Censura: 14 anos.
Gênero: Angst, Drama, Romance.
Spoilers: HBP.
Resposta aos desafios de frases da Sandy.
6- “Eu nunca imaginei que você tinha a capacidade de chorar.”
9- Diálogo:
“- Eu nunca acreditei em amor. Amor é uma ilusão na qual somente os tolos acreditam”.
“- Dumbledore acreditava no amor”.
“- E se deixou matar. Isso não é
uma tolice?”
Resumo: Uma noite fria um casal tem contas para acertar. Ele um espião, ela apenas mais um contato. O problema está no fato de ambos procurarem algo mais para suas vidas. Algo que os aqueça.
Notas: De tanto a Gabi me encher acabei fazendo essa song. A música é Segredos do Frejat, e desde a primeira vez que a ouvi ela teve uma cara de Sevvie!! Espero que gostem.
Agradecimentos: À minha irmã-beta-comensal, Gabrielle, cujas ameaças... Quero dizer..., cujo incentivo me ajudou a escrever essa fic! E a Minha Manis maravilhosa, Roxane Norris, que me salvou de uma enrascada no fim da Fic, Xêru Mamis!! Ti amo!
Disclaimer: Todos os personagens que você consegue reconhecer são de
JKR, os outros são meus.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2007, uma iniciativa do grupo SnapeFest.
Segredos.
By Sheyla
Snape.
“Eu procuro um amor
que ainda não encontrei
diferente de todos que amei”
Mais uma noite fria e
particularmente inquieta, ou seria o contrario? Ela não saberia dizer se era
à noite realmente, ou apenas ela mesma.
A verdade era que já se passara
mais de três horas e nenhum sinal do seu contato aparecer, e ela
definitivamente já perdera a paciência.
Não fosse sua obrigação, e a
importância vital da informação que aguardava, já teria saído de onde
estava.
“Seja realista, você só está aqui
esse tempo todo porque quer noticias dele mais que qualquer outra coisa,
apenas é incapaz de admitir isso!”
Ela estava realmente impaciente,
para não dizer aflita, com tamanha demora.
“Ele não costuma atrasar dessa
maneira, certamente algo saiu errado, mas o quê?”
A respiração acelerada da mulher
era cada vez mais visível a medida em que o frio se acentuava. O rosto
branco estava marcado por pequenos pontos avermelhados, evidenciando a queda
de temperatura, e certamente lembrando-a que não vestira agasalhos
suficientes.
“Mas que inferno, onde ele se
meteu? Vai me deixar aqui esperando a noite toda, ou o quê?”
Ela não conseguia mais ficar parada
– congelaria se o fizesse. Começou então a andar de um lado para o outro na
estreita calçada. Estava naturalmente, encoberta de olhares curiosos pelas
sombras. Os ruídos dos saltos de seus sapatos, por mais abafados que fosse,
alertariam o tipo errado de pessoa... ou o certo.
Tentou se acalmar, pensar em
qualquer outra coisa que não fosse o aperto em seu peito pela demora dele.
Sabia que para ele era cada vez mais difícil ausentar-se, estava sob
vigilância. Os dois estavam.
Definitivamente andar a aqueceria e
manteria sua mente ocupada em não fazer barulho. E funcionou... tão bem que,
distraída, ela não o viu se aproximar, não percebeu os passos dele, e
principalmente, não parou de andar, esbarrando no corpo dele com toda força.
“Nos seus olhos quero descobrir
uma razão para viver
e as feridas dessa vida
eu quero esquecer”
Num reflexo, ele a segurou pelos
braços... trazendo-a junto do seu próprio corpo para manter o equilíbrio,
evitando assim que ambos fossem ao chão.
Eles cambalearam alguns passos antes de equilibrarem-se. Quando finalmente pararam, os olhos se encontraram num misto de confusão, surpresa e... lembrança. A lembrança de um encontro muito semelhante há poucas semanas, do brilho e das conseqüências...
É claro que nenhum dos dois
comentou nada depois disso, permanecendo apenas o leve e discreto
constrangimento entre eles.
Mas foi intenso, mágico, e por que
não dizer... sublime. Mesmo para um homem como ele, e uma mulher como ela.
Experiência e juventude. Força e compaixão. Fogo e... mais fogo.
A diferença era que um conseguia
conter-se, disfarçar. Os anos de experiência o ajudavam, e muito! Sempre
fôra mais fácil esconder o que se sente trás de um manto obscuro e mau
humorado. E era isso que os olhos negros faziam. Mas, ainda assim, pequenos
flashes eram visíveis... Na verdade, eram clarões em meio à escuridão
profunda e qualquer pessoa atenta poderia percebê-los.
Mesmo alguém tão distraído como
ela.
Alguém que, diferente dele, não
escondia os sentimentos, nem o brilho de satisfação, alegria e alívio em
vê-lo.
Uma vivacidade sempre tão presente
nela era capaz de contagiar até mesmo ele. Dando-lhe, mesmo que por poucos
segundos, a certeza de que tudo estaria bem no final. Que a vida era bela, o
mundo um lugar que sempre o receberia de braços abertos, bastava apenas ele
se deixar levar, permitir-se um pouco de calor humano e todos os males,
físicos ou de sua alma, seriam curados.
Então ele estaria pronto para
realmente esquecer o passado, perdoar-se e viver.
Quem sabe até... ter o direito de
amar...
... ou ser amado.
“Pode ser que eu a encontre
numa fila de cinema
numa esquina ou numa mesa de
bar”
“Amar... Quem no mundo amaria um
homem como ele? Quem?” Essa era a pergunta insistente em sua mente toda vez
que a via, cada uma das vezes que seu coração ensaiava uma tentativa de
amolecer, de romper os grilhões de gelo que o fazia ser quem era.
E ultimamente, como uma resposta
vinda dos céus os olhos dela brilhavam intensamente ao vê-lo, mesmo por
poucos segundos. Como agora ao reconhecê-lo. Não era a primeira vez que ele
reconhecia esse brilho, mas veementemente se recusava a mergulhar nele.
Sua mente negava, mas o salto em
seu coração não foi apenas pelo esforço de mantê-los de pé. Mas ele não
poderia se deixar levar. Ou poderia?
— Merlin, onde você... Quero
dizer... O senhor demorou, já estava quase desistindo de esperar!
O som morno da voz dela aqueceu-o.
Ela estava irritada, mas ainda assim preocupada com ele. Um lado dele
adoraria apenas abraçá-la e pedir desculpas pela demora, mas não seria ele,
não o lado que ela estava acostumada a ver. Então ele simplesmente disse o
que tinha que dizer.
— Sinto não poder ajustar minha agenda de comensal-espião com a sua, senhorita, mas entre me atrasar a esse encontro a um com o Lorde das Trevas, creio que até mesmo você seja capaz de reconhecer a escolha óbvia.
— Não me incomodo em esperar, apenas fiquei... – ela calou, percebendo que falara de mais.
— Você ficou...? – ele insistiu, a
característica sobrancelha erguida.
Ela baixou o rosto, certa de que
estaria mais avermelhado depois desse deslize. Detalhe devidamente percebido
por ele que só então se deu conta do calor do corpo dela e que ainda estavam
abraçados, as mãos dele em seus ombros, as dela sobre peito dele.
Arrepiaram-se. Seria o frio?
— Apenas fiquei preocupada. – o sussurro escapou antes de qualquer tentativa de controle.
— Mesmo?
Não havia sarcasmo, ou qualquer
vestígio da velha e irritante malicia sonserina. E ela percebeu. Erguendo o
rosto para confirmar.
— Mesmo. Você nunca se atrasa, e eu
deduzi corretamente o motivo... você está bem?
Ele assentiu levemente, deixando um
momento de completo silêncio estabelecer-se entre eles antes de responder:
— Não aconteceu nada fora do
costume, o Lorde apenas decidiu... Lembrar-nos que devemos ser fieis a ele.
Arrepiou-se novamente, desta vez
não foi o frio.
— Merlin, então você está...
— Eu estou bem, não se preocupe.
Mas o leve gemido dele ao tentar
fugir do abraço dela foi suficiente para denunciá-lo.
— O senhor está ferido, como pode estar de pé?
— Eu tinha que vir, não tinha?
“Procuro um amor
que seja bom pra mim
vou procurar, eu vou até o fim”
Ela sabia, ele não era o tipo de
homem pelo qual se interessaria. Em circunstâncias normais, sequer
dispensaria uma segunda olhada. Porém, havia algo mais nele...
Uma força além da simples
determinação obstinada, um senso de humor sutil por de trás do sarcasmo
extremamente cortante, e, acima de tudo... havia um homem bom e íntegro por
trás do espião, apesar das muitas opiniões contrárias, e que apenas fazia o
que ninguém mais tinha coragem, ou sangue frio, de fazer.
Trabalhar com ele era difícil, ele
era difícil, mas ainda assim a importância e o significado de tudo o que
faziam ficava evidente a cada dia, a cada nova informação, e,
principalmente, a cada vida poupada.
Era certo que haviam outros membros
da Ordem trabalhando duramente. Tão empenhados quanto ele, mas era
impossível reprimir essa admiração crescente pelo sombrio e enigmático
espião...
Ela sentiu-se culpada. Fazia tão
pouco tempo que rompera seu namoro.
“Se é que aquilo poderia ser
chamado de namoro!”
Um amor difícil de ser conquistado,
relutante e que, apesar de ter sido bom pelo sabor da conquista, tornou-se
praticamente unilateral da parte dela. E irritantemente morno. Na verdade
eles não passaram de bons amigos com alguns... benefícios.
Não foi surpresa nenhuma para ele
quando ela sugeriu que mantivessem a amizade. Na verdade, ela ainda
sentia-se triste ao lembrar que ele nem ao menos lutou parar manter o
relacionamento.
O barulho de algumas latas de lixo
indo ao chão mais adiante na rua os trouxe de volta. Poderiam ser apenas
alguns bêbados deixando o bar no fim da rua, contudo...
Eles estavam errados.
Logo a rua encheu-se de pessoas,
eles não sabiam identificar se eram trouxas ou bruxos, mas era certo que não
poderiam mais permanecer onde estavam.
— Não podemos mais ficar aqui, não é seguro.
— Mas então pra onde vamos? Não
podemos aparatar em qualquer lugar!
Ele a olhou, um pequeno levantar de
seu lábio foi tudo que ela percebeu antes de segurar a sua mão e sumirem,
pouco depois de mais uma explosão.
“E eu vou tratá-la bem
pra que ela não tenha medo
quando começar a conhecer
os meus segredos”
Dizer que conhecia o lugar seria no
mínimo um disparate. Mas sim, ela estava em casa.
— Você nos trouxe ao meu apartamento? Mas como sabia onde estou morando?
— Eu não seria um bom espião se não
soubesse de coisas das quais os outros não sabem, não é mesmo?
Ela tentou manter sua dignidade
forçando uma cara emburrada ao invés de rir do gracejo torto dele, mas
preocupou-se ao vê-lo se afastar dela.
— Alguma coisa errada? Você está bem?
— Não se preocupe, eu... – ela o viu se apoiar na estante perto de uma poltrona. — Foi só um arranhão!
— Como assim arranhão?
Ele respirava pausadamente, parecia
ter dificuldades.
— Não é nada, já disse!
— Estou vendo, você mal consegue respirar! Sente-se logo nesse sofá antes que desmaie! – ela caminhou da direção dele, amparando-o ao sentar.
— O que pensa que está fazendo? – as mãos dela estavam nos ombros dele, retirando o pesado casaco que o protegia do frio.
— Cuidando de você, não está vendo?
Tire logo isso antes que eu perca a paciência! – ela ignorou o protesto
dele, mas preocupou-se ao vê-lo encolher-se de dor.
Ele a fitou, incrédulo... desde
quando ela ousava falar assim com ele? Mas curiosamente algo nela não o
deixou protestar. Cansado, ele apenas suspirou enquanto sentia as mãos dela
deslizarem pelo seu corpo.
— Merlin, você não parece nada bem!
O que realmente aconteceu nessa reunião?
Uma resposta mais que sarcástica
rolou de sua mente até sua língua, porém não foi isso que seu corpo permitiu
que fizesse, e um gemido involuntário escapou dele assim que ela terminou de
puxar o casaco.
— Mas o que...!? – ela exclamou
assustada com a reação dele. Quase como uma resposta a ela, as mãos dele
foram até o abdômen e retornaram sujas de sangue.
O liquido morno escorria no corpo.
Ele se esforçou para não deixá-la perceber, mas foi inútil... em segundos
ela puxara sua mão e contemplava preocupada o sangue.
— Por quanto tempo pretendia esconder isso?
— Tempo suficiente para conseguir
chegar em casa. Eu sei me cuidar sozinho, caso ainda não tenha percebido! –
ele se esforçou para manter seu rosto o mais enraivecido possível, mas ela
em nada se abalou. Parecia anestesiada com algo mais importante...
preocupação. E, ignorando completamente o que ele dizia, levantou-se e foi
até uma porta lateral.
Atônito, ele apenas acompanhou-a
com os olhos... “Onde infernos ela pensa que vai?”
A resposta não demorou a vir...
Trazendo uma bacia com água e algumas outras coisas, ela apenas afastou os
livros que estavam em cima de uma mesinha em frente ao sofá e, num tom firme
e profissional, ordenou-o que retirasse a camisa.
Ele a encarou, por um segundo
inteiro sem saber se gritava com ela, aparatava dali ou...
— Não estou brincando Severo, tire
essa camisa antes que esse ferimento se torne algo pior do que provavelmente
já é!
“Eu procuro um amor
uma razão para viver
e as feridas dessa vida
eu quero esquecer”
Enquanto ela arrumava os objetos em
cima da mesinha, ele se viu desabotoando o paletó e a camisa. Não sabia
realmente o porquê de estar obedecendo-a, era como se estivesse numa espécie
de piloto automático. Apenas reagindo ao que lhe ordenavam. Ainda mais
depois de tudo o que acontecera naquela maldita reunião. Retornou de seus
pensamentos com o gemido assustado dela.
Sua camisa estava ensopada de
sangue, na lateral do corpo via-se um grande e profundo corte.
— Por Merlin!! Eu... eu acho melhor você deitar! Isso parece grave! Não... talvez seja melhor ir ao...
— Eu não vou a lugar nenhum! – ele falou um pouco ríspido.
— Tudo bem, mas então terá que
fazer o que eu mandar. – ele estreitou os olhos, mas não protestou.
Nos minutos seguintes nada foi
dito, os únicos sons ouvidos eram o barulho de água na bacia, o tilintar dos
vidros de algumas poções e a voz suave dela ao entoar alguns feitiços
regenerativos. Quanto finalmente conteve a hemorragia e o fez tomar uma ou
duas poções, ela passou a cuidadosamente embeber a esponja limpa na água e
limpava o local, controlando-se para esquecer o fato de que tinha Severo
Snape, nu da cintura pra cima, deitado em seu sofá. E sem reclamar.
Provavelmente o cansaço o vencera a
ponto de não protestar. Mas ela sabia que estava acordado... os olhos negros
abertos a observavam atentamente, ele parecia levemente em transe, e ela
esforçava-se para não encará-lo. Mas isso não a impedia de admirar o peito
coberto por poucos pêlos que desciam pelo e abdômen dele.
A compressa nas mãos dela
demorava-se mais tempo que o necessário na região e os olhos escuros caíram
sobre ela como navalhas. Ela hesitou enquanto as mãos fortes dele retiraram
a compressa das dela, e irritado, esbravejou:
— Já se deliciou o suficiente,
senhorita? – disse ríspido, mas havia algo mais ali. Ele recolocava a camisa
enquanto levanta-se. — Permita-me refrear suas boas intenções.
Apesar de assustada, ela corara ao
ver o olhar de repreensão dele sobre ela. Cometera um erro ao se deixar
levar, recuou um passo, mas era tarde demais. Snape já estava de pé, e usava
seu corpo para prendê-la contra a parede numa atitude clara de intimidação.
Seus olhos brilhavam, mas contendo-se ao extremo, ela levantou o rosto e o
encarou, firme.
— Quem a senhorita pensa que é para...
— Sou a única pessoa em todo mundo
bruxo em quem você pode confiar, provavelmente a única viva que confia em
você... ou que você ainda não matou, diga-se de passagem!! A única que sabe
que você ainda está do lado certo nessa guerra, portanto, isso me faz sua
amiga única amiga.
De repente o brilho sumiu do olhar
dele, deixando no lugar apenas as duas íris negras como a noite onde ela não
conseguia sequer ver o próprio reflexo.
— Muito obrigado por me lembra que eu o matei.
— Eu sinto muito... eu... eu não queria...
— Esqueça.
Foi como se a força que existia
nele se dissipasse... lentamente ele se afastou dela e sentou no sofá,
baixando a cabeça e deixando os cabelos caírem sobre seu rosto. Parecia uma
atitude infantil, mas era tudo o que ele poderia fazer no momento.
— Você fez o que prometeu a ele,
e... e ele estava morrendo no final das contas, você mesmo me disse isso,
sabia que não existia antídoto para o veneno que ele bebeu, não se culpe...
– ela gentilmente tocou o ombro dele, sentindo-o tremer.
Pensou no quanto aquele homem,
sempre frio e fechado dentro de si mesmo, sofrera. Ninguém, nem mesmo ela,
chegou a pensar o quanto ele poderia ter sofrido por matar a única pessoa
que confiava nele. O único bruxo que daria a vida por Severo Snape.
Sem perceber o que fazia, ela se
ajoelhou na frente dele, a mão subiu pelo ombro dele, apertando-o, tentando
confortá-lo, sabendo que... certamente ele nunca chorara a morte do diretor.
— Eu nunca imaginei que você tinha
a capacidade de chorar.
Ele não se moveu.
— Mas não é vergonha nenhuma fazer
isso... todos nós sentimos a morte dele.
O silêncio pesou alguns instantes,
e ela sentiu que ainda precisava falar.
— Dumbledore só pediu aquilo a você
porque sabia, Severo... sabia que seria o único forte o bastante para
fazê-lo. Dumbledore te amava. Amava como a um filho!
A tensão nos ombros dele era
imensa, ela podia sentir sob seus dedos. Mas não parou de falar, ele
precisava exorcizar o que sentia, ou não conseguiria continuar a viver. Mais
que isso... ele precisava de algo para se agarrar, para seguir em frente.
— E... e eu também o amo, Severo
Snape!
Pode ser que eu gagueje
sem saber o que falar
mas eu disfarço
e não saio sem ela de lá
Ele ergueu o rosto... Não havia
lágrimas nos olhos negros, mesmo a dor era superada por outro sentimento...
surpresa.
— O quê? Você acha que eu esqueci aquele beijo? – a mão dela abandonou o ombro dele, continuando seu caminho até a nuca.
— Eu nunca acreditei em amor. Amor é uma ilusão na qual somente os tolos acreditam.
— Dumbledore acreditava no amor.
— E se deixou matar. Isso não é uma tolice?
— Não Severo... não é! Se você
também não o amasse, não estaria se sentindo assim agora, e eu posso sentir
isso em você, bem aqui. – colocou uma das mãos no peito dele.
Snape sabia que ela estava certa,
porém nunca fora um homem de amores. Ele definitivamente não sabia como
lidar com aquilo.
— Dumbledore sabia que se não se
deixasse matar, nem você, nem o Draco estariam vivos. Ele sabia da
importância de vocês dois nessa guerra! E se você me permitir um pensamento
egoísta... – suspirou cansada. —Eu não teria a chance de te conhecer de
verdade, não fosse essa situação toda, concorda?
Os olhos dela brilhavam entre o
divertimento e a doçura... eles nunca possuíam a mesma cor, variavam tanto
quanto os irritantes cabelos que ela teimosamente usava o mais
espalhafatosamente possível. Contudo... o brilho de otimismo e vivacidade
sempre estava lá para ele. Como uma chama em uma torre mais alta, ou em um
farol num dia de tempestade.
Mais uma vez eles viram o fogo que
ardia no fundo dos olhos um do outro... Mais uma vez foi irresistível tentar
não se perder dentro daquela chama, somente para desviar a atenção para os
lábios um do outro. Entreabertos, convidativos...
Um movimento da língua dela para
umedece-los foi o suficiente para desencadear o que ambos desejavam desde
que se esbarraram mais cedo.
Ela estava ajoelhada diante dele, a
poucos centímetros que foram vencidos em uma fração de segundos. Colando
seus corpos. Unindo suas bocas. Selando o desejo em um beijo que tinha de
entrega tanto quanto ganhava em ardor e luxúria...
Luxúria que crescia... Dominava...
Exigia...
Exigia mais contato, e as mãos
despudoradamente atendiam... desabotoando camisas, apalpando seios em um
decote já ousado... mãos que avidamente retiravam o cinto e desabotoavam a
calça... despindo-as... provocavam e massageavam...
Até que...
— Nynphadora nós não... eu não... – os dedos gentis dela colocaram-se sobre os lábios finos dele, impedindo-o de continuar.
—Shh... Por favor, não diga nada!
Eu já estou enjoada de ouvir isso de tanto o Remo começar as frases dele
exatamente desse jeito. E você não quer ser comparado a ele, quer?
Ele franziu as sobrancelhas para
ela. Claramente irritado com a comparação, ela riu.
— Você fica lindo com essa cara de mau, sabia? Quase me deixou com medo dessa vez!
— Veremos até onde vai essa sua
coragem grifinória!
Sem aviso, sem mais espera, ele a
beijou. Tão ardentemente quanto antes. Deliciando-se com a maciez dos lábios
dela e sentindo que talvez... talvez dessa vez ele teria uma chance de amar
verdadeiramente e ser amado.
“Procuro um amor
que seja bom pra mim
vou procurar, eu vou até o fim.”
FIM.