Nome da fic: Uma
Noite em Azkaban
Autor: BastetAzazis
Beta-reader: Magalud
Pares: Snape/Hermione
Censura: 16 anos
Gênero: Romance
Spoilers: não
Resumo: Hermoine precisa de uma
última conversa com seu antigo mestre de Poções antes de decidir como seguir
com sua vida.
N.A.: Originalmente,
esta fic era para ser uma songfic com a música “Na sua estante”, mas eu
descobri que realmente não sou muito fã de songfics e a história se
distanciou um pouco da letra da música. Entretanto, acho ainda serve como
trilha sonora para acompanhar a fic!
J
Desafio: Essa fic
foi uma resposta aos desafios de prompts 2: Escolhas; e 4:
Azkaban
Disclaimer: É tudo
da J.K.Rowling. Eu só escrevi isso para poder participar do SnapeFest!!!!
Esta fic faz parte do
Snapefest 2007, uma iniciativa do grupo SnapeFest!
\o/ \o/ \o/ \o/ \o/
A lua minguante
deixava a noite mais sombria enquanto as nuvens escondiam as estrelas que
brilhavam acima delas. Era uma noite escura e fria, e o vento gelado que
atravessou sua espinha fez Hermione pensar mais uma vez se estava fazendo a
coisa certa. Era claro que não estava; se estivesse, não teria precisado
usar sua fama e dinheiro para subornar o vigilante, nem teria que mentir
para Harry e Rony sobre o seu paradeiro naquela noite.
O barco encantado que
a levaria até Azkaban já estava atracado, esperando por ela e pela senha que
o vigilante lhe ensinara. Hermione olhou mais uma vez para o horizonte
escuro através do lago negro; nenhum sinal de Azkaban ou qualquer pedaço de
terra onde ela pudesse desembarcar. Seria uma viagem longa através da
neblina que começava a se formar acima das águas, mas ela precisava fazer
aquilo. Respirou fundo e tomou coragem para pisar no barquinho ancorado à
sua frente. Murmurou as palavras mágicas e um fino raio colorido saiu de sua
varinha, fazendo o barco se mover.
Sozinha, no silencio e
na escuridão da noite, Hermione voltou seus pensamentos para onde tudo
aquilo havia começado; ou melhor, para quando havia começado. Ela decidiu
que o quando foi exatamente naquela noite do baile em Hogwarts, o
Baile de Inverno no ano do Torneio Tribruxo. Sim, foi ali que ele a olhara
daquele jeito pela primeira vez. Ela era jovem e estava encantada com a
forma com que todos a olhavam naquela noite, admirados, mas tudo que
importava para ela era como Rony reagiria quando a visse. E ela estava tão
interessada no amigo de cabelos ruivos que mal registrara os olhos pretos
que se desviaram dela quase instantaneamente. Mas o arrepio que percorreu
seu corpo apenas com um relance daquele olhar não fora esquecido; apenas
deixado de lado por alguns anos.
Dois anos depois, o
mestre de Poções havia se tornado seu professor de Defesa Contra as Artes
das Trevas. E enquanto Harry e Rony reclamavam das perseguições dele contra
os grifinórios, Hermione tentava decifrar por que os olhares dele durante as
aulas a perturbavam tanto. Aqueles olhos pretos a provocavam, fazendo seu
corpo se arrepiar e sua mente vagar por coisas totalmente inadmissíveis
quando estava deitada sozinha em sua cama. Racionalmente, ela concluiu que
aqueles pensamentos eram apenas um efeito do amor mal-correspondido por
outra pessoa, pois seu coração estava sendo despedaçado pelo amigo ruivo
outra vez, que freqüentemente a provocava aparecendo à sua frente
acompanhado da Lavanda Brown. E mais uma vez ela deixou aquela sensação de
lado para pensar no Rony.
O ano passou
rapidamente e, junto com a felicidade da maioridade bruxa, Hermione e Rony
finalmente se acertaram. Os dois voltaram a ser amigos inseparáveis no
início, uma amizade que rapidamente se transformou em namoro durante as
férias de verão, com o apoio de Harry. Com um suspiro, ela pensou que talvez
fosse a presença do Rony naquela época o que lhe dera força e a fizera se
esquecer do mestre de Poções; o dissimulado Comensal da Morte, que fingiu
ser leal a Dumbledore para depois apunhalá-lo pelas costas. Ela tinha
confiado nele, várias vezes discutira com Harry por causa disso, e ele
traíra sua confiança. Ela podia aceitar o temperamento explosivo dele e os
insultos contra os grifinórios, podia entender a reclusão dele, a inimizade
contra Sirius e Lupin, até a Marca Negra no braço esquerdo, mas jamais o
perdoaria pelo assassinato de Dumbledore.
Entretanto, aqueles
olhos pretos não a deixavam em paz. Perseguiam-na durante a noite, nos seus
sonhos, ou mesmo quando ficava acordada até tarde. Rony jamais conseguira
fazê-la sentir-se assim com apenas um olhar, e, quando eles finalmente
decidiram burlar os cuidados da Sra. Weasley e se entregaram totalmente um
ao outro, por um leve momento ela se viu desejando que Severo Snape
estivesse com ela.
Mas ela só o
encontrara pessoalmente de novo depois da guerra. Com Voldemort derrotado,
os Comensais da Morte sobreviventes foram capturados e presos, Severo Snape
entre eles. Ela o vira no dia do julgamento, que coincidentemente fora o dia
em que Rony anunciara o noivado deles. O trio era famoso agora, bajulado por
todos os jornais; a notícia do noivado entre Rony Weasley e Hermione Granger
ocupou a primeira página do Profeta Diário aquele dia, quase
ignorando o julgamento do assassino de Alvo Dumbledore. Quase, pois, como o
jornal mesmo afirmava, o jovem casal poderia ser visto no julgamento, uma
vez que o trio fora chamado para depor sobre os acontecimentos daquela
noite.
Naquela época, a Ordem
da Fênix já estava a par do acordo entre Snape e Dumbledore, e havia se
prontificado a ajudar na defesa dele. Pouco antes da morte de Voldemort, ele
procurara Harry e lhe contara exatamente como tudo aconteceu; as entrelinhas
por trás da cena que Harry testemunhara embaixo da sua capa de
invisibilidade. Fora graças a Snape que as horcruxes restantes foram
encontradas e destruídas, mas o Conselho responsável pelo julgamento
ignorara todos esses fatos, lembrando-se apenas da morte de Dumbledore.
Severo Snape fora condenado e já estava há mais de um ano preso em Azkaban.
Hermione estava
presente quando a sentença fora anunciada. Dez anos. Lembrava-se daquele dia
como se fosse ontem. Apenas dez anos – ela repetiu em sua mente o
comentário que ouvira de um bruxo no julgamento –, devido às
circunstâncias atenuantes. Naquele dia, ela sentiu pena do homem à sua
frente, as costas encurvadas e a cabeça baixa, rodeado pelas pessoas que o
condenavam, carregando o peso da humilhação e da culpa, sentindo-se
merecedor daquela sentença.
Então, ele levantou a
cabeça, e seus olhares cruzaram-se uma última vez. Ele ainda a olhava com
aquele olhar penetrante, que a fazia sentir-se nua no meio de todas aquelas
pessoas, e um arrepio familiar percorreu seu corpo. Ele levantou uma
sobrancelha para ela, e ela finalmente percebeu que ele a amava. Desejou ser
legilimente para ler os pensamentos dele, embora a expressão daquele rosto
substituísse mil palavras. Entretanto, mais ninguém ali pareceu perceber o
diálogo silencioso de olhares entre os dois, e, quando ele foi levado para
os dementadores e as pessoas em volta vieram cumprimentá-la pelo noivado, a
certeza que ela tinha sobre os sentimentos dele se perdeu, e em pouco tempo,
ela se viu envolta em preparativos para o casamento, vestidos, decoração,
etc.
Enquanto Harry e Rony
estudavam para serem aurores, Hermione ainda estava indecisa quanto à
carreira a seguir. A Sra. Weasley parecia não se preocupar muito com isso,
fazendo questão de ensiná-la os segredos de uma verdadeira dona-de-casa
sempre que podia. Em pouco tempo ela se viu fugindo da presença da futura
sogra, e a insistência da Gina em lhe mostrar diversos modelos de vestidos
de noiva e enfeites de salão não contribuíam em nada pela repulsa crescente
que começava a sentir pelos Weasleys. Mas foi quando Rony começou a lhe
mostrar diversas casas no valor que poderiam alugar para começar sua vida
como casal que ela percebeu que não estava tão entusiasmada com o casamento
próximo quanto deveria. Nada lhe agradava, e ela não conseguia se ver como a
futura Sra. Rony Weasley. Havia uma coisa mal resolvida em seu passado, e
ela não poderia começar uma nova família até ter total certeza dos seus
sentimentos.
Não fora difícil
convencer o vigilante noturno a deixá-la entrar em Azkaban no meio da noite;
sua fama era a desculpa perfeita. Para evitar atrair jornalistas curiosos,
Hermione seguiria para a prisão bruxa numa noite escura, secretamente, numa
condução providenciada pelo próprio vigia. Claro, convencê-lo a permitir que
ela se encontrasse a sós, sem a presença dos dementadores, com Severo Snape,
precisou de um pouco mais de persuasão – e boa parte da poupança que seus
pais mantinham para ela desde criança. Entretanto o dinheiro trazia suas
vantagens: sem explicações, sem interrupções, meia hora sozinha na cela de
Severo Snape.
Finalmente, por trás
da neblina que ficava cada vez mais espessa, Hermione conseguiu visualizar o
que parecia ser a silhueta de um castelo, construído isolado numa ilhota no
centro do lago enorme. Não era radiante e envolvente como Hogwarts, mas
sombrio e amedrontador, e um desejo de voltar atrás se apossou dela.
O que ela diria quando
o visse? O que ela faria? Como explicaria o motivo da sua presença em
Azkaban? Ele a faria sentir-se o mais idiota dos seres se ela tentasse
explicar-lhe que estava ali apenas baseada na suposição do significado de um
olhar anos atrás. Ele a faria voltar à ingenuidade dos seus quinze anos, e
ela já sentia o rosto enrubescendo com a simples idéia de revê-lo. Pensou em
ordenar para que o barco voltasse, mas então lembrou-se de que devia isso ao
Rony; precisava ter certeza de seus sentimentos antes de seguir em frente
com um projeto que poderia arruinar a vida dos dois. E deixou o barco seguir
o seu curso.
Não levou mais que
alguns minutos para que ela estivesse pisando em terra firme novamente. O
vigilante com quem ela havia tratado tudo a aguardava e a conduziu até o
interior da prisão. No caminho, explicou-lhe que afastara os dementadores
dos corredores por onde ela passaria, assim como do prisioneiro, para que
ele pudesse estar lúcido durante sua visita.
Hermione caminhou
pelas paredes frias de pedra, imaginando que os dementadores não deveriam
estar tão longe, pois uma profunda tristeza a atingiu. Os corredores cinza
eram uma visão lúgubre, que deixava seu coração apertado cada vez que
passava mais tempo ali dentro. Finalmente, seu anfitrião parou à frente de
uma porta e estendeu a mão para ela.
– Sua varinha – ele
disse.
Ela entregou a varinha
para ele, que a guardou num bolso no interior de suas vestes e só então
abriu a porta, utilizando sua própria varinha.
– A porta não abre por
dentro, apenas eu poderei abri-la – ele explicou.
Hermione assentiu com
a cabeça e deu o primeiro passo em direção à cela de Severo Snape.
– Você tem vinte
minutos – ele declarou.
– Eu paguei por meia
hora – Hermione respondeu firme, virando-se para ele.
Como não houve
resposta, ela colocou a mão no bolso interno do casaco e retirou um saquinho
cheio de moedas, entregando-o para ele.
– Meia hora – ela
repetiu.
O vigilante assentiu
com a cabeça e saiu, deixando-a sozinha para enfrentar seu antigo mestre de
Poções.
Vendo ele se afastar,
Hermione deu um longo suspiro antes de abrir a porta destrancada e entrar na
cela. Snape estava sentado na cama que preenchia o cubículo, cabeça baixa
olhando para o chão, sem demonstrar a menor curiosidade por quem seria seu
visitante noturno.
Hermione não sabia o
que fazer. Assim que atravessou a porta, esta se fechou, e agora ela sabia
que só sairia dali dentro de meia hora. Ficou parada, observando-o em
silêncio. Impaciente, ele levantou os olhos e um pequeno sorriso malicioso
surgiu em seus lábios quando a reconheceu. Azkaban não conseguira acabar com
o mestre de Poções, ele ainda era o mesmo – Hermione pensou – , e para
confirmá-la, ele não pode deixar de soltar um comentário cínico:
– Ora, ora... A que
devo a visita da futura Sra. Weasley?
E agora? O que ela
responderia? Que estava ali justamente para se certificar dos sentimentos
dele por ela? Ou dela por ele? Que ela não conseguia entender exatamente o
que sentia? Ele riria dela. Não podia traduzir tudo que sentia com palavras,
e odiou-se por ainda se sentir daquele jeito na presença dele.
Mordendo os lábios,
ela deixou que ao menos uma vez seu corpo vencesse a razão e, sem uma
palavra, deixou cair no chão o casaco pesado que vestia. Snape a observava
em silêncio e apenas levantou uma sobrancelha quando ela se aproximou dele
vagarosamente.
Ela tinha que ser
rápida, antes que seu corpo recuasse e ela desistisse do que estava prestes
a fazer. Assim que chegou perto da cama onde ele estava sentado, inclinou-se
para o rosto dele e o beijou. Seus lábios quentes e carnudos encostaram-se
nos lábios finos e gelados dele, e foi como se ela se sentisse capaz de
derreter toda a frieza que ele sempre demonstrou contra ela. O corpo dele
estava frio como a cela que ele habitava, mas Hermione sentiu que havia um
homem sedento por baixo daquela figura seca e sofrida com as privações da
prisão e as assombrações dos dementadores.
Ele a desejava. Não porque ela era a única mulher que ele via depois de um ano preso, mas porque ela era a mulher que ele sempre desejara; ela via isso no brilho dos olhos dele, sentia isso com os beijos ávidos na pele dela, que ele descobria centímetro por centímetro. Hermione deixou que ele a despisse sem se preocupar onde estavam ou nas implicações do que estaria prestes a acontecer; ela apenas sabia que deveria ter feito aquilo há muito tempo e concentrou-se em proporcionar a ele as mesmas sensações que ele fazia crescer dentro dela.
Fizeram amor em
silêncio, palavras não eram necessárias com o brilho nos olhos dos dois
quando se encararam, atingindo o orgasmo. Agora Hermione sabia que jamais
poderia seguir com os planos de casamento com Rony Weasley: era outro homem
que ela amava, se é que podia chamar aquela atração inexplicável de amor.
Afinal, sempre lhe descreveram o amor como algo sereno e afetuoso, e o que
acabara de acontecer ali não era nem de longe tranqüilo e sereno.
Com pesar em seu
olhar, Snape observou Hermione afastar-se dele e se vestir, parando em
frente à porta de sua cela exatamente no momento em que a tranca se abriu
pelo lado de fora. Nada fora dito; nenhuma promessa, nenhum adeus. Ela
simplesmente saíra tão misteriosamente quanto chegara, e minutos depois, ele
pode sentir os dementadores se aproximando. Snape sorriu sob a cortina de
cabelos lisos e escuros que cobria seu rosto. Ele tinha aquela noite como
lembrança, aqueles vermes não conseguiriam tirar-lhe isso.
Do outro lado da
porta, Hermione caminhava pelo corredor úmido e escuro em direção a saída e
ao barco que a esperava para levar-lhe de volta a sua vida. Antes de
embarcar, ela certificou-se de ter obliviado o vigia que a conduzia e só
então seguiu para o lago.
Sozinha, no meio do
enorme lago que abrigava a ilha e a prisão bruxa de Azkaban, Hermione olhou
mais uma vez para seu anel de noivado. Um pálido raio do sol que começava a
nascer timidamente fez o aro dourado resplandecer. Era um anel muito bonito,
Hermione pensou, lamentando ter que devolvê-lo. Provavelmente, Gina e a Sra.
Weasley deixariam de falar com ela. Harry também não a perdoaria tão
facilmente e talvez também deixasse de falar com ela em consideração a Gina.
Entretanto, ela sabia que Rony entenderia. Ela partiria o coração dele no
início, mas sabia que ele entenderia que não poderiam começar um casamento
baseados apenas numa bela amizade. Algo em seu coração lhe dizia que um dia
seriam amigos novamente, e quem sabe, Harry e Gina também a perdoariam um
dia.
Quanto ao Snape, Hermione tinha apenas uma certeza; ele ainda tinha nove anos de pena para cumprir em Azkaban. Não esperaria por ele. Ela era jovem e ainda tinha muito que viver, não ficaria aguardando uma paixão adolescente. Entretanto, se no futuro ele viesse procurá-la, ela sabia que não conseguiria dizer-lhe não; assim como também sabia que era fácil entrar em Azkaban na calada da noite.