Beta-reader: Clau
Snape
Pares: Nenhum.
Censura: Livre
Gênero: Drama
Spoilers: Livro 6
Avisos ou Alertas: Prepare o lenço, a fic é tão ruim que chega a ser triste.
Desafio: Nenhum.
Resumo: Enquanto todos o procuram pelo resto do mundo, Severus está em
Hogwarts, talvez pela última vez na vida, para destilar sua culpa.
Notas: É uma fic triste, sem dúvida. Se gostar, deixe um review, se não
gostar, deixe um review da mesma maneira, ok?
Agradecimentos: Fadinhas da inspiração! Por mais que nós possamos brigar
feio de vez em quando, dessa vez vocês foram generosas. Tia Claudia, betinha
linda do meu coração!
Disclaimer: Todos os personagens que você consegue reconhecer são de JKR, os
outros são meus.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2007, uma iniciativa do grupo SnapeFest
O Túmulo Branco.
Ali estava ele. Enquanto todos o procuravam
desesperadamente pelos becos escuros do mundo mágico, ele estava ali.
Através dos altos portões de ferro, ele via a imagem triste e desolada do
castelo. Praticamente toda sua vida ali dentro. Os tórridos anos como aluno,
sozinho, recolhido e impopular entre os colegas de todas as séries e casas.
Depois todos os anos como o temido e odiado mestre de Poções. Corredores
escuros, frios e vazios, outrora cheios de alunos barulhentos e alegres,
assoviavam o ar que passava. O vento gelado da noite, mesmo no verão,
cortava o rosto do homem. Passara pelo portão.
Não tiveram o mínimo cuidado de trocar as proteções contra mim. Claro, eles acham que eu não teria a coragem de voltar aqui. Não depois do que aconteceu. Toda uma vida jogada no lixo. Tudo por causa de um garoto mimado com uma missão estapafúrdia de matar o maior bruxo de todos os tempos.
Por causa desse bruxo, aliás, é que sua vida estava daquela maneira agora. Foragido, ainda mais odiado e com uma culpa que ele mesmo não conseguia suportar.
Caminhou pelo jardim da escola, com um misto
de culpa, raiva e dor, muita dor. Por mais que tivessem acertado tudo e ter
a certeza de que o tinha que fazer era o certo, ele não podia simplesmente
aceitar que fizera aquilo.
Dumbledore fora mais que um patrão. Mais do que um líder a ser seguido cegamente, mais que um aliado, um amigo. Dumbledore fora o pai e a família que ele jamais teve. Sim, seus pais não foram os melhores exemplos de família que ele carregava consigo em suas memórias. Não... seu exemplo de família fora Dumbledore, que mesmo sabendo toda a verdade sobre o que ele faria ali, o aceitou, confiou em suas ações. O acolhera quando todo o mundo a seu redor estava caindo e lhe dera uma posição decente na escola, na vida.
Mas o preço por tudo o que recebera do velho bruxo fora caro demais.
Aproximou-se do túmulo branco, onde ele
descansava em certa paz e sentiu sua raiva aumentar ainda mais, e a dor
dilacerar sua alma com mais intensidade. Havia algumas flores secas ao redor
do túmulo. Secas, enrugadas e mortas. Talvez seu coração, tão conhecido como
de pedra, estivesse da mesma maneira. Sentiu a força poderosa que aquele
túmulo exalava, uma força que outrora tinha sido ainda maior, mais potente e
vibrante. Uma força que costumava aconchegar até a mais fria e insensível
criatura. Tão vibrante que era a principal arma contra o Lorde. Com tudo
apagado, a culpa era sem dúvida nenhuma dele.
- Você me obrigou a isso Dumbledore. Não era
o que eu queria, você sabia. Mas você jamais se importou realmente com o que
eu queria, com o que eu gostaria de fazer. Você simplesmente me impôs suas
ordens e eu que me virasse em cumpri-las. Pois agora as coisas estão piores,
seu velho idiota. Agora eu tenho a cabeça à prêmio em ambos os lados, sabia?
O Lorde das Trevas não acha que eu deveria ter matado você, afinal, esta era
a missão daquele imbecil do Malfoy. E claro, o seu querido Potter também
quer a minha cabeça. Afinal, eu sou um traidor, um covarde que jamais
mereceu sua confiança e o enganou durante todos esses anos. Sabe, eu estou
começando a acreditar, pela primeira vez que ele tem razão. Eu sou mesmo um
covarde, um fraco, um traidor. Você sempre me disse que eu deveria fazer a
coisa certa, e ali, naquele momento eu fiz a coisa certa. Acontece que fazer
a coisa certa nem sempre significa fazer o que se deseja. Eu sabia que
aquela poção era venenosa, Albus, afinal, eu mesmo a preparei para o Lorde,
mas eu sabia também que havia o antídoto. Mas não, você quis do seu jeito,
da sua maneira, e eu me pergunto para quê. Para morrer? Deixar todos nós
vazios, sem esperança, sem um verdadeiro líder para nos guiar contra ele.
Por mais que você dissesse que era necessário... necessário para quem? Para
você mesmo? Você acha que eu queria mesmo ter atirado você daquela porcaria
de torre? Você acha mesmo que eu sou tão frio a ponto de não me importar com
a única pessoa que me deu a mão quando eu estava caído? Não... você jamais
vai saber como eu me senti naquele momento. A raiva, o ódio, o nojo que eu
senti de mim mesmo foi tão grande naquele momento que eu não pude desistir
de tudo. Albus, eu iria morrer dormindo! Com a imagem menos detestada do que
agora. A culpa foi minha, eu sei, eu fiz aquela desgraça de voto perpétuo
por medo. Medo de ser descoberto e colocar tudo a perder. A verdade é que
por mais que eu quisesse esquecer tudo e morrer, eu tinha aquele estigma que
você colocou em mim. Eu tinha que proteger o idiota do Potter, eu tinha que
proteger você, seu desgraçado. Eu tinha que proteger você por débito do que
você fez por mim e para quê? Para eu mesmo ter que matá-lo? Sabe, ter que
fazer isso não foi a parte mais justa e corajosa do acordo. Mas eu estava
sob suas ordens. Minha vida agora é ainda mais miserável e estúpida, por um
ato que você me fez cometer. Minha vida já não tem mais sentido, Albus. Eu
não vou mais ficar fugindo de tudo e de todos. Eu simplesmente vou me deixar
pegar, morrer. Não me interessa mais que lado vai vencer essa maldita
guerra. Minha dignidade foi enterrada junto com você, Dumbledore.
Ele virou de costas para o túmulo e olhou uma
última vez para o castelo. Vazio, frio, quieto, abandonado.
Assim como ele. Assim como sua vida, sua
existência.
Severus caminhou de volta para os portões e
saiu. Somente o vento gelado daquela noite de verão e as árvores que
balançavam foram testemunhas de uma única lágrima que teimava em cair dos
olhos do ex-mestre de Poções.
FIM