou-se à sua
frente. Queria segurar as mãos dela para dar-lhes forças, mas não se sentia no
direito.
Ela suspirou.
-Você disse que me conheceu
antes do acidente. E que pelo que eu entendi, estava lá. Preciso saber o que
houve!
-Por que agora Profa. Theo? Há
alguns dias disse isso pra você. Por que agora? – repetiu.
-Porque talvez eu esteja
começando a me lembrar! – disse de uma vez encarando-o.
Percebeu quando ele estremeceu
muito levemente. Se fosse outra pessoa pensaria ter imaginado. Mas sabia que
não.
-De que exatamente você se
lembrou? – perguntou com cuidado.
Ela Suspirou. Apoiou a cabeça
entre as mãos.
-Na verdade, são flashs. Estou entendendo aos poucos. Na minha primeira
noite aqui, sonhei com fogo, com uma mulher que não sei se conheço, e com...
com você. – corou. – Mas não é só isso! – ela tentava controlar o rubor,
enquanto ele sentia um calor morno envolvendo seu coração. – O fogo. Sei que o
fogo é Voldemort.
-Não acho prudente dizer o nome
dele. – não gostou de ouvir o nome.
-Então me vi lutando com ele. –
ignorou a interrupção. – Sei que você estava lá!- afirmou. – Quero saber o que
aconteceu de verdade!!
Snape se levantou da mesa,
caminhou até a janela de seu quarto. Ficou observando uma chuva fina que caia
lá fora.
“Queria tanto que ela ficasse
longe de tudo aquilo!”
Após alguns minutos, Theo cansou
de esperar e foi até ele. Pôde sentir a angústia, o esforço para manter o
controle, o calor do corpo dele. Queria abraça-lo e ser abraçada por aquele
homem duro. Mas já não era uma pessoa sozinha. E era também professora numa
escola, mãe de uma menina. Não poderia se submeter aos desejos insolentes que a
atacavam. Mesmo que viesse a se lembrar de tudo. Mesmo que de fato tivessem
sido amantes. Nada seria igual.
-Profa. Theo, - ele iniciou após
algum tempo. – gostaria de poder ajudar.
E se virou. Com uma nova
máscara, que não estava lá. Indiferença. Doeu.
-Mas acho que tudo isso que está
dizendo é bobagem! – impiedoso. – Sonhos não são lembranças. E acho que como
professora de DCAT deveria saber, que os que entraram no caminho do Lord das Trevas, estão mortos! Então sugiro que vá
descansar e que não se preocupe com essas coisas. Agora, - disse indo de volta
para a porta. – gostaria de descansar. Está tarde. Tenha uma boa noite!
Ela estava atônita.
“Ele está me mandando embora???
Desse jeito??? Era mesmo um cretino!”
Empertigou-se. Sentiu um rancor
tão profundo que sentiu tontura.
-Me desculpe, Prof. Snape. Por
fazê-lo perder seu tempo! – olhos injetados. – Isso não acontecerá mais! Pode
estar certo disso!!!
Deu meia volta a saiu das
masmorras batendo forte a porta. Ainda se sentia espumando quando chegou em seu
quarto.
-Cretino! Idiota! Arrogante!
Quem ele pensa que é? Como... como... –
suspirou.
Percebeu que estava começando a
brilhar. Não ia perder o controle. Se ele não queria ajuda-la, então era muito
bem feito pra ela! Não deveria ter significado nada além de... Não queria nem
pensar mais sobre aquele homem. Seu problema agora estava resumido em descobrir
a ligação que havia entre ela, Harry e Voldemort. Severus não tinha nada
a ver com aquilo!
“Severus??? Professor Snape!! Lembre-se! Professor Snape!”
#
Snape se sentia mais vazio que
nunca. Sabia que rejeitando Theo, estaria se condenando ao afastamento
permanente dela. Sabia que não seria perdoado facilmente por sua
insensibilidade.
Como queria segurar as mãos
dela! Como quis abraça-la, e fazer amor com loucura como faziam! Mas sabia que
assim talvez conseguisse afasta-la do Lord. Ou pelo
menos adiar esse confronto. Suportaria a distancia, o desprezo, mas não
permitiria que morresse. Não mais uma vez! Agora havia uma menina muito
especial para cuidar. Ele faria o que fosse preciso para protegê-las.
#
Passaram-se alguns dias, como se
fossem meses. Há espera de um chamado do Lord. A
marca ardia eventualmente, mas ainda não era o momento de se reunirem. Percebeu
algumas mudanças em Potter. Ele parecia menos deprimido.
Talvez o incidente com o maldito padrinho já tivesse sido superado. Ele parecia
até mesmo mais atento. Errava menos nas aulas de poções. Mesmo sendo
pressionado.
“Será que finalmente o menininho
estava amadurecendo e percebendo que tinha mais o que fazer, além de
desrespeitar as regras? Será que tinha percebido que pra vencer o Lord teria que se superar em todas as matérias? Espero que
sim!”
Quase não via Theo. Exceto
durante as refeições. E ainda assim, percebeu que ela andava faltando o jantar.
E naquele dia, notou algo que o intrigou. Potter
também não estava lá. Não gostou nada da conclusão que se precipitou. Terminou
o jantar como um autômato. Rapidamente, E foi em direção aos aposentos da
Professora de DCAT.
“Ele não poderia a estar
importunando! Não permitirei!”
Bateu com força a porta dela.
Passos. Sussurros. Não ouviu mais. Ficou ansioso. A porta se abriu. Ela estava
lá. Um pouco de brilho diferente nos olhos. Como se... tivesse estado em chamas
recentemente. Conhecia aquele brilho. Sentiu a fúria explodir pelo corpo todo.
-O que está acontecendo aqui? –
empurrando a porta sem pedir licença.
Viu Potter
sentado em um sofá, empertigado. Percebeu o mesmo brilho nos olhos dele.
-O que diabos está acontecendo
aqui? – repetiu. Animal.
Theo ainda estava paralisada com
a interrupção a depois a invasão. Não conseguia entender o que ele queria
dizer. Quando viu a acusação no olhar do outro, teve vontade de matá-lo.
-Quem pensa que é, para invadir
meu quarto, exigindo qualquer tipo de explicação, pra qualquer tipo de coisa? –
a fúria dela não deixava por menos.
-Eu, sou um professor, de uma
escola decente! E não sabia que professoras recebiam jovens alunos nos
aposentos! – sibilou.
-O quê?! – ela poderia matá-lo
mesmo.
-Professora Snape! O senhor está
enganado! – Harry tentou falar.
-Cale a boca Potter!
Dumbledore vai saber o que seu queridinho anda
fazendo por aí! – cuspiu as palavras.
-Prof. Severus
Snape saia agora do meu quarto antes que eu vá reclamar sobre sua conduta
injusta e preconceituosa! - falava entre
os dentre.
-É um absurdo o que está
acontecendo. Nas Barbas do diretor! Ele jamais poderia imaginar...
-Prof. Snape, não é nada do que
está pensando!
-Não Potter!
Santo-Potter. Quem diria que o queridinho de Dumbledore seria pego nessas condições. E você, - virou
para Theo. – uma professora de Hogwarts. Francamente!
– desprezo.
-Snape. Saia desse quarto agora!
– os olhos dela começaram a queimar em chamas azuis. – AGORA! – ameaçou.
E Harry
se postou ao lado dela com os seus próprios olhos em chamas verdes. Snape
hesitou ao ver a cena. Não sabia que ele podia fazer isso. Tinha visto alguém,
com chamas verdes nos olhos. Mas fora há muito tempo. Quase uma vida inteira
atrás. Estava boquiaberto.
-SAIA! AGORA! – repetiu.
Mesmo coberta pela raiva e pela
indignação, percebeu a mudança nele. Mas não queria conversar naquele momento.
Ele saiu desorientado.
“Potter.
Ele tem a chama verde.”
Depois da saída do professor, Harry estava muito constrangido.
-Prof. Theo... eu sinto muito!
Sinto muito ter causado essa cena!
-Harry,
meu filho. Você não fez nada. – e se adiantou a abraçou-o. – Não se preocupe!
Tenho algumas contas a acertar com seu professor de Poções. Contas muito
antigas, das quais eu nem me lembrava mais. Mas não se preocupe. Até porque ele
não fará nada. E nós não estamos fazendo nada de errado. Você já sabe chegar a
seu lugar seguro. Está descobrindo que pode usar o poder da chama verde. Mas Harry, deve se controlar. Não é algo que os outros devam
saber. Poucos entendem.
E se sentou mais uma vez com ele
no sofá.
-Gostaria que conversasse com Loy um pouco. Ela também tem a chama azul. E está mais
habituada a ela que você. Às vezes penso que ela sabe mais do que eu! – sorriu.
– Sempre que quiser pode me procurar. E sei que nunca poderei substituir sua
mãe, Harry. Mas gostaria que me tomasse como uma
grande amiga.
-Prof. Theo não me lembro de
minha mãe. Só conheço meus pais pro foto. Mas acho que ela seria como você. –
sorriu calmo.
Theo ficou sem graça. E abraçou
o menino mais uma vez.
-Bom, agora vá. Precisamos
descansar.
Despediu-se do jovem aluno.
#
Agora, após já estar deitada.
Não pôde deixar de rir sobre o acontecido. Snape estava furioso. E achava que
ela tinha um caso com Harry. Conseguiu rir com gosto.
-Acho que o homem precisa de uma
lição. E se o que estou planejando der certo, terei resolvido dois problemas de
uma vez só.
Dormiu com um sorriso satisfeito
nos lábios.
#
Snape chegara ás masmorras às
cegas. Sabia que Theo não estava com Potter como
acusara. Mas mesmo assim o ciúme louco o fez cometer o desatino. Mas fazia
tempo que não a via brilhando daquele jeito. E Potter...
Potter também tinha a chama.
“Deveria ter desconfiado. Por
que não teria? Se... ela tinha? Por que seu filho...”
Não pensava em Lílian Evan há tanto tempo! E é claro que o Lord
sabia! Sabia das chamas. Por isso escolheu Potter a Longbottom! Ele sabia sobre o poder das chamas. E se Lílian
tinha, Harry Potter também
teria! Mas nunca tinha se manifestado.
“Poderia ter Theo provocado essa
descoberta?”
Então o Lord
não os pouparia! Mas ao mesmo tempo, os dois eram muito poderosos juntos.
“E Dumbledore?
Será que sabia disso? Hunf! O que Dumbledore
não sabia?”
-O que faço agora? - já não agüentava mais essa pergunta. –
Maldição!! Mil vezes maldição!! – gritou em seu quarto, protegido pelo feitiço
do silêncio.
#
A rotina tornou a se abater
sobre a escola. Eles não se falavam e Harry Potter continuava se esforçando cada vez mais nas aulas.
Parecia ter assumido o fardo que lhe fora depositado antes mesmo de nascer.
Não fora jantar aquela noite.
Tinha provas pra corrigir. Preparou um lanche nas masmorras. Estava indo para
lá quando cruzou com ela pelos corredores. Não desviou o olhar pela primeira
vez. Desde o episódio do quarto. Ela também não desviou. O calor estava vivo
outra vez. E queimava suas entranhas e seu coração. Estavam um diante do outro.
Ninguém falava nada. Ninguém se mexia.
Quando em fim resolveu que ia
falar, sentiu a marca arder. Dessa vez intensamente. Não pôde dissimular a dor.
Levou a mão à marca. Ela percebeu o que estava acontecendo. O coração
enterneceu.
“A dor piorou. Ele está
chamando. Não dá pra ignorar.” – pensou.
-Com licença, Profa. Theo. Tenho
que ir. – disse com dificuldades.
-Posso ajudar? – ofereceu antes
que pudesse evitar.
-Não. – rude. – É problema meu!
– grosso.
E foi em direção à saída.
-Pretensioso! Orgulhoso! – sem
rancor. – Ele pensa que eu não sei? Que se dane! – falou baixinho, mesmo
sabendo que se preocupava com ele.
Snape saiu do castelo entrou na
floresta proibida e de lá desaparatou e aparatou numa
casa velha, abandonada.
-Severus,
meu caro! Assim que eu gosto! Resposta imediata.
Ali estava a criatura semi-humanna que se dizia Voldemort.
Rabicho estava sentado a seu lado, com o olhar assustado. Procurou e não viu
mais ninguém.
-Pois não Milord.
O que deseja deste seu servo? – reverenciou.
-O de sempre, meu caro.
Informação. Afinal, você está naquela escola para isso! Manter-me informado!
Estou sabendo sobre uma novas professora que tem ajudado muito os alunos.
Principalmente com proteção contra as maldições imperdoáveis! – desgostoso. –
Quem é essa mulher Severus?
-Uma nova professora apenas,
mestre. Não creio que seja perigosa. – soou firme.
-Não foi o que perguntei, Severus! Quero saber quem ela é! E não tente me enganar!
Pois posso perguntar a qualquer um que tenha filhos estudando lá. Com Lúcius. Você sabe! Mas prefiro lhe dar esse crédito. Como
professor da espelunca, deve saber mais que os alunos!
-É uma jovem e inexperiente
professora, tentando agradar o diretor. Não se preocupe Milord.
-Bem se é o que diz! Mas fique
de olho nela. Não a quero perto de Harry Potter! Tenho outras coisas pra fazer! Agora vá!
#
Snape voltou. Percebeu que não
poderia protegê-la pra sempre. Acelerou em direção aos aposentos de Dumbledore.
-Goma de caramelo. – disse a
senha.
As gárgulas se mexeram e ele
pôde subir.
-Alvo! Preciso falar com você!
Alvo... – mas ao entrar viu que ele não
estava só. Ela estava lá.
“Sempre ela!!”
-Acalme-se, Severus.
E diga-me o que o aflige?
-Gostaria de falar em
particular. – olhando Theo com olhar duro.
-Acho que o assunto que o trouxe
é de interesse as Sra. Mort, não é Severus?
Ele olhou incrédulo.
“O diretor estaria louco?
Estaria mesmo dizendo para falar dos assuntos da Ordem diante de uma estranha?”
-Alvo... – pediu mais uma vez.
Mas Dumbledore
apenas o fitou com seu olhar calmo.
-Estávamos falando exatamente
sobre você, Prof. Snape! – espanto. – Sobre o fato de que talvez você tenha
algo a contar sobre meu acidente e sobre Voldemort. –
saboreou o nome.
Ela teve vontade de fotografar a
expressão indignada dele. Dumbledore riu. Mas logo
ficou sério.
-Severus.
Sente-se. Peço que se acalme. Theo esteve me contando sobre certos lampejos de
memória. E que inclusive acabou de presenciar uma atitude um tanto “suspeita”.
Foi essa a palavra que usou querida? – ela assentiu. – E como não se passou
muito tempo. Creio que veio de lá.
Agora que a porteira estava
escancarada, deixaria todos os bois passarem.
-Bem, - a contra gosto. – se é
pra falar! Ele me chamou. Queria saber sobre você, Professora. – e olhou pra
Theo. – Está muito interessado nos métodos que tem usado. – soou como acusação.
– Mas acho que consegui desviar sua atenção. Mas não por muito tempo.
-E o que sugere que eu faça?
Pare com as aulas? Ou que passe a dar aulas de “Como ser obediente, quando o malzão do tio Voldie resolve
comer as criancinhas em paz!” – exasperou.
A despeito da indignação dela e
até mesmo por isso. Snape não conseguiu segurar uma gargalhada sonora. Aos
poucos ela e Dumbledore também riam. Quando estavam
mais calmos O diretor retomou a palavra.
-Theo, querida, acho que
precisávamos disso. Agora Severus, acho que você tem
o direito de contar pra ela, o que aconteceu. Antes que outro o faça.
Ele entendeu. Lucius.
-E por isso, vou ceder esta
sala. – e se retirou tão rápido que se não soubesse que não era possível,
pensaria que ele tivesse desaparatado.
Snape de repente sentia-se um
destroço, vindo de uma batalha violenta. Largou-se em uma cadeira. Não a olhou.
Lutava para não transparecer o medo. Sem sucesso. Ela estava fascinada.
Aguardou.
-Há 15 anos atrás. O lord das Trevas, foi destruído por um feitiço que lançou em
um garotinho de 1 ano idade idade. Mas não morreu. Ele está a cima dessas
coisas. Mas perdeu seu corpo. Quase toda sua força. Apenas conseguiria habitar
um lugar. O fogo. E temporariamente poderia tomar o corpo de outra pessoa que
se oferecesse voluntariamente. Mas seu ódio não perdera em nada. Ao contrário.
Tinha sede de dor e destruição. E tinha seus fiéis servos.
Parou. Suspirou. Continuou sem
olhar pra ela.
-Ele soube que havia uma chance
de retornar. Queria ser mais poderoso que aquele que o destruiu. E através de
uma profecia, descobriu que existiria uma mulher. – endureceu a expressão. –
que geraria uma criança que teria o poder. Ele queria habitar essa criança. Se
o fizesse no momento da concepção, teria mais chance de o ser permitir. E então
seria o Senhor das Trevas a crescer na criança.
Theo ouvia como se fosse uma
história muito fantasiosa, para ser verdade.
-Mas essa... mulher, não era
qualquer uma. Tinha uma descrição dela. Olhos, cabelos, boca, idade, tudo! –
olhou pra ela nesse momento assustando-a. – Mas apesar disso. Não tinha um
nome. E muitas mulheres foram sacrificadas na intenção de encontrar a certa.
Todas morreram. Pois apenas a escolhida suportaria o fogo. E albergaria esse
mesmo fogo em seu próprio ventre sem sofrer com isso.
-Você é essa mulher! Theo Mort! – parecia acusa-la. - Era você que ela procurava. E
ele a encontrou!
-Mas... como? – sem compreender.
-Como o quê? Como eu sei? Como
ele a encontrou? – riu sem qualquer traço de alegria. – Sei porque estava lá.
Eu era um de seus servos. Um de seus fieis seguidores! Um comensal da morte!
Ela estava horrorizada.
-Como ele descobriu você? Mais
uma vez deve agradecer a mim!!!
-Você?
-Mas aconteceu uma coisa que eu
não previa. – ignorou-a.
Ia falar tudo agora.
Levantou-se. Ficou que castas pra ela.
Vendo pela janela as folhas da floresta balançando.
-Eu me apaixonei pela escolhida.
E tentei impedir que ele a achasse. Mas outro comensal, Lucius
Malfoy a achou e contou ao nosso mestre. E acabou
armando uma armadilha na qual ela caiu. – riu com tristeza.
-Ele tentou realizar o ritual.
Mas, - resolveu que não iria entregar Calius. – um
outro comensal tentou impedir e quase morreu. Ela se enfureceu e lutou com ele.
Fogo contra fogo. E ela venceu. Mas alguns minutos depois, parecia estar morta.
E no meu desespero, acreditei. – desistiu de olhar pra fora. E virou-se para
ela. – Você sobreviveu! Só Deus sabe como! E agora, temo que ele descubra quem
você é. E que ... sua filha também está aqui.
-Loy?
Mas o que tem a ver com isso tudo? – ele apenas a olhou. – Não! Não pode ser! –
se desesperou.
-Theo. – ele se aproximou dela.
A abraçou tentando tranqüiliza-la. – Theo, se acalme. – ela se deixou abraçar.
– Não vou deixar que nada aconteça a vocês! Ou a ela! Nada! Eu lha garanto.
Ela estremeceu com a força e a
determinação dele. Até parecia que ele era...
-Snape!
Os flashs
dos dois juntos fazendo amor voltaram. Ele percebeu a mudança. E que ela devia
estar tendo alguma recordação. Theo olhou tensa. Saiu dos braços dele. Via Calius sendo torturado a seus pés. Quase morto. Snape
tomando-a nos braços enquanto lhe falava sobre um filho. Estremeceu outra vez.
-Severus!
Qual o nome do comensal que tentou me ajudar, e quase morreu? – perguntou
febril.
Ela sabia a resposta. Desviou o
olhar.
-Qual o nome do comensal? –
repetiu mais alto.
Nada.
-Qual o nome dele? – insistiu.
Snape desistiu. Ela já sabia a
resposta. Tinha certeza. Mas se queria ouvir assim mesmo. Faria seu jogo.
-Calius
Mort! – falou mais forte que gostaria.
Ela se dignou a parecer
surpresa. Ficou olhando-o com aqueles olhos tão azuis. Ambos ofegavam.
-Você é o pai dela? – perguntou
devagar.
-Sou. – ele estava exausto.
Não saiu do lugar. Não a olhou.
Uma lágrima rolou. Antes que ela percebesse.
Theo se virou e saiu de lá. Não
agüentava mais.
“Tudo mentira! Toda a vida dela
era uma mentira! Calius por que fez isso?”
Nunca soube como, mas chegou a
seu quarto. Pensando furiosamente sobre as revelações e as novas lembranças.
Tentava dar ordem e seqüência. E acabou adormecendo na exaustão.
#
Acordou assustada. No meio da noite.
E se lembrou. De tudo. Todas as lacunas. Seus pais, Calius,
Severus. Tudo. Decidiu seguir o impulso que a
comandava naquele momento. E logo estava novamente diante daquela porta. Bateu.
Sem respostas. Bateu outra vez.
Snape abriu. Usava a mesma roupa
de antes. Parecia que não dormira até então. Estranhou que ela estivesse ali.
Parecia tão serena! Tão linda! Como da primeira vez que a viu. Quase uma
menina. Ela sorriu doce. O coração doeu. Afastou-se da porta a ela entrou.
Fechou. Olhava-a esperando uma explicação.
“Por quê?”
Ela riu.
-Porque eu te conheço. – pegou
na mão dele. – Vem comigo! – chamou como da primeira vez.
E a dor soltou seu coração e ele
disparou desgovernado. Ela chegou mais perto e finalmente a beijou. Com
loucura, com paixão. Com desespero. Ela correspondia. Não havia mudado. Estavam
de volta ao povoado distante. Na casa dela. Na cama dela. Com todos os sentidos
estimulados. E quando ela brilhou, pensou que se fosse morrer de tanta paixão.
Mas sobreviveu, para vê-la brilhar mais vezes naquela mesma noite.
#
No dia seguinte.
-Theo. – sussurrou. – Já
perdemos o café. Não acha que devemos fazer alguma refeição? – brincou.
-Outra? – marota.
E o envolveu com as pernas.
-O que aconteceu com você? – de
repente sério.
Ela chegou mais perto.
-Ontem, após nossa conversa, eu
estava atordoada. Sabia que tudo era verdade. Mas não entendia e nem queria
acreditar. Mas após quase bater com a cabeça na parede, adormeci. E quando
acordei , havia me lembrado da tudo. Tudo mesmo! Desde minha primeira infância.
– sorria. – Entendo o que foi que Calius fez. Ele
realmente me amava. E eu o amava de certa forma. Mas como amigo e companheiro.
Entendi que ele se arrependeu de ter feito o que fez. Se não fosse por ele,
talvez nós não estivéssemos aqui.
-Como assim? – estranhou. – Ele
escondeu você esse tempo todo! – indignação crescendo.
-Severus.
– estendeu um dedo calando-o. - Ele realmente se arrependeu. As feridas que Voldemort lhe causou nunca cicatrizaram totalmente. E
quando morreu, me fez jurar que traria Loy pra Hogwarts. Ele certamente sabia que você estava aqui. Ele
quis que nos encontrássemos.
Snape resistia.
-Severus!
Ele foi um marido carinhoso. Mas sabia que havia em mim algo que nunca poderia
atingir. Tinha um vazio que ultrapassava a falta de memória. Era a falta de uma
pessoa que ele não poderia ser. Então tentava ser melhor pai e marido
possíveis. Quando ele pediu que Loy viesse, estava no
mínimo lhe dando a oportunidade de ter sua filha! Já que ele não estaria mais
lá. Tratou de levá-la a seu pai biológico.
-Não existe justificativa, para
isso Theo. Não tente! – menos ríspido que intencionava.
Ela sorriu. Beijou-o na boca
antes que falasse mais.
#
Já estavam atrasados para o
almoço daquele sábado quando chegaram ao salão principal.
Loy olhava a mãe com freqüência. Theo estranhava isso. Pensou
em como conversar com a menina.
-Está com uma ótima aparência
Profa. Theo. – iniciou Hagrid.
-Oh! Hagrid,
obrigada! – sorriu olhando de esguelha pra Snape.
-Sua Loy
é uma preciosidade. Ainda não dou aulas para ela, mas escuto os outros
professores falarem. Ela é mesmo especial.
-Hagrid!
Elogiar minha filha é o mesmo que me elogiar! Novamente obrigada. Aliás, já
acabei e preciso ir ter com ela. Com licença.
A pequena também acabara e se
levantou quando viu a mãe sair da mesa dos professores. Andaram lado a lado.
Foram em direção ao lago. Sentaram-se.
-Você está linda mãe!
-Ora, Loy.
Deixa de ser boba! – brincou. Puxando a menina pra um abraço.
Loy desistiu. Sabia que algo mudara nela. Mas resolveu tratar
de outro assunto.
-Harry
Potter me procurou ontem. Disse que você o tem
ajudado.
-É, querida. Ele ainda está
muito triste por causa do padrinho. E tem tido dificuldades em se concentrar. Voldemort o atrapalha.
-Eu sei. – disse simplesmente.
Theo se orgulhava muito da
filha. Parecia às vezes, que era a mais madura das duas.
-Parece que ele tem a chama
verde. – comentou.
-Você reparou Loy? – intrigada.
-Claro! – como se fosse óbvio. –
Mas ainda não sabe usá-la. - ficou com expressão de quem se esforça pra
decidir. – Foi por isso que o mandou me procurar? Pra ajudá-lo com a chama?
-Foi estrelinha! Acho que você
pode fazer isso melhor que eu.
-Tudo bem! Verei o que posso
fazer. – séria
Mas logo olhou pra mãe. Ela
estava linda mesmo. Mas era uma beleza que vinha de dentro. Como se o vazio não
estivesse mais lá.
“Será...?”
#
Voltando para seu salão comunal,
Loy viu alguns sonserinos
conversando.
-Hey, Mort! Está ficando amiguinha dos grifinórios
nojentos? – um loiro a chamou.
Ela olhou com seriedade sem se
abalar.
-Talvez! Por quê? Quer entrar
para o grupo Malfoy? – sorria calma.
O loiro não estava acostumado a
amabilidades, hesitou por apenas um segundo.
-Mort!
Isso só se for para acabar com eles de uma vez por todas! Precisa de ajuda? –
irônico.
-Na verdade não. – Sorriu meiga.
– Obrigada! Poderia fazer isso sozinha. Se quisesse! – e saiu.
Draco ficou desconcentrado.
“Que garota estranha!”
#
Já sabia o caminho para a torre
da Grifinória, mas naquele dia marcara com Harry na sala precisa. Adiantou-se. Ele já estava lá.
Parecia inquieto. Ele era alto e forte devido o quadribol.
Mas naquele momento parecia um menino magricela e desengonçado. Loy riu escondida. Um lado cruel dela gostava de vê-lo
naquele estado.
-Oi Harry.
-O... oi Loy.
– sorriu desajeitado. – Que bom que
veio. – ele não olhava diretamente pra ela.
-Sente-se Harry.
Vamos recomeçar. – apontou uma almofada diante da outra no chão.
Ele foi.
-Agora nós vamos respirar
juntos. Me dê suas mãos. - e ficaram de mãos dadas. – Agora quero que você olhe
pra mim, nos meus olhos.
Ele olhou. Corou um pouco.
Continuou respirando.
-Agora vou levar você para outro
lugar. Vamos fazer diferente desta vez. Eu te levo.
“Veja Harry,
está vendo a grama verde? É dia, está claro. Você vê o sol?”
“Vejo.”
“Quer correr um pouco comigo?
Por essa grama verde?”
“Quero.”
E foram. Para Harry mais parecia que deslizavam. E estava ao lado daquela
menina linda. Nunca sentira tanta paz.
“Agora quero que me deixe levar
pra casa!”
E fora, de mãos dadas. Ela na
frente o conduzindo. Entraram numa casinha pequenina do campo. Mas quando as
portas se fecharam, ficou tudo escuro. Harry sentiu
medo. Mas a menina continuava segurando sua mão.
“Estou aqui com você Harry.”
Ele relaxou.
“Está ouvindo o barulho?”
Ele ouviu. Pareciam batidas
cardíacas.
“Eu conheço! É o coração de
minha mãe!”
“Você tem olhos lindos Harry, iguais aos dela.”
Sentiu-se orgulhoso.
“Pode acender a luz quando
quiser. É só querer.”
Ele não entendeu. Não tinha
varinha.
“Pode acender, Harry.”
A voz dela era tão doce. Queria
vê-la. Então dois pontos azuis muito claros se acenderam. Sabia que era ela.
“Pode acender Harry.” - ela repetia.
Ele se concentrou. Queria luz.
Pra vê-la melhor. E então se sentiu iluminar. Via tudo mais claro. Mais...
verde. Percebeu que a luz vinha dele. De seus olhos. A viu. E ouvindo as
batidas do coração de sua mãe, que se confundiam com as do dele, se aproximou
de Loy. Podia vê-la na penumbra. E tocou seus lábios
nos dela. Bem leve. Quando retrocedeu ela sorria daquele jeito doce.
Quando piscou, estava diante
dela, na sala precisa. Seus olhos ainda brilhavam. Chamas azuis. Os dele
também. Chamas verdes. Queria beija-la novamente. E sentir aquele revoar de
asas que passava na barriga para o peito e vice-versa. Soltou uma das mãos,
tocou-lhe o rosto. Puxando-a pela nuca. E a beijou mais profundamente agora.
Pra não deixar dúvidas. Ela correspondeu.
Quando se separaram, Harry corava violentamente. Loy
sorria, sem disfarçar seu próprio rubor.
-Acho que você está ficando bom
nisso! – suspirou. – Em lidar com a chama. – desviou os olhos.
-Acho que Voldemrot
não pode mais invadir seu lugar seguro.
-Acho que não. – sorriu maroto
agora.
“Ela estaria lá.”
-Estarei só se você quiser, Harry. – séria agora. – Mas é importante que você possa
lidar com isso sozinho também. Você tem a força para tanto.
Ele não se acostumara ainda com
a menina lendo seus pensamentos de vez em quando. Entendeu o que ela disse.
-Acho que é hora de irmos. Daqui
a pouco não precisará mais de minha ajuda com a chama. E com o lugar seguro.
-Tem jogo de quadribol
amanhã. Você vai? – não podia pensar nisso.
-Claro! – sorriu. – Grifinória x Sonserina! Eu não
perderia por nada! – riu divertida.
Ele se sentiu idiota.
“Claro que ele iria, era uma sonserina!”
-Mas vou torcer por você! Está
bem? – surpreendendo-o.
Na hora de sair da sala. Quis
beijá-la outra vez. Ela já estava saindo. Virou-se voltou até o meio da sala.
-Até logo Harry
Potter! – e deu um estalinho
na boca do menino-que-sobreviveu. E saiu rápido.
-Ela é fantástica! Nem parece
ter 12 anos! Eu mesmo me sinto com 12 anos diante de um garota de 16.
#
Loy estava muito feliz com o progresso de Harry
Potter. E com o relacionamento que estavam começando.
Não sabia quanto tempo iria durar, mas sabia que não seria fácil. Grifirória x Sonserina. Parecia
até piada. Mas teria que pensar nisso outra hora. A aula de poções não era o
melhor lugar. Ainda mais com o professor olhando-a insistentemente. Fez com
esmero tudo o que foi solicitado. Teriam que conversar. Ela sabia disso. O que
suspeitara há alguns dias se confirmara. A razão da felicidade de sua mãe
estava ali.
Ao fim da aula foi até o
professor.
-Você está diferente também! –
disse ao se aproximar.
-Como assim, Loy?
– reservado.
-Vocês estão felizes. – falou
direta.
-O que quer dizer com isso?
Vocês quem?
-Você e minha mãe. Demorou pra
acontecer.
Ele estava desconcertado.
“Theo teria conversado com ela?”
-Não. Não foi ela. – e ficou com
os olhos pálidos por um momento.
“Pronto! Duas lendo meus
pensamentos.!”
-Como assim, Loy?
Não estou entendendo o que quer dizer?
-Sei quem você é! – suspirou.
Ele não tinha certeza de sobre o
que estavam falando.
-Antes de morrer, meu pai... Calius. Me contou algumas coisas. Me falou sobre o grande
amor da minha mãe. Sobre certo professor de poções. E que sempre me amou como
se eu fosse sua filha verdadeira. – direta.
Snape quase caiu da cadeira pelo
choque.
“Calius
contara tudo?”
-Loy...
-O que ele não contou, eu já
sabia. – triste. – Doeu. Eu o amava muito! – uma lágrima atrevida escorreu. –
Não queria que morresse, mas ele me garantiu que me amou desde o momento em que
soube de minha existência. Que eu não era uma criança comum. E que quando o mal
retornasse, era para procurar por alguém. Por você. – olhou direto para Snape.
– Meu verdadeiro pai.
-Eu... eu... Loy.
Eu não sabia. – ele gaguejava e, agonia. – Eu pensei que vocês tivessem
morrido. Só soube a verdade quando o ano se iniciou e sua mãe chegou. Se ao
menos eu soubesse... se ao menos eu suspeitasse...
-Está tudo bem! – forçou um
sorriso. – Eu sei. Já disse. Ele me contou tudo. Querendo ou não. Mas não sabia
o que minha mãe acharia, ela não se lembrava de nada. Mas Quando a vi outro
dia, percebi uma felicidade que nunca esteve lá. E agora em você. Um pouco da
dor foi embora. E eu resolvi que já era hora de a gente se apresentar.
Ele estava espantado com a
maturidade da menina.
-Loy Mort. – estendeu a mão para um comprimento. – Filha de Theodora Vant e Severus Snape. Criada por Calius Mrot.
Snape não agüentou e foi com
tudo. Abraçou a pequena com força. Queria chorar, gritar, cantar. Então riu.
Gargalhou rodopiando com ela nos braços.
-Minha filha! – ria. – Minha
filha!
Ela também ria. Com seus bracinhos no pescoço dele.
-Posso te chamar assim? –
perguntou de repente, receoso.
-Claro! Mas quero que saiba que
sempre terei Calius como pai também! Ele realmente
esteve presente. Apesar de tudo. –
séria.
-Tudo bem. Eu reconheço que Calius tenha sido pai e marido de exemplo. Apenas quero a
chance de tentar ser um também.
Se abraçaram de novo.
-Sem problemas.
Ele parou.
-Loy.
- sorriu. – Filha! Você acha que sua mãe se casaria comigo?
-Só ela pode responder. – falou
marota.
#
Ele estava nervoso. Sabia que
ela o amava. Deus lá sabia porque, mas amava. Mas ainda assim temia a resposta
dela. Desistiu de lutar contra tudo. Ia protegê-las mais as tendo sob suas
vistas. Tinha incondicional apoio de Dumbledore.
A última aula do dia demorou uma
eternidade. Falou o mínimo possível durante as aulas. Nenhum de seus alunos
tinham o visto tão calado. Quase não tirou pontos de ninguém.
Foi até a sala dela. Estava
guardando os trabalhos dos alunos quando ele chegou feito um furacão,
assustando-a.
-Severus!
Aconteceu alguma coisa? – preocupada.
-Não! Quer dizer, sim! Não há
nada de errado, mas...
-Severus,
está me assustando. O que houve? É com Loy?
-Não! Não me perdoe... – abraçou-a.
Ele era um redemoinho de
sensações. Não dava pra descobrir o que estava sentindo ou pensando.
-Eu só gostaria de perguntar uma
coisa! – sério.
E a olhou nos olhos
-Sim? – perguntou.
Mas ao olhar nos olhos dele,
arregalou os seus. Aguardou ansiosa.
Ele viu que ela soube. Mas que
não facilitaria as coisas. Teria que perguntar! Suspirou.
-Theodora
Mort, quer se casar comigo? – muito sério.
Ela fez uma careta e gemeu.
-Peça direito! – braba.
Ele ficou confuso, sem saber o
que fazer. Ajoelhou-se e do chão falou outra vez.
-Theodora
Mort...
-Não! Não é isso! – e se ajoelhou
na frente dele, com voz fingindo ofensa.
Ele entendeu. Riu. Tentou ficar
sério.
-Theo. – ele deu um sorriso
largo. – Quer se casar comigo?
Ela se jogou no pescoço dele e
sentada sobre ele dava vários beijos nos lábios.
-Sim! Sim! Sim! – ria.
Ele a segurou pelo quadril
puxando-a mais pra baixo.
-Acho que temos aqui, várias
carteiras e uma mesa. Sem contar com uma casa me casal em cada quarto. Ainda
quer continuar com isso no chão mesmo? – malicioso.
Ela ria.
-Qualquer lugar, Severus! Com você, qualquer lugar.
#
E a notícia sobre o casamento
dos professores se espalhou. E após o casamento todos também ficaram sabendo
que Loy era filha dele. Não se sabia qual notícia
causava maior choque.
#
Ao final da aula, Snape estava
furioso. Tirou tantos pontos de Potter que talvez a
casa ficasse em último lugar na competição das casas. Mas mesmo assim, não
estava satisfeito.
-Potter!
Fique! Quero falar com você! – furioso.
O adolescente sabia que mais
cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Desde que soube do casamento esperava
por isso.
-Potter!
O que pensa que está fazendo com minha filha? – olhos vermelhos.
-Não penso! Estou fazendo! –
enfrentou. – Estamos namorando!
-Insolente! Por acaso sabe que
ela tem só 12 anos? E que você tem 16? Ela é só uma criança! – controlando-se
para não matar o desajustado.
-Sei qual é minha idade, e a de Loy. E sinceramente, no mínimo me precipitei. Mas ela é
mais madura que todas as meninas da minha casa. E não é nenhuma criança! –
firme.
Quase não viu o que aconteceu.
Segurava o outro pelo colarinho contra a parede.
-O que fez com ela? – gritava.
-Nada de mais, pai. – a vozinha meiga, mas segura, surgiu em meio àquela provável
luta física.
-Loy,
fique fora disso. Essa é uma conversa de homem pra homem. – entre os dentes.
-Pai. - se aproximou e tirou as
mãos dele de Harry. – Gosto dele. – não sorria agora. – Não se preocupe. Não
apressaremos as coisas. Gostaria que entendesse que nada poderia nos separar. É
nosso destino.
Harry estava impressionado com suas palavras e o modo como ela
controlava Snape. Ele sentia o mesmo por ela. Mas nunca tinha colocado em
palavras. Mas era o que sentia. Era o destino deles.
Snape olhava sem entender. Ou
sem querer entender.
-Estou de olho em você Potter! – dedo em riste.
E saiu fazendo a capa ventar
alto.
#
Chegara mais um fim de semana em
Hogsmead. Harry queria ir
com Loy, mas só os alunos a partir do terceiro ano
poderiam ir. Então não demorou a combinar com a menina de irem com a capa de
invisibilidade. Para todos os efeitos, estariam na biblioteca.
Encontraram-se no corredor do
quarto andar, próximo à bruxa de um olho só. Sorriram confiantes. Entraram de
baixo da capa. Era divertido ficar escondido. Harry
fez isso em seu terceiro ano, quando pregou uma peça em Malfoy.
Mas ele acabara descobrindo.
Depois de algum tempo, acabaram
saindo da proteção da capa, para comprar doces na loja Dedos de Mel. Mas quando
estavam saboreando as delícias gasosas, um murmúrio chamou a atenção dos dois.
-Mas o que...
Não terminou a frase. Um raio
amarelo passou por ele indo atingiu Loy em cheio. Que
caiu desacordada ao lado de Harry.
-Loy!
Sacudiu a menina. Pegou sua
varinha e olhava em volta querendo achar o atacante. E foi quando viu algumas
pessoas encapuzadas que entendeu. Comensais da Morte.
-Encarcerous!
– gritou uma voz feminina.
-Protego!
– falou tarde de mais.
Ele estava com as mãos e os pés
amarrados, sem poder se defender. Sua varinha foi levada pela comensal que pôde
reconhecer agora com sendo Belatriz Lestrange.
-Acalme-se menino! Ou pode se
machucar. O mestre quer os dois vivos! – sorriu cruel. – Por enquanto.
-Deixe-a ir! Leve-me, mas
deixe-a.
-Que romântico! – debochou. –
Mas tenho ordens à cumprir. Sinto muito! – fingiu pena.
“Como poderia se livrar de quatro
comensais sem varinha! Não havia qualquer outra pessoa que pudesse ver a cena e
pedir ajuda. Tinha que pensar em algo. Pela segurança dos dois.”
Lembrou-se que uma vez Loy dissera que sua mãe fazia com ela uma brincadeira, que
era pra tentarem adivinhar a outra estava pensando. Então só restava tentar
pensar na professora e torcer pra que ela entendesse o recado.
“Ela vai me matar! Eu sei! Mas
tenho que tentar!”
E se concentrou com toda força
que tinha. Pedindo sua ajuda. Já passavam alguns minutos e a cicatriz latejava.
Teve medo de não conseguir. Estava ficando cansado. Tentou se concentrar no
lugar seguro, mas a preocupação com Loy não permitia
que se desligasse completamente da realidade e acabou perdendo os sentidos, de
pura exaustão e dor.
#
Theo estava com Snape nas
masmorras ajudando-o em uma nova poção, quando sentiu um aperto no peito.
Deixou cair o frasco com o liquido que acrescentava à mistura.
-Theo?! O que houve? – percebeu
que ela empalidecia bastante.
-Loy!
Algo com Loy! Mas ela deveria estar com Harry! Não compreendo!
-Maldito Potter!
O que está acontecendo Theo?
-Ela... ela... não está
bem! - olhou para Snape que já tinha
jogado a cadeira para trás. – E o Harry também não!
-Maldito Potter!!!
-Preciso da Poção para ver além!
– foi apressada pra seu armário que já ficava lá mesmo desde que se casaram.
-Espere, Theo! Essa não foi a
poção que usou comigo? – ela assentiu. – Não pode! Se der errado vou perder
você e se der certo posso perder você! Tem que haver outro meio!
-Severus!
Não há tempo! Algo aconteceu. Não consigo me comunicar com Loy!
Sempre fizemos isso! Brincávamos de “telepatia”. Mas ela não está bem! Não
consigo contato. Não posso deixar que algo de mal aconteça a minha filha! – se
desvencilhando dele.
Ele percebeu a gravidade.
-Então eu bebo! – a segurou
novamente.
-Não! Você não sabe como é!
-Você também não sabia quando
usou a primeira vez! Eu bebo! Está decidido! Ela também é minha filha! – firme.
Theo assentiu contrariada. Pegou
o frasco com o liquido prata, colocou no copo o suficiente.
-Beba devagar. Sente-se aqui.
Vai sentir fraqueza a tontura. Mas é só se concentrar e chamar o nome da pessoa
que quer ver.
Snape seguiu as orientações
rigorosamente. Bebeu. Tudo rodou. Parecia que a visão estava fora de foco.
Piscou várias vezes.
-Loy.
E como uma câmera de filme que
se aproxima muito rapidamente, ele viu o rosto da menina. Pálido, mas vivo.
Desacordado. Olhou para os lados. Potter estava lá,
amordaçado lutando furiosamente para se soltar. Chamava a menina. Olhou mais em
volta. Viu Belatriz, Lucius,
Crabbe, Goyle, Macnair. Pareciam satisfeitos. Estavam numa casa escura e
em estado de péssima conservação. Reconheceu a Casa dos Gritos quase um segundo
depois. Voltou.
-Eles estão na Casa dos Gritos.
Os comensais os pegaram. – piscou tonto. – Tenho que ir lá agora! – se levantou
molemente.
-Sim! Nós temos que ir! - corrigiu. – Não tem antídoto ainda. A
tontura vai passar em alguns minutos. Vamos embora!
E foram até a sala de Dumbledore. Que alertou os outros membros da Ordem da
Fênix. Chegariam assim que fosse possível.
Foram à Floresta Proibida de
onde desparataram, para aparatarem na Casa dos
Gritos. Chegariam mais rápido assim, que indo pelo salgueiro lutador. Snape
ainda sentia certa tontura. Mas o ódio dentro dele o conservava de pé. Quando
conseguiram entrar, viram os comensais discutindo sobre o que fazer até que o
mestre chegasse. Olhou para Theo. Ela foi até Loy e
ele até Potter.
-Finite
incantatem! -
ambos murmuraram
Enquanto Harry
se soltava, Loy acordava. Abraçou a mãe com força. E
olhou confiante pra ela.
-Chegou a hora mãe!
-Ora! Vejam! Uma reunião de
velhos conhecidos! – a voz grutal se fez ouvir. – Severus. Você foi um menino mal, me escondendo nossa
preciosidade por tanto tempo!
E a criatura com mais cara de
cobra que de homem se virou pra Theo.
-Querida! Nos encontramos
novamente! Mas desta vez vou destruir você! – calmamente.
Snape estava do outro lado da
sala e tentou se aproximar de Theo. Mas ainda estava tonto e tropeçou em uma
tábua solta.
-Trocando as pernas Severus? Que coisa hein! Estar do
lado errado pode causar essas coisas! – riu Lucius.
Harry olhava sua varinha no Bolso dele, impotente.
-Está na hora da festa! Severus... para você: Cruccio!
E ele que tentava se levantar caiu
se contorcendo. Sentia todos os ossos como se estivessem se partindo em mil
pedaços. As entranhas como se rasgassem, a cabeça parecia que explodiria. Mil
agulhas pareciam entrar em todo seu corpo.
Quando acabou, Voldemrot sorriu.
-Theodora!
Para você temos uma coisa que vai gostar: Ilusionare!
E ela se assustou. Tinha visões
de todos os medos, Calius diante dela dizendo que
tinha protegido tanto ela e sua filha, pra acabarem dessa maneira! Via a menina
agonizando e perguntando “por que”.
-Não! – gritou apavorada.
-Shhh!
– fez Loy.
Pegou na mão dela.
-Está tudo bem mãe!
Theo abriu os olhos sem saber
que visão era a verdadeira.
-Estou aqui! – e abraçou amenina
com os olhos lavados em lágrima.
-Ah! Acabou a diversão?! – Belatriz resmungou.
-Não Bela! Potter!
Sua vez! Cruccio!
E quando a dor começou, Harry lembrou que deveria ir até o lugar seguro. Era
difícil, mas começou a ouvir as batidas do coração da mãe. E sentiu segurar as
mãos de Loy. A dor se foi. Ele parou de se contorcer.
Levantou-se diante de pessoas espantadas.
-Não pode me atingir! – falou Harry, com sorriso diabólico.
Loy ria satisfeita.
-Você! – virou-se pra ela. –
Você já era!
E no momento em que apontava a
varinha pra ela, Theo brilhou, os olhos em chamas.
-Não mexa com a minha filha! –
gritou.
E loy
olhou pra Harry, se aproximou dele e ela dela. Ambos
também tinham chamas nos olhos. Loy com a chama azul
mais forte que da mãe. Harry, com a chama verde.
-As chamas! – murmurou Lucius assustado. – Separe-os! - gritou.
E quando deram as mãos as chamas
se uniram e ficou dourada. Foi diretamente para Voldemort,
que gritava agonizante. Enquanto isso Snape e Theo fizeram feitiços que
impediram os comensais de fugir. Iriam definitivamente para Azakabam.
E Voldemort jazia carbonizado, quando Harry e Loy o deixaram. Estavam
ofegantes e suados. Se abraçaram fortemente e riram.
-Acabou!
E Loy
olhou pra mãe que se ocupava em devolver a varinha de Harry.
-Mãe! Acabou! – ria.
Todos se abraçaram.
-Obrigado! Potter!
Por salvar minha filha!
Harry se espantou com a sinceridade do Professor.
-Eu disse Prof. Snape. Gosto de
sua filha. E faria qualquer coisa por ela! – sorriu ruborizando um pouco.
E ela puxou Harry
dando um beijo apaixonado. Snape quase se arrependeu de ter agradecido o “homem”
que tinha sua filha nos braços.
-Vem cá, rabugento! – e Theo
puxou divertida o marido, para um beijo tão apaixonado quanto o da filha.
E agora era só esperar que os
membros da Ordem chegassem e pudessem voltar. Para viverem uma vida mais
normal. Com muito amor e muita magia.
FIM