Nome da Fic: Lembranças de um sonho.
Autora: Sheyla Snape
Pares: Severus/Lílian , Severus/Bella
Censura: R – cena de sexo no final da fic.
Gênero: Drama, Romance.
Spoilers: Será q alguém ainda não leu os livros? Mas... A fic tem como base
inicial à cena que Harry vê na penseira do Snape durante as aulas de oclumêcia,
HP e a Ordem da Fênix.
Resumo: Numa noite de insônia Severus relembra que quase foi feliz. Uma garota,
um coração partido, um inimigo satisfeito e a promessa de um novo amor. Fic
baseada na musica “A Cruz e a Espada – Renato Russo e Paulo Ricardo”.
Agradecimentos: À Aline Snape e a Crica Snape pela amizade, por me incentivar a
escrever e por Betar essa Fic. A todos do SnapeFest pela oportunidade concedida.
Disclaimer: Todos os personagens que você consegue reconhecer são de JKR, os
outros são meus. Eu não ganho um único centavo por isso é pura diversão e/ou
falta do que fazer. A fic foi desenvolvida sem fins lucrativos, sua finalidade é
exclusivamente o lazer.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2005, uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está
arquivada no site http://oxetrem.com/fest e em breve numa versão completa com a
letra da musica no site http://www.fanfiction.net/u/687851/
Lembranças de um Sonho.
Severus estava sentado em frente a uma lareira, bebia uma taça de firewisk e
observava as chamas trepidarem lentamente queimando a madeira, a luz e o calor
do fogo nunca penetrando no mar escuro de solidão e frio que sentia. Lembrava de
um tempo em que seus sentimentos eram diferentes, um tempo em que seu coração
bateu de maneira diferente. Sorriu sem emoção. Será que já o teve um algum dia?
Pensou friamente. Sim ele teve um coração, e esse até já amou. Amou, mas fora
arrancado de seu peito, despedaçado e jogado fora sem piedade ou sequer
consideração pela pessoa a quem ele se entregou de corpo e alma. Como fora tão
infantil em acreditar numa sangue-ruim.
Quando ele a viu pela primeira vez, ainda estavam no trem para Hogwarts em seu
primeiro ano, não pôde deixar de notar o quanto era... Merlin, ela era
fantástica! Cabelos, olhos, sorriso tudo. Tinha um jeito meigo e decidido ao
mesmo tempo, chegava até parecer mandão, o que foi comprovado durante os anos
que estudaram juntos. Lílian Evans era a pessoa mais meiga e decidida que
conhecera em toda sua vida. Infelizmente o destino quis que seus caminhos
divergissem desde o começo. Ela foi para Grifinória, ele para Sonserina. Ela
nascida trouxa, uma sangue-ruim, ele um bruxo de família tradicional,
puro-sangue. Mas isso não os impediu de serem amigos, confidentes e... Ele
suspirou profundamente a lembrança. Amantes. Ele amou Lílian desde o primeiro
instante, passou por cima de todos os conceitos aos quais estava acostumado,
sofreu incontáveis castigos e torturas por parte de seu pai quando este
descobriu o romance. Enfrentou o mal que havia dentro e a volta deles. Não se
importava com nada, tudo que importava era o que sentia por Lílian.
Ele sempre fora um garoto quieto, tímido ao estremo, hoje qualquer um riria se
visse tal palavra associada a seu nome. Severus Snape tímido? Nunca! Arrogante,
sarcástico, pretensioso, nunca tímido! Mas ele foi, só se preocupava com seus
livros e poções. Escondia-se por traz de uma máscara de indiferença e
superioridade. Em seus anos de escola tentou passar desapercebido pelo grupinho
de grifinórios populares, mas não obteve sucesso. Era o alvo favorito dos
chamados “Marotos” Tiago, Sírius, Remus e Pedro. Ao menos uma coisa de bom lhes
devia, o motivo para sua aproximação com Lílian Evans. Numa manhã estava andando
pelos jardins do castelo depois dos Nom’s quando foi atacado pelo grupo, e mais
uma vez ela o defendera. Sempre ficava calado na sua presença, mas dessa vez a
humilhação foi demais, estava de ponta cabeça, as vestes levantadas. Tremeu de
ódio a lembrança da humilhação. Daquela vez ele explodiu, porém, com a pessoa
errada. Ela não tinha culpa nenhuma, mas foi ela o alvo de sua ira. Ver aqueles
olhos verdes e profundos cheios de dor por suas palavras o incomodou
profundamente. Por que ele tinha que perder sua timidez e revidar justamente
daquela maneira? E contra ELA! Tinha que pedir desculpas. Reparar o erro, apesar
de tal ato não condizer com sua natureza sonserina, ele tinha que fazer.
- Hei, Evans!! – ela andava a passos largos pelo corredor do segundo andar.
Evans espera!! EVANS!!! – ela fingia não ouvir seus gritos, então Severus
apressou o passo até alcança-la e agarrou seu braço. Você por acaso é surda
Evans?? Estou te chamando desde o primeiro corredor!
- É claro que não sou surda, apenas não quero falar com você Snape! – os olhos
verdes ainda em fúria, porém havia algo mais... Dor?
- Pensei que fosse mais educada que o seu amiguinho Potter? – o sarcasmo foi
mais forte, ele se arrependeu ao ver o olho dela se estreitar em puro ódio ao
ser comparada ao Maroto, mas ele não queria brigar, estava ali por outro motivo.
Escuta, não estou aqui pra brigar com você.
- Ah é? E o que veio fazer aqui?? Continuar sua prelação sobre sangues-puros e
ruins?? Muito obrigado Sr. Snape, eu passo! Virou as costas e tentou sair, mas
foi impedida.
- Não Evans, eu vim te pedir desculpas! Ela virou de uma vez pra ele, confusa.
- É isso mesmo, vim pedir desculpas! Você é a única pessoa nessa escola que não
ri das brincadeiras que Potter e seu bando fazem, é a única que me defende
quando sou atacado. E hoje eu... Eu... Baixou a cabeça pra não encara-la. Hoje
eu não agi de maneira correta. Levantou a cabeça e disse olhando-a nos olhos.
Desculpe!
Era inacreditável, Severus Snape estava diante dela pedindo desculpas. Lílian
estava sem palavras, mas via a sinceridade nos olhos negros.
- Você é sonserino, Snape, porque esta se desculpando?
- Sim sou, mas também sei reconhecer quando estou errado, e eu errei agora
pouco. Não devia ter agido assim.
Lílian não sabia o que pensar, o olhar dele possuía um magnetismo incomparável,
ela sempre se perdia nos olhos negros do sonserino, mas ele era recluso, isolado
e não permitia aproximação nem de seus colegas de casa quanto mais de uma
grifinória. Ponderou se deveria considerar o pedido, talvez ele estivesse
mentindo, mas o olhar decidido a fez ver que não.
- Tudo bem! Desculpa aceita. Viu-o sorrir, um sorriso sincero e de alivio que
fez o rosto se iluminar mostrando uma beleza que nunca notara e antes de se
perder nos olhos negros disse:
- Eu tenho que ir a Biblioteca agora, tenho um ensaio de poções pra terminar.
- Posso te ajudar? Já terminei o meu e... Se você quiser, eu posso... “Droga
Snape, o que você pensa estar fazendo? Você enlouqueceu?”
- Claro! “Mas o que em nome de Merlin eu disse?” Quem não gostaria da ajuda do
melhor aluno de Hogwarts em poções? Brincou. Mas acho que seus amigos sonserinos
não vão gostar de vê-lo com uma grifinória sangue-ruim.
- Eles não são meus amigos. Falou duro. E eu não devo satisfações a ninguém.
- Ok, então vamos!
A partir desse dia tornaram-se amigos. Não inseparáveis, pois mesmo que
quisessem negar não seria seguro andarem juntos pelo castelo.
Se Tiago Potter desconfiasse que por causa do que ele fez “sua” querida Lílian
tornou-se a melhor amiga de Severus Snape naquele mesmo dia? Ele mesmo teria
ensinado o caminho para o salgueiro lutador ao sonserino.
Apesar das torturas constantes, das humilhações tanto em casa quanto na escola
ele não se importava. Se ela estava com ele tudo terminaria bem. Tinha plena
certeza disso, ao menos na época era assim que sentia.
Passaram a estudar juntos na biblioteca todas as manhãs bem cedo antes do café e
algumas vezes depois do jantar quando sentiam que ninguém estaria por lá. Ela
sempre animada e meiga, ele sempre tímido e por vezes recluso, é claro que ele
não deixava isso transparecer, ninguém em Hogwarts sonharia em vê-lo assim, mas
Lílian tinha a capacidade de deixa-lo completamente desconcertado, de enxergar
sob a mascara de indiferença e sarcasmo que apresentava a todos. Ela tagarelava
horas sobre qualquer coisa, reclamava dos Marotos, discorria sobre os mais
diversos assuntos e Severus apenas a observava.
E assim os meses passaram... A amizade tornava-se cada vez mais sólida. Lílian
se divertia ao vê-lo ruborizar levemente toda vez que lhe dava um beijo no rosto
ao se despedirem. Mesmo agora, anos depois, sentado em frente à lareira, podia
sentir o calor dos lábios dela, o cheiro de seus cabelos, o perfume que dominava
qualquer lugar onde ela estivesse... Suspirou. Lírios.
Olhou para o copo que erguia em direção aos lábios. Vazio. Atirou com fúria na
lareira quebrando-o. Sacou a varinha e murmurou um feitiço trazendo uma garrafa
que estava sobre a mesa, tomou um longo gole da bebida que desceu queimando sua
garganta, desejando queimar também o que ainda sentia. INFERNO! Era um comensal
da morte agora. Por que diabos ainda pensava na maldita? Apertou os olhos
tentando impedir, sem sucesso, as lembranças de virem a tona.
Estava sentado na biblioteca muito concentrado em seu dever de feitiços. Sempre
procurava as mesas mais afastadas, pois detestava ser interrompido e apesar dos
protestos de Madame Vieira, alguns alunos sempre conseguiam fazer algum tipo de
bagunça, e essa tarde não foi diferente. Quem seria dessa vez? Levantou-se, não
pra ver o que acontecia, não era de sua conta, só queria um lugar calmo onde
pudesse terminar seu dever e estudar mais um pouco antes do jantar. Parou quase
a porta quando reconheceu a voz de Lílian que discutia com alguém. Potter com
toda certeza, e não estava errado quanto a isso. Será que o imbecil não via que
ela jamais sairia com ele?
- Calma minha flor, eu só quero saber quem foi o atrevido... Quer dizer o panaca...
Opa... O Cavalheiro que te mandou esse pergaminho. Porque se você não quer me
mostrar só pode ser de alguém que queira proteger.
- Não é da sua conta Potter, mesmo que tivesse sido enviado por algum garoto.
Você não é nada meu, Agora desinfeta! Severus conseguiu definir um tom diferente
na voz dela, mas não soube o que.
- Eu prometo que não vou fazer nada, só quero adverti-lo sobre... algumas...
regras básicas. Sorriso sedutor. E a propósito, você adoraria sair comigo esse
fim de semana, não é? Vai haver uma visita a Hogsmeade e... bem, nós podemos nos
divertir muito, o que acha?
- Potter. Ela falou baixo. Eu não estou com humor para agüentar suas cantadas
hoje. Se me dá licença. Falou séria, a voz um pouco embargada por algum motivo e
saiu apressada.
Ele virou para trás quando sentiu a voz dela falhar, parecia nervosa demais, mas
não era por causa do Potter, alguma coisa naquela carta. Lílian passou por ele a
passos largos e ele pôde ouvir um soluço quando ela alcançou a porta e saiu pelo
corredor. Ela estava chorando, mas por quê? Lançou um olhar frio na direção do
rapaz a suas costas e saiu em seguida. Ouviu duas Corvinais comentando sobre uma
grifinória chorando muito e correndo em direção a sala de Astronomia. Pensou se
deveria ir, provavelmente queria ficar sozinha, mas algo o fez ir.
- Lílian? Falou baixo entrando vagarosamente na sala vazia. Olhou melhor a sala
buscando certeza, mas não a viu. Lílian você esta aí?? Sem resposta. Deve ter
ido pra outro lugar pensou desanimado. Já estava saindo quando ouviu um choro
baixinho próximo a uma estante no fundo da sala.
Aproximou-se devagar procurando não assusta-la. Ela estava sentada no chão ao
lado da estante abraçada as pernas escondendo o rosto nos joelhos, o corpo
tremendo.
- Hei, o que foi? Sentou ao lado dela. Ouvi você discutir com Potter na
biblioteca. Não esta chorando por causa dele, não é? Isso não faz o seu feitio.
- Não tem nada haver com o idiota do Potter.
- Então, o que foi? Qual o motivo de tantas lágrimas? Na verdade ele não sabia o
que fazer numa situação dessa, mas Lílian era sua melhor e única amiga, a única
pessoa além de... Não queria lembrar dela agora, a única pessoa viva que ele
realmente se importava. Posso ajudar em alguma coisa? Perguntou novamente.
Ela puxou um pergaminho do bolso e entregou a Severus, que ao terminar de ler
tudo ficou claro. Seus olhos se arregalaram imediatamente, ele os sentiu
arderem.
- Ela esta morrendo Severus. Talvez não passe desse fim de semana... a voz
embargou.
- Calma. Você não pode ter certeza disso. E pelo que diz a carta nem os Médicos
tem. Talvez ela só esteja com saudades de você e a queira por parto, só isso.
Falou sem nenhuma convicção, mas precisava acalmar a amiga.
- Você é um excelente mentiroso Severus, pode enganar qualquer um nessa escola,
menos a mim. Um soluço mais forte e Severus a puxou para junto de si. Abraçou-a
com carinho afagando os cabelos avermelhados que tanto o encantavam, sentindo o
cheiro de lírios que emanava dela. Ela o abraçou de volta como se sua vida
dependesse disso.
- Vai acabar tudo bem. Ele acariciou novamente os cabelos e as costas. Ela
levantou o rosto para encara-lo, os olhos verdes inchados, o rosto vermelho e
molhado pelas lágrimas. “Merlin! Como estava linda”. O coração dele falhou uma
batida.
- Como você pode ter certeza?
- Eu não tenho. Respondeu simplesmente. Mas mesmo que ela... Não completou a
frase ao ver as lágrimas descerem pelo rosto alvo. Sei como esta se sentindo
Lílian. Eu já perdi a única pessoa que me amou nesse mundo e... a voz dele
falhou. Tudo o que podemos fazer é estar presente, nos despedir se for a hora e
principalmente, guardar na lembrança os momentos felizes pra... que... nunca...
nos esqueçamos... dela. A voz dele foi perdendo força até que não saiu mais.
Sentiu os olhos arderem mais do que nunca. Merlin, não queria chorar, mas a dor
da perda de sua mãe era muito recente, ela se foi e ele nem pode se despedir
dela. Fechou os olhos na esperança de evitar as lágrimas, trincou os dentes
tentando permanecer firme apesar de tudo, sabia que com Lílian não precisava de
máscaras, mas ainda assim era um sonserino e tinha seu orgulho.
Sentiu a mão dela no seu rosto, pequena e morna, ao mesmo tempo em que uma
lágrima escorria. Ele abriu os olhos imediatamente encarando-a surpreso. E
desfrutou o sorriso meigo que ela tinha nos lábios.
- Eu nunca pude me despedir dela, meu... Pai, falou um pouco ríspido a ultima
palavra, nunca permitiu que eu chorasse a morte dela. Na verdade eu acho que ele
sempre teve ciúmes de mim.
- Dela quem Severus?
- Da minha Mãe. Ela morreu ano passado. Ainda hoje não se sabe a causa, mas acho
que o bastardo a matou, por inveja da alegria dela, ou por nunca ter se dobrado
a ele. Ela adoeceu de repente e quando estava quase no fim ela pediu para me
chamarem aqui e ele simplesmente ignorou o pedido dela. Eu não pude despedir-me,
muito menos ir ao seu funeral. Outra lágrima caiu. Aproveite Lily, aproveite
cada momento que tiver. Não desperdice a oportunidade de se despe...
O que aconteceu em seguida o deixou surpreso. Ela se aproximou lentamente.
Olhares fixos um no outro, poderiam se afogar num oceano profundamente verde. Ou
seria em negro? Sentiu o perfume de lírios que emanava dela, a respiração
acelerada, cada vez mais próxima, até que seus lábios se encontraram. Primeiro
num beijo quase infantil. Terno. Carente. Que logo foi tomando intensidade,
calor, desejo. Um desejo que talvez nenhum dos dois soubesse que sentiam um pelo
outro. Severus deslizou a mão pelas costa de Lílian levando até seus cabelos,
segurando-lhe a cabeça, dando continuidade ao beijo. Ela tremeu levemente ao
mesmo tempo em que instintivamente escorregou a mão que estava no rosto dele pra
nuca, agarrando o pescoço e trazendo-o mais para si. Ambos gemeram de prazer. O
beijo foi ganhando mais ardor, as caricias ficando cada vez mais ousadas. Ela já
estava sentada em seu colo, a camisa fora da saia e com alguns botões abertos.
Ela mesma já havia desabotoado parte da camisa de Severus enquanto ele beijava
seu rosto, pescoço e descia mais, buscando o colo antes de se conter e aperta-la
num abraço sôfrego. Ofegante, buscou o ar que lhe faltava nos pulmões ao mesmo
tempo em que se inebriava com o cheiro dos cabelos dela. A razão voltando ao seu
ser a medida em que se acalmava.
- Por Slyterin!! O que estamos fazendo? Nós quase... A encarou e viu desejo
queimando nos olhos verdes assim com deveriam estar queimando nos seus também.
- Eu não faço idéia. Só sei que queria isso há tanto tempo que nem consigo
contar. Ela respondeu e ele a olhou surpreso.
- Muito tempo? Mas...? Você nunca demonstrou que...
- Para um dos alunos mais inteligentes dessa escola você é um pouco tapado pra
determinadas coisas, não é Severus? Lílian sorriu divertida ao vê-lo erguer uma
sobrancelha.
- E pelo visto você também, não é Srta. Evans? Ele sacudiu a cabeça e sorriu, um
de seus raros sorrisos mesmo na presença dela. - Será que dei tanta bandeira
assim? A encarou novamente.
- Claro que não. Ar divertido na voz. Você só tremia quando eu tocava em você,
ruborizava, mesmo que de leve, quando eu elogiava seus ensaios de poções e...
ela parou ao ver o rosto sério a sua frente. E outras coisinhas mais...
- Esta bem, esta bem!! Eu dei bandeira! A verdade é que nunca me senti assim por
ninguém. Simplesmente não sabia como agir, ok! A encarou firme. O que vamos
fazer agora? Perguntou temendo a resposta.
A verdade era que não importava a nenhum dos dois o que fariam dali por diante.
Haviam encontrado um ao outro.
- Eu não sei, confesso que não faço a menor idéia. Você já é perseguido só por
ser sonserino, se Potter desconfiar de nós...
- Eu quero que o Potter vá para o inferno, ele e o grupinho dele! Azar o dele se
diz gostar de você. Severus sabia que teria problemas muito maiores que um grupo
de alunos arruaceiros pra se preocupar. Seu pai o mataria se o descobrisse com
uma nascida trouxa. Não se preocupe Lílian. Nós vamos dar um jeito. O que eu
queria saber era se... bem... O que nós somos agora? Ela sorriu e o beijou
novamente.
- Isso responde sua pergunta?
- Não, poderia repetir, por favor, acho que não entendi direito. Sorriu maroto.
- Ora seu... mas foi interrompida com mais um beijo.
Um barulho vindo da rua o fez voltar de seus pensamentos. Levantou-se lentamente
caminhou até a janela do outro lado da sala. Abriu ignorando o frio que fazia do
lado de fora. Mesmo sem camisa não se importava com isso. Estava acostumado a
baixa temperatura e esta não era muito diferente do que sentia por dentro.
Aquelas lembranças aqueciam seu peito por pouco tempo e logo seu coração voltava
ao gelo de sempre quando lembrava o motivo de estar ali sem ela. Potter! O nome
saiu por entre os dentes com tanto ódio e escárnio quanto se pronunciava uma
maldição imperdoável. Talvez até mais.
Foi ele, o maldito Potter que a fez se afastar. Já estavam no sétimo ano, quando
houve um ataque de Comensais a Hogsmeade. Severus não contara a Lílian as
pressões que sofria em casa e na sonserina para se tornar um. Seu pai era membro
ativo e influente dentre os seguidores de Voldemort, queria o “melhor” para o
filho. Esconder isso de Lílian talvez tenha sido seu maior erro. Potter ouviu
uma conversa dele com Lúcius Malfoy e interpretou da maneira que achou mais
conveniente. Contou tudo a ela que chocada procurou tomar satisfações. Enquanto
Lílian e Severus discutiam, o Vilarejo foi atacado, vários alunos feridos,
incluindo alguns professores. Como Severus pedira a ela pra ficar em Hogwarts no
fim de semana, ela concluiu que ele sabia do ataque. A discussão foi muito
desgastante, brigaram como nunca haviam feito antes. Ela terminou o namoro e
nunca mais lhe dirigiu a palavra. Nem quando receberam juntos o prêmio de
melhores alunos por sete anos consecutivos.
Sentiu-se perdido quando a viu com ele a primeira vez. Não podia acreditar. Ela
poderia aceitar o convite de qualquer idiota para o baile de inverno, poderia
ser qualquer um, menos ELE!!! Se quisesse feri-lo por não dizer a verdade sobre
seu pai que lhe aplicasse uma Cruciatus, mas não isso! Potter desfilava com
Lílian como quem ganhou a taça de quadribol sozinho. E ela era seu troféu.
Severus olhou-a triste e saiu do salão principal. Não percebeu um par de olhos
azuis sobre ele que também estavam tristes.
Foi para os jardins respirar ar puro. Precisava esquecer, mudar os pensamentos
assassinos que vinham em sua mente. Talvez o frio cortante que fazia do lado de
fora o ajudasse a congelar o fogo que o consumia por dentro. Quem sabe ajudaria
a retirar o ódio que se formava dentro dele e crescia cada vez mais. Andou até
próximo ao lago enquanto observava a lua refletida na superfície congelada
percebeu que não estava sozinho.
- Esta fugindo de alguém? Ou será que só precisa de um pouco de companhia? Disse
a voz atrás dele. Virou-se rápido e viu Bellatrix Black aproximando-se.
- Não muito obrigado. Respondeu seco.
- Ah, o que é isso Severus. Não parece contente com a festa? O que foi, perdeu
alguma coisa?
- Não é da sua conta. Ríspido. Agora se me da licença, quero ficar sozinho.
- Mas você não precisa ficar sozinho. Andou mais até ele.
- Eu decido se fico ou não. E no momento, não preciso da companhia de ninguém.
Agora se me da licença?
- Hei! Não precisa ser rude. Só queria conversar.
- Já disse, não tenho nada para...
- Tudo bem Severus! Tudo bem! Eu realmente só queria dizer que você não precisa
passar por nada sozinho. E se precisar de alguém... pra conversar, pode contar
comigo, ok? Assim como você, eu não sou aquilo que julgam. Não sou a pessoa fria
e calculista como todos pensam. Bella falou aquilo com uma certa mágoa na voz
estranhamente refletida nos olhos extremamente azuis. Ela se virou e começou a
andar em direção ao castelo.
Apesar dos comentários sobre Bellatrix Black. Ela não era completamente má,
apenas mantinha a postura que a fama de sua família impunha, afastando assim a
maioria dos problemas e qualquer garoto um pouco mais atrevido. Mas por vezes
ele pode sentir e até mesmo ver por baixo da fachada dela, que as palavras de
desprezo e sarcasmo nem sempre lhe chegavam aos olhos, Bella fingia ser uma
pessoa que não era, talvez não fosse tão fria, vestia-se em uma personagem na
busca de sobrevivência, assim como ele.
- Espera! Ela se virou e o encarou. Eu sinto muito pelo que disse Bella, é
que... não estou nos meus melhores dias hoje.
- Tudo Bem Severus, eu entendo. A festa não esta nada agradável pra mim também.
- Posso te fazer uma pergunta? Ele apenas balançou a cabeça afirmativamente. O
que você pretende fazer depois de formado? Apesar de estarmos ainda no meio do
ano letivo, esse é o último e... Bem o que você vai fazer depois?
Ele não queria falar sobre isso, na verdade todos os seus planos envolviam
Lílian e Bella não deveria saber disso, tinha muito que repensar dali por
diante.
- Ainda não sei ao certo. Talvez faça faculdade DCAT’S ou de Poções em Lion. Não
estou bem certo ainda.
- Desculpe a franqueza, mas... eu pensei que você fosse continuar os negócios do
seu pai já que ele esta em Azkaban agora.
- Você esta errada Bella. Não quero e não vou continuar os negócios daquele...
trincou os dentes, seus olhos ficaram mais frios que o normal. Apesar de não
gostar do pai, não iria desgastar-se mais com a lembrança dele. Eu não sou como
ele.
- Tudo bem, eu não queria trazer a tona um assunto tão desagradável. Desculpe
por isso.
- Não tem problema, é que eu e ele nunca nos demos muito bem, mesmo antes de sua
prisão e... já não vou em casa a um ano. Aquele assunto definitivamente era tão
ou mais desagradável que pensar em Lílian e Potter. Venha, esta ficando muito
frio, vamos voltar ao castelo.
Os meses que se seguiram Severus sentiu que seu coração parava de bater a cada
vez que via Lílian e Tiago juntos. Potter a exibia pra quem quisesse ver.
Perdia-se em pensamentos toda vez que a via, não só seus pensamentos, ele se
perdia. Estava perdido entre desejos e lembranças, sonhos e planos que tinham
feito, mas agora tudo estava terminado. O frio daquele inverno pareceu o mais
rigoroso de todos os tempos e quanto mais a temperatura baixava, mais ele era
invadido pelo frio, era possível que nunca mais se sentiria aquecido novamente?
Ele pensou amargurado. A cada dia que os via, o pouco de luz que lhe restava era
sufocado e as trevas tomavam conta de seu ser. Seu coração, sua alma estavam se
perdendo. Durante o baile de formatura lembrou das palavras de Bella: “Eu pensei
que você fosse continuar os negócios do seu pai, já que ele esta em Azkaban
agora.”
Bella não era exatamente o que demonstrava ser, não era como Lílian, mas também
não era intragável como seu priminho Sírius Black. Ficaram amigos, quase
inseparáveis. Aos poucos a amizade com Lúcius Malfoy também se solidificou. E no
final do seu sétimo ano ele decidiu a respeito de continuar com os “negócios” de
seu pai.
Na verdade ele não se lembrava qual razão o levou a ser um comensal. Odiava o
pai, Potter, os marotos, e acabou por odiar Lílian e todos os trouxas também,
por causa dela seu coração esfriou, sentimentos a pouco descobertos e que ele
jamais sonhara em sentir afloraram e morreram no curto período de um ano e meio.
Ele desejou, amou, sonhou e morreu em um ano de namoro com Lílian Evans. O mais
irônico em tudo? No final das contas acabou cumprindo exatamente o que esperavam
dele. Acabou transformando-se no que fora acusado de ser. É, Potter acertara sua
previsão, era filho de um comensal, portanto, mais cedo ou mais tarde um
comensal também. Igual e talvez pior que o pai. Frio, cruel, impiedoso. Todas as
“qualidades” que odiava nele agora eram suas. Odiava-se por isso. E como o Pai
ascendia cada vez mais rápido no círculo do Lord. É talvez tenha sido essa sua
razão. ÓDIO! Pensou friamente. Foi o ódio que o conduziu.
Mais uma brisa adentrou pela janela o trazendo de volta a realidade fria e
congelante. Franziu a testa num misto de raiva e mal-humor quando levou a
garrafa aos lábios e percebeu-a vazia. Maldição! Praguejou entre os dentes e
atirou a garrafa pela janela. Só podia esperar que o álcool entorpecesse seus
sentidos o suficiente para permitir um pouco mais de sono.
Agora era tarde de mais para desfazer tudo. Lílian casaria com Potter, “O Casal
do Ano” dizia a manchete do Profeta Diário. Mas não se importava, não queria se
importar, em seu coração não havia mais espaço para coisas fúteis como Amor.
Paixão. Carinho. Dentro dele agora só existia desprezo, fúria, mágoa, rancor.
Ódio. Pensou friamente. Tornara-se um comensal da morte, era o braço direito de
Voldemort. Torturava e matava qualquer criatura infeliz que cruzasse seu
caminho.
Mexeu-se preguiçosamente na cama, não tinha idéia da hora, mas com toda certeza
era dia. Abriu lentamente os olhos para encarar a luz que invadia o quarto
através da janela que ele mesmo deixou aberta antes de deitar, nunca se
habituaria com a luz do dia. Era uma criatura da noite, a escuridão e as trevas
eram sua morada, manto e um dia sua perdição. Ele não saberia explicar como, mas
um dia... Ele sentia que se arrependeria de tudo o que estava fazendo agora.
Será que suas convicções não eram as mesmas e estava fraquejando? Não! Nem
pensar! O simples pensamento de uma possível traição ao Lord das Trevas o fez
tremer. Estava mergulhado até o pescoço, já fizera muito pelo lado da escuridão
para pensar em voltar atrás. E se havia uma coisa que jamais se tornaria era um
traidor.
A luminosidade no quarto aumentava gradativamente, ele teve certeza que não
assistiria suas aulas na faculdade, pois estava completamente atrasado. Odiava
atraso, mas a noite passada... Suspirou cansado. É... Sabia que não deveria ter
feito aquilo, ela era sua amiga, sua confidente e companheira pra todas as
horas, talvez a única pessoa que ele poderia confiar dentre seus outros
“amigos”, ele não sabia explicar como foi deixar-se envolver daquela maneira.
Mas ainda assim fora divertido, pensou consigo e um sorriso sincero formou-se
nos lábios, não, na verdade fora muito mais que divertido. Sentiu uma pequena
mão passear por sua cintura e subir delicada e lânguida, brincando com os pêlos
de seu tórax até chegar em seu rosto e vira-lo para encarar um belo par de olhos
profundamente azuis, tão azuis quanto o próprio céu. O belo rosto alvo e
delicado o encarou com um sorriso provocante emoldurados por cabelos longos e
tão negros quanto seus olhos. Por um segundo ele pensou se haveria visão mais
linda que aquela, a resposta veio quase que de imediato em sua mente antes de
ser puxado para um beijo longo, provocante e intenso. Apertou-a contra si
tentando reprimir o desejo inconsciente de buscar naquele corpo o cheiro de
lírios e o gosto provocante de mel e gengibre. Recriminou-se ainda mais ao ver
resposta a pergunta feita formar-se nítida em sua mente. Sim, existia uma visão
mais bela... E esta tinha olhos verdes, cabelos avermelhados o sorriso mais
iluminado que ele já vira em todo o mundo mágico. Mas ela o odiava agora e ele
faria todo o possível para odiá-la em retribuição, ela e a todos os seus
descendentes.
Naquele momento ele decidiu arrancar definitivamente aquela lembrança de sua
mente, iria substituir o aroma de lírios por outro, respirou fundo e o
encontrou. Jasmim. Deixou-se levar por aquela boca apimentada e macia que tão
deliciosamente descia por seu pescoço e tórax, deixando atrás de si um caminho
de fogo, atiçando cada terminação nervosa e o fazendo esquecer definitivamente
dos compromissos do dia. Girou-a habilmente, posicionou-se sobre a bela mulher,
imprimindo seu corpo sobre ela, atiçando o desejo que crescia dentro dele,
dentro deles. Encarou olhos azuis cheios de paixão e veleidade como a muito não
via e sentiu que seus próprios estavam assim. Poderia se afogar neles, mas seus
pensamentos foram interrompidos.
- Você vai ficar aí me encarando o dia inteiro ou vai me desejar “Bom Dia” ? Ela
tinha o mesmo sorriso zombeteiro de sempre, um tanto cínico até, mas ele não se
importava, ele também era assim na maior parte do tempo.
- Na verdade eu estava pensando em fazer outra coisa além de te desejar “Bom
Dia”. E lhe devolveu o sorriso. Mas, se você quer ficar só no “Bom Dia”? Ergueu
uma sobrancelha ao mesmo tempo em que começava a se levantar da cama.
- Não se atreva a ...
Ela jamais terminou a frase, seus lábios foram tomados tão rapidamente que não
houve tempo para protestos. Um beijo ardente, vivo, provocante e delicioso a fez
ir até as nuvens. “Merlin, como ele beija bem” , foi a única frase coerente que
passou por sua cabeça. Logo estavam entrelaçados como na noite anterior, pura
paixão selvagem os consumindo. Ela agarrou os longos cabelos negros dele puxando
para si, queria sentir aquele corpo bem definido junto ao seu, cada músculo
tenso e bem trabalhado lhe causando mais cobiça. Sentiu mãos fortes e ágeis
percorrerem seus ombros, costas, coxas, puxando-a cada vez mais pela cintura.
Ele a queria, ela o queria e não haveria nada, nem ninguém para impedi-los. O
beijo só foi interrompido por pura falta de oxigênio, mas isso não os impediu de
continuar explorando o corpo um do outro. Pescoço e colo. Tórax e orelha. Ela
desceu as mãos pelas costas nuas dele e gemeu em desagrado quando encontrou
tecido ao invés de pele macia e sensual. O recado foi rapidamente compreendido e
o pedido realizado. Um estalar de dedos e em segundos estavam de volta a
atividade, era incrível como se encaixavam, como se desejavam. Ele pensou em
quanto tempo perdeu, onde estava com a cabeça para não nota-la antes? Sorriu
malicioso ao vê-la morder o lábio inferior em anseio e o sentiu pulsar em si ao
mesmo tempo em que lhe tomou os lábios, agora mais languidamente, provocando,
estimulando, torturando-a lentamente. Ela tremia a cada toque, tentava se
conter, tentava não se derreter nos braços dele, mas era humanamente impossível.
Nunca sentira algo parecido por ninguém. Perguntou-se como acontecera? Como
ficariam as coisas entre eles? Eram amigos, só amigos, ou não? E como na noite
anterior ele a tornou sua. Lentamente a principio, o ritmo tornando-se cada vez
mais intenso e pressuroso, ousado, selvagem. Ela enlaçou as pernas na cintura
dele, prendeu as unhas nos ombros não tão largos, mas fortes, poucos instantes
antes de explodirem juntos em puro deleite e paixão.
- Boa tarde! Ela ouviu a voz rouca despertar-lhe ao pé do ouvido. Não vai
levantar? O café está servido já faz um bom tempo. E mordeu o lóbulo da orelha
provocando-a.
- Estou faminta, mas não tão disposta a me levantar e ir até a cozinha, ainda
mais se continuar fazendo isso... E sorriu maliciosa.
- Está certo..., Eu paro. Mas precisamos conversar a respeito do que aconteceu
ontem à noite. Olhou-a de forma intensa.
- É... Eu sei. Mas não agora, você já perdeu toda manhã de aulas e não seria
sábio perder a tarde também. Depois conversamos Severus. Eu prometo.
- Você não vai fugir do assunto. Precisamos... Ela pôs os dedos delicadamente
sobre os lábios dele pedindo para se calar.
- Eu sei! E não estou fugindo de nada. Só não é a hora apropriada. Anda, vai
logo!
- Não. Temos que resolver isso agora. Não vou conseguir prestar atenção a
porcaria nenhuma sem ter certeza do que aconteceu entre nós.
- Ora, o que aconteceu? Nós estávamos na mansão Malfoy em mais uma das festas do
Lúcius, bebemos muito e acabamos aqui. Ela evitou olha-lo diretamente. Não tinha
plena certeza se fora só isso, ela não queria que fosse.
- Não Bella, não foi só isso. Eu sei e você também. Você sabe como as coisas têm
mudado entre nós. Ontem o álcool, a festa e os feitiços só nos tiraram do sério
o suficiente pra...
- Pra? Ela o encarou, sabia que seu controle superficial não duraria muito, mas
tinha que enfrentar os olhos dele.
- Por Merlin!! Ele estava incrédulo a reação dela. Será que alguém trocou a
mulher com quem fiz amor à noite e a manhã inteira de hoje?
- Severus, você é a única coisa certa e constante na minha vida. Somos amigos
desde Hogwarts, você é meu porto seguro, meu único amigo, e sabes disso. Sabe
também que estou prometida. E por mais que eu queira negar e fugir disso. No
final, vou me casar com Rodolfus e ninguém vai evitar. Havia amargura na voz
dela. Eu não quero estragar a amizade que temos com...
- Com o que, Bella? Com Amor? Ele segurou o rosto delicado e a fez encara-lo.
Pois saiba que eu não acho que nada vai estragar. Há muito tempo não somos “só
amigos” e se não acontecesse dessa vez seria na próxima. Não adianta fugirmos,
correr do inevitável só nos tornará mais infelizes do que já somos.
Ela sentiu um aperto no coração, sabia que não havia mais como escapar de tudo
aquilo, tinha medo de jogar fora o pouco de felicidade que tinha ao lado dele,
mas o conhecia suficientemente bem pra não ter dúvidas do quanto falava sério.
Há tempos não eram simples amigos, ele tinha razão. Jamais saberia explicar o
exato momento em que o relacionamento mudara. Os olhares, a cumplicidade, os
pequenos toques... Completavam-se, sabiam o estado psicológico um do outro e o
que os incomodava sem o menor esforço, um simples olhar bastava para reconhecer
as aflições. E ela tinha plena certeza do quanto ele se continha agora para não
explodir em fúria a sua relutância, paciência nunca fora uma das suas virtudes.
- Comensais da Morte não amam Severus! Os Black’s não amam! Não fomos feitos
para isso. Eu não posso amar e você sabe disso. Havia uma enorme tristeza em sua
voz, além de mágoa e porque não dizer, desespero.
- Você não precisa fazer tudo que sua família te impõe. Se eu seguisse toda
tradição da minha família e principalmente os desejos de meu pai, não chegaria
aonde cheguei e principalmente não estaria com você.
- Ah Severus... pra você é tão fácil falar. Sabes que não sou completamente a
mulher forte que todos pensam. Sabes que muito disso é um papel que represento
para não me submeter a determinadas coisas, mas... Ela engoliu em seco tentando
controlar o aperto que era cada vez mais forte dentro de seu sei peito. Por mais
que eu resista, cedo ou tarde vou me casar com Rodolfus. Não há como impedir
isso.
Ela baixou os olhos. Não queria chorar, e estava fazendo um esforço sobre humano
para tal. Apertou os olhos numa tentativa frustrada de impedir as lágrimas.
Severus as enxugou com o polegar e deixou sua mão pousada sobre a face já
avermelhada dela. Ele sabia que naquele caso não haveria como escapar,
fatalmente ela se casaria, mas não estava disposto a abandonar o que ele
desejava assim tão facilmente. Ergueu o rosto dela com delicadeza e encarou um
par de olhos azuis, agora um pouco avermelhados pelo pranto antes de dizer.
- Não me interessa. Só sei que há muito tempo não me sinto assim. Devo ter
perdido o juízo ou até estado cego nos últimos anos aponto de não perceber-la
diante de mim. Não vou desistir de você só porque um idiota esnobe como rodolfus
Lestrenge tem dinheiro suficiente pra te comprar de sua família. És valiosa
demais pra ser comprada, pois não existe dinheiro no mundo, mágico ou trouxa,
que possa ser suficiente. Eu te amo, Bella! Nunca pensei que voltaria a dizer
estas palavras, mas estou.
Ele segurava o rosto dela com ambas as mãos. O olhar intenso em pretos não
deixava dúvidas da declaração feita. E ela também perdeu a sua dúvida ao ver
aquele brilho tão intenso. Agarrou-se ao pescoço dele, abraçou-o e foi
correspondida a altura. Não precisavam mais de palavras. Sabiam que de agora em
diante o caminho seria o mais difícil possível. Mas teriam um ao outro em apoio.
- Eu também te amo Sev. Disse baixinho no ouvido dele.
Severus a apertou mais contra si e em seguida a beijou. Não como na noite
anterior, não como nesta manhã. Havia algo mais nesse beijo. Algo além da paixão
e do desejo físico. Havia entrega, amor e principalmente a certeza de que não
importava as adversidades eles as enfrentariam juntos.
FIM.
N/A: Ai, Ai!! Suspiros... Não era exatamente isso que eu tinha em mente, mas...
Como esta fic estava perigosamente parecida como uma song-fic, resolvi tirar a
letra sem maiores prejuízos do enredo geral, eu acho! Vejamos como todos reagem
ao resultado final! Srsrsr... Gostaram? Não gostaram? Dúvidas se eles vão ficar
juntos e felizes?? Heheheh... Aguardem uma continuação, se é que essa fic
merece? Isso vai depender das corujas de vocês, portanto, podem começar a
despachar as penosas pra shey_snape@yahoo.com.br, Estou aguardando. Bjs a todos.
;D
N/A2: a versão completa com a letra da musica pode ser vista no ff.net em breve
gente. Mil bjinho!! Shey;P