Nome da fic: O dia seguinte – Cap. 2 de Calor
Autor: Clau Snape
Beta Reader: Fer Porcel
Pares: Severo/Hermione
Censura: 21 anos
Gênero: Romance, PWP.
Spoilers: Não
Desafio: Durante a guerra
Resumo: O POV de Hermione sobre a noite que passou no Cabeça de Javali. E mais
um pouco.
Notas: Essa continuação saiu porque todo mundo queria saber o que aconteceu
entre os dois. Espero que gostem.
Disclaimer: Todos os personagens que você consegue reconhecer são de JKR, os
outros são meus.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2007, uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está
arquivada no site http://oxetrem.com/fest
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Acordou com a claridade entrando suave pela janela descerrada. Levou algum tempo
até se dar conta de onde estava. Percebeu que se encontrava numa ampla cama
envolta em lençóis e sozinha. Sentiu o corpo nu levemente dolorido e não pode
deixar de pensar no que ocorrera. Um leve aroma de uísque de fogo ainda
permanecia no quarto, bem como o cheiro que exalava resultante da noite
anterior.
Imagens desfocadas vieram à sua lembrança a partir do momento que ele a agarrou
e começou a beijá-la com ardor. Ela não era de forma nenhuma uma ingênua, mas a
maneira como aquele homem a abordava não era nem próximo daquilo que ela já
experimentara em seus relacionamentos anteriores.
A sensação dos beijos dele sobre sua pele queimava como fogo, e enquanto a
língua percorria a pele do seu pescoço, ficava difícil, mesmo para ela, pensar
em resistir. Ela se permitira não pensar em mais nada do que viera fazer e se
deixara levar pelas emoções que ele despertava em seu corpo e mente.
A máscula presença dele podia ser detectada em suas costas à medida que ele
jogava seu corpo contra o dela, e sua rigidez se anunciava desafiadoramente.
Ela começou a se recordar de como ele a jogara no sofá, suas mãos a desnudando
com vigor, buscando cada palmo do seu corpo. Ele alcançara seus mamilos rosados,
sugando-os sofregamente, roçando sua barba por fazer neles e mordiscando-os,
fazendo-a gemer seu nome. Rapidamente, ele se desfizera de suas pesadas vestes
com algum feitiço não verbal, e ela pudera sentir o peso de seu corpo magro,
porém musculoso, sobre si, lembrando a todo o momento do quão excitado ele
estivera.
Os longos dedos correram em direção ao seu ventre buscando o interior de sua
intimidade. Hermione estremecera ao primeiro toque, enquanto ele se aprofundava
mais e mais, sentindo a umidade que dela brotava. Começara a trabalhar
habilmente da mesma maneira que preparava os ingredientes de suas poções na
bancada do laboratório. Os movimentos se intercalaram em delicados e ousados à
medida que ela se entregava cada vez mais aos caprichos do antigo mestre.
Enquanto isso, a boca dele buscara outros prazeres, oscilando entre o pescoço,
colo e lábios. Os olhos de ébano fixos ante a visão de sua ex-aluna clamando por
sensações antes desconhecidas, ou pelo menos mal exploradas.
Ela também o procurara ávida de desejos, e cada nova investida dele lhe trouxera
a vontade de prová-lo mais e mais. Suas mãos percorreram o corpo dele, buscando
pontos sensíveis e reconhecendo o terreno ainda não explorado.
– Gostando, Srta. Granger? Ou ainda prefere os tolos grifinórios? Hoje a sua
aula será um pouco diferente, mas eu garanto que ao final você apreciará. – A
voz rouca e sensual dele não deixara dúvidas de que suas intenções estavam bem
definidas.
Ela apenas resmungara um grunhido, aquiescendo, enquanto ele voltara a incitar
seu corpo. A língua dele descera por seu abdome plano em direção a região
sensível entre suas pernas. Seu corpo arqueara, e uma sensação de formigamento a
envolvera quando ele alcançara seu centro com toques furtivos, trabalhando toda
a região de seu ventre.
Quando ele a percebera inteiramente pronta, erguera-a, virando de bruços no
sofá. As mãos dele correram em direção a seus seios, enquanto ele mordiscava sua
nuca e aproximava seu membro rígido em direção à sua entrada morna e
completamente molhada. Ela estremecera ante a investida dele e balbuciara:
– Não... não pare!
Aquilo fora como o disparar de uma descarga elétrica, e ele a penetrara com toda
a intensidade, fazendo-a gemer cada vez mais alto.
Amaram-se com uma avidez inexplicável, os movimentos sincronizados, até o
momento onde todo o controle se tornara impossível. Ao perceber que ela também
estava próxima do êxtase, ele se deixara derramar, aconchegando-se a ela no
espremido sofá.
Ela não se recordava de quantas vezes ainda se deleitaram entre beijos, carícias
e gozos antes do dia clarear. A enorme cama no outro cômodo fora o cenário desse
interlúdio onde os atos se sobrepuseram às palavras.
Mexendo-se um pouco mais na cama, ela pode perceber que o homem que a fizera
sentir tamanhas sensações estava sentado em uma poltrona, já em suas vestes
habituais, observando-a atentamente. Ela se endireitou, puxando o lençol sobre
seu peito, e recostou-se no travesseiro, ajeitando a massa de cabelos castanhos
que insistia em cair sobre o seu rosto.
Por alguns minutos o silêncio reinou. Ambos pareciam tatear o momento ideal de
falar algo. Estranhamente, ele tomou a iniciativa.
– Bom dia, Hermione. Presumo que tenha dormido bem.
– Bom dia, Pro... – Ela parou de falar subitamente, sem saber ao certo como se
referir a ele. Não era mais seu professor, dividiram uma intimidade ímpar, mas
ela não sabia como se portar diante dessa nova situação.
– É Severo... Você sabe o meu nome muito bem, não tenha medo de usá-lo. Afinal
de contas, vamos trabalhar juntos por algum tempo. – Ele levantou e se
encaminhou até a cama, levando um roupão para ela.
– Pegue, tome um banho e se vista para que possamos discutir os assuntos que a
trouxeram até aqui enquanto comemos algo. – O tom de voz dele era diferente do
da noite passada, mais sereno, apesar de ainda bem profundo.
– Obrigada, Severo.
Ela deslizou para fora da cama, vestindo o roupão, e encaminhou-se para o
banheiro, onde tomou uma ducha demorada, deixando a água morna cair sobre seu
corpo e refletindo sobre tudo o que ocorrera. Trabalhar junto aquele homem não
seria algo muito fácil. Ele era um mistério total. Ela não duvidava de sua
lealdade à Ordem, assim como não desconhecia que ele pagava um preço muito caro
pelo seu passado de erros. Mas ele a levara a um patamar ainda desconhecido
anteriormente, e o que ela temia era apenas que não passasse de mais uma
diversão na cama dele. Olhou para as marcas em seu pescoço, a constatação óbvia
do prazer que partilharam, e tinha certeza que ele também devia ter algumas
semelhantes. Terminou de se vestir e retornou ao quarto onde ele a esperava com
a mesa posta para uma refeição.
– Venha, sente-se. Coma algo enquanto vou buscar as anotações que Alvo deixou,
para que você veja quais os pontos que devemos abordar nessa batalha.
Ele se dirigiu à sala anexa e a deixou diante da mesa que parecia ter sido
preparada com esmero. Uma jarra com suco, uma cesta com pães e bolos, frutas e
um bule com chá, tudo ladeado por uma louça fina que não combinava em nada com o
recinto do andar de baixo. Ela não pode deixar de expressar surpresa diante da
gentileza.
Sentou-se na cadeira que dava frente para a saleta. Dali pôde observar quando
ele retornou com um envelope e buscou o assento defronte a ela. O semblante dele
estava tranqüilo, até mesmo leve. Em nada parecia com o homem taciturno que a
ensinara por seis anos. Fruto de uma noite prazerosa? – ela não pode deixar de
pensar com um pequeno sorriso nos lábios. Tal gesto não passou despercebido, e
ele foi direto ao assunto.
– Sim, Hermione, esse é um dos motivos, mas o outro é que acredito que realmente
poderemos ganhar essa guerra se mantivermos o foco em nossas ações de hoje em
diante.
A sensação de que ele penetrara em sua mente com tamanha facilidade inicialmente
a incomodou, mas ela sabia que ele tinha essa capacidade, não devia ter dado
asas à sua imaginação e pensado tais coisas. Resolvendo não revidar, ela
encaminhou o assunto para a questão primordial.
– Severo, quais são as orientações que o Prof. Dumbledore deixou? Onde eu entro
nessa história toda? – ela disse enquanto apanhava uma fatia de bolo.
– Bem, você sabe da existência das Horcruxes. Alvo me manteve informado durante
todo o tempo dos progressos que vinha fazendo junto ao Potter. Creio que as
Horcruxes forjadas em objetos dos fundadores cedo ou tarde se mostrarão sem
grandes problemas. Nosso maior desafio é saber como neutralizar e eliminar a
serpente de Voldemort.
Certamente, ela é uma das Horcruxes, mas por ser um animal encantado e único,
necessitaremos de mais do que feitiços e poções. Existe um documento que Alvo
conseguiu pouco antes de sua passagem e que pode ser a chave para o que estamos
buscando, porém ele está todo escrito em Runas Antigas, e sei da facilidade que
você possui com essa matéria.
Ele fez uma pausa, sorvendo um pouco do chá antes de prosseguir:
– Além disso, sua principal missão será a de trabalhar junto ao senhor teimosia
para que ele se concentre na busca às Horcruxes e pare de tentar me achar.
Durante o período que você estiver em treinamento comigo, também irei lhe passar
os fundamentos da oclumência e da legilimência, o que lhe ajudará no futuro.
Dessa vez, foi ele quem deu um sorriso malicioso enquanto admirava a mulher à
sua frente.
Ela se endireitou na cadeira, sentindo o olhar penetrante dele se infiltrar em
sua pele e um calor invadir suas entranhas.
– Como faremos para nos encontrar? Esse local não é muito visado? Afinal,
estamos dentro de Hogsmeade.
– Não se preocupe. Exatamente por ser tão óbvio é que estaremos seguros. Você
virá até mim por meio de uma chave de portal; ela somente pode ser ativada por
você para que não corramos riscos desnecessários. Infelizmente, não estou
recluso aqui o tempo todo. Periodicamente sou chamado a desempenhar meu papel
junto ao Lorde das Trevas. Mas seu acesso a este apartamento será permitido
independente da minha presença ou não.
Quando ela fez menção de deixar a mesa, ele se levantou e foi para seu lado
acompanhando-a até a sala.
Um cavalheiro à mesa e um devasso na cama. Merlin, esse homem existe? Ai meu
Deus, lá estou eu pensando de novo, sem contar que ele é a inteligência em
pessoa. Cale-se, Hermione!
Ele se aproximou, retirando do bolso de suas vestes um delicado estojo. Dentro
dele, uma fina corrente capturava um pequeno berloque de madrepérola em formato
de gota.
– Esta é a chave para que você regresse até mim.
Suavemente, afastou a massa de cabelos castanhos e prendeu o cordão no delicado
pescoço, aspirando o perfume que dela emanava. Ao observar as marcas que a
infligira, puxou sua varinha e murmurou um pequeno encantamento, fazendo-as
desaparecer. – Você não precisa retornar com isso, guarde apenas em sua memória.
Quanto menos explicações você tiver que dar sobre sua ausência, melhor.
Ela se virou, os olhos levemente marejados diante de tudo que passara nas
últimas horas. Não queria parecer uma tola, mas seu peito girava em um turbilhão
de emoções.
Percebendo que havia muito mais em jogo, ele resolveu falar:
– Hermione, quando você chegou aqui ontem à noite, a princípio, minha intenção
era somente lhe assustar um pouco, afrontando toda a sua pose, e me divertir
vendo até onde a sabe-tudo iria por suas convicções. Esqueci, entretanto, de
algo ao qual eu já fora avisado por aquele romântico incurável.
Ele pausou dando uma respiração profunda antes de continuar:
- Muitos anos atrás houve em minha vida alguém muito parecida com você. Fomos
amigos desde a infância, e graças às minhas escolhas erradas, eu a perdi duas
vezes. Após sua partida, eu me fechei e jurei nunca mais me envolver com
ninguém. Alvo vivia me alertando que eu deveria parar com essa bobagem e olhar
ao redor, pois a vida me daria uma nova chance quando eu menos esperasse. Lógico
que nunca levei isso a sério, até que...
A distância entre eles era quase nenhuma, ela permanecia olhando atentamente
para o homem à sua frente, com a respiração entrecortada, ciente de que aquele
era um momento incomum na vida dele. Os olhos de ébano jamais pareceram tão
brilhantes como naquela hora, e mesmo com a claridade do lugar, suas pupilas
estavam totalmente dilatadas.
– Até que...? – ela perguntou.
– Droga, Hermione, isso não é fácil. Estamos no meio de uma maldita guerra,
tenho que representar um papel nada agradável, estou sendo procurado por matar o
homem que me acolheu, protegeu e defendeu, e descobrir no meio disso tudo que
existe alguém que pode fazer minha vida ser diferente não torna as coisas mais
brandas.
A voz dele agora vinha carregada de melancolia, e ela resolveu pôr sua coragem
grifinória à frente e deu o passo que faltava para que alcançasse seu rosto.
Suas mãos o envolveram, e ela correu os dedos por seus lábios, procurando sua
boca com delicadeza, aprofundando o beijo à medida que ele baixava seu pescoço,
retornando seus esforços.
– Shhh... não fale mais nada – ela sussurrou entre os pequenos beijos que
plantava em seu pescoço. – Vamos nos concentrar em trabalhar juntos para que
essa guerra estúpida termine. Depois veremos o que a vida nos reserva. No
momento é reconfortante saber que tenho porque voltar.
Ele se permitiu retribuir o afago. No meio de tantas turbulências, encontrara um
oásis e tentaria viver um dia de cada vez.
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